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A Semente Maçônica que deu Frutos - Aurora Lusitana

“É inegável a benemerência e o amor ao próximo dos irmãos que compõe a Loja Aurora Lusitana, cuja, autenticidade podemos comprovar com documentos”


Por iniciativa do português Abel Nunes Thompson de Quadros e mais dezesseis portugueses maçons, ocorreu em sua residência a Rua Izabel n. 203, um jantar que consolidou a ideia de fundação de uma Loja Maçônica formada por lusitanos. Participaram ainda do histórico acontecimento, os irmãos Albino de Queiroz Magalhães, Alexandre da Silva Freitas, Alfredo José Campos, Aníbal Castro, Antônio Castanheiro Fontes, Antônio Roberto da Fonseca Peixoto, Antônio Soares da Fonseca, Domingos Rodrigues, João de Deus Batista Braga, João dos Santos Bordalho, Leonel Ferreira da Motta, Manoel Antônio Chaves e Manoel Marques da Cunha.

 

Abel Nunes Thompson de Quadros. Foto: Acervo/Abrahim Baze

Com a proposta do anfitrião, aprovada por unanimidade, foi dado a Loja o nome de Aurora Lusitana, cuja, identidade significava por retratar o nascimento de célula portuguesa no coração da floresta amazônica, cujo, objetivo maior era unificar os irmãos de maçonaria de nacionalidade portuguesa.

 

“… Ata da sessão de instalação da Loja Maçônica Aurora aos vinte dias do mês de junho de 1897, era vulgar reunidos os irmãos abaixo-assinados na casa de residência do irmão Abel Quadros, grau 30, sito a Rua Izabel n. 203 neste Oriente, foi pelo irmão Albino de Queiros Magalhães grau 33, declarado que o motivo da presente reunião era tratar-se da criação de uma Loja Maçônica que trabalhando sob os Auspícios do Grande Oriente do Brasil, procurasse sempre cumprir fielmente os fins da nossa Sublime Instituição, por isso, convidava os irmãos presentes a manifestarem suas opiniões sobre o assunto e bem assim, relativamente ao título que se deveria aprovar para a Loja, cuja, fundação congregava os irmãos presentes.

 

 

Residência do irmão Abel Nunes Thompson de Quadros, local onde foi fundada em 20 de junho de 1897, a Grande Benemérita Loja Simbólica Aurora Lusitana, nº 6, rua Izabel, nº 203. Foto: Acervo/Abrahim Baze

Usaram da palavra diversos irmãos que se manifestaram favoráveis ao objetivo da reunião e, desejosos de cooperar para realização de tão grande ideia empregando todos os meios ao seu alcance para o progresso da Loja em questão, desde que, fosse avante o projeto de sua instalação. Aceita, pois, unanimente, a ideia da criação da nova oficina foi por todos os presentes declarada instalada. Tratando-se em seguida do título que se devia adotar. Apresentaram-se diversas ideias ficando resolvido que fosse o de Aurora Lusitana. 

 

Procedeu-se imediatamente a eleição dos irmãos que devem gerir a Loja até sua regularização sendo por unanimidade eleitos os seguintes irmãos. Venerável Albino de Queiroz Magalhães grau 33, Primeiro Vigilante, Abel Nunes Thompson de Quadros, grau 30, Segundo Vigilante, Alfredo José de Campos grau 18, Orador, Leonel Pereira da Motta grau 30, Secretário, João Soares Bordalho grau 18, Tesoureiro, Manoel Antônio Chaves grau 17, Mestre de Cerimônia, Eduardo Pinto Ribeiro grau 18, Chanceler, Antônio Roberto da Fonseca Pessoa grau 30, Arquiteto, Antônio da Silva Teixeira grau 18, Coubridor, João de Deus Batista Braga grau 18, Primeiro Diácono, Alexandre da Silva Freitas grau 18, Segundo Diácono, Antônio Soares da Fonseca grau 3, Hospitaleiro, Domingos Ruiz Coimbra grau 3, Manoel Marques da Cunha grau 18. 

