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Oito cidades do Amazonas decretam situação de emergência por vírus Zika

Medida será publicada no Diário Oficial nos próximos dias. Poder Público vai investir milhões em combate e prevenção

Izabel Santos



Governo do Amazonas e Prefeitura de Manaus anunciam plano de combate ao Aedes aegypti. Foto: Valdo Leão/Secom

MANAUS – O Amazonas vai decretar situação de emergência nos próximos dias por causa do vírus Zika, que já está em circulação na capital. Manaus e os municípios de Lábrea, Guajará e Tonantins estão entre as oito cidades abrangidas pela medida. O decreto vai facilitar a contratação de pessoas e equipamentos para prevenção e combate à doença. 
O Plano de Intensificação de Combate à Dengue, Chikungunya e vírus Zika vai custar R$ 9 milhões e foi anunciado na manhã desta quarta-feira (2) pelo Governo do Amazonas e Prefeitura de Manaus. Os gestores estaduais não souberam informar quais serão os outros municípios em situação de emergência. “Estamos obedecendo a lógica de que esses municípios [que entrarão no decreto de emergência] estão apresentando incidência maior, no que diz respeito ao mosquito Aedes aegypti”, diz o secretário de Estado de Saúde do Amazonas, Pedro Elias.“A nossa maior preocupação é que o Estado de Roraima já registra 15 casos de Zika. Manaus tem um caso e é autóctone, ou seja, contraído aqui. Isso quer dizer que o vírus já está em circulação na cidade”, explica.
O Amazonas e Roraima são ligados pela rodovia BR-174. Todos os dias, um grande número de pessoas e veículos transitam entre as cidades dos dois Estados.Força tarefa
Entre as medidas de emergência está a criação de uma força-tarefa com as Forças Armadas, Bombeiros, associações comunitárias, igrejas, sindicatos e entidades de classe. Além das secretarias de saúde, a mobilização envolverá, ainda, as pastas da Educação, Obras e Limpeza Urbana e Meio Ambiente. As ações começam a ser executadas neste mês e devem se estender até maio de 2016.
As ações de combate à doença serão as mesmas de combate à dengue, pois a transmissão se dá pelo mesmo vetor, o mosquito Aedes aegypti. A campanha '10 Minutos contra a Dengue' será reforçada.
A Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (Susam) definiu quatro unidades hospitalares como sentinelas: o Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, a Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado e o Pronto-Socorro da Criança da Zona Oeste, na rede pública e o Hospital Adventista, da rede particular.
Também criou um Comitê de Apoio ao Monitoramento, Prevenção e Controle dos casos de Microcefalia no Amazonas, formados por especialistas, que se reúnem semanalmente. Além disso, expediu notas técnicas, assinadas em conjunto com o município, contendo orientações a serem adotadas nas maternidades e no atendimento ao pré-natal, na atenção básica.
“Nós estamos vivendo uma epidemia de microcefalia. Situação como essa têm que começar por algum lugar e foi por Pernambuco. Já esperamos um aumento no número de casos de microcefalia no Amazonas e estamos preparados para isso”, declarou o secretário de Estado. “É normal que haja um cuidado maior por parte de profissionais de obstetrícia e mulheres grávidas, mas não é motivo para pânico”, ponderou.
