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Bruno Ferreira

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Bruno Ferreira

Viajar e comer: dois prazeres aliados no turismo gastronômico pela Amazônia

“Não sem motivo, nossa culinária é tida como inesquecível para os turistas que nos visitam e também responsável por incontáveis títulos internacionais em eventos do ramo”


Que a comida é um retrato fundamental de uma determinada sociedade, nós já sabemos. Brillat-Savarin, célebre político e gastrônomo francês, autor do clássico “A fisiologia do gosto”, disse certa vez: “Dize-me o que comes e te direi quem és”, adaptando o conhecido adágio popular. Com o crescente interesse das pessoas pela Gastronomia, não somente a cozinha ganha com isso. Sem dúvida, o turismo gastronômico é hoje uma atividade de interesse crescente, lucrativa e que traz muitas vantagens aos locais que fazem da sua culinária um cartão de visitas. 

 

Pesquisas econômicas realizadas por consultorias especializadas no setor mostram que países como a França, Itália, Tailândia, Japão, China e Estados Unidos recebem, anualmente, pessoas do mundo que viajam a estes destinos apenas para experimentar iguarias, pratos típicos, preparações clássicas, pagando muito caro por isso. É impensável, por exemplo, uma visita a Paris, sem ao menos saborear uma soupe à l’oignon (a famosa sopa de cebolas) ou, para os menos destemidos que não optarem pelo escargot, seguramente um crème brullè. Ou ainda quem se visite Roma sem experimentar o fiore di zucca (flor de abóbora empanada) ou um autêntico fettuccine cacio e pepe, preparado com queijo de ovelha e pimenta do reino.

 

Movimentos semelhantes ocorrem em países tidos como novas fronteiras gastronômicas, como México e Peru, cada vez mais presentes em rankings internacionais de melhores restaurantes e melhores chefs e que já possuem um sistema voltado para atrair turistas de todo lugar, que vem para conhecer o trabalho feito no peruano Central do chef Virgilio Martinez ou o no Pujol do grande Enrique Olvera na cidade do México.

 

Agora imaginemos uma culinária riquíssima como a brasileira, intensamente marcada por suas profundas influências, como as indígenas, africanas, europeias, asiáticas, dentre muitas outras. De Norte a Sul do Brasil, nossa cozinha é apaixonante em seus sabores, aromas, cores e ingredientes. A Gastronomia é, portanto, um ativo importante para o Turismo. Não sem motivo, nossa culinária é tida como inesquecível para os turistas que nos visitam e também responsável por incontáveis títulos internacionais em eventos do ramo.

 

A Gastronomia paraense, por exemplo, está entre as maiores estrelas deste firmamento. No ano de 2017, esta culinária foi escolhida como a melhor do país, em pesquisa feita pelo Ministério do Turismo. Chegando a obter 99,2% de avaliações positivas junto aos turistas, sendo a maioria deles – que grande ironia – franceses. No primeiro trimestre de 2019, Belém ficou entre os 5 destinos nacionais mais visitados, juntamente com o Vale dos Vinhedos (RS), São Paulo (SP), Ouro Preto (MG) e Salvador (BA).

 

Foto: Reprodução/Facebook/Saldosa Maloca

Para além dos grandes restaurantes da capital paraense, reconhecida como cidade criativa da Gastronomia pela Unesco, temos a oferecer a exoticidade de locais como a ilha do Combu (podendo citar a Saldosa Maloca, da chef Prazeres Quaresma, bem como a Filhos do Combu da D. Nena, uma lenda na produção de chocolate amazônico), hoje uma importante atração turística, que reúne a beleza natural da floresta, com comidas perfumadas e saborosas. Outro local que tem obtido muita visibilidade nacional é a cozinha capitaneada pelo chef Saulo Jennings, que, com a Casa do Saulo, vem atraindo muitos olhares para o Baixo Amazonas. Em Bragança, no nordeste paraense, temos o Bem-querença do chef Paulo Osterne.

 

Já no Amazonas, a fauna ictiológica abundante, com suas mais de 2.000 espécimes de pescados disponíveis ao longo de toda extensão do grande rio, privilegia-se este insumo em suas maiores e melhores receitas. Tambaqui, tucunaré, jaraqui, pacu, Matrinchã são servidos cozidos, assados ou fritos para deleite dos turistas. Em Manaus, muitos poderão experimentar, logo cedo pela manhã, um carro-chefe da culinária local: a tapioca recheada com queijo coalho e lascas de tucumã, numa inspiração do célebre “x-caboquinho”.

 

Destaque para o trabalho realizado pelo chef Felipe Schaedler, que abriu o Banzeiro em 2019 e, desde então, vem construindo uma assinatura própria, unindo a cozinha contemporânea aos pratos manauaras típicos.

 

Foto: Reprodução/Facebook/Banzeiro

Também na capital amazonense acontece a FIGA – Feira Internacional de Gastronomia Amazônica, que alia rodadas de negócios com aulas-show, dentre outras atrações e que movimenta o cenário econômico e cultural na cidade e no Estado. 

 

Diante deste amplo espaço para o desenvolvimento da vocação gigantesca que a Amazônia tem para o turismo gastronômico, é fundamental a união de amplos setores sociais e políticos garantindo condições, para que esta importante atividade traga mais recursos para nossa região, aliando dois grandes prazeres da vida: viajar e comer.