 

Concluído o processo eleitoral e proclamados eleitos, o venerável mestre ordenou ao irmão secretário que de acordo com a lei enviasse para o Grande Oriente do Brasil todos os papéis que devem acompanhar a petição de registro da nova Loja, marcando o dia de segunda-feira para suas sessões depois de que se retiram em paz.”

 

Albino de Queiros Magalhães, primeiro venerável mestre no ano 1897, reeleito em 28 de fevereiro 1898, benemérito em 26 de janeiro de 1903, faleceu em 1925. Foto: Acervo/Abrahim Baze 

Maçons Ilustres

 

Mais de um século de trajetória da Grande Benemérita Loja Simbólica Aurora Lusitana é marcado com a presença de maçons ilustres, cujo, aprendizado permanente visa o aperfeiçoamento do homem. Todos idealistas de escol, pertencentes a várias oficinas aqui de Manaus, de um passado glorioso e futuro promissor, esta Loja centenária abriga nomes do Amazonas como o membro honorário Fileto Pires Ferreira, político importante da nossa história. Já Eduardo Gonçalves Ribeiro que marcou o Amazonas com obras importantes e perenes, foi filiado em 5 de Março de 1898. Jonathas de Freitas Pedrosa filiou-se em 12 de abril de 1892, José Cardoso Ramalho Júnior em 5 de março 1898, Jorge de Morais político destacado filiou-se em 27 de fevereiro 1909 e finalmente Mário Ypiranga Monteiro historiador e escritor festejado que, também, foi filiado a esta Loja. 

 

A Solidariedade é a sua Marca

 

É inegável a benemerência e o amor ao próximo dos irmãos que compõe a Loja Aurora Lusitana, cuja, autenticidade podemos comprovar com documentos. Em 1909, o Cônsul de Portugal registra no ofício n. 198, os agradecimentos à Loja pela doação de mil contos de reis, para atender aos flagelos ocorridos na Pátria Mãe.

 

Foto: Acervo/Abrahim Baze

Nem todos os portugueses se adaptaram ao Amazonas, novamente a Loja faz a doação de quinhentos mil reis, ao irmão Manoel da Fonseca Santos Pimentel, para que, o mesmo retornar-se a Portugal. 

 

A senhora Florisbela de Andrade registra seu agradecimento pela doação de cinquenta contos de reis, que teria a finalidade de pagar a escola de seu filho Altino de Andrade nos meses de setembro a outubro. 

 

Foto: Acervo/Abrahim Baze

Até mesmo os acontecimentos esportivos eram voltados à benevolência. Em 1919, o Nacional Futebol Clube fazia um jogo amistoso com o time do Luso Sporting Clube, cuja, renda serviu para auxiliar a viúva e órfãos do irmão Jerônimo Vicente Gomes. O irmão Hilário Martins registra no dia 22 de abril de 1922, o recebimento de trezentos mil reis para sua repatriação para Portugal. 

 

Foto: Acervo/Abrahim Baze

Vários exemplos de benevolência estão registrados como a doação de cem mil reis para auxílio aos estudos do filho de Maria Oliveira Santana, que estuda no Colégio Militar do Rio de Janeiro. A Escola Rio Negro, cuja, responsabilidade maior era da Loja Aurora Lusitana e da Liga Amazonense Contra Tuberculose, entidade que todos os meses era atendida com doações, enfim, se fossemos enumerar todas as benemerências o espaço seria pequeno para o registro, afinal, era uma Loja composta naquela época somente por portugueses. A solidariedade humana era praticada com rapidez e eficiência, cujos, exemplos nos levam a refletir o que fazemos pelos nossos irmãos. Devemos ter orgulho destes e de outros fatos promovidos por esta oficina e que sigam de exemplo para os novos obreiros da Arte Real.

