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Flávio Lauria

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A grandeza da renúncia

O medo que estamos sentindo, frequentemente, é o medo das nossas perdas. Renunciar é, sobretudo, um ato de coragem

Flávio Lauria


O herói não é o homem da ação, herói é o homem da renúncia. Portanto, grandes não foram Napoleão, Hitler, Stalin, Bismark. Grandes foram Jesus Cristo, Francisco de Assis, Mas nossa civilização costuma valorizar os homens de ação, os homens práticos que fazem o progresso material e as guerras. Para eles todas as homenagens. O ato da renúncia é mais louvável do que o ato do apego. E nós vivemos o tempo todo nos apegando às coisas, aos lugares, aos valores materiais, como se essas coisas - pessoas, lugares, valores - estivessem sempre à nossa disposição. O medo que estamos sentindo, frequentemente, é o medo das nossas perdas. Perda da mocidade, perda do dinheiro, perda da saúde, perda do prestígio, perda do amor, perda do emprego, perda da amizade. Renunciar é, sobretudo, um ato de coragem. E poucos conseguem praticá-lo. É fácil apegar-se. Difícil é desapegar-se. Eu me lembro, agora mesmo, daquele encontro de Jesus com o moço rico, que desejava ir para o céu: Mestre, o que é necessário para alcançar a vida eterna?'' O rapaz possuía muitas propriedades, muito dinheiro e era religioso, pois cumpria todos os mandamentos da lei mosaica: não mentia, não roubava, não caluniava, não pronunciava o nome de Deus em vão. No conceito dos homens, era um bom moço. Jesus profere então aquela recomendação que valeu por um difícil teste: dá tudo o que tens aos pobres e terás o paraíso. Aí o moço baixou a cabeça e saiu envergonhado, sem dizer uma palavra. O preço do paraíso era muito alto. Renunciar aos bens, aos interesses mundanos, jamais. Foi difícil formar um patrimônio; porém, mais difícil, ainda, seria renunciar, ou melhor, desapegar-se. Não vamos interpretar o episódio ao pé da letra. A renúncia que Jesus queria era a renúncia ao apego, porque o apego é o que nos escraviza, é o que nos preocupa, é o que nos angustia, é o que nos torna infelizes, deprimidos, egoístas. Não é o ato da renúncia que importa. O que importa é o espírito da renúncia. Você pode ter muitos bens e não ser apegado a eles, desde que se conscientize de que tudo passa, de que tudo nos chega como empréstimo, porque chegará um dia em que teremos de abandoná-los. Ninguém é proprietário de nada, a não ser de sua própria consciência. É difícil renunciar. Até mesmo a um simples cigarro. Rico é aquele que é pobre de necessidade - escreveu um grande pensador. Parafraseando, diríamos: rico é aquele que é pobre de apegos. Renunciar ao ódio, à vingança, aos vícios, aos ressentimentos, à inveja, eis aí o grande heroísmo. Afinal, como devemos viver no mundo? Paulo de Tarso tem a receita:Viver como possuindo tudo, nada tendo, com todos e sem ninguém.” Nos cargos políticos que pertencem ao povo, principalmente para os detentores de agora, no comando do Executivo e do Legislativo, seus ocupantes seriam mais dignos, se renunciassem, principalmente porque  já não têm mais nenhum apoio público e existem provas de desvios de caráter e de finalidade.
Flávio Lauria

A grandeza da renúncia

O medo que estamos sentindo, frequentemente, é o medo das nossas perdas. Renunciar é, sobretudo, um ato de coragem

Flávio Lauria


O herói não é o homem da ação, herói é o homem da renúncia. Portanto, grandes não foram Napoleão, Hitler, Stalin, Bismark. Grandes foram Jesus Cristo, Francisco de Assis, Mas nossa civilização costuma valorizar os homens de ação, os homens práticos que fazem o progresso material e as guerras. Para eles todas as homenagens. O ato da renúncia é mais louvável do que o ato do apego. E nós vivemos o tempo todo nos apegando às coisas, aos lugares, aos valores materiais, como se essas coisas - pessoas, lugares, valores - estivessem sempre à nossa disposição. O medo que estamos sentindo, frequentemente, é o medo das nossas perdas. Perda da mocidade, perda do dinheiro, perda da saúde, perda do prestígio, perda do amor, perda do emprego, perda da amizade. Renunciar é, sobretudo, um ato de coragem. E poucos conseguem praticá-lo. É fácil apegar-se. Difícil é desapegar-se. Eu me lembro, agora mesmo, daquele encontro de Jesus com o moço rico, que desejava ir para o céu: Mestre, o que é necessário para alcançar a vida eterna?'' O rapaz possuía muitas propriedades, muito dinheiro e era religioso, pois cumpria todos os mandamentos da lei mosaica: não mentia, não roubava, não caluniava, não pronunciava o nome de Deus em vão. No conceito dos homens, era um bom moço. Jesus profere então aquela recomendação que valeu por um difícil teste: dá tudo o que tens aos pobres e terás o paraíso. Aí o moço baixou a cabeça e saiu envergonhado, sem dizer uma palavra. O preço do paraíso era muito alto. Renunciar aos bens, aos interesses mundanos, jamais. Foi difícil formar um patrimônio; porém, mais difícil, ainda, seria renunciar, ou melhor, desapegar-se. Não vamos interpretar o episódio ao pé da letra. A renúncia que Jesus queria era a renúncia ao apego, porque o apego é o que nos escraviza, é o que nos preocupa, é o que nos angustia, é o que nos torna infelizes, deprimidos, egoístas. Não é o ato da renúncia que importa. O que importa é o espírito da renúncia. Você pode ter muitos bens e não ser apegado a eles, desde que se conscientize de que tudo passa, de que tudo nos chega como empréstimo, porque chegará um dia em que teremos de abandoná-los. Ninguém é proprietário de nada, a não ser de sua própria consciência. É difícil renunciar. Até mesmo a um simples cigarro. Rico é aquele que é pobre de necessidade - escreveu um grande pensador. Parafraseando, diríamos: rico é aquele que é pobre de apegos. Renunciar ao ódio, à vingança, aos vícios, aos ressentimentos, à inveja, eis aí o grande heroísmo. Afinal, como devemos viver no mundo? Paulo de Tarso tem a receita:Viver como possuindo tudo, nada tendo, com todos e sem ninguém.” Nos cargos políticos que pertencem ao povo, principalmente para os detentores de agora, no comando do Executivo e do Legislativo, seus ocupantes seriam mais dignos, se renunciassem, principalmente porque  já não têm mais nenhum apoio público e existem provas de desvios de caráter e de finalidade.

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