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Abrahim Baze

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Abrahim Baze

Manaus da Minha Infância

Recordar é viver e constato que lá se vão 70 anos, na Av. 7 de Setembro, esquina com Joaquim Nabuco, local em que morei toda a infância


Recordar é viver e constato que lá se vão 70 anos, na Av. 7 de Setembro, esquina com Joaquim Nabuco, local em que morei toda a infância. Eu vi nascer as Casas do Óleo do Sr. Mário Assayag, hoje grande rede de Supermercados. Naquela época não tínhamos a figura do supermercado, somente pequenas tabernas ou grandes mercearias, como é o caso da “A Renascença”, de um grupo de portugueses.


 

           
Avenida Sete de Setembro, esquina com a Avenida Joaquim Nabuco, em 1940. Foto: Acervo/Abrahim Baze
 


Bem na outra esquina ficava o velho Sombra que vendia somente picolé e sorvetes, cuja produção consistia em um cilindro girando na salmoura. Na outra esquina nós tínhamos o velho Nasser, libanês pai da Charuffe, Osman e outros, também o velho Porfírio, que consertava bicicletas, o Marcelinho, único turco em Manaus – confundir turco com libanês é algo imperdoável – e como meu pai, tinha uma loja de confecção na esquina seguinte. Havia ainda a estância do Cangalha, hoje Casas do Óleo, a padaria Frankfurt de outro português – Sr. Antônio que morreu solteiro.



A família Simões – do Grupo Simões – residia na 7 de Setembro, hoje edificado o prédio Antônio Simões. Nossa juventude mostrava sua alegria na “Escola São Francisco de Assis” hoje demolido e que já abrigou há 10 anos o colégio Objetivo Einstein.


 

Cine Polytheama, Cine Guarany, boas lembranças. Em dezembro na sua passagem de aniversário, o Guarany exibia filmes todas as noites em uma imensa tela na rua, aos domingos era elegante o Coreto na Praça da Polícia. A banda se apresentava às 16h e passava em círculo na praça, até as 19h. Para a ocasião, vestia-se a melhor roupa e ainda posso sentir o cheiro do algodão-doce e da pipoca que acompanhavam a apresentação. 


 

           
Cine Guarany, em 1950. Foto: Acervo/Abrahim Baze
 


Igarapé de Manaus, ponto tradicional do banho diário, com brincadeiras, reboque de motor, Ponte Cabral, que liga Av. 7 de Setembro a Rua Dr. Almínio.


 

Quando o rio secava fazíamos um pequeno campo de futebol (o tradicional papagaio) que sempre acabava em perseguições da manduquinha porque era proibido. Era motivo de orgulho para os meninos enrolarem a maçaroca de linha e ficar de olho na polícia que marcava o Russo e o Loló, dois primos famosos pela arte de confeccionar papagaios e que até pouco tempo ainda eram bem procurados pelos apreciadores.


 

           
Igarapé de Manaus, em 1950. Foto: Acervo/Abrahim Baze
 


Como complemento de nosso hobby, aproveitávamos os bondes para colocar vidro nos trilhos e moer a fim de fazer o melhor cerol. Para variar mocegar os bondes, o que sempre acabava em acidentes que eram tratados no SSU (Serviço Socorro de Urgência), cujo, prédio hoje abriga a Secretaria de Segurança. Ainda na Rua Joaquim Nabuco dona Marieta, com seus bordados belíssimos era a mulher mais procurada pelas moças para dar cursos e preparar os mais requintados enxovais. 



A Banda de Música da Polícia Militar, “O Bumbalá” na frente como maestro. A “Nega Charuto”, uma mulher que fornecia refeição e corria atrás da molecada quando ouvia o apelido. Como não tínhamos as bandas de revistas que existem, vendia-se ou, trocava-se revistas em quadrinhos na porta do Cine Guarany e Polytheama, espalhadas no chão e carregadas aos montes embaixo dos braços. 


 

           

Consulado de Portugal em Manaus, em 1920. Hoje, Grupo Escolar Barão do Rio Branco. Foto: Acervo/Abrahim Baze

Novamente o Igarapé de Manaus, com as lavadeiras e suas cacimbas, as carroças do velho Severino, cujos, cavalos pastavam no Monte Cristo, Guaraná Baré, Colégio Santa Dorotéia (palco de formação de grandes gerações); Grupos Escolar Barão do Rio Branco, que no passado foi o Consulado de Portugal em Manaus; Beneficente Portuguesa, tradicional Hospital Português, cujas, mangas nós éramos fregueses; o prédio da L. B. A. comprado no governo do Dr. Álvaro Maia, hoje, reformado e abriga o Tribunal de Contas do Governo Federal, com suas mangueiras frondosas. 


 

           

Avenida Sete de Setembro, ao lado do Palácio Rio Negro, em 1950. Foto: Acervo/Abrahim Baze

Tinha ainda o Manoel Queijeiro, vendia queijo e manteiga regional, pai do meu amigo Dedé, mais tarde, Diretor da Escola do SESI. 