 


A Semente Maçônica que deu Frutos - Aurora Lusitana

“É inegável a benemerência e o amor ao próximo dos irmãos que compõe a Loja Aurora Lusitana, cuja, autenticidade podemos comprovar com documentos”

Abrahim Baze

literatura@amazonsat.com.br


Por iniciativa do português Abel Nunes Thompson de Quadros e mais dezesseis portugueses maçons, ocorreu em sua residência a Rua Izabel n. 203, um jantar que consolidou a ideia de fundação de uma Loja Maçônica formada por lusitanos. Participaram ainda do histórico acontecimento, os irmãos Albino de Queiroz Magalhães, Alexandre da Silva Freitas, Alfredo José Campos, Aníbal Castro, Antônio Castanheiro Fontes, Antônio Roberto da Fonseca Peixoto, Antônio Soares da Fonseca, Domingos Rodrigues, João de Deus Batista Braga, João dos Santos Bordalho, Leonel Ferreira da Motta, Manoel Antônio Chaves e Manoel Marques da Cunha.

 

Abel Nunes Thompson de Quadros. Foto: Acervo/Abrahim Baze

Com a proposta do anfitrião, aprovada por unanimidade, foi dado a Loja o nome de Aurora Lusitana, cuja, identidade significava por retratar o nascimento de célula portuguesa no coração da floresta amazônica, cujo, objetivo maior era unificar os irmãos de maçonaria de nacionalidade portuguesa.

 

“… Ata da sessão de instalação da Loja Maçônica Aurora aos vinte dias do mês de junho de 1897, era vulgar reunidos os irmãos abaixo-assinados na casa de residência do irmão Abel Quadros, grau 30, sito a Rua Izabel n. 203 neste Oriente, foi pelo irmão Albino de Queiros Magalhães grau 33, declarado que o motivo da presente reunião era tratar-se da criação de uma Loja Maçônica que trabalhando sob os Auspícios do Grande Oriente do Brasil, procurasse sempre cumprir fielmente os fins da nossa Sublime Instituição, por isso, convidava os irmãos presentes a manifestarem suas opiniões sobre o assunto e bem assim, relativamente ao título que se deveria aprovar para a Loja, cuja, fundação congregava os irmãos presentes.

 

 

Residência do irmão Abel Nunes Thompson de Quadros, local onde foi fundada em 20 de junho de 1897, a Grande Benemérita Loja Simbólica Aurora Lusitana, nº 6, rua Izabel, nº 203. Foto: Acervo/Abrahim Baze

Usaram da palavra diversos irmãos que se manifestaram favoráveis ao objetivo da reunião e, desejosos de cooperar para realização de tão grande ideia empregando todos os meios ao seu alcance para o progresso da Loja em questão, desde que, fosse avante o projeto de sua instalação. Aceita, pois, unanimente, a ideia da criação da nova oficina foi por todos os presentes declarada instalada. Tratando-se em seguida do título que se devia adotar. Apresentaram-se diversas ideias ficando resolvido que fosse o de Aurora Lusitana. 

 

Procedeu-se imediatamente a eleição dos irmãos que devem gerir a Loja até sua regularização sendo por unanimidade eleitos os seguintes irmãos. Venerável Albino de Queiroz Magalhães grau 33, Primeiro Vigilante, Abel Nunes Thompson de Quadros, grau 30, Segundo Vigilante, Alfredo José de Campos grau 18, Orador, Leonel Pereira da Motta grau 30, Secretário, João Soares Bordalho grau 18, Tesoureiro, Manoel Antônio Chaves grau 17, Mestre de Cerimônia, Eduardo Pinto Ribeiro grau 18, Chanceler, Antônio Roberto da Fonseca Pessoa grau 30, Arquiteto, Antônio da Silva Teixeira grau 18, Coubridor, João de Deus Batista Braga grau 18, Primeiro Diácono, Alexandre da Silva Freitas grau 18, Segundo Diácono, Antônio Soares da Fonseca grau 3, Hospitaleiro, Domingos Ruiz Coimbra grau 3, Manoel Marques da Cunha grau 18. 

