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Bruno Ferreira

50 melhores restaurantes – América Latina 2019

A presença peruana é reforçada por mais 2 restaurantes entre os 10 melhores (Central e Osso), seguidos de 2 colombianos, 2 brasileiros, 1 mexicano, 1 chileno e 1 argentino


Foi realizada na Usina del Arte, em Buenos Aires, capital da Argentina, no último dia 10 de outubro, a sétima edição do concurso que elege os 50 melhores restaurantes da América Latina. Reúne restauranteurs, sommeliers, jornalistas, influenciadores e especialistas ligados à Gastronomia, num evento patrocinado pela San Pelegrino e Acqua Vita, indústrias do setor de bebidas.

 

Além de premiações destinadas a eleger locais para conhecer e acompanhar (“One to Watch”), melhor chef confeiteiro, melhor atendimento (“Art of Hospitality”), dentre outros, a joia da coroa é a eleição dos 50 melhores restaurantes da América Latina. Dentre os escolhidos, na lista dos 10 primeiros, temos:

 

1º lugar: Maido – Peru

2º lugar: Central – Peru

3º lugar: Pujol – México

4º lugar: Don Julio – Argentina

5º lugar: Boragó – Chile

6º lugar: Casa do Porco – Brasil

7º lugar: El chato – Colômbia

8º lugar: Leo – Colômbia

9º lugar: Osso – Peru

10º Lugar: D.O.M. – Brasil

 

Com base na lista, o que temos é o restaurante Maido (“bem-vindo” em japonês) como primeiro colocado pelo 3º ano consecutivo, reforçando sua excelência gastronômica e o valor da culinária nikkei, resultante da fusão entre as influências gastronômicas japonesas, com a chegada de imigrantes vindos do oceano Pacífico, chegando à costa ocidental daquele país a partir do século XIX e a culinária ancestral e originária peruana. A propósito, a presença peruana é reforçada por mais 2 restaurantes entre os 10 melhores (Central e Osso), seguidos de 2 colombianos, 2 brasileiros, 1 mexicano, 1 chileno e 1 argentino.

 

No caso brasileiro, a surpreendente ascensão da Casa do Porco do chef Jefferson Rueda o catapultou à condição de melhor restaurante do Brasil, além de ter alcançado a melhor posição no restante do continente, ficando com o 6º lugar. É de se comemorar também a chegadas de dois novos estabelecimentos à lista: o Manu de Curitiba, da chef Manu Buffara, que ano passado foi escolhida como “One to watch”, ou seja, alguém cujo trabalho deveria ser conhecido e acompanhado, ela que já era uma das grandes revelações da cozinha brasileira; e também o Evvai, restaurante paulistano do chef Luiz Felipe Souza, que com menos de 30 anos, já acumula grande experiência de cozinha. Luiz Felipe estagiou no Fasano, famoso restaurante em São Paulo, que foi durante 13 anos chefiado pelo lendário Chef italiano Salvatore Loi.

 

Manu e Evvai caracterizam-se por serem restaurantes com uma cozinha brasileira, voltada para suas raízes e origens, agregando modernidade e estilo inconfundível. Cabe destacar que Manu Bufara traz Curitiba para o cenário gastronômico internacional, o que muito contribui para o desenvolvimento da cidade e sendo uma mulher, abre grande perspectiva na área para o crescimento da participação feminina. Este ano, a chef Carolina Bazán, chilena, que comanda o Ambrosía e o Ambrosía Bistrô foi eleita a Melhor Chef latino-americana.

 

Mas nem tudo é motivo para alegria ou pelo menos nos deveria servir como reflexão. Isso porque em se tratando de Brasil, temos 9 restaurantes no total entre os 50 melhores, sendo que destes 5 são de São Paulo, 3 do Rio de Janeiro e 1 fora do eixo Sudeste, que é justamente o Manu. NENHUM (faço questão de manter as letras garrafais) restaurante do Norte do país, numa lista que já teve o paraense Thiago Castanho incluso. Este ano, não temos representantes da região cuja culinária é tão representativa das raízes do nosso país e que empunha a bandeira de nossa cultura, tão admirada pelo mundo.

 

O que falta para que participemos com mais frequência do clube dos grandes, das rodas internacionais? Que não sejamos mais vistos somente como exóticos, nativos, selvagens até? Porque passa a surpresa, o enlevo, a admiração e logo outra fronteira é aberta, tornada um produto e consumida, assim sucessivamente, até que nos deparemos com algum iluminado que proponha o “fim da criatividade na Gastronomia”.

 

Temos uma história secular que envolve ingredientes, mas também conhecimentos, técnicas, processos, culturas, modos de produzir e consumir, que são (ou deveriam ser) lições para nossa sociedade contemporânea, consumista e inconsciente da consequências de seus atos. Os povos da Amazônia são mestres ancestrais no convívio sustentável com a floresta e esta é uma pauta importantíssima para a Gastronomia que fazemos aqui. Nossa culinária, portanto, carrega uma mensagem e precisamos lutar por espaços para que nossa voz seja ouvida por todo o planeta.

