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Flávio Lauria

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Citações

Tenho em alguns artigos que publico feito algumas citações, e citação é uma coisa perigosa, que necessita de oportunidade e memória

Flávio Lauria

lauriaferreira@hotmail.com


Caros leitores, antes de entrar no assunto que me propus para essa semana, quero exteriorizar minha felicidade e alegria de não ter mais que escrever para jornais e explico porque. Escrevi no jornal A Critica, no Diário do Amazonas, no Jornal do Comercio, no Amazonas em Tempo depois Em Tempo, e em todos eles após mil duzentos e vinte e oito artigos, tinha além da obrigatoriedade semanal, sem receber nenhuma contrapartida pecuniária, a obrigatoriedade de seguir o numero de caracteres para poder ser publicado. Tive algumas vezes que fazer o ridículo papel de numerar os artigos, I, II, III e até o IV, isso cansa os leitores e não há necessidade, a não ser que queiramos fazer um pequeno livro, mas era essa a exteriorização que queria fazer.

Tenho em alguns artigos que publico feito algumas citações, e citação é uma coisa perigosa, que necessita de oportunidade e memória. Às vezes, abusamos da oportunidade e, muitas vezes, podemos ter falhas de memória. Por exemplo, as pessoas não devem ter preocupação quando, como constantemente acontece com todos nós, esquecem alguma coisa do tipo de não saber onde colocamos os óculos. Preocupação devemos ter quando não sabemos para que servem os óculos.


 
Foto: Reprodução/Shutterstock
 

Nossa memória, com o tempo, fica como queijo suíço, cheia de buraquinhos. Quando se cai num desses buracos, haja preocupação. Estas coisas me ocorrem quando vejo a imprensa, numa tarefa vigilante, pegar os políticos em citações impróprias ou erradas. Eu gosto de citar. É sempre bom ter uma companhia autorizada para diminuir nossa vaidade e dizer que, antes da gente, alguém pensou assim. Agora, dizem os jornais que Napoleão é a bola da vez, na escolha para citação. Aliás, não é de agora. Sempre Napoleão foi uma sedução para os políticos.

O presidente Castello Branco, uma vez, disse a um ministro nomeado: – “Cuidado com a família. Napoleão foi o maior homem do mundo e os irmãos o acabaram”. Depois, descobriram que o presidente Fernando Henrique disse que era de Napoleão a pergunta: – “Quantos fuzis tem o Papa? Se não tem nenhum, é melhor ficar calado”. E dona Lúcia Bastos, professora da UERJ, minha colega de mestrado, foi em cima. Já o presidente Lula colocou Napoleão pelejando na China, onde ele nunca esteve, mal passando do Egito e terminando em Santa Helena, embora o grande escritor francês Alain Peyrefitte tenha escrito um livro famoso, quando a China despertar o mundo tremerá, esta, sim, expressão de Napoleão.

Tenório Cavalcanti, uma vez, na Câmara, invocou uma citação de Rui: – “A locomotiva da honestidade limpará os trilhos da corrupção”. Lacerda levantou-se e disse: – “Rui nunca disse isso”. Tenório respondeu: – “Se não disse, digo eu”. E todos riram. Para não deixar de citar, sem medo de errar, cito meu finado e saudoso amigo Raimundo Limongi Cabral, figura admirável: – “A situação está tão difícil que estou latindo no quintal, para economizar o cachorro.
Flávio Lauria

Citações

Tenho em alguns artigos que publico feito algumas citações, e citação é uma coisa perigosa, que necessita de oportunidade e memória


Caros leitores, antes de entrar no assunto que me propus para essa semana, quero exteriorizar minha felicidade e alegria de não ter mais que escrever para jornais e explico porque. Escrevi no jornal A Critica, no Diário do Amazonas, no Jornal do Comercio, no Amazonas em Tempo depois Em Tempo, e em todos eles após mil duzentos e vinte e oito artigos, tinha além da obrigatoriedade semanal, sem receber nenhuma contrapartida pecuniária, a obrigatoriedade de seguir o numero de caracteres para poder ser publicado. Tive algumas vezes que fazer o ridículo papel de numerar os artigos, I, II, III e até o IV, isso cansa os leitores e não há necessidade, a não ser que queiramos fazer um pequeno livro, mas era essa a exteriorização que queria fazer.

Tenho em alguns artigos que publico feito algumas citações, e citação é uma coisa perigosa, que necessita de oportunidade e memória. Às vezes, abusamos da oportunidade e, muitas vezes, podemos ter falhas de memória. Por exemplo, as pessoas não devem ter preocupação quando, como constantemente acontece com todos nós, esquecem alguma coisa do tipo de não saber onde colocamos os óculos. Preocupação devemos ter quando não sabemos para que servem os óculos.


 
Foto: Reprodução/Shutterstock
 

Nossa memória, com o tempo, fica como queijo suíço, cheia de buraquinhos. Quando se cai num desses buracos, haja preocupação. Estas coisas me ocorrem quando vejo a imprensa, numa tarefa vigilante, pegar os políticos em citações impróprias ou erradas. Eu gosto de citar. É sempre bom ter uma companhia autorizada para diminuir nossa vaidade e dizer que, antes da gente, alguém pensou assim. Agora, dizem os jornais que Napoleão é a bola da vez, na escolha para citação. Aliás, não é de agora. Sempre Napoleão foi uma sedução para os políticos.

O presidente Castello Branco, uma vez, disse a um ministro nomeado: – “Cuidado com a família. Napoleão foi o maior homem do mundo e os irmãos o acabaram”. Depois, descobriram que o presidente Fernando Henrique disse que era de Napoleão a pergunta: – “Quantos fuzis tem o Papa? Se não tem nenhum, é melhor ficar calado”. E dona Lúcia Bastos, professora da UERJ, minha colega de mestrado, foi em cima. Já o presidente Lula colocou Napoleão pelejando na China, onde ele nunca esteve, mal passando do Egito e terminando em Santa Helena, embora o grande escritor francês Alain Peyrefitte tenha escrito um livro famoso, quando a China despertar o mundo tremerá, esta, sim, expressão de Napoleão.

Tenório Cavalcanti, uma vez, na Câmara, invocou uma citação de Rui: – “A locomotiva da honestidade limpará os trilhos da corrupção”. Lacerda levantou-se e disse: – “Rui nunca disse isso”. Tenório respondeu: – “Se não disse, digo eu”. E todos riram. Para não deixar de citar, sem medo de errar, cito meu finado e saudoso amigo Raimundo Limongi Cabral, figura admirável: – “A situação está tão difícil que estou latindo no quintal, para economizar o cachorro.

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