 

O Quartel do Bombeiros na Av. 7 de Setembro, hoje a Fundação Joaquim Nabuco era um barulho só e as ruas com o tradicional paralelepípedo, cobertos criminosamente com asfalto.

 

Estes momentos marcaram a minha infância e juventude, na esquina da 7 de Setembro com Joaquim Nabuco onde nós tínhamos até mesmo um sinaleiro. Esta é a minha Manaus de ontem que em nome do progresso muitas coisas foram demolidas. Vale lembrar a família Pérez, do senador, berço de políticos e homens inteligentes! 


 

           

Palácio Rio Negro, em 1950. Foto: Acervo/Abrahim Baze

Vale a pena recordar os banhos com os meninos da época, no Igarapé de Manaus. Corríamos na Ponte Cabral para assistir o futebol em um campinho no final da Estância do Cangalha, bem em frente ao Pombal, a Ponte Cabral era toda de Madeira com a proteção de ferro.


 

As tardes de domingo era comum empinarmos papagaio com o Russo e Loló, eles eram primos, filhos de portugueses que residiam na Joaquim Nabuco, em frente a Arquidiocese de Manaus. Colocávamos vidro no trilho do bonde para moer, o que era proibido.


 

Quando o rio secava juntava-se a turma do Igarapé de Manaus com a turma da Rua Major Gabriel, para fazermos o campo de futebol na sua margem, onde tinha uma família ilustre, os descendentes do Governador Pedro de Alcântara Bacelar, ainda posso recordar o Trindade, Isaac Benarrós, Rafael Bacelar, Pedro Bacelar, Antônio Travessa, Ruth Nascimento, Brandão, Jussara Jacob, Clarita, Itaúna, Sandra Lúcia, Álvaro Garcia, Iana, Suely Pinheiro, Fausto, Antônio, Sandra Raposo, Carlos Raposo, José Amorim, Naldir Soares e tantos outros.


 

           
Igarapé da Segunda Ponte, em 1950. Foto: Acervo/Abrahim Baze
 


A referência das primeiras letras foi no Grupo Escolar Barão do Rio Branco. No mês de junho era comum passarem pela Rua 7 de setembro os bois Corre Campo e Tira Prosa. As noites eram uma festa em frente ao Cine Guarany e Politheama. No aniversário do Cine Guarany era tradição a tela enorme em frente ao cinema para sessão noturna comemorativa ao aniversário.

 

     

Manaus da Minha Infância

Recordar é viver e constato que lá se vão 70 anos, na Av. 7 de Setembro, esquina com Joaquim Nabuco, local em que morei toda a infância

Abrahim Baze

literatura@amazonsat.com.br


Recordar é viver e constato que lá se vão 70 anos, na Av. 7 de Setembro, esquina com Joaquim Nabuco, local em que morei toda a infância. Eu vi nascer as Casas do Óleo do Sr. Mário Assayag, hoje grande rede de Supermercados. Naquela época não tínhamos a figura do supermercado, somente pequenas tabernas ou grandes mercearias, como é o caso da “A Renascença”, de um grupo de portugueses.


 

           
Avenida Sete de Setembro, esquina com a Avenida Joaquim Nabuco, em 1940. Foto: Acervo/Abrahim Baze
 


Bem na outra esquina ficava o velho Sombra que vendia somente picolé e sorvetes, cuja produção consistia em um cilindro girando na salmoura. Na outra esquina nós tínhamos o velho Nasser, libanês pai da Charuffe, Osman e outros, também o velho Porfírio, que consertava bicicletas, o Marcelinho, único turco em Manaus – confundir turco com libanês é algo imperdoável – e como meu pai, tinha uma loja de confecção na esquina seguinte. Havia ainda a estância do Cangalha, hoje Casas do Óleo, a padaria Frankfurt de outro português – Sr. Antônio que morreu solteiro.



A família Simões – do Grupo Simões – residia na 7 de Setembro, hoje edificado o prédio Antônio Simões. Nossa juventude mostrava sua alegria na “Escola São Francisco de Assis” hoje demolido e que já abrigou há 10 anos o colégio Objetivo Einstein.


 

Cine Polytheama, Cine Guarany, boas lembranças. Em dezembro na sua passagem de aniversário, o Guarany exibia filmes todas as noites em uma imensa tela na rua, aos domingos era elegante o Coreto na Praça da Polícia. A banda se apresentava às 16h e passava em círculo na praça, até as 19h. Para a ocasião, vestia-se a melhor roupa e ainda posso sentir o cheiro do algodão-doce e da pipoca que acompanhavam a apresentação. 


 

           
Cine Guarany, em 1950. Foto: Acervo/Abrahim Baze
 


Igarapé de Manaus, ponto tradicional do banho diário, com brincadeiras, reboque de motor, Ponte Cabral, que liga Av. 7 de Setembro a Rua Dr. Almínio.


