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Flavio Guimarães

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Flavio Guimarães

A falta de professores universitários no mercado amazônico

“Vemos a escassez de especialistas em determinados assuntos, o que abre muitas janelas de oportunidades para quem estuda ou pretende estudar para especializar-se na docência”

Flávio Guimarães

jornalismo@portalamazonia.com


Apesar de a Amazônia ser um grande polo de desenvolvimento industrial, comercial e de serviços, nós ainda temos a falta de alguns perfis profissionais, principalmente para a área de educação universitária. Quando falamos sobre esse assunto normalmente remetemos para as empresas privadas do setor. No entanto, até mesmos as instituições públicas de educação sofrem com esse problema, tendo, em alguns casos, que fazerem contratações temporárias ou efetivas, sem que passem pelo concurso público. A escassez é tão grande que entram na opção de contratações emergenciais.

 

Além da falta real de alguns especialistas em algumas áreas, também temos o fator de profissionais que possuem o conhecimento necessário da demanda, porém, não querem morar em cidades de interiores, dificultando mais ainda os preenchimentos de muitas vagas.

 

Em um levantamento realizado pela Folha de São Paulo em 2017, foi constatado que pelo menos 50% dos professores universitários do Brasil não têm formações nas áreas que ministram aulas. É claro que dentro desse público devemos desconsiderar os profissionais que possuem experiência prática nas áreas diferentes de suas formações. Isso, de uma forma ou de outra, os credencia para darem aulas, afinal possuem o conhecimento prático. No entanto, boa parte tem sido contratado(a) porque não existe outros profissionais para encaixarem nas funções. Com isso, vemos a escassez de especialistas em determinados assuntos, o que abre muitas janelas de oportunidades para quem estuda ou pretende estudar para especializar-se na docência.

 

Comunicação e Novas Tecnologias

 

Poderíamos listar várias matérias de comunicação e tecnologias. No entanto, uma área específica preocupa muitas instituições de ensino: mídias digitais. Por ser um conceito relativamente novo, tanto em ordem social quanto econômica, as redes sociais ainda são um universo a explorar e conhecer. Isso é gerado como demanda pelo fato de hoje muitos negócios estarem migrando para as plataformas, mídias sociais, páginas pessoais e profissionais, e assim por diante. Com isso, criamos uma nova cadeia de necessidades de mercado. Nesse caso, vamos nos limitar apenas à área de educação.

 

De mídias sociais muitas pessoas entendem. Algumas delas, inclusive, têm feito fortunas vendendo produtos, serviços, publicidades e etc. Porém, todos os mecanismos dessas mídias ainda não são completamente conhecidos. Por exemplo: análises métricas e desempenho de web, fórmulas para cálculos de ROI online, funcionamentos de algoritmos e programações, estratégias digitais para publicações, estratégias para expansões de redes e tantos outros pontos.

 

Com o avançado tecnológico, temos presenciado muitos cursos voltados para as mídias digitais: Marketing Digital, Comunicação e Mídias Sociais, Marketing Aplicado a Mídias, e etc. Dentro desses cursos estão os destaques que fiz acima (em negrito). Tecnicamente, são áreas que pouquíssimos profissionais com um domínio total. Alguns deles estão no sudeste e sul do país. Nas outras regiões ainda existe uma lacuna enorme de oportunidades para a atuação na área educacional, principalmente nas regiões Norte e Nordeste.

 

É importante falarmos que nas regiões Norte e Nordeste existem sim profissionais que conhecem do assunto, porém, alguns constituíram empresas para prestarem consultorias, outros foram contratados por grandes organizações. Nessas duas atividades a tendência é que ganhem muito dinheiro. Dessa forma, a probabilidade é que não se interessem pela docência. Sim, infelizmente os professores no Brasil não ganham o que deveriam.

 

Biotecnologia

 

A biotecnologia é uma disciplina profunda em muitos cursos. Trata detalhadamente sobre um conceito que também é novo na Amazônia, apesar de termos todo o potencial de desenvolvimento na área. Baseado na Biologia, esse assunto é muito escasso entre profissionais da docência, fazendo que muitas instituições locais busquem profissionais externos (até estrangeiros) sendo pagos com preço de ouro, sendo duas, três ou quatro vezes mais do que ganha um professor de qualquer outra disciplina.

 

Escolher especializar-se nesse assunto abre grandes oportunidades, pois com especialistas locais dificilmente as instituições trarão profissionais externos, o que pode gerar emprego e renda local, e além disso, criar a “necessidade” da empresa para com o especialista. Ou seja, com um conhecimento específico como esse dificilmente você será demitido(a).

