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José Fernando Gomes Novo: o artista Português no Amazonas

O artista, o cantor José Fernando Gomes Novo conhecido na intimidade como Maravalha permitiu tirar do baú de sua memória pedaços de papel amarelados, delicadamente guardados em seu álbum de recordações momentos importantes de sua vida


O corpo cênico do Luso Sporting Club que nasceu em 1917, como o resultado da produção coletiva, alimentado pela vontade de fazer teatro, dando vida a inúmeros personagens que levaram a efeito no palco ao som de vozes e luzes, em preto e branco ou em cores sob o olhar das plateias.
 
José Fernandes Gomes Novo (Maravalha) encenando no Teatro do Luzo Sporting Club (1950) | Foto:Acervo Pessoal/Abrahim Baze
 


Segundo a professora doutora Selda Vale na sua obra Cenário de Memórias Teatral de Manaus (1944 – 1968) nos relata: 

“As Pastorinhas, ou o Auto de Natal do Luso, tomavam conta do sentimento da cidade. Não havia uma só família que não levassem suas crianças para assistirem. O anúncio das Pastorinhas era feito pelas próprias personagens que desfilavam pela pacata cidade em cima de um velho caminhão, todo enfeitado, como se fora o palco. As batidas dos partos de metal despertavam atenção e alvoroçavam a população, mas a personagem que mais se destacava era o Lúcifer. O famoso Cão do Luso, todo de vermelho com enorme garfo preto, fez muita criança correr em disparada buscando abrigo no colo dos adultos. Metia medo e sedução.

Por mais de quarenta anos, a Grande Pastoral foi programa obrigatório dos festejos de natal. É bem verdade que o Teatro do Luso além desse espetáculo natalino, marcou sua presença no teatro amazonense com um extenso repertorio que incluía dramas, comédias e até mesmo montagem de Deus lhe pague, que imortalizou a figura de Procópio Ferreira. Às vezes, conseguia trazer ao palco mais de dez peças teatrais por ano. Mas nada se comparava às Pastorinhas, ao lamento da pastora perdida, à alegre florista e ao sotaque lusitano de Lusbel.”¹ Pág. 240


Toda essa trajetória estabeleceu, na época, que o maior desafio do ser humano era fazer dramaturgia encenando grandes peças, vivenciando a realidade que pairava em sua volta. É como se olhando para trás produzisse uma ação, um sentimento, com a possibilidade de um novo encontro com aquela inusitada época. Na Manaus daquele período os portugueses que frequentavam o Luso Sporting Club traziam consigo o sentimento de fazer teatro com a promoção do bem comum o homem.


Foi um período rico da história do clube português na edificação da arte dramática voltada para o entretenimento em especial na construção da solidariedade humana, cujo ato de fazer mostrava a alma desnuda do sentimento de vaidade. O script da fala, a produção do cenário, tudo era feito sem abrir mão de uma realidade, a filantropia, mesmo que tudo parecesse igual, vivenciaram o mesmo tom da emoção da arte de representar.
   
Grupo de atores após apresentação no Teatro do Luzo Sporting Club (1950)| Foto:Acervo Pessoal/Abrahim Baze
 



O fruto do labor coletivo da raça lusitana tem o gosto do saber da vida, em preto e branco e em cores, hoje aparece para a história em tênues lembranças e memórias que recriam um cenário imaginário ou real por onde desfilou homens e mulheres, de sensibilidade indescritíveis, que dedicaram suas vidas a fazer das sombras e da luz um palco de encantamento que construíram a história desta forma de fazer teatro no Amazonas.


“Foi no dia 1 de dezembro de 1917, com presença do Cônsul de Portugal, autoridades do Governo do Estado e a presença da Colônia Portuguesa, o corpo cênico do Luso Sporting Club se apresenta no Teatro Amazonas, cuja renda foi destinada à Cruz Vermelha Brasileira em benefícios dos flagelados da guerra. Eram os autores do Luso contracenando com a arte da solidariedade.”.² Pág. 75


O artista, o cantor José Fernando Gomes Novo conhecido na intimidade como Maravalha permitiu tirar do baú de sua memória pedaços de papel amarelados, delicadamente guardados em seu álbum de recordações momentos importantes de sua vida.
   
Grupo de atores encenando peça no Teatro do Luzo Sporting Club (1950)| Foto:Acervo Pessoal/Abrahim Baze
 


A matéria de que se alimenta sua rica memória lembra os flocos de lembrança da sua infância e juventude, doces fios entrelaçados e encadeados em cores e sabores suaves tão encantadores e reais. A linha que divide a sua vida foi sempre diluída pelo sonho de um Maravalhas poeta, artista cantor de fados e homem inteligente que jamais esqueceu suas origens.


No saudoso Clube Barés, era o cantor de fados preferido, tendo na época inclusive formado um rancho português. Não podemos esquecer o velho Olímpico Clube nas tradicionais festas que homenageavam Santo Antônio de Lisboa.


