Ciência e Tecnologia

Mamirauá apresenta pesquisas no Congresso Brasileiro de Primatologia

O congresso é um dos principais eventos nacionais sobre Primatologia


 

Foto:Divulgação/Instituto Mamirauá

 

O público que comparecer ao XVII Congresso Brasileiro de Primatologia vai conhecer os resultados mais recentes de estudos sobre macacos na região do Médio Solimões, Amazônia. Espécies fascinantes como o macaco-de-cheiro-de-cabeça-preta (Saimiri vanzolinii), que, no mundo inteiro, é encontrado apenas em uma área de 870 km². Esse é um dos temas que serão apresentados por pesquisadores do Instituto Mamirauá no evento, que começa neste domingo (20), na cidade goiana de Pirenópolis.

O congresso é um dos principais eventos nacionais sobre Primatologia. Especialistas trazem para o debate o que há de mais novo e relevante para a área e também em temas como conservação.  A caça está entre esses assuntos. Representando o Instituto Mamirauá, a pesquisadora Lísley Lemos participará da mesa-redonda “Caça de primatas no Brasil: panorama e alternativas”, na próxima quarta-feira (23), às 13h.

A caça de primatas

Serão mostrados dados do extenso sistema de monitoramento de caça feito pelo Instituto Mamirauá na região do Médio Solimões, lar de diversas comunidades ribeirinhas. Ao longo dos últimos 15 anos, registrou-se o abate de mais de 600 primatas para consumo e comércio. Os dados têm demonstrado que o uso dos primatas é mais intenso no ambiente de várzea, ao mesmo tempo, revelam um aumento crescente na restrição do consumo de primatas entre os mais jovens.
 

Foto:Divulgação/Instituto Mamirauá

 

“Neste momento, em que um projeto de lei (PL-6268/2016) pretende revogar a Lei de Proteção à Fauna (lei 5.197/1967), discutir e compreender os impactos da caça sobre as populações de primatas é de extrema importância, bem como os contextos em que a caça é realizada, valorizando a cultura dos povos tradicionais e garantindo o acesso aos recursos naturais necessários para sua sobrevivência, o que obviamente inclui a fauna”, escrevem os pesquisadores do Instituto Mamirauá, João Valsecchi, Priscila Pereira, Lisley Lemos e Helder Queiroz, que assinam um artigo sobre caça de primatas na Amazônia.

A primatóloga Lisley Lemos também apresentará o estudo “Caça de primatas amazônicos para subsistência: só o tamanho importa”. “Acredita-se que caçadores de subsistência, assim como outros predadores, buscam otimizar o ganho energético da caçada abatendo presas de maior tamanho. Entretanto, presas maiores geralmente ocorrem em baixas densidades, sendo menos disponíveis no ambiente” escreve ela, junto com os pesquisadores do Instituto Mamirauá, João Valsecchi, Hani El Bizri e Anamélia Jesus. “Por isso, ainda é incerto qual destes fatores biológicos exerce maior influência nas escolhas durante a caça”.

Ainda sobre essa grande temática, Anamélia Jesus vai expor um artigo sobre a caça de macacos guariba (Alouatta seniculus juara) nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável Amanã (RDSA) e Mamirauá (RDSM), localizadas no estado do Amazonas. A pesquisa também se valeu dos dados do sistema de monitoramento de caça do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

Desde 2002, foram registrados 117 abates de guaribas na RDSA e 242 na RDSM. “Os resultados obtidos até o momento, aliados a estudos dos parâmetros populacionais e reprodutivos de nessas áreas, são fundamentais para verificar os impactos do abate da espécie e se a caça direcionada aos machos e aos períodos de cheia permitem extração de guaribas a níveis sustentáveis a longo prazo”, consideram os pesquisadores Anamélia Jesus, João Valsecchi e Hani El Bizri, que assinam o artigo.

Macaco-de-cheiro-de-cabeça-preta

O estado do Saimiri vanzolinii, popularmente conhecido macaco-de-cheiro-de-cabeça-preta, será um dos destaques da mesa-redonda “Ambientes inundados: O que conhecemos do uso desse hábitat por primatas? ”, na segunda-feira (21), às 10h45. É somente na Reserva Mamirauá que vive esse macaquinho peculiar, descrito pela ciência em 1985. De lá para cá, poucos estudos foram feitos sobre ele.

“Questões relacionadas a ecologia, comportamento, taxonomia, genética e biogeografia histórica são essenciais para a compreensão da atual distribuição de S. vanzolinii, bem como para o planejamento de estratégias de conservação da espécie”, afirma Fernanda Paim, primatóloga do Instituto Mamirauá, que estuda o macaco-de-cheiro-de-cabeça-preta.
Primatologia no Instituto Mamirauá

Os estudos sobre primatas no Instituto Mamirauá são feitos pelo Grupo de Ecologia e Conservação em Vertebrados Terrestres (Ecovert). Além do Ministério da Ciência, apoiam as pesquisas o CNPQ - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e a Fundação Gordon and Betty Moore.

