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Flávio Lauria

Parar a bola

Como os consultores empresariais tratam o dia-a-dia das empresas: como uma longa jornada através das dificuldades, mudanças de paradigmas

Flávio Lauria


Final do mês de Janeiro e o ano parece que ainda não começou. O cenário político está impossível de interpretar. E chega até ser divertido assistir aos comentaristas e cientistas políticos criando o cenário futuro e acabam concluindo que tudo é marketing. Penso na frase de uma alto executivo internacional, que diz mais ou menos assim: "Eu frequentemente erro as minhas previsões, mas o importante é que os meus erros estejam baseados em análises de longo prazo". É como os economistas gostam de tratar os fatos. Mais recentemente, como os consultores empresariais tratam o dia-a-dia das empresas: como uma longa jornada através das dificuldades, mudanças de paradigmas (passei a abominar esta palavra depois dos consultores de gestão), preconceitos, até o momento que morremos, claro. Bem diz outro empresário, o empreendedor Josimar Henrique, presidente do laboratório farmacêutico Hebron: "Não acredito em consultores que nunca tiveram que decidir qual fatura temos de pagar hoje e qual não. São os mesmos que chegam com os jargões do dia e, quando falamos em organograma, dizem gestão de estrutura, quando falamos em planejamento estratégico, dizem gestão ampliada de negócios e acabam concluindo que tudo é marketing.” Mas antes da Semana Santa e depois do Carnaval sempre há uma acomodação na agenda do brasileiro, uma espécie de preparativo para o início do ano. Daí em diante, a coisa pega. Mas esse ano tinha muito o que prometer. Deixa para lá. Depois da Semana Santa, só falaremos mesmo de Olimpíadas e política. Aí, sim, vai ser superdosagem de propaganda e blá-blá-blá (o hífen é obrigatório). Seja lá o que falemos, falaremos de dúvidas. Até o momento não sabemos qual é o time base do Brasil. Até o momento não sabemos quem fica e quem sai da disputa política. Gente que ninguém nunca ouviu falar, cresce. Gente que só ouvimos falar de quatro em quatro anos, permanece. Gente que ninguém nunca imaginou, aparece e, ao que parece, também desaparece. Mas são todas especulações. De repente, o Brasil da Seleção brasileira, tão desacreditada e sem conjunto, vai lá e ganha. De repente, quem menos esperamos e de onde menos imaginamos que algo possa acontecer, acaba sendo eleito, como aliás, uma vez se deu por ocorrido entre nós e até hoje tentamos explicar como tudo aconteceu e como, de repente, tudo deixou de acontecer. Estou tentando começar o ano, mas não me esqueço o que o governo está pregando: pessoal, este não é um bom ano para realizar coisas, não é um bom ano para investir, é como se dissesse: fique em casa, descanse, medite. Deixe o tempo passar, aja sem agir. Ainda mais num ano de tantas decisões. Não digo que a culpa é dos expertos em marketing e dos consultores de gestão, não, a culpa é da inapetência do governo em saber gerir. Só me veio à cabeça uma frase que ouvi há uns quarenta anos, mais ou menos, quando eu jogava futebol e achava que o jogo era ganho com força e velocidade: é melhor parar a bola. 

Flávio Lauria

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Parar a bola

Como os consultores empresariais tratam o dia-a-dia das empresas: como uma longa jornada através das dificuldades, mudanças de paradigmas

Flávio Lauria


Final do mês de Janeiro e o ano parece que ainda não começou. O cenário político está impossível de interpretar. E chega até ser divertido assistir aos comentaristas e cientistas políticos criando o cenário futuro e acabam concluindo que tudo é marketing. Penso na frase de uma alto executivo internacional, que diz mais ou menos assim: "Eu frequentemente erro as minhas previsões, mas o importante é que os meus erros estejam baseados em análises de longo prazo". É como os economistas gostam de tratar os fatos. Mais recentemente, como os consultores empresariais tratam o dia-a-dia das empresas: como uma longa jornada através das dificuldades, mudanças de paradigmas (passei a abominar esta palavra depois dos consultores de gestão), preconceitos, até o momento que morremos, claro. Bem diz outro empresário, o empreendedor Josimar Henrique, presidente do laboratório farmacêutico Hebron: "Não acredito em consultores que nunca tiveram que decidir qual fatura temos de pagar hoje e qual não. São os mesmos que chegam com os jargões do dia e, quando falamos em organograma, dizem gestão de estrutura, quando falamos em planejamento estratégico, dizem gestão ampliada de negócios e acabam concluindo que tudo é marketing.” Mas antes da Semana Santa e depois do Carnaval sempre há uma acomodação na agenda do brasileiro, uma espécie de preparativo para o início do ano. Daí em diante, a coisa pega. Mas esse ano tinha muito o que prometer. Deixa para lá. Depois da Semana Santa, só falaremos mesmo de Olimpíadas e política. Aí, sim, vai ser superdosagem de propaganda e blá-blá-blá (o hífen é obrigatório). Seja lá o que falemos, falaremos de dúvidas. Até o momento não sabemos qual é o time base do Brasil. Até o momento não sabemos quem fica e quem sai da disputa política. Gente que ninguém nunca ouviu falar, cresce. Gente que só ouvimos falar de quatro em quatro anos, permanece. Gente que ninguém nunca imaginou, aparece e, ao que parece, também desaparece. Mas são todas especulações. De repente, o Brasil da Seleção brasileira, tão desacreditada e sem conjunto, vai lá e ganha. De repente, quem menos esperamos e de onde menos imaginamos que algo possa acontecer, acaba sendo eleito, como aliás, uma vez se deu por ocorrido entre nós e até hoje tentamos explicar como tudo aconteceu e como, de repente, tudo deixou de acontecer. Estou tentando começar o ano, mas não me esqueço o que o governo está pregando: pessoal, este não é um bom ano para realizar coisas, não é um bom ano para investir, é como se dissesse: fique em casa, descanse, medite. Deixe o tempo passar, aja sem agir. Ainda mais num ano de tantas decisões. Não digo que a culpa é dos expertos em marketing e dos consultores de gestão, não, a culpa é da inapetência do governo em saber gerir. Só me veio à cabeça uma frase que ouvi há uns quarenta anos, mais ou menos, quando eu jogava futebol e achava que o jogo era ganho com força e velocidade: é melhor parar a bola. 

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