Economia

Nem o verão aquece a economia

Verão amazônico não aquece indústria e comércio, exceto de sorvetes e picolés

Priscila Caldas, do Jornal do Comércio

pcaldas@jcam.com.br


Dias ensolarados, altas temperaturas e calor excessivo caracterizam a chegada do verão amazônico. É neste período que comumente há maior faturamento em segmentos produtivoscomo o de fabricação de ar-condicionados, ventiladores, sorvetes, picolés, bebidas e ainda no setor de instalação de piscinas. Porém, diferentemente de anos anteriores, em que as unidades produtivas atingiram os maiores índices fabris, os segmentos se deparam, neste ano, com vendas mais tímidas, exceto segmento de sorvetes e picolés que já sente crescimento de 20% sobre o ano passado.

Empresários mantêm o otimismo, mas desacreditam que a contabilidade deste ano supere o saldo obtido em 2015. O gerente da rede Glacial, José Antônio Loio, comenta que nos últimos 30 dias a rede de sorveterias registrou crescimento de 20% na demanda, índice inferior ao incremento de 30% obtido no mesmo período de 2015.

Loio explica que no último ano a empresa investiu em maquinário para atender a um possível aumento produtivo neste ano, por isso, não houve reestruturação em equipamentos em 2016, aparelhos que atualmente atendem à demanda. “Não fizemos novos investimentos, mas expandimos o quadro laboral com a contratação de 5% do total de colaboradores atuantes em julho. Acredito que permaneceremos com esse total de funcionários até o final deste ano”, disse Loio. 

De acordo com o gerente, o período de maior procura pelos picolés e sorvetes se estende até o mês de novembro. Ele afirma que após a chegada do inverno, a partir do final de novembro, as vendas caem em torno de 40%, sempre em relação ao ano anterior. A alternativa para este período, segundo o empresário, é investir em novidades que chamem a atenção do público. “Procuramos sempre inserir novos produtos à cartela dos opcionais já existentes na empresa”, comenta. 

O vendedor da empresa Haas Piscinas, Alex Matos, relata que neste ano a chegada do verão ainda não causou impactos positivos à empresa. Ele ressalta que em anos anteriores, neste período, o incremento registrado nas vendas era de 30%.

Porém, neste ano, a queda no faturamento ultrapassa o índice de 100%. “Em julho de 2015 vendemos 21 piscinas, enquanto que em julho deste ano comercializamos apenas cinco produtos. Os clientes estão temerosos em fazer qualquer tipo de investimento voltado à área do lazer e entretenimento, ainda por conta da crise econômica. Desde o início do ano registramos queda nas vendas, mas ainda acreditamos que esse cenário pode mudar nos próximos meses, quem sabe em setembro”, avalia.

Aquecimento na indústria só em setembro

No setor de fabricantes de ar-condicionados, a estimativa também é de menor produção em relação ao volume registrado em 2015. Segundo o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas) e também presidente do Sinaees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus), Wilson Périco, as empresas do PIM (Polo Industrial de Manaus) esperam um aquecimento produtivo a partir de setembro, período sazonal, em que as empresas reforçam a produção para atender a região Sul, no período do verão. Mesmo assim, ele descarta a possibilidade de os números superarem aos registrados no último ano.

“O período de sazonalidade para a produção começa em setembro. Algumas empresas já anunciaram contratações. Porém, não esperamos os mesmos números de 2015 uma vez que até este período, segundo os dados da Suframa, a produção teve queda de 60% em relação ao mesmo período do último ano. Há também a questão das empresas e do comércio que ainda contam com estoques abastecidos”, disse Périco.

Conforme o vice-presidente do Sinaees, Celso Piacentini, o incremento produtivo sazonal atende às demandas decorrentes das altas temperaturas registradas durante o verão nas demais regiões do país, estação que inicia, nos demais Estados, em dezembro e encerra em março. Apesar do aumento produtivo, ele também descarta a possibilidade de crescimento no volume anual e afirma que em 2016 as vendas poderão fechar em índices menores ou iguais aos obtidos em 2015.

“O período de maiores vendas é entre setembro e dezembro. No último mês do ano, enquanto as vendas acontecem a indústria geralmente paralisa ou reduz o ritmo das linhas de produção por baixa demanda. A partir de setembro, geralmente o setor registra crescimento entre 50% e 80% na fabricação, dependendo do ano”, disse. “Neste ano, o volume de produtos permanecerá inalterado. Não venderemos mais do que em 2015”, completou. Piacentini ainda comentou que maior parte dos aparelhos produzidos no PIM são enviados ao Estado de São Paulo. “Todos os Estados recebem nossos aparelhos, com maior foco em São Paulo.


