Publicidade

Flávio Lauria

Hora de pensar


Caros leitores, neste momento em que não sabemos quem é realmente quem é situação, não sabemos quem é oposição, não sabemos quem governa o País (se é que tem governante ) é chegada a hora de rever nosso País, nossos costumes, nossos filhos e netos, que porventura ainda não vieram, encarando seriamente estes derradeiros dias de pútrida política, descarados comportamentos dos que fazem nossa vida pública - há muito dissecando nossas consciências, dissolvendo nossa identidade, envergonhando o patriotismo e esculhambando nossa cidadania.

O Brasil está sendo corroído pelo cinismo da maioria dos poderes constituídos, intermitentemente terminais em câmara de gás torturante ao penhor da sua nacionalidade - orgulho que deveria ser de toda a nossa gente letrada e a esquecidamente ignorante e marginalizada da sociedade. Não mais adianta cobrarmos punibilidades às autoridades responsáveis - é fatigante.

Para que rogarmos, como já fizemos em demasia? De nada nos satisfaz insistirmos para que a justiça nos proteja. Apelarmos para todos os santos, nem pensar. O que nos vale divagar pelas chamas ainda acesas de exemplos da história tirânica de príncipes que usurparam a dignidade e os bens de seus súditos, transcendendo séculos, beneficiando seus descendentes? Por isso, meus caros leitores, jovens pais e mães de um futuro bem próximo: tratem de repensar os valores da educação doméstica que terão de legar aos seus filhos.

Ensine-os o que é liberdade sem libertinagem; a aprender o que é amar a terra onde nasceram e exigir respeito pela sua soberania. Faça-os voltar a amar o prazer de ler. Encaminhem-nos no sentido da verdade, para que não descubram na mentira o prólogo manifestante da hipocrisia, da improbidade. Não os deixem entender que ser inteligente é levar vantagem em tudo.

Registrem, mas bem claro mesmo, que furtar e roubar são crimes iguais e tão graves quanto a omissão e a injúria. E, antes que seja muito tarde, indique aos queridos pimpolhos onde ficam o lixeiro e o lavatório, o guardanapo e o papel higiênico; a escola mais próxima, a igreja mais condizente com a crença no Ser supremo; e que só se educa pelo exemplo, de forma carinhosa e firme pelo norteamento da instituição familiar.

Sintam-se, pois, governantes, e mostrem como devem ser os governados, afastando-lhes a ideia de que estão sob a égide de um poder principesco, moldando-lhes a conduta. Vamos todos lembrar o sentimento de educação que hoje cerca esses nossos senhores políticos com mandatos populares que brilham pelo choro e pela cara lisa.

Segundo Cícero, Dâmocles estava se imaginando o mais afortunado dos homens quando, em meio ao festim, percebeu, por sobre a cabeça, uma espada nua que Dionísio fizera pendurar ao teto, sustentada por uma simples crina de cavalo. Que todos os moços deste querido Brasil não permitam, tal Hemingway, que o nosso torrão seja arrastado para o mar como se fosse um promontório - um solar tão íngreme que não mais possamos alcançar com nossos próprios passos. E, "...se alguém perguntar por quem os sinos dobram?" -, que eles não dobrem por nós.

Flávio Lauria

Home > Opiniao > Flavio-lauria

Hora de pensar

Flávio Lauria

lauriaferreira@hotmail.com


Caros leitores, neste momento em que não sabemos quem é realmente quem é situação, não sabemos quem é oposição, não sabemos quem governa o País (se é que tem governante ) é chegada a hora de rever nosso País, nossos costumes, nossos filhos e netos, que porventura ainda não vieram, encarando seriamente estes derradeiros dias de pútrida política, descarados comportamentos dos que fazem nossa vida pública - há muito dissecando nossas consciências, dissolvendo nossa identidade, envergonhando o patriotismo e esculhambando nossa cidadania.

O Brasil está sendo corroído pelo cinismo da maioria dos poderes constituídos, intermitentemente terminais em câmara de gás torturante ao penhor da sua nacionalidade - orgulho que deveria ser de toda a nossa gente letrada e a esquecidamente ignorante e marginalizada da sociedade. Não mais adianta cobrarmos punibilidades às autoridades responsáveis - é fatigante.

Para que rogarmos, como já fizemos em demasia? De nada nos satisfaz insistirmos para que a justiça nos proteja. Apelarmos para todos os santos, nem pensar. O que nos vale divagar pelas chamas ainda acesas de exemplos da história tirânica de príncipes que usurparam a dignidade e os bens de seus súditos, transcendendo séculos, beneficiando seus descendentes? Por isso, meus caros leitores, jovens pais e mães de um futuro bem próximo: tratem de repensar os valores da educação doméstica que terão de legar aos seus filhos.

Ensine-os o que é liberdade sem libertinagem; a aprender o que é amar a terra onde nasceram e exigir respeito pela sua soberania. Faça-os voltar a amar o prazer de ler. Encaminhem-nos no sentido da verdade, para que não descubram na mentira o prólogo manifestante da hipocrisia, da improbidade. Não os deixem entender que ser inteligente é levar vantagem em tudo.

Registrem, mas bem claro mesmo, que furtar e roubar são crimes iguais e tão graves quanto a omissão e a injúria. E, antes que seja muito tarde, indique aos queridos pimpolhos onde ficam o lixeiro e o lavatório, o guardanapo e o papel higiênico; a escola mais próxima, a igreja mais condizente com a crença no Ser supremo; e que só se educa pelo exemplo, de forma carinhosa e firme pelo norteamento da instituição familiar.

Sintam-se, pois, governantes, e mostrem como devem ser os governados, afastando-lhes a ideia de que estão sob a égide de um poder principesco, moldando-lhes a conduta. Vamos todos lembrar o sentimento de educação que hoje cerca esses nossos senhores políticos com mandatos populares que brilham pelo choro e pela cara lisa.

Segundo Cícero, Dâmocles estava se imaginando o mais afortunado dos homens quando, em meio ao festim, percebeu, por sobre a cabeça, uma espada nua que Dionísio fizera pendurar ao teto, sustentada por uma simples crina de cavalo. Que todos os moços deste querido Brasil não permitam, tal Hemingway, que o nosso torrão seja arrastado para o mar como se fosse um promontório - um solar tão íngreme que não mais possamos alcançar com nossos próprios passos. E, "...se alguém perguntar por quem os sinos dobram?" -, que eles não dobrem por nós.

TAG Flavio Lauria