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Religião e Gastronomia: uma relação simbólica de afetos e devoções na Amazônia

Na Amazônia, nosso alimento ancestral mais importante é fruto de uma perda familiar dolorida: a lenda da pequena Maní


As civilizações humanas desenvolveram suas formas de cultuar crenças sobre fenômenos da natureza, acontecimentos sobrenaturais ou mesmo sobre aspectos ligados à sua própria existência. Com isso, confiam seu destino, seu futuro, suas decisões a um Ser Superior ou mesmo a alguns deles. Desta maneira, buscam estabelecer direta entre a vida terrena, material e imperfeita, e o domínio celestial, imutável e eterno. Foi assim que surgiram as religiões.

É importante destacar que nos diferentes cultos das mais variadas religiões, a comida é ao mesmo tempo ritual, símbolo, bênção e maldição. É, por exemplo, no Cristianismo que Jesus oferece o pão e o vinho como parte de Seu sacrifício pessoal para a redenção de Seu povo. É, também, nos salões de Vahalla que os guerreiros oferecem suas vitórias a Odin, brindando com o hidromel que jorra da cabra Heídrum e comendo a carne do javali Saerhimnir, que renasce sempre no dia seguinte ao que é abatido.

Recusar-se a comer também pode ser um meio de purificar o corpo, pois os muçulmanos durante o Ramadã abstém-se de alimentos e bebidas, mantendo foco total em suas devocionais e orações. Para os judeus, as comidas que fogem às regras dietéticas estabelecidas pela Torá, trazem maldição para o corpo. Há ainda aquelas comidas que são oferecidas a orixás como o caruru de Iansã.

Na Amazônia, nosso alimento ancestral mais importante é fruto de uma perda familiar dolorida. A lenda da pequena Maní, nos conta que ela faleceu e no lugar em que foi enterrada, nasceu a planta que alimentaria seu povo e que hoje é considerada a rainha do Brasil, por Gilberto Freyre, a mandioca.

Foto: Reprodução

Algumas cerimônias são bastante presentes, como os “Jantares do Santo”, realizado pelas comitivas de devotos de São Benedito, que vão de casa em casa, levando a imagem e lá procedem rituais sempre acompanhados de farta e boa mesa. Nosso maior exemplo como paraenses são, sem dúvida, a maniçoba e o pato no tucupi, exemplos evidentes de fé e devoção do povo.

Nossos hábitos alimentares estão permeados por comportamentos que remetem a práticas religiosas: chamar palavrão à mesa entristece o Anjo da Guarda, assim como bater a colher na beirada da panela enquanto cozinha, chama o Diabo.

Ou seja, todas as religiões possuem suas práticas e comportamentos de alguma forma ligadas à comida. A Gastronomia como ciência, busca entender estas manifestações, respeitando-as como a cultura mais autêntica do povo.  


Religião e Gastronomia: uma relação simbólica de afetos e devoções na Amazônia

Na Amazônia, nosso alimento ancestral mais importante é fruto de uma perda familiar dolorida: a lenda da pequena Maní

Bruno Ferreira

brunoferreira493@gmail.com


As civilizações humanas desenvolveram suas formas de cultuar crenças sobre fenômenos da natureza, acontecimentos sobrenaturais ou mesmo sobre aspectos ligados à sua própria existência. Com isso, confiam seu destino, seu futuro, suas decisões a um Ser Superior ou mesmo a alguns deles. Desta maneira, buscam estabelecer direta entre a vida terrena, material e imperfeita, e o domínio celestial, imutável e eterno. Foi assim que surgiram as religiões.

É importante destacar que nos diferentes cultos das mais variadas religiões, a comida é ao mesmo tempo ritual, símbolo, bênção e maldição. É, por exemplo, no Cristianismo que Jesus oferece o pão e o vinho como parte de Seu sacrifício pessoal para a redenção de Seu povo. É, também, nos salões de Vahalla que os guerreiros oferecem suas vitórias a Odin, brindando com o hidromel que jorra da cabra Heídrum e comendo a carne do javali Saerhimnir, que renasce sempre no dia seguinte ao que é abatido.

Recusar-se a comer também pode ser um meio de purificar o corpo, pois os muçulmanos durante o Ramadã abstém-se de alimentos e bebidas, mantendo foco total em suas devocionais e orações. Para os judeus, as comidas que fogem às regras dietéticas estabelecidas pela Torá, trazem maldição para o corpo. Há ainda aquelas comidas que são oferecidas a orixás como o caruru de Iansã.

Na Amazônia, nosso alimento ancestral mais importante é fruto de uma perda familiar dolorida. A lenda da pequena Maní, nos conta que ela faleceu e no lugar em que foi enterrada, nasceu a planta que alimentaria seu povo e que hoje é considerada a rainha do Brasil, por Gilberto Freyre, a mandioca.

Foto: Reprodução

Algumas cerimônias são bastante presentes, como os “Jantares do Santo”, realizado pelas comitivas de devotos de São Benedito, que vão de casa em casa, levando a imagem e lá procedem rituais sempre acompanhados de farta e boa mesa. Nosso maior exemplo como paraenses são, sem dúvida, a maniçoba e o pato no tucupi, exemplos evidentes de fé e devoção do povo.

Nossos hábitos alimentares estão permeados por comportamentos que remetem a práticas religiosas: chamar palavrão à mesa entristece o Anjo da Guarda, assim como bater a colher na beirada da panela enquanto cozinha, chama o Diabo.

Ou seja, todas as religiões possuem suas práticas e comportamentos de alguma forma ligadas à comida. A Gastronomia como ciência, busca entender estas manifestações, respeitando-as como a cultura mais autêntica do povo.  

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