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Márcya Lira

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Márcya Lira

Alfabetizar começa com F de Família

É dentro de casa que as primeira palavras são formadas e onde as primeiras leituras podem apaixonar as crianças


Alguém me sugeriu escrever esta coluna com foco no Dia Nacional da Alfabetização, comemorado no último dia 14 deste mês. Eu que sou educadora e atuei durante muitos anos na Educação Infantil e Alfabetização, sei que a data é importante para todos nós, pais e educadores, refletirmos sobre nosso papel no processo de descoberta das letras de nossas crianças.

 

Durante o tempo que atuei em sala de aula, muitas técnicas revolucionárias surgiram sem que tornasse a missão de alfabetizar uma tarefa fácil, muito pelo contrario, as metodologias precisavam e precisam de fato avançar para acompanhar as gerações que evoluem e que já conseguiram até vencer o alfabeto inteirinho, entrando agora do estágio “Alfa”.

 

Foto: Pixabay

O fato é que muitos professores ainda nao tem as condições ideais para alfabetizar quando recebem salas lotadas, sem qualquer possibilidade de atuar no ensino mais individualizado, fato este que é fundamental para o período da alfabetização.

 

É aí que entra a importante participação dos pais no processo de alfabetização.


Muitos pais não sabem exatamente como podem ajudar seus filhos durante o período que a escola começa a atuar com a formação deste pequenos leitores e escritores, mas são coisas simples que partem do convívio familiar, o incentivo a leitura e os bons exemplos que impulsionarão a criança nesta árdua tarefa e que se transformará em algo extremamente prazeroso.


Gostaria de compartilhar com todos, algumas dicas sobre como os pais podem ajudar seus filhos no processo de alfabetização. Não, é nada complicado, mas, sendo feito com intencionalidade, ajuda a refletir o bom e velho hábito da leitura para quando esta criança for um adulto.


1. Deixe bilhetinhos espalhados pela casa



Faça isso junto com a criança. O melhor do aprendizado não é o fazer para”, mas sim o“fazer com”. Escrevam bilhetes para o papai, para os irmãos, para um tio distante. Deixe a criança “escrever” da sua maneira. Isso vai faze-la se interessar por se comunicar com pessoas a partir do hábito da escrita e perceber a real função das letras e sobre o quanto isso é importante para nós, despertando o interesse de querer participar sempre destes momentos em família.


2. Leia histórias

 

Sabe aquele velho hábito de ler para a criança antes de dormir? As vezes pode dar uma conotação de fazer isso como uma estratégia para “ninar” as crianças, mas o fato é que durante este momento estão sendo criadas conexões para a vida da criança com os livros e com a família. As memórias são construídas de forma positiva. Leia sem medo: gibis, revistas, contos de fada, a Biblia. Tenha o cuidado de sempre ler mais de uma vez o mesmo livro para que a criança possa depois recontar aquela historia e tornar-se protagonista nela. Dê a oportunidade de eles perceberem como a leitura é feita (da esquerda para a direita), diferenciando o que é texto e o que é desenho.

 

Foto: Pixabay

3. Seja um pai/mãe leitor(a)

 

Premissa básica para criar um ambiente de leitura é ter exemplos reais de pessoas que admiramos com o hábito desta pratica. Mostre para eles como procurar um livro na estante, escolha um livro por semana para ser lido em família, faça discussões sobre os livros lidos, leia revistas e jornais. Demonstre que você ama a leitura.


4. Fique atento à comunicação que está a sua volta

 

O meio em que estamos inseridos, está cheio de oportunidade de leitura. Se sairmos às ruas, as placas de transito, os ônibus, outdoors, faixas, tudo sempre faz com que estejamos em contato com experiências leitoras. Mostre semelhança das letras de placas com  nomes de pessoas da família ou sons silábicos similares. Esta também é uma forma de a criança perceber diversas funções da escrita. Brincar com as letras e as silabas sempre será um grande trunfo para chamar a atenção da criança e despertá-la para uma leitura mais compreensiva.


5. Livro de receitas



O ambiente alfabetizador pode ser qualquer um em que vocês esteja, basta saber aproveitar as oportunidades e sempre envolver a criança em atividades corriqueiras para que se sinta inserida e possa ser permitida vivenciar e ter contato com a língua escrita e falada. Use a culinária a seu favor. Faça as receitas junto com a criança e mostre pra ela na receita escrita onde estão os nomes dos ingredientes.


6. Não desperdice os rótulos da embalagens



A função linguística é muito interessante no universo infantil. Certa vez uma criança de minha família me chamou para dizer que sabia o que estava escrito na placa de um supermercado famoso. Lá estava a logo da empresa, mas ela disse: “tia, ali está escrito S U P E R M E R C A D O”. Ela não leu a palavra mas leu o símbolo. Isso acontece também com os rótulos de produtos, que na maioria das vezes vem escrito em caixa alta (letras maiúsculas) o que facilita o entendimento das letras. Explore bastante os rótulos e mostre os sons das silabas nos nomes dos produtos. A linguagem através de símbolos também faz parte do processo de alfabetização.