No embate futebolístico marcou época como jogador no Olímpico Clube e América Futebol Clube. As tardes de sábado os ouvintes da Rádio Baré acotovelavam-se para ouvir os belos fados cantados por ele. Na elite da sociedade amazonense era convidado para cantar no Atlético Rio Negro Clube e no Ideal Clube.
   
Atores contracenando no Teatro do Luzo Sporting Club (1950)| Foto:Acervo Pessoal/Abrahim Baze
 


O palco do Luso Sporting Club, embora já desmontado permanece como um fio da memória e nos conduz ao um tempo em que havia tempo para criar e até fazer teatro.


José Fernando Gomes Novo, o popular Maravalhas era natural de Póvoa do Varzim em Portugal, todavia teve uma longa vivência no Amazonas, pois desembarcou no porto de Manaus aos dezenove anos de idade no ano de 1946.


Iniciou seus contatos com as letras dos quatro ao quatorze anos na Escola Primária Pereira Azuzara em Portugal. Desde cedo Maravalhas iniciou-se no trabalho, pois de onze a quatorze anos já labutava como serralheiro mecânico na oficina “Albino Joaquim do Monte” em Portugal.

   
Maravalha cantando na Adega em Povoa do Varzim - Portugal| Foto:Acervo Pessoal/Abrahim Baze
 


Durante a Segunda Grande Guerra Mundial, que provocou a escassez de matéria prima foi obrigado a trabalhar como pescador em alto-mar.


Com o efeito da nefasta guerra se prolongou, ele resolveu imigrar para o Brasil, exatamente Manaus e aqui passou a trabalhar com seu pai em transportes portuários, profissão que legou também a seu filho.


O reconhecimento veio com o Projeto de Lei nº 44 de autoria do então Deputado Estadual Manuel do Carmo Chaves, em sessão solene na plenária da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas recebeu o título de cidadão do Amazonas por altos serviços prestados a cultura de nossa cidade.
   
Maravalha prestando homenagem ao presidente da Câmara Municipal de Povoa do Varzim – Portugal | Foto:Acervo Pessoal/Abrahim Baze
 

Foi diretor do Luso Sporting Club, da Sociedade Portuguesa Beneficente do Amazonas e da Comunidade Luso Brasileira do Amazonas com relevantes serviços prestados. Foi casado com a senhora Alice Novo, pai dos seguintes filhos: Constância, que exerce a profissão de medicina, Isabel é psicóloga e Frank administrador de empresas. Maravalhas faleceu recentemente quando encontrava-se em férias em Portugal.


     

José Fernando Gomes Novo: o artista Português no Amazonas

O artista, o cantor José Fernando Gomes Novo conhecido na intimidade como Maravalha permitiu tirar do baú de sua memória pedaços de papel amarelados, delicadamente guardados em seu álbum de recordações momentos importantes de sua vida

Abrahim Baze

literatura@amazonsat.com.br


O corpo cênico do Luso Sporting Club que nasceu em 1917, como o resultado da produção coletiva, alimentado pela vontade de fazer teatro, dando vida a inúmeros personagens que levaram a efeito no palco ao som de vozes e luzes, em preto e branco ou em cores sob o olhar das plateias.
 
José Fernandes Gomes Novo (Maravalha) encenando no Teatro do Luzo Sporting Club (1950) | Foto:Acervo Pessoal/Abrahim Baze
 


Segundo a professora doutora Selda Vale na sua obra Cenário de Memórias Teatral de Manaus (1944 – 1968) nos relata: 

“As Pastorinhas, ou o Auto de Natal do Luso, tomavam conta do sentimento da cidade. Não havia uma só família que não levassem suas crianças para assistirem. O anúncio das Pastorinhas era feito pelas próprias personagens que desfilavam pela pacata cidade em cima de um velho caminhão, todo enfeitado, como se fora o palco. As batidas dos partos de metal despertavam atenção e alvoroçavam a população, mas a personagem que mais se destacava era o Lúcifer. O famoso Cão do Luso, todo de vermelho com enorme garfo preto, fez muita criança correr em disparada buscando abrigo no colo dos adultos. Metia medo e sedução.

Por mais de quarenta anos, a Grande Pastoral foi programa obrigatório dos festejos de natal. É bem verdade que o Teatro do Luso além desse espetáculo natalino, marcou sua presença no teatro amazonense com um extenso repertorio que incluía dramas, comédias e até mesmo montagem de Deus lhe pague, que imortalizou a figura de Procópio Ferreira. Às vezes, conseguia trazer ao palco mais de dez peças teatrais por ano. Mas nada se comparava às Pastorinhas, ao lamento da pastora perdida, à alegre florista e ao sotaque lusitano de Lusbel.”¹ Pág. 240


Toda essa trajetória estabeleceu, na época, que o maior desafio do ser humano era fazer dramaturgia encenando grandes peças, vivenciando a realidade que pairava em sua volta. É como se olhando para trás produzisse uma ação, um sentimento, com a possibilidade de um novo encontro com aquela inusitada época. Na Manaus daquele período os portugueses que frequentavam o Luso Sporting Club traziam consigo o sentimento de fazer teatro com a promoção do bem comum o homem.