Congresso Brasileiro de Primatologia

O XVII Congresso Brasileiro de Primatologia acontecerá entre os dias 20 e 24 de agosto em Pirenópolis, Goiás. Para mais informações a respeito do Congresso, acesse: http://sbprimatologia.org.br/congresso

 

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Mamirauá apresenta pesquisas no Congresso Brasileiro de Primatologia

O congresso é um dos principais eventos nacionais sobre Primatologia

Redação

jornalismo@portalamazonia.com


 

Foto:Divulgação/Instituto Mamirauá

 

O público que comparecer ao XVII Congresso Brasileiro de Primatologia vai conhecer os resultados mais recentes de estudos sobre macacos na região do Médio Solimões, Amazônia. Espécies fascinantes como o macaco-de-cheiro-de-cabeça-preta (Saimiri vanzolinii), que, no mundo inteiro, é encontrado apenas em uma área de 870 km². Esse é um dos temas que serão apresentados por pesquisadores do Instituto Mamirauá no evento, que começa neste domingo (20), na cidade goiana de Pirenópolis.

O congresso é um dos principais eventos nacionais sobre Primatologia. Especialistas trazem para o debate o que há de mais novo e relevante para a área e também em temas como conservação.  A caça está entre esses assuntos. Representando o Instituto Mamirauá, a pesquisadora Lísley Lemos participará da mesa-redonda “Caça de primatas no Brasil: panorama e alternativas”, na próxima quarta-feira (23), às 13h.

A caça de primatas

Serão mostrados dados do extenso sistema de monitoramento de caça feito pelo Instituto Mamirauá na região do Médio Solimões, lar de diversas comunidades ribeirinhas. Ao longo dos últimos 15 anos, registrou-se o abate de mais de 600 primatas para consumo e comércio. Os dados têm demonstrado que o uso dos primatas é mais intenso no ambiente de várzea, ao mesmo tempo, revelam um aumento crescente na restrição do consumo de primatas entre os mais jovens.
 

Foto:Divulgação/Instituto Mamirauá

 

“Neste momento, em que um projeto de lei (PL-6268/2016) pretende revogar a Lei de Proteção à Fauna (lei 5.197/1967), discutir e compreender os impactos da caça sobre as populações de primatas é de extrema importância, bem como os contextos em que a caça é realizada, valorizando a cultura dos povos tradicionais e garantindo o acesso aos recursos naturais necessários para sua sobrevivência, o que obviamente inclui a fauna”, escrevem os pesquisadores do Instituto Mamirauá, João Valsecchi, Priscila Pereira, Lisley Lemos e Helder Queiroz, que assinam um artigo sobre caça de primatas na Amazônia.

A primatóloga Lisley Lemos também apresentará o estudo “Caça de primatas amazônicos para subsistência: só o tamanho importa”. “Acredita-se que caçadores de subsistência, assim como outros predadores, buscam otimizar o ganho energético da caçada abatendo presas de maior tamanho. Entretanto, presas maiores geralmente ocorrem em baixas densidades, sendo menos disponíveis no ambiente” escreve ela, junto com os pesquisadores do Instituto Mamirauá, João Valsecchi, Hani El Bizri e Anamélia Jesus. “Por isso, ainda é incerto qual destes fatores biológicos exerce maior influência nas escolhas durante a caça”.

Ainda sobre essa grande temática, Anamélia Jesus vai expor um artigo sobre a caça de macacos guariba (Alouatta seniculus juara) nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável Amanã (RDSA) e Mamirauá (RDSM), localizadas no estado do Amazonas. A pesquisa também se valeu dos dados do sistema de monitoramento de caça do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

Desde 2002, foram registrados 117 abates de guaribas na RDSA e 242 na RDSM. “Os resultados obtidos até o momento, aliados a estudos dos parâmetros populacionais e reprodutivos de nessas áreas, são fundamentais para verificar os impactos do abate da espécie e se a caça direcionada aos machos e aos períodos de cheia permitem extração de guaribas a níveis sustentáveis a longo prazo”, consideram os pesquisadores Anamélia Jesus, João Valsecchi e Hani El Bizri, que assinam o artigo.

Macaco-de-cheiro-de-cabeça-preta

O estado do Saimiri vanzolinii, popularmente conhecido macaco-de-cheiro-de-cabeça-preta, será um dos destaques da mesa-redonda “Ambientes inundados: O que conhecemos do uso desse hábitat por primatas? ”, na segunda-feira (21), às 10h45. É somente na Reserva Mamirauá que vive esse macaquinho peculiar, descrito pela ciência em 1985. De lá para cá, poucos estudos foram feitos sobre ele.

“Questões relacionadas a ecologia, comportamento, taxonomia, genética e biogeografia histórica são essenciais para a compreensão da atual distribuição de S. vanzolinii, bem como para o planejamento de estratégias de conservação da espécie”, afirma Fernanda Paim, primatóloga do Instituto Mamirauá, que estuda o macaco-de-cheiro-de-cabeça-preta.
Primatologia no Instituto Mamirauá

Os estudos sobre primatas no Instituto Mamirauá são feitos pelo Grupo de Ecologia e Conservação em Vertebrados Terrestres (Ecovert). Além do Ministério da Ciência, apoiam as pesquisas o CNPQ - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e a Fundação Gordon and Betty Moore.

Congresso Brasileiro de Primatologia

O XVII Congresso Brasileiro de Primatologia acontecerá entre os dias 20 e 24 de agosto em Pirenópolis, Goiás. Para mais informações a respeito do Congresso, acesse: http://sbprimatologia.org.br/congresso

 

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