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Flávio Lauria

Falácias

Por uma razão simples, durante as campanhas prometem gerar milhões de empregos e uma vez no poder, diante das tantas impossibilidades


A taxa de desemprego no Brasil aumentou para 12% no trimestre móvel encerrado em janeiro, atingindo 12,7 milhões de pessoas, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Como professor de matérias como Planejamento Estratégico e Atividade Empresarial, tenho que passar aos meus alunos, o incentivo ao espírito empreendedor através de instrumentos de gestão, sem poder esconder entretanto, que a propaganda oficial de que o Brasil é um país de empreendedores e que, está entre os mais empreendedores do Mundo, esconde as armadilhas fiscais/tributárias e burocráticas de quem quer ter ou tem empresa. Muda o governo e o discurso permanece o mesmo.


Por uma razão simples, durante as campanhas prometem gerar milhões de empregos e uma vez no poder, diante das tantas impossibilidades que as empresas constituídas encontram até mesmo para permanecer existindo, não podem ser criados. Sentido faz. Todo mundo quer trabalhar. Por menor a renda e por menor a oportunidade é sempre melhor que não estar fazendo nada. Para o Estado, melhor ainda: é bem provável que as taxas de marginalidade e violência decaiam nas comunidades onde haja mais empregos e mais oportunidades de empregos.




 Mesmo para aqueles bolsões urbanos de jovens, à margem da sociedade, que acreditam ser melhor ganhar dinheiro fazendo coisas ilícitas a trabalhar oito, dez horas por dia, sempre que há empregos, não há dúvidas: o emprego é muito bem-vindo, dá identidade, personalidade, cidadania. Então, quase que esse tipo de artigo se repete, porque, na essência, quer dizer a mesma coisa: não há empregos para todos e, é claro, não há Estado que tenha coragem de dizer isso e não propor uma solução assistencialista cara.


Mesmo aquelas pessoas que têm um discurso bem arrumadinho na cabeça, tão logo se faz lembrar que a manutenção de um programa de bem-estar e assistencial a milhões de pessoas que estão sem emprego - ou que se veem numa sociedade incapaz de gerar empregos na proporção da sua população -, mesmo essas pessoas, ao saber quem teriam de pagar mais e mais impostos, acabam declinando sua opinião de responsabilidade.


Porque mais imposto não é exatamente o que as pessoas entendem como prosperidade e porque pagar imposto, em uma sociedade como a brasileira, não quer dizer muita coisa para os cidadãos. Não há Estado que declare que a existência de emprego para todos e até mesmo o pleno emprego são duas utopias inscritas em outras utopias ainda maiores - o mercado livre e o Estado absoluto.


Seria impossível ouvir de qualquer governante que a sociedade na qual vivemos não tem capacidade de proporcionar emprego para todos, tampouco estabilidade para quem está trabalhando. Os brasileiros têm uma sociedade com um potencial de emprego bem maior que o que temos. Se há quem não facilite as coisas, esse alguém é o Estado, com seus programas fiscais/tributários e sua burocracia autofágica. Para compensar a incapacidade de fazer fluir a geração de empregos no Brasil se, lançam-se programas de incentivo ao empreendedorismo.


São falsos e poderiam ser melhores se o Estado abrisse mão do seu interesse sem limite de enquadrar a todos em um programa de tributos em que só o Estado é beneficiado e não é capaz de gerar os benefícios esperados pela sociedade, criando uma troca desigual e desnecessária, porque impede a sociedade de evoluir. Não vejo a sociedade civil se rebelar contra as propagandas oficiais enganosas, especialmente a do incentivo ao empreendedorismo.


Ao contrário. Parece entusiasmada, acreditando que a geração de mais e mais empreendimentos de micro e pequeno porte é a saída para um Brasil economicamente viável, portador de presente e futuro. Tudo que o Estado tem feito neste sentido é, simplesmente, propaganda enganosa, colocando em risco milhares de pessoas que transformarão as suas poucas economias em dívidas ativas com a União em pouco espaço de tempo.


