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Flávio Lauria

Carta ao Papai Noel

Meu caro Papai Noel, sei que na próxima semana você estará trabalhando muito. Vai distribuir presentes com a meninada

Flávio Lauria


Meu caro Papai Noel, sei que na próxima semana você estará trabalhando muito. Vai distribuir presentes com a meninada, vai reacender a memória dos que se lembram de uma ilusão muito antiga, vai ser o símbolo da fraternidade universal, vai, enfim, agasalhar com sua bondade, o coração frio dos homens. Vai atender os apelos de ternura, de carinho, de compreensão, de amor que só personagens como você podem espalhar. Não deixe que o coração dos homens se deixe levar pelo ódio e pelo rancor. Que façam da ira sua arma e da violência razão para extravasar sua maldade. Papai Noel, se com jeito, pode abrandar a mente dos jovens violentos que se andam matando uns aos outros, fazendo-nos descrer de um futuro feliz para a nossa Pátria, veja se consegue incutir, na consciência de cada um, os valores superiores da vida. Compreensão, Paz, Amor têm que tomar lugar em seus corações. O sentido de família há de florescer mais, unindo pais e filhos, irmãos e irmãs, amigos entre si para que o mundo se acalme e se torne uma bola de mel em vez de uma bola de fogo. Olhemos em torno de nós e vejamos como estamos desprotegidos. Nem a Religião, nem a Família, nem os poderes constituídos estão aplainando nossos caminhos. Onde está aquela passarela vermelha, aveludada, que é feita para abrandar a nossa caminhada. Quem a levou de nossa estrada? Quem semeou de espinhos e de pedras pontiagudas nossa trilha? Quem nos tirou o pão e a prata? Quem é responsável pela aspereza de nossas vidas? Sei que você, Papai Noel, sabe de tudo. E é por isso que lhe peço uma atenção dobrada para o nosso país. Como é triste ver homens escolhidos e votados por nós, inverterem suas ações, descumprirem o prometido, abandonarem a meta ante o menor chute dado na direção do gol. Como se desbotam os valores humanos, réus confessos de suas fraquezas de caráter, coniventes entre si com o roubo, o desvio, o Caixa dois e todas as falcatruas que se tornaram íntimas dos que teriam por obrigação se tornar estandartes da honestidade, da lisura, da correção? Veja se pode fazer alguma coisa por nós, os mais velhos, que aprendemos a ser honestos quando crianças e não temos mais onde aplicar essa honestidade, ante a carência de ambientes, de pessoas confiáveis e de moral ilibada. Faça-nos voltar a crer em nós mesmos, readquirir a autoestima perdida, olhar para a frente com os olhos brilhantes de quem vê a felicidade. Faça-nos donos de uma força movida a esperança, de uma crença que abata tudo que seja fruto do mal, do ódio e do crime. Não me sinto destituído do que possa fazer de meu resto de vida um lago de felicidade. Mas ando meio desencantado ao ver supostos homens enlameados pela ganância e pela tentação, entidades e setores da vida pública, transformados em currais ou pocilgas. Desculpe, Papai Noel. Esta linguagem é dura mas é verdadeira. É que temo pelo nosso futuro. Nossa esperança é você, que vê a vida com outros olhos. Os olhos da candura, do perdão, da alvura da alma e da neve. Papai Noel: se me atender, estará indo ao encontro do desejo de muita gente que está precisando desse consolo. A benção, meu velho.

Flávio Lauria

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Carta ao Papai Noel

Meu caro Papai Noel, sei que na próxima semana você estará trabalhando muito. Vai distribuir presentes com a meninada

Flávio Lauria


Meu caro Papai Noel, sei que na próxima semana você estará trabalhando muito. Vai distribuir presentes com a meninada, vai reacender a memória dos que se lembram de uma ilusão muito antiga, vai ser o símbolo da fraternidade universal, vai, enfim, agasalhar com sua bondade, o coração frio dos homens. Vai atender os apelos de ternura, de carinho, de compreensão, de amor que só personagens como você podem espalhar. Não deixe que o coração dos homens se deixe levar pelo ódio e pelo rancor. Que façam da ira sua arma e da violência razão para extravasar sua maldade. Papai Noel, se com jeito, pode abrandar a mente dos jovens violentos que se andam matando uns aos outros, fazendo-nos descrer de um futuro feliz para a nossa Pátria, veja se consegue incutir, na consciência de cada um, os valores superiores da vida. Compreensão, Paz, Amor têm que tomar lugar em seus corações. O sentido de família há de florescer mais, unindo pais e filhos, irmãos e irmãs, amigos entre si para que o mundo se acalme e se torne uma bola de mel em vez de uma bola de fogo. Olhemos em torno de nós e vejamos como estamos desprotegidos. Nem a Religião, nem a Família, nem os poderes constituídos estão aplainando nossos caminhos. Onde está aquela passarela vermelha, aveludada, que é feita para abrandar a nossa caminhada. Quem a levou de nossa estrada? Quem semeou de espinhos e de pedras pontiagudas nossa trilha? Quem nos tirou o pão e a prata? Quem é responsável pela aspereza de nossas vidas? Sei que você, Papai Noel, sabe de tudo. E é por isso que lhe peço uma atenção dobrada para o nosso país. Como é triste ver homens escolhidos e votados por nós, inverterem suas ações, descumprirem o prometido, abandonarem a meta ante o menor chute dado na direção do gol. Como se desbotam os valores humanos, réus confessos de suas fraquezas de caráter, coniventes entre si com o roubo, o desvio, o Caixa dois e todas as falcatruas que se tornaram íntimas dos que teriam por obrigação se tornar estandartes da honestidade, da lisura, da correção? Veja se pode fazer alguma coisa por nós, os mais velhos, que aprendemos a ser honestos quando crianças e não temos mais onde aplicar essa honestidade, ante a carência de ambientes, de pessoas confiáveis e de moral ilibada. Faça-nos voltar a crer em nós mesmos, readquirir a autoestima perdida, olhar para a frente com os olhos brilhantes de quem vê a felicidade. Faça-nos donos de uma força movida a esperança, de uma crença que abata tudo que seja fruto do mal, do ódio e do crime. Não me sinto destituído do que possa fazer de meu resto de vida um lago de felicidade. Mas ando meio desencantado ao ver supostos homens enlameados pela ganância e pela tentação, entidades e setores da vida pública, transformados em currais ou pocilgas. Desculpe, Papai Noel. Esta linguagem é dura mas é verdadeira. É que temo pelo nosso futuro. Nossa esperança é você, que vê a vida com outros olhos. Os olhos da candura, do perdão, da alvura da alma e da neve. Papai Noel: se me atender, estará indo ao encontro do desejo de muita gente que está precisando desse consolo. A benção, meu velho.

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