Aproximadamente 34 dos 62 municípios que compõem o Amazonas têm a presença do mosquito Aedes aegypti, conforme aponta o balanço feito em novembro pela FVS. Esse último mapeamento também mostrou que Guajará e Lábrea são os municípios com maior risco epidemiológico.
Eficácia
O especialista em arboviroses da Fiocruz Amazônia, Felipe Naveca, explica que as medidas anunciadas pelo Governo são as únicas disponíveis até o momento, mas que não resolvem o problema.
“A única medida que nós temos hoje é a de controle do vetor, mas essas estratégias não resolvem o problema, só diminuem a quantidade do vetor. É a única ferramenta ao alcance de todos,  mas pesquisadores já trabalham em alternativas como mosquitos modificados geneticamente e um inseticida que é espalhado pelo próprio vetor”, diz o pesquisador.
“A princípio [o vírus Zika] parecia uma doença benigna, pois os únicos sintomas eram febre baixa, irritação nos olhos e manchas avermelhadas na pele. A situação posterior é que mostrou como ele é agressivo, principalmente na condição materno-infantil que levou as ocorrências de microcefalia e ainda, a Síndrome de Guillain-Barré”, diz o diretor-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), Bernardino Albuquerque.
De acordo com o secretário de Estado de Saúde, Pedro Elias, o cenário atual causado pelo Zika e suas consequências é só o começo da epidemia e o País precisa estar preparado para combater o vetor da doença, o mosquito Aedes aegypti. Ele admitiu que o vírus já está em circulação no Estado que está entre os 18 do Brasil com casos confirmados da doença. Até o momento, o Amazonas tem 8 casos notificados, 7 deles ainda em investigação e apenas 'um' confirmado e com transmissão autóctone.
Os gestores em saúde também revelaram que especialistas da Organização Mundial de Saúde (OMS) jé estão no Brasil para estudar a situação. “A situação é crítica e comparável a do vírus Ebola [na África]”, disse o Bernardino.
Manaus
O Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa) divulgado nesta terça-feira (1) informa que 29,8 mil imóveis em todos os bairros de Manaus foram visitados. Os resultados mostram que a zona com maior índice de infestação é o Leste, onde, dos 11 bairros oficiais, dois, Armando Mendes e Zumbi, apresentam alto risco de transmissão. Outros sete apresentam médio risco e dois, baixo risco.
A zona Norte apresenta o segundo maior risco entre as zonas geográficas da capital, com seis bairros em médio risco, Cidade de Deus, Novo Aleixo, Cidade Nova, Novo Israel, Monte das Oliveiras e Santa Etelvina, e quatro em baixo risco de transmissão.
Dados da FVS revelaram que no Amazonas foi registrada uma redução de 36,7% no número de casos e 75% menos óbitos relacionados à doença.
Já a febre chikungunya, que se introduziu no país no ano passado, apresenta 152 casos notificados no Amazonas, sendo confirmados apenas 12 e outros 65 estão em investigação. Enquanto o zika vírus, que já está presente em 19 estados brasileiros, no Amazonas apresenta oito casos notificados, com um confirmado.
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Oito cidades do Amazonas decretam situação de emergência por vírus Zika