7. Envolva a criança na confecção de elementos simples


Quando a criança se sente participante, ela valoriza muito mais algumas coisas. Na próxima vez que for fazer um aniversario, chame a criança para ajudar na confecção dos convites. Pergunte o que tem que ser escrito, onde fica mais bonito e como escreveremos o nome do convidado. Certamente as menores terão mais dificuldades mas é possível introduzir essa pratica desde o primeiro aniversario da criança. Também é possível escrever cartões de natal, cartões de aniversario, etc.

 

Foto: Pixabay

8. Faça listas


Que tal convidar sua criança pra lhe ajudar a escrever listas de convidados pra uma festa, lista de supermercado, listas de musicas, etc? Faça com que ela perceba que a escrita tem a função também de registrar para não esquecer. Sempre que você for escrever algo na presença da criança, faça lendo em voz alta.


9. Agenda telefônica


Hoje em dia ninguém decora mais numero de telefones. Antigamente fazíamos lista telefônica no papel, hoje é possível fazer no próprio aparelho telefônico. Mostre para a criança como preencher uma agenda de telefone identificando diferença entre letras e números. Mostre que o telefone já separa em ordem alfabética e deixe-a interagir com a agenda. Sugira que ela encontre o nome de alguém e liguem para esta pessoa. 


Um alerta sempre importante é que cada um de nós possui um ritmo diferente. Investir no ambiente alfabetizador é fundamental, mas cada criança vai ter o seu tempo certo para desenvolver a sua escrita e leitura. Evite fazer comparações e sempre valorize o esforço da sua criança.


Ler e escrever tardiamente não representa problemas na aprendizagem ou ausência de inteligência, apenas entenda que cada criança tem o tempo certo para alcançar seu nível de maturidade de leitura, sem contar que no processo de aprendizado infantil, a criança tende a observar primeiro  e de repente ela começa a surpreender com a velocidade com que assimila algumas coisas, mas até chegar a esse momento, tem que haver muita paciência e insistência por parte daqueles que se dispõem a ajudar a criança.


 

Desejo a todos que não desistam e que busquem sempre ter uma alternativa interessante para oferecer às crianças em seu ambiente alfabetizador.

 

Até a próxima!

 

     

Alfabetizar começa com F de Família

É dentro de casa que as primeira palavras são formadas e onde as primeiras leituras podem apaixonar as crianças

Marcya Lira

marcya.lira@redeamazonica.com.br


Alguém me sugeriu escrever esta coluna com foco no Dia Nacional da Alfabetização, comemorado no último dia 14 deste mês. Eu que sou educadora e atuei durante muitos anos na Educação Infantil e Alfabetização, sei que a data é importante para todos nós, pais e educadores, refletirmos sobre nosso papel no processo de descoberta das letras de nossas crianças.

 

Durante o tempo que atuei em sala de aula, muitas técnicas revolucionárias surgiram sem que tornasse a missão de alfabetizar uma tarefa fácil, muito pelo contrario, as metodologias precisavam e precisam de fato avançar para acompanhar as gerações que evoluem e que já conseguiram até vencer o alfabeto inteirinho, entrando agora do estágio “Alfa”.

 

Foto: Pixabay

O fato é que muitos professores ainda nao tem as condições ideais para alfabetizar quando recebem salas lotadas, sem qualquer possibilidade de atuar no ensino mais individualizado, fato este que é fundamental para o período da alfabetização.

 

É aí que entra a importante participação dos pais no processo de alfabetização.


Muitos pais não sabem exatamente como podem ajudar seus filhos durante o período que a escola começa a atuar com a formação deste pequenos leitores e escritores, mas são coisas simples que partem do convívio familiar, o incentivo a leitura e os bons exemplos que impulsionarão a criança nesta árdua tarefa e que se transformará em algo extremamente prazeroso.


Gostaria de compartilhar com todos, algumas dicas sobre como os pais podem ajudar seus filhos no processo de alfabetização. Não, é nada complicado, mas, sendo feito com intencionalidade, ajuda a refletir o bom e velho hábito da leitura para quando esta criança for um adulto.


1. Deixe bilhetinhos espalhados pela casa



Faça isso junto com a criança. O melhor do aprendizado não é o fazer para”, mas sim o“fazer com”. Escrevam bilhetes para o papai, para os irmãos, para um tio distante. Deixe a criança “escrever” da sua maneira. Isso vai faze-la se interessar por se comunicar com pessoas a partir do hábito da escrita e perceber a real função das letras e sobre o quanto isso é importante para nós, despertando o interesse de querer participar sempre destes momentos em família.


