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Flávio Lauria

Meu caminho

Parece que as vezes é muito fácil escolher um tema da crônica semanal, mas a diversidade deles torna mais difícil a tarefa


Parece que as vezes é muito fácil escolher um tema da crônica semanal, mas a diversidade deles torna mais difícil a tarefa. Fiquei entre escrever sobre as Olimpíadas no Rio, ou sobre as coligações partidárias para as eleições em Manaus em outubro próximo, aí optei por um tema sentimental.
Dentre poucas músicas que me causam emoção, uma delas é My Way, titulo em inglês da canção Comme D'habitude que foi lançada pela primeira vez pelo autor, Claude François, imortalizada por Frank Sinatra e Elvis Presley, e que teve Paul Anka que ouviu a canção durante uma emissão da televisão francesa, e adquiriu seus direitos em língua inglesa para seu estúdio de produção nos Estados Unidos. Seus acordes estão até hoje presentes para causar emoção em velhos e novos corações.
Minha geração foi embalada no romantismo despertado pela inolvidável canção. Durante os bailes sabáticos do antigo Ideal Clube ou no baile domingueiro do mingau do mesmo clube, nos deixavam impregnar pela sedução despertada nos boleros e canções em voga naquele tempo. Tenho certeza que todos os leitores que já passaram dos quarenta, ao ouvir My Way têm a musicalidade bailando na lembrança. É possível até mesmo ensaiar alguns passos de dança ao seu ritmo dolente.
Quando me recordo dos bailes destinados no Clube da Aeronáutica onde tocava Blue Bird's, havia uma onde carimbó na cidade, face os inúmeros paraenses que frequentavam aquele local, mas ao tocar My Way, o salão enchia dos casais enamorados. Assim acontecia no Bancrevea, no Rio Negro, no Ypiranga, nos Barés e em todos os clubes. Como mudaram os tempos.
Hoje pares rodopiam separados em músicas destituídas de harmonia ou suavidade num tempo marcado pela mais intensa liberdade sexual. Percebo, nas raras oportunidades em que compareço a festas, o efeito calmante e sedutor, quando a música de sofrência, daquele um por cento vagabundo, é substituída por uma canção como My Way. Há imediata adaptação dos pares na aproximação dos corpos, como se estivessem tangidos pela magia do prazer. Por todas essas recordações e lembranças, despertadas pela audição hoje dessa maravilhosa música, a preferência da crônica semanal.
Os leitores pertencentes a geração que ouviu e curte essa música deve ter penetrado no mundo de suas saudades para reviver um curto e breve momento de emoção. Ao contrário, se você pertence a estas novas e novíssimas gerações, com músicas belas também como dos Justin Bieber ou do Timberlake pare um instante e busque ouvir em silêncio essa imortal mistura de fox, pop, jazz, e vai sentir como seus ancestrais viveram, instantes maravilhosos.
Afinal no mundo apressado de hoje, ouvir que "arrependimentos teve alguns, mas são tão poucos para mencionar, e fez o que tinha que fazer", equivale a sentir a eternidade do amor, jamais interrompida pela voragem do tempo e a crueldade do homem. Em suma, é melhor escrever sobre esta canção do que sobre algumas vergonhas da Olimpíada do Rio e das confusas coligações partidárias da próxima eleição.

Flávio Lauria

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Meu caminho

Parece que as vezes é muito fácil escolher um tema da crônica semanal, mas a diversidade deles torna mais difícil a tarefa

Flávio Lauria

lauriaferreira@hotmail.com


Parece que as vezes é muito fácil escolher um tema da crônica semanal, mas a diversidade deles torna mais difícil a tarefa. Fiquei entre escrever sobre as Olimpíadas no Rio, ou sobre as coligações partidárias para as eleições em Manaus em outubro próximo, aí optei por um tema sentimental.
Dentre poucas músicas que me causam emoção, uma delas é My Way, titulo em inglês da canção Comme D'habitude que foi lançada pela primeira vez pelo autor, Claude François, imortalizada por Frank Sinatra e Elvis Presley, e que teve Paul Anka que ouviu a canção durante uma emissão da televisão francesa, e adquiriu seus direitos em língua inglesa para seu estúdio de produção nos Estados Unidos. Seus acordes estão até hoje presentes para causar emoção em velhos e novos corações.
Minha geração foi embalada no romantismo despertado pela inolvidável canção. Durante os bailes sabáticos do antigo Ideal Clube ou no baile domingueiro do mingau do mesmo clube, nos deixavam impregnar pela sedução despertada nos boleros e canções em voga naquele tempo. Tenho certeza que todos os leitores que já passaram dos quarenta, ao ouvir My Way têm a musicalidade bailando na lembrança. É possível até mesmo ensaiar alguns passos de dança ao seu ritmo dolente.
Quando me recordo dos bailes destinados no Clube da Aeronáutica onde tocava Blue Bird's, havia uma onde carimbó na cidade, face os inúmeros paraenses que frequentavam aquele local, mas ao tocar My Way, o salão enchia dos casais enamorados. Assim acontecia no Bancrevea, no Rio Negro, no Ypiranga, nos Barés e em todos os clubes. Como mudaram os tempos.
Hoje pares rodopiam separados em músicas destituídas de harmonia ou suavidade num tempo marcado pela mais intensa liberdade sexual. Percebo, nas raras oportunidades em que compareço a festas, o efeito calmante e sedutor, quando a música de sofrência, daquele um por cento vagabundo, é substituída por uma canção como My Way. Há imediata adaptação dos pares na aproximação dos corpos, como se estivessem tangidos pela magia do prazer. Por todas essas recordações e lembranças, despertadas pela audição hoje dessa maravilhosa música, a preferência da crônica semanal.
Os leitores pertencentes a geração que ouviu e curte essa música deve ter penetrado no mundo de suas saudades para reviver um curto e breve momento de emoção. Ao contrário, se você pertence a estas novas e novíssimas gerações, com músicas belas também como dos Justin Bieber ou do Timberlake pare um instante e busque ouvir em silêncio essa imortal mistura de fox, pop, jazz, e vai sentir como seus ancestrais viveram, instantes maravilhosos.
Afinal no mundo apressado de hoje, ouvir que "arrependimentos teve alguns, mas são tão poucos para mencionar, e fez o que tinha que fazer", equivale a sentir a eternidade do amor, jamais interrompida pela voragem do tempo e a crueldade do homem. Em suma, é melhor escrever sobre esta canção do que sobre algumas vergonhas da Olimpíada do Rio e das confusas coligações partidárias da próxima eleição.

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