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Amazônia

Professora resgata jogos tradicionais de aldeias no Xingu que estavam sendo perdidos, no Pará

Trabalho surgiu após integrantes mais velhos da etnia Kayapó-Mebengôkre apontarem a extinção de jogos e brincadeiras tradicionais daqueles povos

Portal Amazônia, com informações da UFPA

jornalismo@portalamazonia.com


Jogos e brincadeiras tradicionais de integrantes da etnia Kayapó-Mebengôkre foram tema de uma pesquisa desenvolvida pela professora Aucirlene da Silva, durante o seu Trabalho de Conclusão do Curso de Pedagogia, no município de São Félix do Xingu. O curso foi promovido pela Universidade Federal do Pará (UFPA), por meio do Plano Nacional de Formação de Professores (Parfor).

A professora ressalta que sua pesquisa surgiu após integrantes mais velhos da etnia Kayapó-Mebengôkre apontarem a extinção de jogos e brincadeiras tradicionais daqueles povos. "Os mais velhos questionavam que a escola não se preocupava em desenvolver os jogos da cultura deles", conta a professora.
 
Foto: Divulgação
 
Em sua pesquisa, a professora identificou e descreveu atividades como o Peikrã, um jogo tradicional Kayapó praticado por homens na aldeia Pykakoti, no qual uma "peteca" feita com palha seca de milho e penas é lançada para o ar entre o grupo de participantes e quem deixar a peteca cair sofre punição.

Na aldeia Ngomejti, Aucirlene identificou o Tyrytiprêk: jogo disputado entre duas equipes em que os integrantes de cada time devem lançar caules das folhas de bananeira contra os adversários. Os integrantes atingidos deixam o jogo até que uma equipe inteira seja eliminada e o time adversário seja declarado vencedor.

Ainda na aldeia Ngomejti, a professora descreveu a brincadeira conhecida como Bebé, na qual as meninas enfeitam mangaras (o "coração" da bananeira) com roupas e pinturas como se fossem bebês. O objetivo delas é cuidar dos bebês e protegê-los dos ataques dos meninos, que tentam roubá-los e destruí-los.

"Essa brincadeira retrata um tempo em que os indígenas eram ameaçados constantemente, quando os brancos invadiam suas aldeias e promoviam massacres para ficar com suas terras, o ouro, representando o genocídio dos povos indígenas. Os meninos representam os brancos e as meninas interpretam os moradores das tribos", explica a professora.

Aucirlene destaca, ainda, que, apesar de terem se tornado práticas esportivas, algumas modalidades como o arco e a flecha, a canoagem e o arremesso de lança são atividades relacionadas à pesca e à caça, por isso não são considerados jogos tradicionais pela etnia Kayapó-Mebengôkre.
 
Foto: Divulgação
 
Parfor

Aucirlene atua na educação escolar indígena do município desde 2013 e é uma das 20 concluintes da turma, que receberá a outorga do grau no próximo mês de maio. Com a formatura, o Parfor UFPA chega à conclusão de 97 turmas de Pedagogia no Pará durante os 10 anos do programa, formando 2.755 novos pedagogos no Estado.

"Por meio do Parfor, eu aprendi a associar a cultura indígena e a cultura não indígena, fazendo uma aula diferenciada. Por mais que o currículo escolar indígena não seja diferenciado, aprendi a elaborar minha aula de acordo com a realidade deles", conta Aucirlene.

     

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Professora resgata jogos tradicionais de aldeias no Xingu que estavam sendo perdidos, no Pará

Trabalho surgiu após integrantes mais velhos da etnia Kayapó-Mebengôkre apontarem a extinção de jogos e brincadeiras tradicionais daqueles povos

Portal Amazônia, com informações da UFPA

jornalismo@portalamazonia.com


Jogos e brincadeiras tradicionais de integrantes da etnia Kayapó-Mebengôkre foram tema de uma pesquisa desenvolvida pela professora Aucirlene da Silva, durante o seu Trabalho de Conclusão do Curso de Pedagogia, no município de São Félix do Xingu. O curso foi promovido pela Universidade Federal do Pará (UFPA), por meio do Plano Nacional de Formação de Professores (Parfor).

A professora ressalta que sua pesquisa surgiu após integrantes mais velhos da etnia Kayapó-Mebengôkre apontarem a extinção de jogos e brincadeiras tradicionais daqueles povos. "Os mais velhos questionavam que a escola não se preocupava em desenvolver os jogos da cultura deles", conta a professora.
 
Foto: Divulgação
 
Em sua pesquisa, a professora identificou e descreveu atividades como o Peikrã, um jogo tradicional Kayapó praticado por homens na aldeia Pykakoti, no qual uma "peteca" feita com palha seca de milho e penas é lançada para o ar entre o grupo de participantes e quem deixar a peteca cair sofre punição.

Na aldeia Ngomejti, Aucirlene identificou o Tyrytiprêk: jogo disputado entre duas equipes em que os integrantes de cada time devem lançar caules das folhas de bananeira contra os adversários. Os integrantes atingidos deixam o jogo até que uma equipe inteira seja eliminada e o time adversário seja declarado vencedor.

Ainda na aldeia Ngomejti, a professora descreveu a brincadeira conhecida como Bebé, na qual as meninas enfeitam mangaras (o "coração" da bananeira) com roupas e pinturas como se fossem bebês. O objetivo delas é cuidar dos bebês e protegê-los dos ataques dos meninos, que tentam roubá-los e destruí-los.

"Essa brincadeira retrata um tempo em que os indígenas eram ameaçados constantemente, quando os brancos invadiam suas aldeias e promoviam massacres para ficar com suas terras, o ouro, representando o genocídio dos povos indígenas. Os meninos representam os brancos e as meninas interpretam os moradores das tribos", explica a professora.

Aucirlene destaca, ainda, que, apesar de terem se tornado práticas esportivas, algumas modalidades como o arco e a flecha, a canoagem e o arremesso de lança são atividades relacionadas à pesca e à caça, por isso não são considerados jogos tradicionais pela etnia Kayapó-Mebengôkre.
 
Foto: Divulgação
 
Parfor

Aucirlene atua na educação escolar indígena do município desde 2013 e é uma das 20 concluintes da turma, que receberá a outorga do grau no próximo mês de maio. Com a formatura, o Parfor UFPA chega à conclusão de 97 turmas de Pedagogia no Pará durante os 10 anos do programa, formando 2.755 novos pedagogos no Estado.

"Por meio do Parfor, eu aprendi a associar a cultura indígena e a cultura não indígena, fazendo uma aula diferenciada. Por mais que o currículo escolar indígena não seja diferenciado, aprendi a elaborar minha aula de acordo com a realidade deles", conta Aucirlene.

     

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