 

Concluído o processo eleitoral e proclamados eleitos, o venerável mestre ordenou ao irmão secretário que de acordo com a lei enviasse para o Grande Oriente do Brasil todos os papéis que devem acompanhar a petição de registro da nova Loja, marcando o dia de segunda-feira para suas sessões depois de que se retiram em paz.”

 

Albino de Queiros Magalhães, primeiro venerável mestre no ano 1897, reeleito em 28 de fevereiro 1898, benemérito em 26 de janeiro de 1903, faleceu em 1925. Foto: Acervo/Abrahim Baze 

Maçons Ilustres

 

Mais de um século de trajetória da Grande Benemérita Loja Simbólica Aurora Lusitana é marcado com a presença de maçons ilustres, cujo, aprendizado permanente visa o aperfeiçoamento do homem. Todos idealistas de escol, pertencentes a várias oficinas aqui de Manaus, de um passado glorioso e futuro promissor, esta Loja centenária abriga nomes do Amazonas como o membro honorário Fileto Pires Ferreira, político importante da nossa história. Já Eduardo Gonçalves Ribeiro que marcou o Amazonas com obras importantes e perenes, foi filiado em 5 de Março de 1898. Jonathas de Freitas Pedrosa filiou-se em 12 de abril de 1892, José Cardoso Ramalho Júnior em 5 de março 1898, Jorge de Morais político destacado filiou-se em 27 de fevereiro 1909 e finalmente Mário Ypiranga Monteiro historiador e escritor festejado que, também, foi filiado a esta Loja. 

 

A Solidariedade é a sua Marca

 

É inegável a benemerência e o amor ao próximo dos irmãos que compõe a Loja Aurora Lusitana, cuja, autenticidade podemos comprovar com documentos. Em 1909, o Cônsul de Portugal registra no ofício n. 198, os agradecimentos à Loja pela doação de mil contos de reis, para atender aos flagelos ocorridos na Pátria Mãe.

 

Foto: Acervo/Abrahim Baze

Nem todos os portugueses se adaptaram ao Amazonas, novamente a Loja faz a doação de quinhentos mil reis, ao irmão Manoel da Fonseca Santos Pimentel, para que, o mesmo retornar-se a Portugal. 

 

A senhora Florisbela de Andrade registra seu agradecimento pela doação de cinquenta contos de reis, que teria a finalidade de pagar a escola de seu filho Altino de Andrade nos meses de setembro a outubro. 

 

Foto: Acervo/Abrahim Baze

Até mesmo os acontecimentos esportivos eram voltados à benevolência. Em 1919, o Nacional Futebol Clube fazia um jogo amistoso com o time do Luso Sporting Clube, cuja, renda serviu para auxiliar a viúva e órfãos do irmão Jerônimo Vicente Gomes. O irmão Hilário Martins registra no dia 22 de abril de 1922, o recebimento de trezentos mil reis para sua repatriação para Portugal. 

 

Foto: Acervo/Abrahim Baze

Vários exemplos de benevolência estão registrados como a doação de cem mil reis para auxílio aos estudos do filho de Maria Oliveira Santana, que estuda no Colégio Militar do Rio de Janeiro. A Escola Rio Negro, cuja, responsabilidade maior era da Loja Aurora Lusitana e da Liga Amazonense Contra Tuberculose, entidade que todos os meses era atendida com doações, enfim, se fossemos enumerar todas as benemerências o espaço seria pequeno para o registro, afinal, era uma Loja composta naquela época somente por portugueses. A solidariedade humana era praticada com rapidez e eficiência, cujos, exemplos nos levam a refletir o que fazemos pelos nossos irmãos. Devemos ter orgulho destes e de outros fatos promovidos por esta oficina e que sigam de exemplo para os novos obreiros da Arte Real.

 

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