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Flávio Lauria

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Sorrir ou chorar

Como será que enfrentaremos a festa com essa crise? Que vontade tenho de chorar. Chorar de tristeza e me lamentar

Flávio Lauria


Hoje quarta-feira, dia de entregar meu artigo, amanheci mais poético creio. Quase amanhecendo, espero pelo sol, mas ele não aparece. A fumaça envolve a cidade de Manaus, respira-se com dificuldade e a melancolia torna-se uma ameaça. Não escuto o som natural dos pássaros. Ligo a televisão e pelo horário de verão já passou das oito da manhã no Sudeste, e as primeiras notícias são tristes como esse amanhecer. As ruas e avenidas, entupidas de carros, impedem a circulação dos que se deslocam para o trabalho. A greve dos bancos chegou ao fim ainda bem, mas em compensação vejo que a Embraer tem prejuízo de mais de trezentos e oitenta milhões, o Enem, faz uma prova conteudista com erros em sua formulação, os juros do cartão de crédito passam dos quatrocentos por cento ao ano, o déficit primário será de mais de cinquenta bilhões. Em Manaus, anunciado aumento de energia de quase quarenta por cento, em Manacapuru um capitão determina a pena de morte, prometendo matar os criminosos. Absurdos. O Natal está chegando e deveríamos estar em permanente estado de parto. Todo dia, um Natal. Toda hora, um nascer para alguma coisa, para alguma situação. ‘‘A toda hora rola uma história, é preciso estar atento’’, canta Paulinho da Viola. Como será que enfrentaremos a festa com essa crise? Que vontade tenho de chorar. Chorar de tristeza e me lamentar. Porém, em segundos, jogo tudo para o ar, imediatamente tenho que mudar. É melhor sorrir ao lembrar que a chuva vai melhorar esse calor de deserto. Os pássaros estão nos ninhos e, no próximo sol, novos cantos iremos escutar. A chuva vai limpar a passarela para que a saúde possa melhorar. Vou sorrir e procurar atrair mais para perto, os meus filhos e netos, meus amigos, companheiros de trabalho e profissão, trabalhando os valores reais para uma sociedade com mais educação, conhecimento, ética, respeito, preservação da nossa cultura e justiça social, a fim de que jovens loiras ou morenas não morram crivadas de balas, mas de morte natural, velhas e bonitas. Faço minha parte. Vamos manter a tradição do Natal e convocar os empresários de nosso Distrito Industrial a investir em obras assistenciais. Dessa forma, um mais um seria igual a três. Chorar, só por amor, pois dói mais quando choramos de dor. Segunda feira é dia de Finados, dia tão sinistro como é redundante dizê-lo. Lembro de alguns amigos que se foram neste ano e acho que é melhor estar desse lado do que do outro. Ouvir-se-ão, no domingo, os primeiros vagidos dos dias do mês de novembro, e como dizem, acabou o ano. Estou vago e impreciso nas definições, frases talvez desconexas, desativadas. Misturo preâmbulos de cogitações. Então concluo, chorar não, sorrir sempre, todos os dias, mesmo nas manhãs esfumaçadas de nossa cidade, pois assim será afastada a melancolia, trazendo a poesia para a alma, irradiando alegria para todos que vivem de bem com essa vida. E festejemos com um bom Cabernet, com seu indelével toque de boa cepa.
Flávio Lauria

Sorrir ou chorar

Como será que enfrentaremos a festa com essa crise? Que vontade tenho de chorar. Chorar de tristeza e me lamentar

Flávio Lauria


Hoje quarta-feira, dia de entregar meu artigo, amanheci mais poético creio. Quase amanhecendo, espero pelo sol, mas ele não aparece. A fumaça envolve a cidade de Manaus, respira-se com dificuldade e a melancolia torna-se uma ameaça. Não escuto o som natural dos pássaros. Ligo a televisão e pelo horário de verão já passou das oito da manhã no Sudeste, e as primeiras notícias são tristes como esse amanhecer. As ruas e avenidas, entupidas de carros, impedem a circulação dos que se deslocam para o trabalho. A greve dos bancos chegou ao fim ainda bem, mas em compensação vejo que a Embraer tem prejuízo de mais de trezentos e oitenta milhões, o Enem, faz uma prova conteudista com erros em sua formulação, os juros do cartão de crédito passam dos quatrocentos por cento ao ano, o déficit primário será de mais de cinquenta bilhões. Em Manaus, anunciado aumento de energia de quase quarenta por cento, em Manacapuru um capitão determina a pena de morte, prometendo matar os criminosos. Absurdos. O Natal está chegando e deveríamos estar em permanente estado de parto. Todo dia, um Natal. Toda hora, um nascer para alguma coisa, para alguma situação. ‘‘A toda hora rola uma história, é preciso estar atento’’, canta Paulinho da Viola. Como será que enfrentaremos a festa com essa crise? Que vontade tenho de chorar. Chorar de tristeza e me lamentar. Porém, em segundos, jogo tudo para o ar, imediatamente tenho que mudar. É melhor sorrir ao lembrar que a chuva vai melhorar esse calor de deserto. Os pássaros estão nos ninhos e, no próximo sol, novos cantos iremos escutar. A chuva vai limpar a passarela para que a saúde possa melhorar. Vou sorrir e procurar atrair mais para perto, os meus filhos e netos, meus amigos, companheiros de trabalho e profissão, trabalhando os valores reais para uma sociedade com mais educação, conhecimento, ética, respeito, preservação da nossa cultura e justiça social, a fim de que jovens loiras ou morenas não morram crivadas de balas, mas de morte natural, velhas e bonitas. Faço minha parte. Vamos manter a tradição do Natal e convocar os empresários de nosso Distrito Industrial a investir em obras assistenciais. Dessa forma, um mais um seria igual a três. Chorar, só por amor, pois dói mais quando choramos de dor. Segunda feira é dia de Finados, dia tão sinistro como é redundante dizê-lo. Lembro de alguns amigos que se foram neste ano e acho que é melhor estar desse lado do que do outro. Ouvir-se-ão, no domingo, os primeiros vagidos dos dias do mês de novembro, e como dizem, acabou o ano. Estou vago e impreciso nas definições, frases talvez desconexas, desativadas. Misturo preâmbulos de cogitações. Então concluo, chorar não, sorrir sempre, todos os dias, mesmo nas manhãs esfumaçadas de nossa cidade, pois assim será afastada a melancolia, trazendo a poesia para a alma, irradiando alegria para todos que vivem de bem com essa vida. E festejemos com um bom Cabernet, com seu indelével toque de boa cepa.

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