Flávio Lauria

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Falácias

Por uma razão simples, durante as campanhas prometem gerar milhões de empregos e uma vez no poder, diante das tantas impossibilidades

Flávio Lauria

jornalismo@portalamazonia.com


A taxa de desemprego no Brasil aumentou para 12% no trimestre móvel encerrado em janeiro, atingindo 12,7 milhões de pessoas, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Como professor de matérias como Planejamento Estratégico e Atividade Empresarial, tenho que passar aos meus alunos, o incentivo ao espírito empreendedor através de instrumentos de gestão, sem poder esconder entretanto, que a propaganda oficial de que o Brasil é um país de empreendedores e que, está entre os mais empreendedores do Mundo, esconde as armadilhas fiscais/tributárias e burocráticas de quem quer ter ou tem empresa. Muda o governo e o discurso permanece o mesmo.


Por uma razão simples, durante as campanhas prometem gerar milhões de empregos e uma vez no poder, diante das tantas impossibilidades que as empresas constituídas encontram até mesmo para permanecer existindo, não podem ser criados. Sentido faz. Todo mundo quer trabalhar. Por menor a renda e por menor a oportunidade é sempre melhor que não estar fazendo nada. Para o Estado, melhor ainda: é bem provável que as taxas de marginalidade e violência decaiam nas comunidades onde haja mais empregos e mais oportunidades de empregos.




 Mesmo para aqueles bolsões urbanos de jovens, à margem da sociedade, que acreditam ser melhor ganhar dinheiro fazendo coisas ilícitas a trabalhar oito, dez horas por dia, sempre que há empregos, não há dúvidas: o emprego é muito bem-vindo, dá identidade, personalidade, cidadania. Então, quase que esse tipo de artigo se repete, porque, na essência, quer dizer a mesma coisa: não há empregos para todos e, é claro, não há Estado que tenha coragem de dizer isso e não propor uma solução assistencialista cara.


Mesmo aquelas pessoas que têm um discurso bem arrumadinho na cabeça, tão logo se faz lembrar que a manutenção de um programa de bem-estar e assistencial a milhões de pessoas que estão sem emprego - ou que se veem numa sociedade incapaz de gerar empregos na proporção da sua população -, mesmo essas pessoas, ao saber quem teriam de pagar mais e mais impostos, acabam declinando sua opinião de responsabilidade.


Porque mais imposto não é exatamente o que as pessoas entendem como prosperidade e porque pagar imposto, em uma sociedade como a brasileira, não quer dizer muita coisa para os cidadãos. Não há Estado que declare que a existência de emprego para todos e até mesmo o pleno emprego são duas utopias inscritas em outras utopias ainda maiores - o mercado livre e o Estado absoluto.


Seria impossível ouvir de qualquer governante que a sociedade na qual vivemos não tem capacidade de proporcionar emprego para todos, tampouco estabilidade para quem está trabalhando. Os brasileiros têm uma sociedade com um potencial de emprego bem maior que o que temos. Se há quem não facilite as coisas, esse alguém é o Estado, com seus programas fiscais/tributários e sua burocracia autofágica. Para compensar a incapacidade de fazer fluir a geração de empregos no Brasil se, lançam-se programas de incentivo ao empreendedorismo.


São falsos e poderiam ser melhores se o Estado abrisse mão do seu interesse sem limite de enquadrar a todos em um programa de tributos em que só o Estado é beneficiado e não é capaz de gerar os benefícios esperados pela sociedade, criando uma troca desigual e desnecessária, porque impede a sociedade de evoluir. Não vejo a sociedade civil se rebelar contra as propagandas oficiais enganosas, especialmente a do incentivo ao empreendedorismo.


Ao contrário. Parece entusiasmada, acreditando que a geração de mais e mais empreendimentos de micro e pequeno porte é a saída para um Brasil economicamente viável, portador de presente e futuro. Tudo que o Estado tem feito neste sentido é, simplesmente, propaganda enganosa, colocando em risco milhares de pessoas que transformarão as suas poucas economias em dívidas ativas com a União em pouco espaço de tempo.

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