 

     

50 melhores restaurantes – América Latina 2019

A presença peruana é reforçada por mais 2 restaurantes entre os 10 melhores (Central e Osso), seguidos de 2 colombianos, 2 brasileiros, 1 mexicano, 1 chileno e 1 argentino

Bruno Ferreira

brunoferreira493@gmail.com


Foi realizada na Usina del Arte, em Buenos Aires, capital da Argentina, no último dia 10 de outubro, a sétima edição do concurso que elege os 50 melhores restaurantes da América Latina. Reúne restauranteurs, sommeliers, jornalistas, influenciadores e especialistas ligados à Gastronomia, num evento patrocinado pela San Pelegrino e Acqua Vita, indústrias do setor de bebidas.

 

Além de premiações destinadas a eleger locais para conhecer e acompanhar (“One to Watch”), melhor chef confeiteiro, melhor atendimento (“Art of Hospitality”), dentre outros, a joia da coroa é a eleição dos 50 melhores restaurantes da América Latina. Dentre os escolhidos, na lista dos 10 primeiros, temos:

 

1º lugar: Maido – Peru

2º lugar: Central – Peru

3º lugar: Pujol – México

4º lugar: Don Julio – Argentina

5º lugar: Boragó – Chile

6º lugar: Casa do Porco – Brasil

7º lugar: El chato – Colômbia

8º lugar: Leo – Colômbia

9º lugar: Osso – Peru

10º Lugar: D.O.M. – Brasil

 

Com base na lista, o que temos é o restaurante Maido (“bem-vindo” em japonês) como primeiro colocado pelo 3º ano consecutivo, reforçando sua excelência gastronômica e o valor da culinária nikkei, resultante da fusão entre as influências gastronômicas japonesas, com a chegada de imigrantes vindos do oceano Pacífico, chegando à costa ocidental daquele país a partir do século XIX e a culinária ancestral e originária peruana. A propósito, a presença peruana é reforçada por mais 2 restaurantes entre os 10 melhores (Central e Osso), seguidos de 2 colombianos, 2 brasileiros, 1 mexicano, 1 chileno e 1 argentino.

 

No caso brasileiro, a surpreendente ascensão da Casa do Porco do chef Jefferson Rueda o catapultou à condição de melhor restaurante do Brasil, além de ter alcançado a melhor posição no restante do continente, ficando com o 6º lugar. É de se comemorar também a chegadas de dois novos estabelecimentos à lista: o Manu de Curitiba, da chef Manu Buffara, que ano passado foi escolhida como “One to watch”, ou seja, alguém cujo trabalho deveria ser conhecido e acompanhado, ela que já era uma das grandes revelações da cozinha brasileira; e também o Evvai, restaurante paulistano do chef Luiz Felipe Souza, que com menos de 30 anos, já acumula grande experiência de cozinha. Luiz Felipe estagiou no Fasano, famoso restaurante em São Paulo, que foi durante 13 anos chefiado pelo lendário Chef italiano Salvatore Loi.

 

Manu e Evvai caracterizam-se por serem restaurantes com uma cozinha brasileira, voltada para suas raízes e origens, agregando modernidade e estilo inconfundível. Cabe destacar que Manu Bufara traz Curitiba para o cenário gastronômico internacional, o que muito contribui para o desenvolvimento da cidade e sendo uma mulher, abre grande perspectiva na área para o crescimento da participação feminina. Este ano, a chef Carolina Bazán, chilena, que comanda o Ambrosía e o Ambrosía Bistrô foi eleita a Melhor Chef latino-americana.

 

Mas nem tudo é motivo para alegria ou pelo menos nos deveria servir como reflexão. Isso porque em se tratando de Brasil, temos 9 restaurantes no total entre os 50 melhores, sendo que destes 5 são de São Paulo, 3 do Rio de Janeiro e 1 fora do eixo Sudeste, que é justamente o Manu. NENHUM (faço questão de manter as letras garrafais) restaurante do Norte do país, numa lista que já teve o paraense Thiago Castanho incluso. Este ano, não temos representantes da região cuja culinária é tão representativa das raízes do nosso país e que empunha a bandeira de nossa cultura, tão admirada pelo mundo.

 

O que falta para que participemos com mais frequência do clube dos grandes, das rodas internacionais? Que não sejamos mais vistos somente como exóticos, nativos, selvagens até? Porque passa a surpresa, o enlevo, a admiração e logo outra fronteira é aberta, tornada um produto e consumida, assim sucessivamente, até que nos deparemos com algum iluminado que proponha o “fim da criatividade na Gastronomia”.

 

Temos uma história secular que envolve ingredientes, mas também conhecimentos, técnicas, processos, culturas, modos de produzir e consumir, que são (ou deveriam ser) lições para nossa sociedade contemporânea, consumista e inconsciente da consequências de seus atos. Os povos da Amazônia são mestres ancestrais no convívio sustentável com a floresta e esta é uma pauta importantíssima para a Gastronomia que fazemos aqui. Nossa culinária, portanto, carrega uma mensagem e precisamos lutar por espaços para que nossa voz seja ouvida por todo o planeta.

 

     

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