 

Engenharias Diversas

 

Para as Engenharias (seja industrial ou de serviços), essa escassez diminuiu um pouco. Isso se deu devido o setor da indústria e construção civil terem grandes baixas em relação à empregabilidade. Assim, a docência foi vista como uma alternativa de ganhos para profissionais que atuavam nesses setores. Mesmo assim, ainda é muito difícil achar alguém disposto(a) a dar aulas. Infelizmente isso também ocorre por questões salariais.

 

Um(a) engenheiro(a) civil, por exemplo, se fizer um projeto de reforma de pequeno porte, ganhará em média 15 ou 20 vezes mais do que ganharia como professor(a). Sendo assim, essa é a realidade de mercado que faz que muitos bons profissionais não se interessem pela sala de aula.

 

Biologia – P&D

 

A Pesquisa e Desenvolvimento na área da Biologia também é uma área que requer especialistas para formarem novos profissionais nos bancos de faculdades e instituições de pós-graduações. Especificamente nessa área tenho presenciado muitos profissionais se formando com uma visão geral ou imaginando que a Biologia é somente para trabalhar nas áreas convencionais para cuidar rio, mar ou matérias vivas em geral. No entanto, ela é muito mais abrangente e profunda do que isso.

 

Apesar de estarmos no meio de um bionegócio com um potencial gigantesco de desenvolvimento, ainda temos pouquíssimos profissionais que conhecem de Pesquisa e Desenvolvimento na área da Biologia. Com isso, não conseguimos formar novos profissionais, principalmente em pós-graduações.

 

Sociologia

 

A Sociologia, já há alguns anos, entrou para a lista de um dos cursos que menos tem procura. Isso ocorre porque muitos profissionais que gostam da área não conseguem ver as possibilidades de crescimento e atuação no mercado. Dessa forma, criamos um grande vão em instituições de ensino que possuem essa disciplina, que estão em quase tudo: Administração, Direito, Jornalismo, Comunicação Social, História e tantos outros.

 

Sendo assim, muitas instituições optam por contratarem professores de áreas completamente diferentes e que se propõem a aprenderem sobre o assunto.

 

Flávio Guimarães é diretor da Guimarães Consultoria, Administrador de Empresas, Especializado em Negócios, Comportamento e Recursos Humanos, Articulista dos Jornais Bom Dia Amazônia e Jornal do Amazonas 1ª Edição, CBN Amazônia, Portal Amazônia e Consultor em Avaliação e Reelaboração Curricular.

 


A falta de professores universitários no mercado amazônico

“Vemos a escassez de especialistas em determinados assuntos, o que abre muitas janelas de oportunidades para quem estuda ou pretende estudar para especializar-se na docência”

Flávio Guimarães

jornalismo@portalamazonia.com


Apesar de a Amazônia ser um grande polo de desenvolvimento industrial, comercial e de serviços, nós ainda temos a falta de alguns perfis profissionais, principalmente para a área de educação universitária. Quando falamos sobre esse assunto normalmente remetemos para as empresas privadas do setor. No entanto, até mesmos as instituições públicas de educação sofrem com esse problema, tendo, em alguns casos, que fazerem contratações temporárias ou efetivas, sem que passem pelo concurso público. A escassez é tão grande que entram na opção de contratações emergenciais.

 

Além da falta real de alguns especialistas em algumas áreas, também temos o fator de profissionais que possuem o conhecimento necessário da demanda, porém, não querem morar em cidades de interiores, dificultando mais ainda os preenchimentos de muitas vagas.

 

Em um levantamento realizado pela Folha de São Paulo em 2017, foi constatado que pelo menos 50% dos professores universitários do Brasil não têm formações nas áreas que ministram aulas. É claro que dentro desse público devemos desconsiderar os profissionais que possuem experiência prática nas áreas diferentes de suas formações. Isso, de uma forma ou de outra, os credencia para darem aulas, afinal possuem o conhecimento prático. No entanto, boa parte tem sido contratado(a) porque não existe outros profissionais para encaixarem nas funções. Com isso, vemos a escassez de especialistas em determinados assuntos, o que abre muitas janelas de oportunidades para quem estuda ou pretende estudar para especializar-se na docência.

 

Comunicação e Novas Tecnologias

 

Poderíamos listar várias matérias de comunicação e tecnologias. No entanto, uma área específica preocupa muitas instituições de ensino: mídias digitais. Por ser um conceito relativamente novo, tanto em ordem social quanto econômica, as redes sociais ainda são um universo a explorar e conhecer. Isso é gerado como demanda pelo fato de hoje muitos negócios estarem migrando para as plataformas, mídias sociais, páginas pessoais e profissionais, e assim por diante. Com isso, criamos uma nova cadeia de necessidades de mercado. Nesse caso, vamos nos limitar apenas à área de educação.

