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Flávio Lauria

Os 100 dias

"Os três primeiros meses e dias da administração Bolsonaro não fugiram ao trivial variado de outros 100 primeiros dias"


A numerologia política transformou o número de 100 - cem dias de Governo - num fetiche. Hoje 10 de Abril faz exatamente cem dias que assumiu o governo Bolsonaro e outros governos da Federação. Não é criação brasileira, mas adoção nacional do ideário político forâneo.

Deu-se aos primeiros dias de uma administração o prestígio de um número mágico, a relevância de um ponto de inflexão que tenham porventura a força de uma tendência. Embora falsa a ilação, é usual ver nos êxitos da lua de mel governamental a chave-mestra que o futuro administrativo utilizará a partir de então para abrir todas as portas, vale dizer, para superar as dificuldades que surjam pela frente.

 
 
Foto: Arquivo/Agência Brasil
 
Os três primeiros meses e dias da administração Bolsonaro não fugiram ao trivial variado de outros 100 primeiros dias. Altos e baixos foram vistos, uns salientados pela visão dos meios de comunicação, outros diluídos nas horas de mesmice da política nacional. Foi necessário que se fizesse uma síntese oral e escrita de quanto se passou no período, foi oportuno apreciar a análise do primeiro mandatário e também a do vice-presidente Mourão, para ver se a lua de mel governamental produziu algum sinal consistente para o próximo futuro do País.

O presidente Bolsonaro depois de varias caneladas teve a dignidade de admitir a ocorrência de falhas em inúmeras iniciativas praticadas talvez no afogadilho da estreia, fazendo menção às medidas tachadas de amargas que foi compelido a tomar, em coerência com a reaquisição da estabilidade econômica, em janeiro de certa forma comprometida pela inquietude dos mercados. Também admitiu que o novo salário mínimo não é aquele com que sonhavam os trabalhadores assalariados do País, mas o salário que a economia poderá pagar sem novos traumas.

Os tropeços iniciais do programa foram reconhecidos com a ponderação de que coisa tão vasta jamais foi anteriormente tentada neste País. As reformas previdenciária e tributária foram outra vez enfatizadas como um desses compromissos que o Governo assume de modo irrevogável. Obras paralisadas terão prioridade sobre novas obras. A segurança pública assumiu, de fato, no Governo entrante, a prioridade que todos estavam a exigir.

O presidente da República encerrou o depoimento dizendo-se otimista com o futuro do País e convencido, hoje, mais do que nunca, de que tem escolhido até aqui as opções certas nos momentos oportunos há opiniões para todos os gostos. A oposição, ao elogiar apenas a condução econômica, deu aos 100 primeiros dias de Governo a nota de "sofrível", 5,5 numa escala de 0 a 10.

Valeram as opiniões como barômetro para a medida da pressão socioeconômica do momento vivido pelo País, nas circunstâncias peculiares do novo Governo. No plano estadual, não se pode fazer uma avaliação boa, a expectativa é inclusive que o governo estadual não chegue aos seis meses de mandato pela robustez de provas, que existem de compra de votos e achaques.

     

Flávio Lauria

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Os 100 dias

"Os três primeiros meses e dias da administração Bolsonaro não fugiram ao trivial variado de outros 100 primeiros dias"

Flávio Lauria

lauriaferreira@hotmail.com


A numerologia política transformou o número de 100 - cem dias de Governo - num fetiche. Hoje 10 de Abril faz exatamente cem dias que assumiu o governo Bolsonaro e outros governos da Federação. Não é criação brasileira, mas adoção nacional do ideário político forâneo.

Deu-se aos primeiros dias de uma administração o prestígio de um número mágico, a relevância de um ponto de inflexão que tenham porventura a força de uma tendência. Embora falsa a ilação, é usual ver nos êxitos da lua de mel governamental a chave-mestra que o futuro administrativo utilizará a partir de então para abrir todas as portas, vale dizer, para superar as dificuldades que surjam pela frente.

 
 
Foto: Arquivo/Agência Brasil
 
Os três primeiros meses e dias da administração Bolsonaro não fugiram ao trivial variado de outros 100 primeiros dias. Altos e baixos foram vistos, uns salientados pela visão dos meios de comunicação, outros diluídos nas horas de mesmice da política nacional. Foi necessário que se fizesse uma síntese oral e escrita de quanto se passou no período, foi oportuno apreciar a análise do primeiro mandatário e também a do vice-presidente Mourão, para ver se a lua de mel governamental produziu algum sinal consistente para o próximo futuro do País.

O presidente Bolsonaro depois de varias caneladas teve a dignidade de admitir a ocorrência de falhas em inúmeras iniciativas praticadas talvez no afogadilho da estreia, fazendo menção às medidas tachadas de amargas que foi compelido a tomar, em coerência com a reaquisição da estabilidade econômica, em janeiro de certa forma comprometida pela inquietude dos mercados. Também admitiu que o novo salário mínimo não é aquele com que sonhavam os trabalhadores assalariados do País, mas o salário que a economia poderá pagar sem novos traumas.

Os tropeços iniciais do programa foram reconhecidos com a ponderação de que coisa tão vasta jamais foi anteriormente tentada neste País. As reformas previdenciária e tributária foram outra vez enfatizadas como um desses compromissos que o Governo assume de modo irrevogável. Obras paralisadas terão prioridade sobre novas obras. A segurança pública assumiu, de fato, no Governo entrante, a prioridade que todos estavam a exigir.

O presidente da República encerrou o depoimento dizendo-se otimista com o futuro do País e convencido, hoje, mais do que nunca, de que tem escolhido até aqui as opções certas nos momentos oportunos há opiniões para todos os gostos. A oposição, ao elogiar apenas a condução econômica, deu aos 100 primeiros dias de Governo a nota de "sofrível", 5,5 numa escala de 0 a 10.

Valeram as opiniões como barômetro para a medida da pressão socioeconômica do momento vivido pelo País, nas circunstâncias peculiares do novo Governo. No plano estadual, não se pode fazer uma avaliação boa, a expectativa é inclusive que o governo estadual não chegue aos seis meses de mandato pela robustez de provas, que existem de compra de votos e achaques.

     

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