 

Quando o rio secava fazíamos um pequeno campo de futebol (o tradicional papagaio) que sempre acabava em perseguições da manduquinha porque era proibido. Era motivo de orgulho para os meninos enrolarem a maçaroca de linha e ficar de olho na polícia que marcava o Russo e o Loló, dois primos famosos pela arte de confeccionar papagaios e que até pouco tempo ainda eram bem procurados pelos apreciadores.


 

           
Igarapé de Manaus, em 1950. Foto: Acervo/Abrahim Baze
 


Como complemento de nosso hobby, aproveitávamos os bondes para colocar vidro nos trilhos e moer a fim de fazer o melhor cerol. Para variar mocegar os bondes, o que sempre acabava em acidentes que eram tratados no SSU (Serviço Socorro de Urgência), cujo, prédio hoje abriga a Secretaria de Segurança. Ainda na Rua Joaquim Nabuco dona Marieta, com seus bordados belíssimos era a mulher mais procurada pelas moças para dar cursos e preparar os mais requintados enxovais. 



A Banda de Música da Polícia Militar, “O Bumbalá” na frente como maestro. A “Nega Charuto”, uma mulher que fornecia refeição e corria atrás da molecada quando ouvia o apelido. Como não tínhamos as bandas de revistas que existem, vendia-se ou, trocava-se revistas em quadrinhos na porta do Cine Guarany e Polytheama, espalhadas no chão e carregadas aos montes embaixo dos braços. 


 

           

Consulado de Portugal em Manaus, em 1920. Hoje, Grupo Escolar Barão do Rio Branco. Foto: Acervo/Abrahim Baze

Novamente o Igarapé de Manaus, com as lavadeiras e suas cacimbas, as carroças do velho Severino, cujos, cavalos pastavam no Monte Cristo, Guaraná Baré, Colégio Santa Dorotéia (palco de formação de grandes gerações); Grupos Escolar Barão do Rio Branco, que no passado foi o Consulado de Portugal em Manaus; Beneficente Portuguesa, tradicional Hospital Português, cujas, mangas nós éramos fregueses; o prédio da L. B. A. comprado no governo do Dr. Álvaro Maia, hoje, reformado e abriga o Tribunal de Contas do Governo Federal, com suas mangueiras frondosas. 


 

           

Avenida Sete de Setembro, ao lado do Palácio Rio Negro, em 1950. Foto: Acervo/Abrahim Baze

Tinha ainda o Manoel Queijeiro, vendia queijo e manteiga regional, pai do meu amigo Dedé, mais tarde, Diretor da Escola do SESI. 


 

O Quartel do Bombeiros na Av. 7 de Setembro, hoje a Fundação Joaquim Nabuco era um barulho só e as ruas com o tradicional paralelepípedo, cobertos criminosamente com asfalto.

 

Estes momentos marcaram a minha infância e juventude, na esquina da 7 de Setembro com Joaquim Nabuco onde nós tínhamos até mesmo um sinaleiro. Esta é a minha Manaus de ontem que em nome do progresso muitas coisas foram demolidas. Vale lembrar a família Pérez, do senador, berço de políticos e homens inteligentes! 


 

           

Palácio Rio Negro, em 1950. Foto: Acervo/Abrahim Baze

Vale a pena recordar os banhos com os meninos da época, no Igarapé de Manaus. Corríamos na Ponte Cabral para assistir o futebol em um campinho no final da Estância do Cangalha, bem em frente ao Pombal, a Ponte Cabral era toda de Madeira com a proteção de ferro.


 

As tardes de domingo era comum empinarmos papagaio com o Russo e Loló, eles eram primos, filhos de portugueses que residiam na Joaquim Nabuco, em frente a Arquidiocese de Manaus. Colocávamos vidro no trilho do bonde para moer, o que era proibido.


 

Quando o rio secava juntava-se a turma do Igarapé de Manaus com a turma da Rua Major Gabriel, para fazermos o campo de futebol na sua margem, onde tinha uma família ilustre, os descendentes do Governador Pedro de Alcântara Bacelar, ainda posso recordar o Trindade, Isaac Benarrós, Rafael Bacelar, Pedro Bacelar, Antônio Travessa, Ruth Nascimento, Brandão, Jussara Jacob, Clarita, Itaúna, Sandra Lúcia, Álvaro Garcia, Iana, Suely Pinheiro, Fausto, Antônio, Sandra Raposo, Carlos Raposo, José Amorim, Naldir Soares e tantos outros.


 

           
Igarapé da Segunda Ponte, em 1950. Foto: Acervo/Abrahim Baze
 


A referência das primeiras letras foi no Grupo Escolar Barão do Rio Branco. No mês de junho era comum passarem pela Rua 7 de setembro os bois Corre Campo e Tira Prosa. As noites eram uma festa em frente ao Cine Guarany e Politheama. No aniversário do Cine Guarany era tradição a tela enorme em frente ao cinema para sessão noturna comemorativa ao aniversário.

 

     

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