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Luciana Frazão

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Luciana Frazão

Rasga-mortalha, a espécie de coruja branca cercada de mitos na região Amazônica

A espécie está associada a má sorte na Amazônia, porém essa simpática corujinha na realidade desempenha um importante papel ecológico. Confira!

Luciana Frazão

luca.frazao@gmail.com


A rasga-mortalha (espécie Tyto furcata) é uma espécie de coruja da Tytonidae amplamente distribuída pela América do Sul, que pode ser encontrada em áreas urbanas abertas (cidades), casas velhas, torres, igrejas, fazendas, pastagens e bosques. Esses animais possuem um tamanho médio de 34,5 centímetros nos machos e de 35,2 para as fêmeas, sendo que a envergadura (comprimento de uma ponta a outra da asa) varia 75 a 110 centímetros (Foto 1).

 

Foto1: A rasga-mortalha (Tyto furcata) e sua envergadura. (Foto: Marcia Sidrim/Divulgação)

Com relação a dieta, a rasga-mortalha se alimenta principalmente de ratos e camundongos (Foto 2), muito devido a resiliência dessas corujas as áreas antropizadas, o que favorece o forrageamento (procura por presas) de roedores. Onde há cidades, há pessoas, logo há lixo e consequentemente, alta abundância de ratinhos. Mas além de roedores, a dieta da rasga-mortalha pode incluir outros pequenos vertebrados como sapos, lagartos, marsupiais (como pequenas mucuras) e quirópteros (morcegos) e invertebrados (principalmente besouros e gafanhotos).

 

Um fato curioso sobre o comportamento alimentar dessas corujas é que estas aves possuem o hábito de engolir sua presa inteira, sendo as partes não digeríveis (como pelos e unhas), compactadas e regurgitadas diariamente em forma de pelotas (o nome científico é egagrópilas) que ficam acumuladas no lugar onde esses animais formas abrigo. Com essas pelotas regurgitadas, é possível fazer uma análise da dieta dessa coruja em seu ambiente natural, bem como inferir sobre a fauna de pequenos vertebrados de uma determinada área, uma vez que pedaços de crânios, mandíbulas e dentes podem ser encontrados e identificados por um especialista. Legal, né? 

 

Foto 2: A rasga-mortalha (Tyto furcata) se alimenta principalmente de pequenos roedores (Foto: Ravaglia/Divulgação)

A rasga-mortalha é um predador tipicamente crepuscular-noturno, sendo altamente adaptada com uma visão noturna super eficiente, capaz de localizar suas presas na escuridão, audição apurada capaz de ouvir mesmo barulhos muito baixos e além disso, essa coruja apresenta penas muito macias e serrilhadas, que permitem um voo bastante silencioso. 

 

Quando em voo pode emitir uma vocalização muito forte e característica, parecida com um pano de seda sendo rasgado (daí o nome rasga?), sendo esse o motivo desse animal ser alvo de mitos, principalmente no norte e nordeste do Brasil. Acredita-se que quando essa ave passa por cima de alguma casa soltando a vocalização característica é sinal de que algum morador que está li por perto vai morrer. 

 

Não preciso nem falar que isso não passa de mito e não há nenhuma evidência científica que comprove essa “observação”. Ao invés de vermos esses animais como “aves agourentas” que tal passarmos a enxergar essas corujas com outros olhos e vê-las como os animais incríveis e que nos trazem sorte por motivos comprovados. Afinal, ter um aliado desses no controle de pragas urbanas que podem nos trazer doenças como ratos e morcegos, é ou não é uma sorte e tanto?

 

Espero que tenham gostado do texto de hoje! Abraços de sucuri pra vocês e até ao próximo animal incrível da nossa exuberante Amazônia!

 

     

Rasga-mortalha, a espécie de coruja branca cercada de mitos na região Amazônica

A espécie está associada a má sorte na Amazônia, porém essa simpática corujinha na realidade desempenha um importante papel ecológico. Confira!

Luciana Frazão

luca.frazao@gmail.com


A rasga-mortalha (espécie Tyto furcata) é uma espécie de coruja da Tytonidae amplamente distribuída pela América do Sul, que pode ser encontrada em áreas urbanas abertas (cidades), casas velhas, torres, igrejas, fazendas, pastagens e bosques. Esses animais possuem um tamanho médio de 34,5 centímetros nos machos e de 35,2 para as fêmeas, sendo que a envergadura (comprimento de uma ponta a outra da asa) varia 75 a 110 centímetros (Foto 1).

 

Foto1: A rasga-mortalha (Tyto furcata) e sua envergadura. (Foto: Marcia Sidrim/Divulgação)

Com relação a dieta, a rasga-mortalha se alimenta principalmente de ratos e camundongos (Foto 2), muito devido a resiliência dessas corujas as áreas antropizadas, o que favorece o forrageamento (procura por presas) de roedores. Onde há cidades, há pessoas, logo há lixo e consequentemente, alta abundância de ratinhos. Mas além de roedores, a dieta da rasga-mortalha pode incluir outros pequenos vertebrados como sapos, lagartos, marsupiais (como pequenas mucuras) e quirópteros (morcegos) e invertebrados (principalmente besouros e gafanhotos).

 

Um fato curioso sobre o comportamento alimentar dessas corujas é que estas aves possuem o hábito de engolir sua presa inteira, sendo as partes não digeríveis (como pelos e unhas), compactadas e regurgitadas diariamente em forma de pelotas (o nome científico é egagrópilas) que ficam acumuladas no lugar onde esses animais formas abrigo. Com essas pelotas regurgitadas, é possível fazer uma análise da dieta dessa coruja em seu ambiente natural, bem como inferir sobre a fauna de pequenos vertebrados de uma determinada área, uma vez que pedaços de crânios, mandíbulas e dentes podem ser encontrados e identificados por um especialista. Legal, né? 

 

Foto 2: A rasga-mortalha (Tyto furcata) se alimenta principalmente de pequenos roedores (Foto: Ravaglia/Divulgação)

A rasga-mortalha é um predador tipicamente crepuscular-noturno, sendo altamente adaptada com uma visão noturna super eficiente, capaz de localizar suas presas na escuridão, audição apurada capaz de ouvir mesmo barulhos muito baixos e além disso, essa coruja apresenta penas muito macias e serrilhadas, que permitem um voo bastante silencioso. 

 

Quando em voo pode emitir uma vocalização muito forte e característica, parecida com um pano de seda sendo rasgado (daí o nome rasga?), sendo esse o motivo desse animal ser alvo de mitos, principalmente no norte e nordeste do Brasil. Acredita-se que quando essa ave passa por cima de alguma casa soltando a vocalização característica é sinal de que algum morador que está li por perto vai morrer. 

 

Não preciso nem falar que isso não passa de mito e não há nenhuma evidência científica que comprove essa “observação”. Ao invés de vermos esses animais como “aves agourentas” que tal passarmos a enxergar essas corujas com outros olhos e vê-las como os animais incríveis e que nos trazem sorte por motivos comprovados. Afinal, ter um aliado desses no controle de pragas urbanas que podem nos trazer doenças como ratos e morcegos, é ou não é uma sorte e tanto?

 

Espero que tenham gostado do texto de hoje! Abraços de sucuri pra vocês e até ao próximo animal incrível da nossa exuberante Amazônia!

 

     

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