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Flávio Lauria

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Golpe baixo

Faltando pouco mais de dez dias para a eleição, começam a surgir os golpes baixos contra candidatos que estão bem nas pesquisas, mas isso não é coisa nova

Flávio Lauria

jornalismo@portalamazonia.com


Faltando pouco mais de dez dias para a eleição, começam a surgir os golpes baixos contra candidatos que estão bem nas pesquisas, mas isso não é coisa nova. Desde a redemocratização, não houve eleição no Brasil sem que algum candidato tivesse patrocinado ou sofrido golpe baixo.

A novela começou em 1985, na esteira da derrota da emenda Dante de Oliveira e do movimento Diretas Já.

Mário Juruna, cacique dos xavantes em Mato Grosso e deputado federal pelo PDT, convocou a imprensa e, sob os olhos atônitos dos repórteres, desovou de uma pasta trinta milhões de cruzeiros.

Seria dinheiro de suborno, segundo Juruna. Fora pago pelo candidato do PDS, Paulo Maluf, em troca de voto no colégio eleitoral.

Na eleição seguinte, em 1989, o líder sindical Luiz Inácio Lula da Silva surpreendeu o país e levou a candidatura presidencial do PT ao segundo turno. O adversário, Fernando Collor de Mello, exibiu no programa eleitoral gratuito o depoimento de Míriam Cordeiro, com quem Lula tivera uma filha. Míriam acusou Lula de ter lhe pedido para abortar. Nascida a criança - a menina Lurian -, a mãe disse que o petista não a reconheceu como filha legítima.

Os dois casos guardam semelhanças indissociáveis. A candidatura presidencial de Maluf na eleição indireta de 1985 foi ferida de morte. Assim como a de Lula em 1989. Em ambos os casos, porém, o escândalo propriamente dito concentrou-se na esfera eleitoral.

Não houve processo cível ou criminal de uma parte ou de outra. O jogo sujo aconteceu com naturalidade desconcertante. As eleições seguintes mantiveram a mácula.

Em 1994, o senador gaúcho José Paulo Bisol, então filiado ao PSB, foi linchado publicamente. Incluiu uma emenda no Orçamento da União beneficiando a cidade de Buritis, em Minas Gerais, onde tinha uma fazenda. Renunciou à vaga de vice na chapa de Lula.

Processou sete empresas de comunicação por difamação. A Justiça deu-lhe ganho de causa em dois casos. Os outros estão em julgamento. Quatro anos depois, o pleito foi marcado por um misterioso dossiê. O documento revelava a existência de uma empresa sediada no paraíso fiscal das Ilhas Caymann.

A empresa administraria fundos ilegais pertencentes ao presidente Fernando Henrique Cardoso, aos ministros José Serra e Sérgio Motta e ao governador Mário Covas. Todos do PSDB. O dossiê revelou-se uma farsa. Hoje, é peça fundamental de um inquérito contra seus mentores.

O mar de lama, entretanto, já chegou. Agora recheado de grampos, desvio de dinheiro público, espionagem.

É preciso limpar de vez a democracia brasileira. Tornar os governos mais transparentes. E impedir que, a cada troca de gestores públicos, a sociedade tenha que fazer sua escolha incomodada com o odor dos subterrâneos do poder. Mas ainda vão aparecer muitos golpes baixos, sejam verdadeiros ou não, vamos esperar pra ver.
Flávio Lauria

Golpe baixo

Faltando pouco mais de dez dias para a eleição, começam a surgir os golpes baixos contra candidatos que estão bem nas pesquisas, mas isso não é coisa nova


Faltando pouco mais de dez dias para a eleição, começam a surgir os golpes baixos contra candidatos que estão bem nas pesquisas, mas isso não é coisa nova. Desde a redemocratização, não houve eleição no Brasil sem que algum candidato tivesse patrocinado ou sofrido golpe baixo.

A novela começou em 1985, na esteira da derrota da emenda Dante de Oliveira e do movimento Diretas Já.

Mário Juruna, cacique dos xavantes em Mato Grosso e deputado federal pelo PDT, convocou a imprensa e, sob os olhos atônitos dos repórteres, desovou de uma pasta trinta milhões de cruzeiros.

Seria dinheiro de suborno, segundo Juruna. Fora pago pelo candidato do PDS, Paulo Maluf, em troca de voto no colégio eleitoral.

Na eleição seguinte, em 1989, o líder sindical Luiz Inácio Lula da Silva surpreendeu o país e levou a candidatura presidencial do PT ao segundo turno. O adversário, Fernando Collor de Mello, exibiu no programa eleitoral gratuito o depoimento de Míriam Cordeiro, com quem Lula tivera uma filha. Míriam acusou Lula de ter lhe pedido para abortar. Nascida a criança - a menina Lurian -, a mãe disse que o petista não a reconheceu como filha legítima.

Os dois casos guardam semelhanças indissociáveis. A candidatura presidencial de Maluf na eleição indireta de 1985 foi ferida de morte. Assim como a de Lula em 1989. Em ambos os casos, porém, o escândalo propriamente dito concentrou-se na esfera eleitoral.

Não houve processo cível ou criminal de uma parte ou de outra. O jogo sujo aconteceu com naturalidade desconcertante. As eleições seguintes mantiveram a mácula.

Em 1994, o senador gaúcho José Paulo Bisol, então filiado ao PSB, foi linchado publicamente. Incluiu uma emenda no Orçamento da União beneficiando a cidade de Buritis, em Minas Gerais, onde tinha uma fazenda. Renunciou à vaga de vice na chapa de Lula.

Processou sete empresas de comunicação por difamação. A Justiça deu-lhe ganho de causa em dois casos. Os outros estão em julgamento. Quatro anos depois, o pleito foi marcado por um misterioso dossiê. O documento revelava a existência de uma empresa sediada no paraíso fiscal das Ilhas Caymann.

A empresa administraria fundos ilegais pertencentes ao presidente Fernando Henrique Cardoso, aos ministros José Serra e Sérgio Motta e ao governador Mário Covas. Todos do PSDB. O dossiê revelou-se uma farsa. Hoje, é peça fundamental de um inquérito contra seus mentores.

O mar de lama, entretanto, já chegou. Agora recheado de grampos, desvio de dinheiro público, espionagem.

É preciso limpar de vez a democracia brasileira. Tornar os governos mais transparentes. E impedir que, a cada troca de gestores públicos, a sociedade tenha que fazer sua escolha incomodada com o odor dos subterrâneos do poder. Mas ainda vão aparecer muitos golpes baixos, sejam verdadeiros ou não, vamos esperar pra ver.

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