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Flávio Lauria

Cidadania

É comum se ouvir alguém dizer, com ares de convicção, que não gosta de política, que não quer se meter em política

Flávio Lauria


Caros leitores, tudo que você lerá neste artigo, deve ter sido dito ou será dito por alguém com mais capacidade do que este articulista. Digo sempre que minha família não pariu nenhum político, político com mandato. É comum se ouvir alguém dizer, com ares de convicção, que não gosta de política, que não quer se meter em política, que até detesta política e os políticos. Como se tal assertiva tivesse incontrastável razão. Todos nós que estamos mergulhados na ordem social, jurídica e política de um país jamais poderemos afirmar frases como esta, pois na verdade, cada cidadão, queira ou não, está aprisionado na trama dos fatos e relações políticas, desde que nasce até a morte. Goste-se ou não respira-se política, ingere-se política, veste-se política, aciona-se política, e se participa, inarredavelmente, do processo político em todos os dias de nossa vida. Quando nos alimentamos, respiramos, nos vestimos, trabalhamos, ou praticamos outras quaisquer ações em nossas vidas, são poucas aquelas que não se referem a algum procedimento pertinente a políticas públicas. O vazio deixado pela omissão social tem consequências diretas nos meus, nos teus, nos nossos interesses como sociedade. Temos a pretensão ou a vaidade de que somos melhores que os, genericamente chamados, “corruptos políticos” quanto a idéia de incapacidade ou humildade representam equívocos fatais ao exercício da cidadania em nosso país. Prefiro acreditar na possibilidade de um processo democrático consciente. O período eleitoral deveria movimentar as comunidades, muito além da poluição visual e sonora da propaganda política, tinha que envolver, cativar, conquistar as pessoas pelo desejo de um mundo justo e melhor para todos. Como existirá harmonia social se a minha realização não incluir os outros? Esta idéia tão simples, que até pode ser confundida com um princípio religioso, junto com a responsabilidade que temos sobre a vida no planeta Terra, já seria mais do que suficiente para justificar por que devemos nos envolver com política. Desconfiar das intenções dos políticos num país de histórico democrático tão recente parece justo, deixar de participar do processo eleitoral parece um crime, pois, se existem erros, estamos virando as costas para a possibilidade de consertá-los. E pareceria ingenuidade afirmarmos que não temos nada a ver com isso, se vivemos em sociedade. Somos responsáveis, e os mais jovens serão por mais tempo ainda, pelos destinos do nosso Brasil. Nosso país está cheio de trabalhadores que lutam honestamente por uma vida digna, mas está carente de cidadãos que se orgulhem de contribuir para a democracia sem exigir nada além do desejo de um país melhor no futuro. Ainda não me tornei fatalista e desejo continuar assim, acreditando na vitória do bem contra o mal. Se iremos errar ou acertar, concordar ou não, além de ser um direito de todos, é algo que ninguém conseguirá prever; mas o consciente e o inconsciente deste país chamado Brasil saberão que há alguém tentando.

Flávio Lauria

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Cidadania

É comum se ouvir alguém dizer, com ares de convicção, que não gosta de política, que não quer se meter em política

Flávio Lauria


Caros leitores, tudo que você lerá neste artigo, deve ter sido dito ou será dito por alguém com mais capacidade do que este articulista. Digo sempre que minha família não pariu nenhum político, político com mandato. É comum se ouvir alguém dizer, com ares de convicção, que não gosta de política, que não quer se meter em política, que até detesta política e os políticos. Como se tal assertiva tivesse incontrastável razão. Todos nós que estamos mergulhados na ordem social, jurídica e política de um país jamais poderemos afirmar frases como esta, pois na verdade, cada cidadão, queira ou não, está aprisionado na trama dos fatos e relações políticas, desde que nasce até a morte. Goste-se ou não respira-se política, ingere-se política, veste-se política, aciona-se política, e se participa, inarredavelmente, do processo político em todos os dias de nossa vida. Quando nos alimentamos, respiramos, nos vestimos, trabalhamos, ou praticamos outras quaisquer ações em nossas vidas, são poucas aquelas que não se referem a algum procedimento pertinente a políticas públicas. O vazio deixado pela omissão social tem consequências diretas nos meus, nos teus, nos nossos interesses como sociedade. Temos a pretensão ou a vaidade de que somos melhores que os, genericamente chamados, “corruptos políticos” quanto a idéia de incapacidade ou humildade representam equívocos fatais ao exercício da cidadania em nosso país. Prefiro acreditar na possibilidade de um processo democrático consciente. O período eleitoral deveria movimentar as comunidades, muito além da poluição visual e sonora da propaganda política, tinha que envolver, cativar, conquistar as pessoas pelo desejo de um mundo justo e melhor para todos. Como existirá harmonia social se a minha realização não incluir os outros? Esta idéia tão simples, que até pode ser confundida com um princípio religioso, junto com a responsabilidade que temos sobre a vida no planeta Terra, já seria mais do que suficiente para justificar por que devemos nos envolver com política. Desconfiar das intenções dos políticos num país de histórico democrático tão recente parece justo, deixar de participar do processo eleitoral parece um crime, pois, se existem erros, estamos virando as costas para a possibilidade de consertá-los. E pareceria ingenuidade afirmarmos que não temos nada a ver com isso, se vivemos em sociedade. Somos responsáveis, e os mais jovens serão por mais tempo ainda, pelos destinos do nosso Brasil. Nosso país está cheio de trabalhadores que lutam honestamente por uma vida digna, mas está carente de cidadãos que se orgulhem de contribuir para a democracia sem exigir nada além do desejo de um país melhor no futuro. Ainda não me tornei fatalista e desejo continuar assim, acreditando na vitória do bem contra o mal. Se iremos errar ou acertar, concordar ou não, além de ser um direito de todos, é algo que ninguém conseguirá prever; mas o consciente e o inconsciente deste país chamado Brasil saberão que há alguém tentando.

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