Medida será publicada no Diário Oficial nos próximos dias. Poder Público vai investir milhões em combate e prevenção

Izabel Santos



Governo do Amazonas e Prefeitura de Manaus anunciam plano de combate ao Aedes aegypti. Foto: Valdo Leão/Secom

MANAUS – O Amazonas vai decretar situação de emergência nos próximos dias por causa do vírus Zika, que já está em circulação na capital. Manaus e os municípios de Lábrea, Guajará e Tonantins estão entre as oito cidades abrangidas pela medida. O decreto vai facilitar a contratação de pessoas e equipamentos para prevenção e combate à doença. 
O Plano de Intensificação de Combate à Dengue, Chikungunya e vírus Zika vai custar R$ 9 milhões e foi anunciado na manhã desta quarta-feira (2) pelo Governo do Amazonas e Prefeitura de Manaus. Os gestores estaduais não souberam informar quais serão os outros municípios em situação de emergência. “Estamos obedecendo a lógica de que esses municípios [que entrarão no decreto de emergência] estão apresentando incidência maior, no que diz respeito ao mosquito Aedes aegypti”, diz o secretário de Estado de Saúde do Amazonas, Pedro Elias.“A nossa maior preocupação é que o Estado de Roraima já registra 15 casos de Zika. Manaus tem um caso e é autóctone, ou seja, contraído aqui. Isso quer dizer que o vírus já está em circulação na cidade”, explica.
O Amazonas e Roraima são ligados pela rodovia BR-174. Todos os dias, um grande número de pessoas e veículos transitam entre as cidades dos dois Estados.Força tarefa
Entre as medidas de emergência está a criação de uma força-tarefa com as Forças Armadas, Bombeiros, associações comunitárias, igrejas, sindicatos e entidades de classe. Além das secretarias de saúde, a mobilização envolverá, ainda, as pastas da Educação, Obras e Limpeza Urbana e Meio Ambiente. As ações começam a ser executadas neste mês e devem se estender até maio de 2016.
As ações de combate à doença serão as mesmas de combate à dengue, pois a transmissão se dá pelo mesmo vetor, o mosquito Aedes aegypti. A campanha '10 Minutos contra a Dengue' será reforçada.
A Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (Susam) definiu quatro unidades hospitalares como sentinelas: o Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, a Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado e o Pronto-Socorro da Criança da Zona Oeste, na rede pública e o Hospital Adventista, da rede particular.
Também criou um Comitê de Apoio ao Monitoramento, Prevenção e Controle dos casos de Microcefalia no Amazonas, formados por especialistas, que se reúnem semanalmente. Além disso, expediu notas técnicas, assinadas em conjunto com o município, contendo orientações a serem adotadas nas maternidades e no atendimento ao pré-natal, na atenção básica.
“Nós estamos vivendo uma epidemia de microcefalia. Situação como essa têm que começar por algum lugar e foi por Pernambuco. Já esperamos um aumento no número de casos de microcefalia no Amazonas e estamos preparados para isso”, declarou o secretário de Estado. “É normal que haja um cuidado maior por parte de profissionais de obstetrícia e mulheres grávidas, mas não é motivo para pânico”, ponderou.
Aproximadamente 34 dos 62 municípios que compõem o Amazonas têm a presença do mosquito Aedes aegypti, conforme aponta o balanço feito em novembro pela FVS. Esse último mapeamento também mostrou que Guajará e Lábrea são os municípios com maior risco epidemiológico.
Eficácia
O especialista em arboviroses da Fiocruz Amazônia, Felipe Naveca, explica que as medidas anunciadas pelo Governo são as únicas disponíveis até o momento, mas que não resolvem o problema.
“A única medida que nós temos hoje é a de controle do vetor, mas essas estratégias não resolvem o problema, só diminuem a quantidade do vetor. É a única ferramenta ao alcance de todos,  mas pesquisadores já trabalham em alternativas como mosquitos modificados geneticamente e um inseticida que é espalhado pelo próprio vetor”, diz o pesquisador.
“A princípio [o vírus Zika] parecia uma doença benigna, pois os únicos sintomas eram febre baixa, irritação nos olhos e manchas avermelhadas na pele. A situação posterior é que mostrou como ele é agressivo, principalmente na condição materno-infantil que levou as ocorrências de microcefalia e ainda, a Síndrome de Guillain-Barré”, diz o diretor-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), Bernardino Albuquerque.
De acordo com o secretário de Estado de Saúde, Pedro Elias, o cenário atual causado pelo Zika e suas consequências é só o começo da epidemia e o País precisa estar preparado para combater o vetor da doença, o mosquito Aedes aegypti. Ele admitiu que o vírus já está em circulação no Estado que está entre os 18 do Brasil com casos confirmados da doença. Até o momento, o Amazonas tem 8 casos notificados, 7 deles ainda em investigação e apenas 'um' confirmado e com transmissão autóctone.
Os gestores em saúde também revelaram que especialistas da Organização Mundial de Saúde (OMS) jé estão no Brasil para estudar a situação. “A situação é crítica e comparável a do vírus Ebola [na África]”, disse o Bernardino.
Manaus
O Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa) divulgado nesta terça-feira (1) informa que 29,8 mil imóveis em todos os bairros de Manaus foram visitados. Os resultados mostram que a zona com maior índice de infestação é o Leste, onde, dos 11 bairros oficiais, dois, Armando Mendes e Zumbi, apresentam alto risco de transmissão. Outros sete apresentam médio risco e dois, baixo risco.
A zona Norte apresenta o segundo maior risco entre as zonas geográficas da capital, com seis bairros em médio risco, Cidade de Deus, Novo Aleixo, Cidade Nova, Novo Israel, Monte das Oliveiras e Santa Etelvina, e quatro em baixo risco de transmissão.
Dados da FVS revelaram que no Amazonas foi registrada uma redução de 36,7% no número de casos e 75% menos óbitos relacionados à doença.
Já a febre chikungunya, que se introduziu no país no ano passado, apresenta 152 casos notificados no Amazonas, sendo confirmados apenas 12 e outros 65 estão em investigação. Enquanto o zika vírus, que já está presente em 19 estados brasileiros, no Amazonas apresenta oito casos notificados, com um confirmado.

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