 

De mídias sociais muitas pessoas entendem. Algumas delas, inclusive, têm feito fortunas vendendo produtos, serviços, publicidades e etc. Porém, todos os mecanismos dessas mídias ainda não são completamente conhecidos. Por exemplo: análises métricas e desempenho de web, fórmulas para cálculos de ROI online, funcionamentos de algoritmos e programações, estratégias digitais para publicações, estratégias para expansões de redes e tantos outros pontos.

 

Com o avançado tecnológico, temos presenciado muitos cursos voltados para as mídias digitais: Marketing Digital, Comunicação e Mídias Sociais, Marketing Aplicado a Mídias, e etc. Dentro desses cursos estão os destaques que fiz acima (em negrito). Tecnicamente, são áreas que pouquíssimos profissionais com um domínio total. Alguns deles estão no sudeste e sul do país. Nas outras regiões ainda existe uma lacuna enorme de oportunidades para a atuação na área educacional, principalmente nas regiões Norte e Nordeste.

 

É importante falarmos que nas regiões Norte e Nordeste existem sim profissionais que conhecem do assunto, porém, alguns constituíram empresas para prestarem consultorias, outros foram contratados por grandes organizações. Nessas duas atividades a tendência é que ganhem muito dinheiro. Dessa forma, a probabilidade é que não se interessem pela docência. Sim, infelizmente os professores no Brasil não ganham o que deveriam.

 

Biotecnologia

 

A biotecnologia é uma disciplina profunda em muitos cursos. Trata detalhadamente sobre um conceito que também é novo na Amazônia, apesar de termos todo o potencial de desenvolvimento na área. Baseado na Biologia, esse assunto é muito escasso entre profissionais da docência, fazendo que muitas instituições locais busquem profissionais externos (até estrangeiros) sendo pagos com preço de ouro, sendo duas, três ou quatro vezes mais do que ganha um professor de qualquer outra disciplina.

 

Escolher especializar-se nesse assunto abre grandes oportunidades, pois com especialistas locais dificilmente as instituições trarão profissionais externos, o que pode gerar emprego e renda local, e além disso, criar a “necessidade” da empresa para com o especialista. Ou seja, com um conhecimento específico como esse dificilmente você será demitido(a).

 

Engenharias Diversas

 

Para as Engenharias (seja industrial ou de serviços), essa escassez diminuiu um pouco. Isso se deu devido o setor da indústria e construção civil terem grandes baixas em relação à empregabilidade. Assim, a docência foi vista como uma alternativa de ganhos para profissionais que atuavam nesses setores. Mesmo assim, ainda é muito difícil achar alguém disposto(a) a dar aulas. Infelizmente isso também ocorre por questões salariais.

 

Um(a) engenheiro(a) civil, por exemplo, se fizer um projeto de reforma de pequeno porte, ganhará em média 15 ou 20 vezes mais do que ganharia como professor(a). Sendo assim, essa é a realidade de mercado que faz que muitos bons profissionais não se interessem pela sala de aula.

 

Biologia – P&D

 

A Pesquisa e Desenvolvimento na área da Biologia também é uma área que requer especialistas para formarem novos profissionais nos bancos de faculdades e instituições de pós-graduações. Especificamente nessa área tenho presenciado muitos profissionais se formando com uma visão geral ou imaginando que a Biologia é somente para trabalhar nas áreas convencionais para cuidar rio, mar ou matérias vivas em geral. No entanto, ela é muito mais abrangente e profunda do que isso.

 

Apesar de estarmos no meio de um bionegócio com um potencial gigantesco de desenvolvimento, ainda temos pouquíssimos profissionais que conhecem de Pesquisa e Desenvolvimento na área da Biologia. Com isso, não conseguimos formar novos profissionais, principalmente em pós-graduações.

 

Sociologia

 

A Sociologia, já há alguns anos, entrou para a lista de um dos cursos que menos tem procura. Isso ocorre porque muitos profissionais que gostam da área não conseguem ver as possibilidades de crescimento e atuação no mercado. Dessa forma, criamos um grande vão em instituições de ensino que possuem essa disciplina, que estão em quase tudo: Administração, Direito, Jornalismo, Comunicação Social, História e tantos outros.

 

Sendo assim, muitas instituições optam por contratarem professores de áreas completamente diferentes e que se propõem a aprenderem sobre o assunto.

 

Flávio Guimarães é diretor da Guimarães Consultoria, Administrador de Empresas, Especializado em Negócios, Comportamento e Recursos Humanos, Articulista dos Jornais Bom Dia Amazônia e Jornal do Amazonas 1ª Edição, CBN Amazônia, Portal Amazônia e Consultor em Avaliação e Reelaboração Curricular.

 

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