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Flávio Lauria

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Joaquim Marinho

“Plangente. Esta a palavra que exprime a situação, inesperadamente vivida hoje quando uma manhã se dividiu entre o martírio e o taciturno”

Flávio Lauria

lauriaferreira@hotmail.com


Queridos leitores e leitoras, não escrevo aos domingos, mas quando um amigo como Joaquim Marinho deixa esse plano terreno, não poderia deixar de pelo menos deixar algumas palavras. Plangente. Esta a palavra que exprime a situação, inesperadamente vivida hoje quando uma manhã se dividiu entre o martírio e o taciturno.

 

Notícia súbita de que um amigo como Marinho partira sem a mínima chance de um olhar ou um aceno a lhe transmitir o adeus. Não estava mais entre os vivos. Havia atendido ou não um chamado lá do alto. Cada vez que morre um revolucionário, morre com ele uma multidão.

 

O semblante pálido parecia afirmar-me: "Fui solidário com a justiça no mundo e solitário no caminho". Mas o que terá construído a solidão do amigo? Deixou-se sucumbir na tristeza, a alma, talvez, lhe tenha chegado aos ossos. Lá ia ele pondo um fim a sua vida-morte. O corpo nunca adoece antes da alma. Já estava vivendo num limbo.

 

Foto: Camila Henriques/Rede Amazônica

Passamos a vida adiando o agora. Quantos acenos inconclusos, quando beijos adiados, quantos abraços esquecidos, quanta ternura poupada por conta da máxima cruel de nossa época: "não tive tempo"? É o jantar recusado à amada, a presença-ausente do Dia das Mães, o esquecimento sintomático do aniversário de um amigo. 

 

São questionamentos que me acompanham ao transitar, contrito, por entre a selva de mortos nesse mar de catacumbas ou uma cidade de prédios guardando a insônia inquieta dos solitários. Não adianta adiar o mapa do coração, dizer que amanhã é possível, ou talvez quem sabe. Estamos assim desprezando a arte de viver e o encanto que as belezas, inapercebidas por deformação profissional, trazem. 

 

Se não o fazemos para que adiantou respirar ou transitar nesse mundo sublunar? Os acontecimentos, próprios da existência, interpretamos mais como tragédias do que como dádivas, e assim passa desapercebida a riqueza da vida, do sonho e do tempo, tal como Shakespeare filosofou ao dizer: "Sofremos muito com o pouco que nos falta e gozamos pouco com o muito que temos". 

 

Meu caro Marinho estive presente e você também em grande parte da minha também passagem nesta vida, quantos discos trocamos, quantos chopes tomamos, quantos Natais passamos eu o visitando em sua casa, aniversário meu e seu, mas essa é a nossa vida, não quis visita-lo para não chorar, já sabia de que sua partida seria breve, descanse em paz meu caro amigo.

 

     
Flávio Lauria

Joaquim Marinho

“Plangente. Esta a palavra que exprime a situação, inesperadamente vivida hoje quando uma manhã se dividiu entre o martírio e o taciturno”


Queridos leitores e leitoras, não escrevo aos domingos, mas quando um amigo como Joaquim Marinho deixa esse plano terreno, não poderia deixar de pelo menos deixar algumas palavras. Plangente. Esta a palavra que exprime a situação, inesperadamente vivida hoje quando uma manhã se dividiu entre o martírio e o taciturno.

 

Notícia súbita de que um amigo como Marinho partira sem a mínima chance de um olhar ou um aceno a lhe transmitir o adeus. Não estava mais entre os vivos. Havia atendido ou não um chamado lá do alto. Cada vez que morre um revolucionário, morre com ele uma multidão.

 

O semblante pálido parecia afirmar-me: "Fui solidário com a justiça no mundo e solitário no caminho". Mas o que terá construído a solidão do amigo? Deixou-se sucumbir na tristeza, a alma, talvez, lhe tenha chegado aos ossos. Lá ia ele pondo um fim a sua vida-morte. O corpo nunca adoece antes da alma. Já estava vivendo num limbo.

 

Foto: Camila Henriques/Rede Amazônica

Passamos a vida adiando o agora. Quantos acenos inconclusos, quando beijos adiados, quantos abraços esquecidos, quanta ternura poupada por conta da máxima cruel de nossa época: "não tive tempo"? É o jantar recusado à amada, a presença-ausente do Dia das Mães, o esquecimento sintomático do aniversário de um amigo. 

 

São questionamentos que me acompanham ao transitar, contrito, por entre a selva de mortos nesse mar de catacumbas ou uma cidade de prédios guardando a insônia inquieta dos solitários. Não adianta adiar o mapa do coração, dizer que amanhã é possível, ou talvez quem sabe. Estamos assim desprezando a arte de viver e o encanto que as belezas, inapercebidas por deformação profissional, trazem. 

 

Se não o fazemos para que adiantou respirar ou transitar nesse mundo sublunar? Os acontecimentos, próprios da existência, interpretamos mais como tragédias do que como dádivas, e assim passa desapercebida a riqueza da vida, do sonho e do tempo, tal como Shakespeare filosofou ao dizer: "Sofremos muito com o pouco que nos falta e gozamos pouco com o muito que temos". 

 

Meu caro Marinho estive presente e você também em grande parte da minha também passagem nesta vida, quantos discos trocamos, quantos chopes tomamos, quantos Natais passamos eu o visitando em sua casa, aniversário meu e seu, mas essa é a nossa vida, não quis visita-lo para não chorar, já sabia de que sua partida seria breve, descanse em paz meu caro amigo.

 

     

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