Economia

Nem o verão aquece a economia

Verão amazônico não aquece indústria e comércio, exceto de sorvetes e picolés

Priscila Caldas, do Jornal do Comércio

pcaldas@jcam.com.br


Dias ensolarados, altas temperaturas e calor excessivo caracterizam a chegada do verão amazônico. É neste período que comumente há maior faturamento em segmentos produtivoscomo o de fabricação de ar-condicionados, ventiladores, sorvetes, picolés, bebidas e ainda no setor de instalação de piscinas. Porém, diferentemente de anos anteriores, em que as unidades produtivas atingiram os maiores índices fabris, os segmentos se deparam, neste ano, com vendas mais tímidas, exceto segmento de sorvetes e picolés que já sente crescimento de 20% sobre o ano passado.

Empresários mantêm o otimismo, mas desacreditam que a contabilidade deste ano supere o saldo obtido em 2015. O gerente da rede Glacial, José Antônio Loio, comenta que nos últimos 30 dias a rede de sorveterias registrou crescimento de 20% na demanda, índice inferior ao incremento de 30% obtido no mesmo período de 2015.

Loio explica que no último ano a empresa investiu em maquinário para atender a um possível aumento produtivo neste ano, por isso, não houve reestruturação em equipamentos em 2016, aparelhos que atualmente atendem à demanda. “Não fizemos novos investimentos, mas expandimos o quadro laboral com a contratação de 5% do total de colaboradores atuantes em julho. Acredito que permaneceremos com esse total de funcionários até o final deste ano”, disse Loio. 

De acordo com o gerente, o período de maior procura pelos picolés e sorvetes se estende até o mês de novembro. Ele afirma que após a chegada do inverno, a partir do final de novembro, as vendas caem em torno de 40%, sempre em relação ao ano anterior. A alternativa para este período, segundo o empresário, é investir em novidades que chamem a atenção do público. “Procuramos sempre inserir novos produtos à cartela dos opcionais já existentes na empresa”, comenta. 

O vendedor da empresa Haas Piscinas, Alex Matos, relata que neste ano a chegada do verão ainda não causou impactos positivos à empresa. Ele ressalta que em anos anteriores, neste período, o incremento registrado nas vendas era de 30%.

Porém, neste ano, a queda no faturamento ultrapassa o índice de 100%. “Em julho de 2015 vendemos 21 piscinas, enquanto que em julho deste ano comercializamos apenas cinco produtos. Os clientes estão temerosos em fazer qualquer tipo de investimento voltado à área do lazer e entretenimento, ainda por conta da crise econômica. Desde o início do ano registramos queda nas vendas, mas ainda acreditamos que esse cenário pode mudar nos próximos meses, quem sabe em setembro”, avalia.

Aquecimento na indústria só em setembro

No setor de fabricantes de ar-condicionados, a estimativa também é de menor produção em relação ao volume registrado em 2015. Segundo o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas) e também presidente do Sinaees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus), Wilson Périco, as empresas do PIM (Polo Industrial de Manaus) esperam um aquecimento produtivo a partir de setembro, período sazonal, em que as empresas reforçam a produção para atender a região Sul, no período do verão. Mesmo assim, ele descarta a possibilidade de os números superarem aos registrados no último ano.

“O período de sazonalidade para a produção começa em setembro. Algumas empresas já anunciaram contratações. Porém, não esperamos os mesmos números de 2015 uma vez que até este período, segundo os dados da Suframa, a produção teve queda de 60% em relação ao mesmo período do último ano. Há também a questão das empresas e do comércio que ainda contam com estoques abastecidos”, disse Périco.

Conforme o vice-presidente do Sinaees, Celso Piacentini, o incremento produtivo sazonal atende às demandas decorrentes das altas temperaturas registradas durante o verão nas demais regiões do país, estação que inicia, nos demais Estados, em dezembro e encerra em março. Apesar do aumento produtivo, ele também descarta a possibilidade de crescimento no volume anual e afirma que em 2016 as vendas poderão fechar em índices menores ou iguais aos obtidos em 2015.

“O período de maiores vendas é entre setembro e dezembro. No último mês do ano, enquanto as vendas acontecem a indústria geralmente paralisa ou reduz o ritmo das linhas de produção por baixa demanda. A partir de setembro, geralmente o setor registra crescimento entre 50% e 80% na fabricação, dependendo do ano”, disse. “Neste ano, o volume de produtos permanecerá inalterado. Não venderemos mais do que em 2015”, completou. Piacentini ainda comentou que maior parte dos aparelhos produzidos no PIM são enviados ao Estado de São Paulo. “Todos os Estados recebem nossos aparelhos, com maior foco em São Paulo.

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