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Flávio Lauria

Depende de nós

O Brasil está nas mãos de seu povo, da sociedade civil. Não há donos da pátria, nenhuma classe que se haja atribuído o papel de salvadora do País

Flávio Lauria


Outro dia, um querido amigo, horrorizado com tantos espetáculos da corrupção mais desbragada, com esses péssimos exemplos que todo dia as grandes elites dão ao País – nos Executivos, Legislativos e Judiciários – me perguntou se ainda seria possível ser otimista no Brasil de hoje. E respondi. Mas como não ser? Antes de mais nada, tudo depende de nós mesmos, tudo está nas nossas mãos. O Brasil está nas mãos de seu povo, da sociedade civil. Não há donos da pátria, nenhuma classe que se haja atribuído o papel de salvadora do País, em cujas mãos estejam portanto todas as decisões e a exclusiva responsabilidade. Basta que o povo reaja e faça a sua parte, cobre honestidade dos seus representantes, fiscalize, não se conforme, não se deixe enganar pelas falsas bandeiras de moralidade, não vote nos que renunciaram ao mandato para fugir da iminente cassação. nem nos que a CPI denunciou mas a generosa pizza do voto secreto do plenário absolveu, enfim, não perdoe as patifarias dos grandes. E isso afirmo, mesmo com votos comprados que sabemos que existem, e não é de hoje,mas sobretudo, enquanto o País contar com invisíveis como aquele motorista e aquele caseiro, com invisíveis que ainda o amem e achem que não é ridículo o amor à pátria, esse é um País no qual se pode ter fundadas esperanças, a despeito de patriotas de araque.Na verdade, ficamos condenados a escolher, nas próximas eleições, por indicação dos partidos, representantes no Legislativo e no Executivo em um contexto extremamente desfavorável, de profunda desconfiança, muito justificada pelos fatos de todos conhecidos. O certo é que, mesmo nessa situação desfavorável, a omissão em nada ajudará a caminhada para o futuro. O voto deve ser dado com aquele cuidado do cirurgião que, mesmo sob o risco de o paciente morrer, faz a intervenção com a frieza do especialista. As opções serão poucas, terão que resvalar entre o ruim e o péssimo, mas em razão de tudo que está sendo revelado hoje, a sociedade estará mais atenta ao comportamento dos seus representantes. O gesto do voto não terminará na urna, mas se prolongará na fiscalização coletiva da ação dos políticos nos poderes Legislativo e Executivo, ao longo de seus mandatos. Seria também altamente desejável que ajudássemos na renovação de nomes, queimando aqueles que se mostraram indignos de seus mandatos e que já estão elencados na memória popular. Não percamos de vista que muitos anos se escoarão até que consigamos chegar a uma reforma político-partidária minimamente democrática, sempre fruto do exercício continuado do voto e das pressões populares sobre governos e Parlamento, já que não cabe hoje em dia pensar em revoluções redentoras. O Brasil, por ser um caldeirão racial e cultural em ebulição, mostra-se espaço fecundo de coexistência entre desiguais, com condições de abrir possibilidades inesgotáveis de crescimento individual e coletivo, a despeito de todas as distorções de nossa organização política e social. Depende de nós.

Flávio Lauria

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Depende de nós

O Brasil está nas mãos de seu povo, da sociedade civil. Não há donos da pátria, nenhuma classe que se haja atribuído o papel de salvadora do País

Flávio Lauria


Outro dia, um querido amigo, horrorizado com tantos espetáculos da corrupção mais desbragada, com esses péssimos exemplos que todo dia as grandes elites dão ao País – nos Executivos, Legislativos e Judiciários – me perguntou se ainda seria possível ser otimista no Brasil de hoje. E respondi. Mas como não ser? Antes de mais nada, tudo depende de nós mesmos, tudo está nas nossas mãos. O Brasil está nas mãos de seu povo, da sociedade civil. Não há donos da pátria, nenhuma classe que se haja atribuído o papel de salvadora do País, em cujas mãos estejam portanto todas as decisões e a exclusiva responsabilidade. Basta que o povo reaja e faça a sua parte, cobre honestidade dos seus representantes, fiscalize, não se conforme, não se deixe enganar pelas falsas bandeiras de moralidade, não vote nos que renunciaram ao mandato para fugir da iminente cassação. nem nos que a CPI denunciou mas a generosa pizza do voto secreto do plenário absolveu, enfim, não perdoe as patifarias dos grandes. E isso afirmo, mesmo com votos comprados que sabemos que existem, e não é de hoje,mas sobretudo, enquanto o País contar com invisíveis como aquele motorista e aquele caseiro, com invisíveis que ainda o amem e achem que não é ridículo o amor à pátria, esse é um País no qual se pode ter fundadas esperanças, a despeito de patriotas de araque.Na verdade, ficamos condenados a escolher, nas próximas eleições, por indicação dos partidos, representantes no Legislativo e no Executivo em um contexto extremamente desfavorável, de profunda desconfiança, muito justificada pelos fatos de todos conhecidos. O certo é que, mesmo nessa situação desfavorável, a omissão em nada ajudará a caminhada para o futuro. O voto deve ser dado com aquele cuidado do cirurgião que, mesmo sob o risco de o paciente morrer, faz a intervenção com a frieza do especialista. As opções serão poucas, terão que resvalar entre o ruim e o péssimo, mas em razão de tudo que está sendo revelado hoje, a sociedade estará mais atenta ao comportamento dos seus representantes. O gesto do voto não terminará na urna, mas se prolongará na fiscalização coletiva da ação dos políticos nos poderes Legislativo e Executivo, ao longo de seus mandatos. Seria também altamente desejável que ajudássemos na renovação de nomes, queimando aqueles que se mostraram indignos de seus mandatos e que já estão elencados na memória popular. Não percamos de vista que muitos anos se escoarão até que consigamos chegar a uma reforma político-partidária minimamente democrática, sempre fruto do exercício continuado do voto e das pressões populares sobre governos e Parlamento, já que não cabe hoje em dia pensar em revoluções redentoras. O Brasil, por ser um caldeirão racial e cultural em ebulição, mostra-se espaço fecundo de coexistência entre desiguais, com condições de abrir possibilidades inesgotáveis de crescimento individual e coletivo, a despeito de todas as distorções de nossa organização política e social. Depende de nós.

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