Esportes

Paratletas de RO contam como superam as barreiras impostas pelas limitações físicas

Em dezembro é comemorado o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, instituído deste 1992 pela Organização das Nações Unidas


Gabriel Castelo Branco e Lucas Eduardo Martins de Jesus, ambos de 17 anos, têm muito em comum. Eles superam limitações físicas através do esporte. Gabriel teve paralisia cerebral, os médicos chegaram a acreditar que ele ficaria de cadeira de rodas, mas ele provou o contrário e coleciona medalhas e troféus no atletismo. Lucas é cego, começou no esporte para melhorar a condição de saúde e tem uma trajetória de vitórias no judô e jiu-jitsu.    
Neste mês que se comemora o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência (3/12), esses paratletas contam que deficiência física é um obstáculo possível de ser superado. Nas Paralímpiadas Escolares 2017 realizada em São Paulo, Lucas conquistou ouro no judô e se tornou bicampeão e Gabriel, duas medalhas de prata, nas provas de 100 metros rasos e arremesso de dardo e foi ouro no salto à distância. Para a viagem, eles contaram com o apoio do governo de Rondônia.    
De acordo com o gerente da Gerência de Educação Física, Esporte e Cultura Escolar (Gefece) da Secretaria de Estado da Educação (Seduc RO), Ítalo Aguiar, os paratletas de Rondônia vivem uma nova fase onde prevalece a valorização e o incentivo. A Gefece possui dois projetos que agrega pessoas com algum tipo de deficiência: Jogos Escolares de Rondônia (Joer) etapa paralimpíca e o Festival Estudantil de Artes (Fera).    
"Há uns três anos a gente começou a remodelar os Jogos Escolares de Rondônia e os nossos paratletas hoje contam com a mesma estrutura e os mesmos benefícios que um atleta olímpico nos jogos escolares’’, explica.   
 
Graziele Castelo, mãe de Gabriel Castelo. [Foto: Divulgação / Governo de Rondônia]
 
  A autônoma Graziele Castelo Branco Gomes da Silva, 35 anos, é mãe de Gabriel e conta com o orgulho a trajetória do atleta da família. Um caminho que começou cheio de adversidades. Mãe aos 17 anos, ela percebeu que algo estava diferente com filho quando ele tinha cerca de oito meses de vida.  O diagnóstico foi de paralisia cerebral congênita que atinge o membro superior e inferior do lado esquerdo do corpo.    
‘‘O médico falou para mim que o que esperava pelo meu filho era a cadeira de rodas ou uma cama e disse: seu filho não vai andar, não vai falar.  O Gabriel é um milagre’’, considera Graziele.    
Gabriel começou a se envolver com esporte ainda muito cedo. O atletismo e jiu-jitsu são as modalidades que ele se dedica atualmente ‘‘Se eu der um de coitado vão sentir pena de mim e não é isso que eu quero. Na academia [de jiu-jitsu] eu luto com pessoas que não têm nenhum tipo de deficiência e venço. Quando eu conto para eles que tenho deficiência, não acreditam e querem lutar de novo e aí eu ganho de novo. Eu sempre busco me superar’’, afirma.    
Aos 12 anos, ele participou pela primeira vez de uma competição, em São Paulo. Resultado: voltou com duas medalhas, uma de prata e outra de ouro. As duas primeiras de uma coleção que ele guarda com carinho no quarto.    
‘‘Eu acho que a pessoa que tem deficiência ainda tem vergonha de mostrar o que é. É como o meu professor fala quando um cadeirante passa na rua, as pessoas olham primeiro para a cadeira de rodas e depois para a pessoa e é isso que intimida ela, mas ela precisa acreditar que é capaz de qualquer coisa’’, considera.  
 
