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Paraplégico, homem constrói a própria casa no Acre e rebate preconceito

Paraplégico desde os 23 anos, o servente de pedreiro não conhece a palavra limitação

Redação

jornalismo@portalamazonia.com


Com muita habilidade e rapidez, Regilson Pinheiro, de 46 anos, vai empilhando tijolo por tijolo em cima do colo dele. Depois, pega a enxada para mexer o cimento usado na construção da casa dele na zona rural de Epitaciolândia, no interior do Acre.

Paraplégico desde os 23 anos, o servente de pedreiro não conhece a palavra limitação. "Sou totalmente independente: trabalho, tomo banho, faço muitas coisas. Não dependo de ninguém para nada. Capino com enxada, estou construindo agora, ajudando o pedreiro, faço massa, carrego tijolo. De tudo eu faço, onde os braços alcançam eu faço", conta.

Mas ele conta que nem sempre foi assim. Precisou superar anos de tristeza e angústia até aceitar a nova condição e provar para ele mesmo que era capaz de fazer qualquer coisa.  
   
Foto: Arquivo Pessoal
 

'Tô tocando a vida'

Segundo o G1 Acre, Pinheiro lembra que a vida dele foi transformada quando foi atingido, durante uma briga em um bar, com uma facada nas costas, que afetou a medula e o fez perder os movimentos das pernas.



Os primeiros anos, após o diagnóstico, foram marcados por uma fase conturbada.

"Teve o tempo da depressão. No começo, nos primeiros dois anos, foi terrível. Achava que não ia ser mais a pessoa que eu era: capaz", conta.

Pinheiro explica que era uma pessoa muito ativa. Já serviu o exército, trabalhou em oficina, em distribuidora de bebidas. Então, naquela nova condição não conseguia mais ver sentido na vida. esse período não queria conversar com as pessoas, ficou isolado, estava mergulhando em uma depressão.

"Percebi que a vida continua, comecei a ver minha família triste porque me via perder a vontade de viver. Foi quando caiu a ficha e percebi que só tinha duas saídas: viver ou morrer. Eu queria viver, então, dali em diante decidi erguer a cabeça e tocar minha vida. Dei a volta por cima. Tô tocando a vida", declara.    

Preconceito

Ele diz que a tristeza ficou para trás, mas ainda hoje precisa lidar com o preconceito e olhares duvidosos sobre sua capacidade.

"As pessoas perguntam porque venho todos os dias para a obra, se não posso fazer nada? Quando falo o que faço, eles ficam admirados e perguntam: 'você consegue em uma cadeira de rodas?' Eu não ando, mas tenho dois braços sadios, graças a Deus", rebate.

É uma tarefa diária de reafirmação de mostrar para os outros que é possível seguir em frente. Ele relata que está bem consigo mesmo e tem muita disposição para trabalhar e ser desfiado a cada dia.

"Me sinto útil. Tira um pouco da sensação de invalidez, de incapacidade. As pessoas precisam entender isso, que a gente é capaz de muitas coisas. Sou muito capaz, tenho minha família e sustento minha família", conta.
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Paraplégico, homem constrói a própria casa no Acre e rebate preconceito

Paraplégico desde os 23 anos, o servente de pedreiro não conhece a palavra limitação


Com muita habilidade e rapidez, Regilson Pinheiro, de 46 anos, vai empilhando tijolo por tijolo em cima do colo dele. Depois, pega a enxada para mexer o cimento usado na construção da casa dele na zona rural de Epitaciolândia, no interior do Acre.

Paraplégico desde os 23 anos, o servente de pedreiro não conhece a palavra limitação. "Sou totalmente independente: trabalho, tomo banho, faço muitas coisas. Não dependo de ninguém para nada. Capino com enxada, estou construindo agora, ajudando o pedreiro, faço massa, carrego tijolo. De tudo eu faço, onde os braços alcançam eu faço", conta.

Mas ele conta que nem sempre foi assim. Precisou superar anos de tristeza e angústia até aceitar a nova condição e provar para ele mesmo que era capaz de fazer qualquer coisa.  
   
Foto: Arquivo Pessoal
 

'Tô tocando a vida'

Segundo o G1 Acre, Pinheiro lembra que a vida dele foi transformada quando foi atingido, durante uma briga em um bar, com uma facada nas costas, que afetou a medula e o fez perder os movimentos das pernas.



Os primeiros anos, após o diagnóstico, foram marcados por uma fase conturbada.

"Teve o tempo da depressão. No começo, nos primeiros dois anos, foi terrível. Achava que não ia ser mais a pessoa que eu era: capaz", conta.

Pinheiro explica que era uma pessoa muito ativa. Já serviu o exército, trabalhou em oficina, em distribuidora de bebidas. Então, naquela nova condição não conseguia mais ver sentido na vida. esse período não queria conversar com as pessoas, ficou isolado, estava mergulhando em uma depressão.

"Percebi que a vida continua, comecei a ver minha família triste porque me via perder a vontade de viver. Foi quando caiu a ficha e percebi que só tinha duas saídas: viver ou morrer. Eu queria viver, então, dali em diante decidi erguer a cabeça e tocar minha vida. Dei a volta por cima. Tô tocando a vida", declara.    

Preconceito

Ele diz que a tristeza ficou para trás, mas ainda hoje precisa lidar com o preconceito e olhares duvidosos sobre sua capacidade.

"As pessoas perguntam porque venho todos os dias para a obra, se não posso fazer nada? Quando falo o que faço, eles ficam admirados e perguntam: 'você consegue em uma cadeira de rodas?' Eu não ando, mas tenho dois braços sadios, graças a Deus", rebate.

É uma tarefa diária de reafirmação de mostrar para os outros que é possível seguir em frente. Ele relata que está bem consigo mesmo e tem muita disposição para trabalhar e ser desfiado a cada dia.

"Me sinto útil. Tira um pouco da sensação de invalidez, de incapacidade. As pessoas precisam entender isso, que a gente é capaz de muitas coisas. Sou muito capaz, tenho minha família e sustento minha família", conta.

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