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Flávio Lauria

Reeleição

A busca dos votos compromete o voto do mandatário, dividido entre o interesse da coletividade, ou pensar sozinho no de uma minoria

Flávio Lauria


Como escrevi no artigo anterior, a democracia apesar de seus defeitos, continua sendo o melhor regime possível, ou o menos ruim de todos, até que criem outro melhor. Tantas são suas qualidades e excelências que é desnecessário apregoá-las. Seus defeitos é que devem ser apontados e estudados, visando a corrigi-los para aperfeiçoar o regime. Entre estes há um que compromete suas qualidades, e é precisamente o voto. Os mesmos votos que servem para escolher os melhores, os mais representativos, os mais capazes, os mais honestos, servem também para fazer com que o candidato de ontem, cheio de virtudes e qualidades, passe a cortejá-los, visando garantir sua recondução para o cargo eletivo, tão ambicionado e tão difícil do mesmo se afastar. Em Manaus, no âmbito do Legislativo, temos lições expressivas do que um voto pode fazer, mesmo que contra os interesses de uma coletividade, mas para garantir os votos que reconduzam o eleito. Propostas como roupas brancas apenas para profissionais da saúde, criação de pipódromo, neutralizadores de odor para caminhões de lixo, leitura de versículos da Bíblia para conter a violência de estudantes, incorporação de palavras como baitola, pinguelo, cabaço e xibiu, se tornem patrimônio imaterial do Estado, são algumas que mesmo esdruxulas, certamente levam os autores, talvez pensando na próxima eleição, a concluirem que, capitalizarão para si a grande massa de votos de profissionais de saúde, daqueles que não gostariam mais de exalar o chorume que cheiro característico que vem da decomposição do resíduo orgânico alimentar e dos que gostam de falar palavras metamorfoseadas. Votos suficientes para assegurar sua reeleição. A busca dos votos compromete o voto do mandatário, dividido entre o interesse da coletividade com centenas de concorrentes, ou pensar sozinho no de uma minoria, que certamente lhe canalizará expressivo contingente eleitoral. Quando um determinado dirigente ou grupo se eterniza no poder, promove uma confusão perversa entre a estrutura do Estado e a do governo.Então aí vai minha proposta para aperfeiçoar o sistema democrático: para que o eleito, no cumprimento do mandato, tenha ampla liberdade de decidir entre o interesse coletivo ou o de um segmento da sociedade. Para que o mandatário não sobreponha seu interesse eleitoral ao da coletividade, a lei maior deve traçar regra segundo a qual o eleito para qualquer cargo não possa ser reconduzido.Após o cumprimento de seu encargo como representante popular, o detentor de cargo eletivo deve ficar inibido de concorrer a qualquer cargo por período não inferior ao dobro do mandato cumprido.Com isto ele deixará de pensar nos votos que podem reconduzi-lo àquele cargo tão gostoso, pensando apenas no voto que vai dar quando chamado a se pronunciar sobre um projeto em tramitação, que interesse a toda coletividade. A verdade é que, numa democracia mais madura, menos sujeita a clientelismos e populismos, a alternância desponta como consequência natural, pois crises econômicas acontecem e o poder desgasta. É apenas uma sugestão. Que tal?.

Flávio Lauria

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Reeleição

A busca dos votos compromete o voto do mandatário, dividido entre o interesse da coletividade, ou pensar sozinho no de uma minoria

Flávio Lauria


Como escrevi no artigo anterior, a democracia apesar de seus defeitos, continua sendo o melhor regime possível, ou o menos ruim de todos, até que criem outro melhor. Tantas são suas qualidades e excelências que é desnecessário apregoá-las. Seus defeitos é que devem ser apontados e estudados, visando a corrigi-los para aperfeiçoar o regime. Entre estes há um que compromete suas qualidades, e é precisamente o voto. Os mesmos votos que servem para escolher os melhores, os mais representativos, os mais capazes, os mais honestos, servem também para fazer com que o candidato de ontem, cheio de virtudes e qualidades, passe a cortejá-los, visando garantir sua recondução para o cargo eletivo, tão ambicionado e tão difícil do mesmo se afastar. Em Manaus, no âmbito do Legislativo, temos lições expressivas do que um voto pode fazer, mesmo que contra os interesses de uma coletividade, mas para garantir os votos que reconduzam o eleito. Propostas como roupas brancas apenas para profissionais da saúde, criação de pipódromo, neutralizadores de odor para caminhões de lixo, leitura de versículos da Bíblia para conter a violência de estudantes, incorporação de palavras como baitola, pinguelo, cabaço e xibiu, se tornem patrimônio imaterial do Estado, são algumas que mesmo esdruxulas, certamente levam os autores, talvez pensando na próxima eleição, a concluirem que, capitalizarão para si a grande massa de votos de profissionais de saúde, daqueles que não gostariam mais de exalar o chorume que cheiro característico que vem da decomposição do resíduo orgânico alimentar e dos que gostam de falar palavras metamorfoseadas. Votos suficientes para assegurar sua reeleição. A busca dos votos compromete o voto do mandatário, dividido entre o interesse da coletividade com centenas de concorrentes, ou pensar sozinho no de uma minoria, que certamente lhe canalizará expressivo contingente eleitoral. Quando um determinado dirigente ou grupo se eterniza no poder, promove uma confusão perversa entre a estrutura do Estado e a do governo.Então aí vai minha proposta para aperfeiçoar o sistema democrático: para que o eleito, no cumprimento do mandato, tenha ampla liberdade de decidir entre o interesse coletivo ou o de um segmento da sociedade. Para que o mandatário não sobreponha seu interesse eleitoral ao da coletividade, a lei maior deve traçar regra segundo a qual o eleito para qualquer cargo não possa ser reconduzido.Após o cumprimento de seu encargo como representante popular, o detentor de cargo eletivo deve ficar inibido de concorrer a qualquer cargo por período não inferior ao dobro do mandato cumprido.Com isto ele deixará de pensar nos votos que podem reconduzi-lo àquele cargo tão gostoso, pensando apenas no voto que vai dar quando chamado a se pronunciar sobre um projeto em tramitação, que interesse a toda coletividade. A verdade é que, numa democracia mais madura, menos sujeita a clientelismos e populismos, a alternância desponta como consequência natural, pois crises econômicas acontecem e o poder desgasta. É apenas uma sugestão. Que tal?.

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