Lucas Eduardo e Matheus Oliveira conquistaram ouro no judô.  [Foto: Divulgação / Governo de Rondônia]
 
  Para Lucas Eduardo Martins de Jesus também é assim. O esporte o ajudou a acreditar que é capaz de ir muito longe. Ele tinha uns 12 anos quando começou as atividades esportivas incentivado pelos pais que estavam preocupados de ele está acima do peso. Na academia próxima de casa, ele praticava jiu-jitsu e judô. ‘‘Me apaixonei nas primeiras semanas, fiquei bem envolvido mesmo com essas modalidades’’, disse.    
Foi em 2012, que Lucas passou a participar de competições. ‘‘Foi muito legal toda aquela adrenalina, emoção, me fazia muito bem e foi por isso que eu decidi continuar’’, conta. Ele tem quase 30 medalhas.  Nas Paralimpíadas 2017 ele conquistou o título de bicampeão brasileiro e vice-campeão na categoria Absoluto de Judô.    
‘‘Um das principais bases para superação do esporte paralímpico é nunca desistir porque aparecem algumas dificuldades até para ir até a academia, de pessoas que falam que você não vai conseguir e até incentivam você a desistir. Quando você não desiste de um sonho seu, você vai além’’, considera Lucas.    
Uma trajetória de superação que o técnico José Paixão acompanha de perto por todos esses anos.  ‘‘Quando ele chegou à nossa academia eu comecei a perceber que ele tinha uma memória fotográfica muito aguçada e muita memória tática. Com o tempo ele foi ganhando confiança, desenvolvendo as técnicas e ganhando da galera da academia’’, relata.    
José reforça os desafios encontrados por Lucas. ‘‘A gente encontra dificuldade de acessibilidade porque o mundo foi feito para pessoas que enxergam. Então a gente tem dificuldade nos aeroportos, nas ruas, em guichês de atendimento’’, disse o técnico. Mas no esporte, as barreiras, segundo ele, estão sendo superadas.    
‘‘A gente não encontra preconceito, a gente encontra admiração. Outros técnicos têm curiosidade para saber como é o trabalho com ele e digo dê o melhor que você tem. Jogue o mais duro que você puder. Não existe limitação para o espírito humano, e só a gente trabalhar com disciplina’’, considera.

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Paratletas de RO contam como superam as barreiras impostas pelas limitações físicas

Em dezembro é comemorado o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, instituído deste 1992 pela Organização das Nações Unidas

Redação

jornalismo@portalamazonia.com


Gabriel Castelo Branco e Lucas Eduardo Martins de Jesus, ambos de 17 anos, têm muito em comum. Eles superam limitações físicas através do esporte. Gabriel teve paralisia cerebral, os médicos chegaram a acreditar que ele ficaria de cadeira de rodas, mas ele provou o contrário e coleciona medalhas e troféus no atletismo. Lucas é cego, começou no esporte para melhorar a condição de saúde e tem uma trajetória de vitórias no judô e jiu-jitsu.    
Neste mês que se comemora o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência (3/12), esses paratletas contam que deficiência física é um obstáculo possível de ser superado. Nas Paralímpiadas Escolares 2017 realizada em São Paulo, Lucas conquistou ouro no judô e se tornou bicampeão e Gabriel, duas medalhas de prata, nas provas de 100 metros rasos e arremesso de dardo e foi ouro no salto à distância. Para a viagem, eles contaram com o apoio do governo de Rondônia.    
De acordo com o gerente da Gerência de Educação Física, Esporte e Cultura Escolar (Gefece) da Secretaria de Estado da Educação (Seduc RO), Ítalo Aguiar, os paratletas de Rondônia vivem uma nova fase onde prevalece a valorização e o incentivo. A Gefece possui dois projetos que agrega pessoas com algum tipo de deficiência: Jogos Escolares de Rondônia (Joer) etapa paralimpíca e o Festival Estudantil de Artes (Fera).    
"Há uns três anos a gente começou a remodelar os Jogos Escolares de Rondônia e os nossos paratletas hoje contam com a mesma estrutura e os mesmos benefícios que um atleta olímpico nos jogos escolares’’, explica.   
 