 

     

Viajar e comer: dois prazeres aliados no turismo gastronômico pela Amazônia

“Não sem motivo, nossa culinária é tida como inesquecível para os turistas que nos visitam e também responsável por incontáveis títulos internacionais em eventos do ramo”

Bruno Ferreira

brunoferreira493@gmail.com


Que a comida é um retrato fundamental de uma determinada sociedade, nós já sabemos. Brillat-Savarin, célebre político e gastrônomo francês, autor do clássico “A fisiologia do gosto”, disse certa vez: “Dize-me o que comes e te direi quem és”, adaptando o conhecido adágio popular. Com o crescente interesse das pessoas pela Gastronomia, não somente a cozinha ganha com isso. Sem dúvida, o turismo gastronômico é hoje uma atividade de interesse crescente, lucrativa e que traz muitas vantagens aos locais que fazem da sua culinária um cartão de visitas. 

 

Pesquisas econômicas realizadas por consultorias especializadas no setor mostram que países como a França, Itália, Tailândia, Japão, China e Estados Unidos recebem, anualmente, pessoas do mundo que viajam a estes destinos apenas para experimentar iguarias, pratos típicos, preparações clássicas, pagando muito caro por isso. É impensável, por exemplo, uma visita a Paris, sem ao menos saborear uma soupe à l’oignon (a famosa sopa de cebolas) ou, para os menos destemidos que não optarem pelo escargot, seguramente um crème brullè. Ou ainda quem se visite Roma sem experimentar o fiore di zucca (flor de abóbora empanada) ou um autêntico fettuccine cacio e pepe, preparado com queijo de ovelha e pimenta do reino.

 

Movimentos semelhantes ocorrem em países tidos como novas fronteiras gastronômicas, como México e Peru, cada vez mais presentes em rankings internacionais de melhores restaurantes e melhores chefs e que já possuem um sistema voltado para atrair turistas de todo lugar, que vem para conhecer o trabalho feito no peruano Central do chef Virgilio Martinez ou o no Pujol do grande Enrique Olvera na cidade do México.

 

Agora imaginemos uma culinária riquíssima como a brasileira, intensamente marcada por suas profundas influências, como as indígenas, africanas, europeias, asiáticas, dentre muitas outras. De Norte a Sul do Brasil, nossa cozinha é apaixonante em seus sabores, aromas, cores e ingredientes. A Gastronomia é, portanto, um ativo importante para o Turismo. Não sem motivo, nossa culinária é tida como inesquecível para os turistas que nos visitam e também responsável por incontáveis títulos internacionais em eventos do ramo.

 

A Gastronomia paraense, por exemplo, está entre as maiores estrelas deste firmamento. No ano de 2017, esta culinária foi escolhida como a melhor do país, em pesquisa feita pelo Ministério do Turismo. Chegando a obter 99,2% de avaliações positivas junto aos turistas, sendo a maioria deles – que grande ironia – franceses. No primeiro trimestre de 2019, Belém ficou entre os 5 destinos nacionais mais visitados, juntamente com o Vale dos Vinhedos (RS), São Paulo (SP), Ouro Preto (MG) e Salvador (BA).

 

Foto: Reprodução/Facebook/Saldosa Maloca

Para além dos grandes restaurantes da capital paraense, reconhecida como cidade criativa da Gastronomia pela Unesco, temos a oferecer a exoticidade de locais como a ilha do Combu (podendo citar a Saldosa Maloca, da chef Prazeres Quaresma, bem como a Filhos do Combu da D. Nena, uma lenda na produção de chocolate amazônico), hoje uma importante atração turística, que reúne a beleza natural da floresta, com comidas perfumadas e saborosas. Outro local que tem obtido muita visibilidade nacional é a cozinha capitaneada pelo chef Saulo Jennings, que, com a Casa do Saulo, vem atraindo muitos olhares para o Baixo Amazonas. Em Bragança, no nordeste paraense, temos o Bem-querença do chef Paulo Osterne.

 

Já no Amazonas, a fauna ictiológica abundante, com suas mais de 2.000 espécimes de pescados disponíveis ao longo de toda extensão do grande rio, privilegia-se este insumo em suas maiores e melhores receitas. Tambaqui, tucunaré, jaraqui, pacu, Matrinchã são servidos cozidos, assados ou fritos para deleite dos turistas. Em Manaus, muitos poderão experimentar, logo cedo pela manhã, um carro-chefe da culinária local: a tapioca recheada com queijo coalho e lascas de tucumã, numa inspiração do célebre “x-caboquinho”.

 

Destaque para o trabalho realizado pelo chef Felipe Schaedler, que abriu o Banzeiro em 2019 e, desde então, vem construindo uma assinatura própria, unindo a cozinha contemporânea aos pratos manauaras típicos.

 

Foto: Reprodução/Facebook/Banzeiro

Também na capital amazonense acontece a FIGA – Feira Internacional de Gastronomia Amazônica, que alia rodadas de negócios com aulas-show, dentre outras atrações e que movimenta o cenário econômico e cultural na cidade e no Estado. 

 

Diante deste amplo espaço para o desenvolvimento da vocação gigantesca que a Amazônia tem para o turismo gastronômico, é fundamental a união de amplos setores sociais e políticos garantindo condições, para que esta importante atividade traga mais recursos para nossa região, aliando dois grandes prazeres da vida: viajar e comer.

 

     

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