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Flávio Lauria

Extremismo de direita

Nunca o Congresso foi tão medíocre, sem voz que interprete os anseios coletivos, acima da divisão dos partidos

Flávio Lauria


Volta e meia, vejo pelas redes sociais algumas pessoas revoltadas com a situação atual do nosso País, pedindo a volta dos militares ao poder. Não só pela inapetência á gestão da nossa presidente, mas clamando pelo fechamento do Congresso, pela suspensão da democracia. Idéia simplória e absurda, como se os militares soubessem governar sem querer transformar o País numa caserna.Ora, até as pedras sabem que o Parlamento constitui o órgão principal da democracia, pois é dele que saem as leis livremente discutidas, e que fora da democracia não há salvação. É isso que os extremistas de direita não entendem, rejeitando a democracia por conta de suas imperfeições. Com o mercado ocorre outro tanto. Fora do mercado não há salvação, o que não quer dizer que o mercado é bom. É isso o que não entendem os extremistas de esquerda. O perfeccionismo leva, fatalmente, ao extremismo. O extremismo isola seus militantes, e isolado não se faz política, a não ser a política do desespero. Sabemos que nunca o Poder Legislativo esteve tão desmoralizado e tão desarticulado no Brasil. Jamais seu prestígio caiu tão baixo na avaliação popular, nem deputados e senadores exibiram com tanto despudor seu baixo nível moral e intelectual, sua cupidez pelo mando, sua irresponsabilidade cívica e sua arrogância corporativa. Nunca o Congresso foi tão medíocre, sem voz que interprete os anseios coletivos, acima da divisão dos partidos. Os parlamentares estão perdidos em questões menores, ou empenhados em investigações intermináveis e inconclusivas, esquecidos de que estão no Parlamento para legislar. A imagem da classe política é tão ruim no Brasil desses últimos tempos, que a população clama por punições para muitos de seus membros. Os meios de comunicação, desse modo, nada mais fazem do que atender esse clamor, quando "batem" com furor nos políticos. Mas o péssimo comportamento de muitos deles é mais consequência do que causa. Expressa a própria degeneração de parte do tecido social num momento de uma transição difícil que vem passando a sociedade brasileira. Sociedade que busca, em meio a muitas dificuldades, se inserir no contexto de uma futura sociedade mundial globalizada. A política convencional, por ser inócua nesse momento vem perdendo espaço, deixando de ser o principal fórum de debates de muitas dos mais importantes problemas do País.As questões da macroeconomia, com seu forte rebatimento na área social, é um exemplo elucidativo desse fato. Tais questões, nos casos de que precisam de aprovação parlamentar, são empurradas, "goela a dentro", ao Congresso, através de medidas provisórias ou expedientes espúrios como "vote para ter tais vantagens". Ora, sendo alijada de suas mais significativas funções a "classe política" tende a se deteriorar, caindo num corporativismo primário. Perdea ferramenta básica para que pudesse ter uma atuação realmente eficiente, pelo viés dos interesses do conjunto da sociedade. Mas voltar o regime militar é despropositado, disparatado e extremista.

Flávio Lauria

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Extremismo de direita

Nunca o Congresso foi tão medíocre, sem voz que interprete os anseios coletivos, acima da divisão dos partidos

Flávio Lauria


Volta e meia, vejo pelas redes sociais algumas pessoas revoltadas com a situação atual do nosso País, pedindo a volta dos militares ao poder. Não só pela inapetência á gestão da nossa presidente, mas clamando pelo fechamento do Congresso, pela suspensão da democracia. Idéia simplória e absurda, como se os militares soubessem governar sem querer transformar o País numa caserna.Ora, até as pedras sabem que o Parlamento constitui o órgão principal da democracia, pois é dele que saem as leis livremente discutidas, e que fora da democracia não há salvação. É isso que os extremistas de direita não entendem, rejeitando a democracia por conta de suas imperfeições. Com o mercado ocorre outro tanto. Fora do mercado não há salvação, o que não quer dizer que o mercado é bom. É isso o que não entendem os extremistas de esquerda. O perfeccionismo leva, fatalmente, ao extremismo. O extremismo isola seus militantes, e isolado não se faz política, a não ser a política do desespero. Sabemos que nunca o Poder Legislativo esteve tão desmoralizado e tão desarticulado no Brasil. Jamais seu prestígio caiu tão baixo na avaliação popular, nem deputados e senadores exibiram com tanto despudor seu baixo nível moral e intelectual, sua cupidez pelo mando, sua irresponsabilidade cívica e sua arrogância corporativa. Nunca o Congresso foi tão medíocre, sem voz que interprete os anseios coletivos, acima da divisão dos partidos. Os parlamentares estão perdidos em questões menores, ou empenhados em investigações intermináveis e inconclusivas, esquecidos de que estão no Parlamento para legislar. A imagem da classe política é tão ruim no Brasil desses últimos tempos, que a população clama por punições para muitos de seus membros. Os meios de comunicação, desse modo, nada mais fazem do que atender esse clamor, quando "batem" com furor nos políticos. Mas o péssimo comportamento de muitos deles é mais consequência do que causa. Expressa a própria degeneração de parte do tecido social num momento de uma transição difícil que vem passando a sociedade brasileira. Sociedade que busca, em meio a muitas dificuldades, se inserir no contexto de uma futura sociedade mundial globalizada. A política convencional, por ser inócua nesse momento vem perdendo espaço, deixando de ser o principal fórum de debates de muitas dos mais importantes problemas do País.As questões da macroeconomia, com seu forte rebatimento na área social, é um exemplo elucidativo desse fato. Tais questões, nos casos de que precisam de aprovação parlamentar, são empurradas, "goela a dentro", ao Congresso, através de medidas provisórias ou expedientes espúrios como "vote para ter tais vantagens". Ora, sendo alijada de suas mais significativas funções a "classe política" tende a se deteriorar, caindo num corporativismo primário. Perdea ferramenta básica para que pudesse ter uma atuação realmente eficiente, pelo viés dos interesses do conjunto da sociedade. Mas voltar o regime militar é despropositado, disparatado e extremista.

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