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"Sinta-se em casa": a hospitalidade amazônida

A hospitalidade sempre envolve um ato de mão dupla: aquele que doa e aquele que recebe


No segmento de alimentos e bebidas onde estão inseridos os serviços de Gastronomia, um conceito muito pouco falado e até esquecido é primordial para nossa cultura alimentar: a hospitalidade. 

Hospitalidade vem do latim hospitalitas e significa o ato de hospedar alguém. Ou ainda a qualidade do lugar em que há boa acolhida e até mesmo é uma característica de pessoa gentil e amável.


 
     
Foto:
 

Historicamente, começamos a nos tornar hospitaleiros, quando passamos a ser mais solidários e atentos às condições de necessidade do outro, há muito tempo atrás. Viajantes vinham de regiões longínquas para negociar produtos exóticos em grandes mercados, como Veneza. Ali, buscavam comida, um lugar de descanso e até mesmo para obter favores sexuais. Por outro lado, doentes, feridos de guerra eram recebidos em locais, geralmente ligados a ordens religiosas, a fim de que usufruíssem de cuidados para suas dores e chagas.


A hospitalidade sempre envolve um ato de mão dupla: aquele que doa e aquele que recebe. Estes dois personagens passam a ser ligados por uma relação que os une através da prestação de um serviço que pode ou não ser retribuído. A hospitalidade muitas vezes requer um ato de amor e de solidariedade, em que o retorno não é necessariamente dinheiro, mas o bem-estar de fazer algo em prol de alguém ou de uma causa.



Cabe destacar que aquele que recebe tem TODAS as obrigações de cuidar. O anfitrião é responsável pela satisfação daquele a quem pretende receber. Esta ideia se tornou tão complexa ao longo do tempo, que demos valor financeiro a ela passando a torná-la um produto vendável. É desta dimensão econômica da hospitalidade que nascem os restaurantes, os bares, as lanchonetes, etc. Todos ele são, em resumo, locais que oferecem comida, bebida e também hospedagem, como no caso dos hotéis.


Interessante notar como todas estas características são absolutamente bem aplicadas aos lobo e da Amazonia. Somos hospitaleiros por natureza! E esta cultura de hospitalidade está diretamente ligada à nossa Gastronomia. Que pode ser um prato cheiroso de pato no tucupi servido aos montes durante o Círio de Nazaré. Ou mesmo uma cuia de caribé quentinho, feito com bastante alho e manteiga, para ajudar a recuperar a saúde em tempos destas viroses que permeiam as nossas cidades.


Por que não incluir nesta lista as tapioquinhas feitas em Mosqueiro pela D. Dora e outras barraqueiras da Vila, que fazem parte do charme da Bucólica? E por que não pensar no x-caboquinho, nos peixes assados envolvidos em folhas, que adoçam e perfumam a vida do manaura?


Comida satisfaz, conforta e alegra. E isso tem tudo a ver com hospitalidade. Nosso povo é assim: adepto da boa comida e da alegria de viver.



   

"Sinta-se em casa": a hospitalidade amazônida

A hospitalidade sempre envolve um ato de mão dupla: aquele que doa e aquele que recebe

Bruno Ferreira

jornalismo@portalamazonia.com


No segmento de alimentos e bebidas onde estão inseridos os serviços de Gastronomia, um conceito muito pouco falado e até esquecido é primordial para nossa cultura alimentar: a hospitalidade. 

Hospitalidade vem do latim hospitalitas e significa o ato de hospedar alguém. Ou ainda a qualidade do lugar em que há boa acolhida e até mesmo é uma característica de pessoa gentil e amável.


 
     
Foto:
 

Historicamente, começamos a nos tornar hospitaleiros, quando passamos a ser mais solidários e atentos às condições de necessidade do outro, há muito tempo atrás. Viajantes vinham de regiões longínquas para negociar produtos exóticos em grandes mercados, como Veneza. Ali, buscavam comida, um lugar de descanso e até mesmo para obter favores sexuais. Por outro lado, doentes, feridos de guerra eram recebidos em locais, geralmente ligados a ordens religiosas, a fim de que usufruíssem de cuidados para suas dores e chagas.


A hospitalidade sempre envolve um ato de mão dupla: aquele que doa e aquele que recebe. Estes dois personagens passam a ser ligados por uma relação que os une através da prestação de um serviço que pode ou não ser retribuído. A hospitalidade muitas vezes requer um ato de amor e de solidariedade, em que o retorno não é necessariamente dinheiro, mas o bem-estar de fazer algo em prol de alguém ou de uma causa.



Cabe destacar que aquele que recebe tem TODAS as obrigações de cuidar. O anfitrião é responsável pela satisfação daquele a quem pretende receber. Esta ideia se tornou tão complexa ao longo do tempo, que demos valor financeiro a ela passando a torná-la um produto vendável. É desta dimensão econômica da hospitalidade que nascem os restaurantes, os bares, as lanchonetes, etc. Todos ele são, em resumo, locais que oferecem comida, bebida e também hospedagem, como no caso dos hotéis.


Interessante notar como todas estas características são absolutamente bem aplicadas aos lobo e da Amazonia. Somos hospitaleiros por natureza! E esta cultura de hospitalidade está diretamente ligada à nossa Gastronomia. Que pode ser um prato cheiroso de pato no tucupi servido aos montes durante o Círio de Nazaré. Ou mesmo uma cuia de caribé quentinho, feito com bastante alho e manteiga, para ajudar a recuperar a saúde em tempos destas viroses que permeiam as nossas cidades.


Por que não incluir nesta lista as tapioquinhas feitas em Mosqueiro pela D. Dora e outras barraqueiras da Vila, que fazem parte do charme da Bucólica? E por que não pensar no x-caboquinho, nos peixes assados envolvidos em folhas, que adoçam e perfumam a vida do manaura?


Comida satisfaz, conforta e alegra. E isso tem tudo a ver com hospitalidade. Nosso povo é assim: adepto da boa comida e da alegria de viver.



   

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