2. Leia histórias

 

Sabe aquele velho hábito de ler para a criança antes de dormir? As vezes pode dar uma conotação de fazer isso como uma estratégia para “ninar” as crianças, mas o fato é que durante este momento estão sendo criadas conexões para a vida da criança com os livros e com a família. As memórias são construídas de forma positiva. Leia sem medo: gibis, revistas, contos de fada, a Biblia. Tenha o cuidado de sempre ler mais de uma vez o mesmo livro para que a criança possa depois recontar aquela historia e tornar-se protagonista nela. Dê a oportunidade de eles perceberem como a leitura é feita (da esquerda para a direita), diferenciando o que é texto e o que é desenho.

 

Foto: Pixabay

3. Seja um pai/mãe leitor(a)

 

Premissa básica para criar um ambiente de leitura é ter exemplos reais de pessoas que admiramos com o hábito desta pratica. Mostre para eles como procurar um livro na estante, escolha um livro por semana para ser lido em família, faça discussões sobre os livros lidos, leia revistas e jornais. Demonstre que você ama a leitura.


4. Fique atento à comunicação que está a sua volta

 

O meio em que estamos inseridos, está cheio de oportunidade de leitura. Se sairmos às ruas, as placas de transito, os ônibus, outdoors, faixas, tudo sempre faz com que estejamos em contato com experiências leitoras. Mostre semelhança das letras de placas com  nomes de pessoas da família ou sons silábicos similares. Esta também é uma forma de a criança perceber diversas funções da escrita. Brincar com as letras e as silabas sempre será um grande trunfo para chamar a atenção da criança e despertá-la para uma leitura mais compreensiva.


5. Livro de receitas



O ambiente alfabetizador pode ser qualquer um em que vocês esteja, basta saber aproveitar as oportunidades e sempre envolver a criança em atividades corriqueiras para que se sinta inserida e possa ser permitida vivenciar e ter contato com a língua escrita e falada. Use a culinária a seu favor. Faça as receitas junto com a criança e mostre pra ela na receita escrita onde estão os nomes dos ingredientes.


6. Não desperdice os rótulos da embalagens



A função linguística é muito interessante no universo infantil. Certa vez uma criança de minha família me chamou para dizer que sabia o que estava escrito na placa de um supermercado famoso. Lá estava a logo da empresa, mas ela disse: “tia, ali está escrito S U P E R M E R C A D O”. Ela não leu a palavra mas leu o símbolo. Isso acontece também com os rótulos de produtos, que na maioria das vezes vem escrito em caixa alta (letras maiúsculas) o que facilita o entendimento das letras. Explore bastante os rótulos e mostre os sons das silabas nos nomes dos produtos. A linguagem através de símbolos também faz parte do processo de alfabetização.


7. Envolva a criança na confecção de elementos simples


Quando a criança se sente participante, ela valoriza muito mais algumas coisas. Na próxima vez que for fazer um aniversario, chame a criança para ajudar na confecção dos convites. Pergunte o que tem que ser escrito, onde fica mais bonito e como escreveremos o nome do convidado. Certamente as menores terão mais dificuldades mas é possível introduzir essa pratica desde o primeiro aniversario da criança. Também é possível escrever cartões de natal, cartões de aniversario, etc.

 

Foto: Pixabay

8. Faça listas


Que tal convidar sua criança pra lhe ajudar a escrever listas de convidados pra uma festa, lista de supermercado, listas de musicas, etc? Faça com que ela perceba que a escrita tem a função também de registrar para não esquecer. Sempre que você for escrever algo na presença da criança, faça lendo em voz alta.


9. Agenda telefônica


Hoje em dia ninguém decora mais numero de telefones. Antigamente fazíamos lista telefônica no papel, hoje é possível fazer no próprio aparelho telefônico. Mostre para a criança como preencher uma agenda de telefone identificando diferença entre letras e números. Mostre que o telefone já separa em ordem alfabética e deixe-a interagir com a agenda. Sugira que ela encontre o nome de alguém e liguem para esta pessoa. 


Um alerta sempre importante é que cada um de nós possui um ritmo diferente. Investir no ambiente alfabetizador é fundamental, mas cada criança vai ter o seu tempo certo para desenvolver a sua escrita e leitura. Evite fazer comparações e sempre valorize o esforço da sua criança.


Ler e escrever tardiamente não representa problemas na aprendizagem ou ausência de inteligência, apenas entenda que cada criança tem o tempo certo para alcançar seu nível de maturidade de leitura, sem contar que no processo de aprendizado infantil, a criança tende a observar primeiro  e de repente ela começa a surpreender com a velocidade com que assimila algumas coisas, mas até chegar a esse momento, tem que haver muita paciência e insistência por parte daqueles que se dispõem a ajudar a criança.


 

Desejo a todos que não desistam e que busquem sempre ter uma alternativa interessante para oferecer às crianças em seu ambiente alfabetizador.

 

Até a próxima!

 

     

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