Foi um período rico da história do clube português na edificação da arte dramática voltada para o entretenimento em especial na construção da solidariedade humana, cujo ato de fazer mostrava a alma desnuda do sentimento de vaidade. O script da fala, a produção do cenário, tudo era feito sem abrir mão de uma realidade, a filantropia, mesmo que tudo parecesse igual, vivenciaram o mesmo tom da emoção da arte de representar.
   
Grupo de atores após apresentação no Teatro do Luzo Sporting Club (1950)| Foto:Acervo Pessoal/Abrahim Baze
 



O fruto do labor coletivo da raça lusitana tem o gosto do saber da vida, em preto e branco e em cores, hoje aparece para a história em tênues lembranças e memórias que recriam um cenário imaginário ou real por onde desfilou homens e mulheres, de sensibilidade indescritíveis, que dedicaram suas vidas a fazer das sombras e da luz um palco de encantamento que construíram a história desta forma de fazer teatro no Amazonas.


“Foi no dia 1 de dezembro de 1917, com presença do Cônsul de Portugal, autoridades do Governo do Estado e a presença da Colônia Portuguesa, o corpo cênico do Luso Sporting Club se apresenta no Teatro Amazonas, cuja renda foi destinada à Cruz Vermelha Brasileira em benefícios dos flagelados da guerra. Eram os autores do Luso contracenando com a arte da solidariedade.”.² Pág. 75


O artista, o cantor José Fernando Gomes Novo conhecido na intimidade como Maravalha permitiu tirar do baú de sua memória pedaços de papel amarelados, delicadamente guardados em seu álbum de recordações momentos importantes de sua vida.
   
Grupo de atores encenando peça no Teatro do Luzo Sporting Club (1950)| Foto:Acervo Pessoal/Abrahim Baze
 


A matéria de que se alimenta sua rica memória lembra os flocos de lembrança da sua infância e juventude, doces fios entrelaçados e encadeados em cores e sabores suaves tão encantadores e reais. A linha que divide a sua vida foi sempre diluída pelo sonho de um Maravalhas poeta, artista cantor de fados e homem inteligente que jamais esqueceu suas origens.


No saudoso Clube Barés, era o cantor de fados preferido, tendo na época inclusive formado um rancho português. Não podemos esquecer o velho Olímpico Clube nas tradicionais festas que homenageavam Santo Antônio de Lisboa.


No embate futebolístico marcou época como jogador no Olímpico Clube e América Futebol Clube. As tardes de sábado os ouvintes da Rádio Baré acotovelavam-se para ouvir os belos fados cantados por ele. Na elite da sociedade amazonense era convidado para cantar no Atlético Rio Negro Clube e no Ideal Clube.
   
Atores contracenando no Teatro do Luzo Sporting Club (1950)| Foto:Acervo Pessoal/Abrahim Baze
 


O palco do Luso Sporting Club, embora já desmontado permanece como um fio da memória e nos conduz ao um tempo em que havia tempo para criar e até fazer teatro.


José Fernando Gomes Novo, o popular Maravalhas era natural de Póvoa do Varzim em Portugal, todavia teve uma longa vivência no Amazonas, pois desembarcou no porto de Manaus aos dezenove anos de idade no ano de 1946.


Iniciou seus contatos com as letras dos quatro ao quatorze anos na Escola Primária Pereira Azuzara em Portugal. Desde cedo Maravalhas iniciou-se no trabalho, pois de onze a quatorze anos já labutava como serralheiro mecânico na oficina “Albino Joaquim do Monte” em Portugal.

   
Maravalha cantando na Adega em Povoa do Varzim - Portugal| Foto:Acervo Pessoal/Abrahim Baze
 


Durante a Segunda Grande Guerra Mundial, que provocou a escassez de matéria prima foi obrigado a trabalhar como pescador em alto-mar.


Com o efeito da nefasta guerra se prolongou, ele resolveu imigrar para o Brasil, exatamente Manaus e aqui passou a trabalhar com seu pai em transportes portuários, profissão que legou também a seu filho.


O reconhecimento veio com o Projeto de Lei nº 44 de autoria do então Deputado Estadual Manuel do Carmo Chaves, em sessão solene na plenária da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas recebeu o título de cidadão do Amazonas por altos serviços prestados a cultura de nossa cidade.
   
Maravalha prestando homenagem ao presidente da Câmara Municipal de Povoa do Varzim – Portugal | Foto:Acervo Pessoal/Abrahim Baze
 

Foi diretor do Luso Sporting Club, da Sociedade Portuguesa Beneficente do Amazonas e da Comunidade Luso Brasileira do Amazonas com relevantes serviços prestados. Foi casado com a senhora Alice Novo, pai dos seguintes filhos: Constância, que exerce a profissão de medicina, Isabel é psicóloga e Frank administrador de empresas. Maravalhas faleceu recentemente quando encontrava-se em férias em Portugal.


     

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