Graziele Castelo, mãe de Gabriel Castelo. [Foto: Divulgação / Governo de Rondônia]
 
  A autônoma Graziele Castelo Branco Gomes da Silva, 35 anos, é mãe de Gabriel e conta com o orgulho a trajetória do atleta da família. Um caminho que começou cheio de adversidades. Mãe aos 17 anos, ela percebeu que algo estava diferente com filho quando ele tinha cerca de oito meses de vida.  O diagnóstico foi de paralisia cerebral congênita que atinge o membro superior e inferior do lado esquerdo do corpo.    
‘‘O médico falou para mim que o que esperava pelo meu filho era a cadeira de rodas ou uma cama e disse: seu filho não vai andar, não vai falar.  O Gabriel é um milagre’’, considera Graziele.    
Gabriel começou a se envolver com esporte ainda muito cedo. O atletismo e jiu-jitsu são as modalidades que ele se dedica atualmente ‘‘Se eu der um de coitado vão sentir pena de mim e não é isso que eu quero. Na academia [de jiu-jitsu] eu luto com pessoas que não têm nenhum tipo de deficiência e venço. Quando eu conto para eles que tenho deficiência, não acreditam e querem lutar de novo e aí eu ganho de novo. Eu sempre busco me superar’’, afirma.    
Aos 12 anos, ele participou pela primeira vez de uma competição, em São Paulo. Resultado: voltou com duas medalhas, uma de prata e outra de ouro. As duas primeiras de uma coleção que ele guarda com carinho no quarto.    
‘‘Eu acho que a pessoa que tem deficiência ainda tem vergonha de mostrar o que é. É como o meu professor fala quando um cadeirante passa na rua, as pessoas olham primeiro para a cadeira de rodas e depois para a pessoa e é isso que intimida ela, mas ela precisa acreditar que é capaz de qualquer coisa’’, considera.  
 
Lucas Eduardo e Matheus Oliveira conquistaram ouro no judô.  [Foto: Divulgação / Governo de Rondônia]
 
  Para Lucas Eduardo Martins de Jesus também é assim. O esporte o ajudou a acreditar que é capaz de ir muito longe. Ele tinha uns 12 anos quando começou as atividades esportivas incentivado pelos pais que estavam preocupados de ele está acima do peso. Na academia próxima de casa, ele praticava jiu-jitsu e judô. ‘‘Me apaixonei nas primeiras semanas, fiquei bem envolvido mesmo com essas modalidades’’, disse.    
Foi em 2012, que Lucas passou a participar de competições. ‘‘Foi muito legal toda aquela adrenalina, emoção, me fazia muito bem e foi por isso que eu decidi continuar’’, conta. Ele tem quase 30 medalhas.  Nas Paralimpíadas 2017 ele conquistou o título de bicampeão brasileiro e vice-campeão na categoria Absoluto de Judô.    
‘‘Um das principais bases para superação do esporte paralímpico é nunca desistir porque aparecem algumas dificuldades até para ir até a academia, de pessoas que falam que você não vai conseguir e até incentivam você a desistir. Quando você não desiste de um sonho seu, você vai além’’, considera Lucas.    
Uma trajetória de superação que o técnico José Paixão acompanha de perto por todos esses anos.  ‘‘Quando ele chegou à nossa academia eu comecei a perceber que ele tinha uma memória fotográfica muito aguçada e muita memória tática. Com o tempo ele foi ganhando confiança, desenvolvendo as técnicas e ganhando da galera da academia’’, relata.    
José reforça os desafios encontrados por Lucas. ‘‘A gente encontra dificuldade de acessibilidade porque o mundo foi feito para pessoas que enxergam. Então a gente tem dificuldade nos aeroportos, nas ruas, em guichês de atendimento’’, disse o técnico. Mas no esporte, as barreiras, segundo ele, estão sendo superadas.    
‘‘A gente não encontra preconceito, a gente encontra admiração. Outros técnicos têm curiosidade para saber como é o trabalho com ele e digo dê o melhor que você tem. Jogue o mais duro que você puder. Não existe limitação para o espírito humano, e só a gente trabalhar com disciplina’’, considera.

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