Publicidade

Cidades

Mãe acreana luta há três anos para dar nome de menino à filha; entenda

Após o nascimento, a criança foi registrada como menina. Um exame genético, no entanto, comprovou que se trata de um caso de intersexo


No Acre, uma família luta há mais de três anos para que seu filho seja reconhecida como menino, e não menina, como apontaram os exames feitos durante a gravidez. De acordo com reportagem publicada no G1 Acre, a mãe da criança, uma dona de casa de Rio Branco, afirma que após o nascimento, o bebê foi encaminhado direto para a UTI, sendo registrado como menina ainda na maternidade. No entanto, após dias de internação, a mãe percebeu que, na veradade, a criança tinha características de ambos os sexos.
 
Foto:Reprodução/Rede Amazônica
 
“Como ele nasceu e foi direto para a UTI, não cheguei a vê-lo sem roupa. Na primeira visita ele estava com fralda, e os médicos atestaram que se tratava de uma menina. A enfermeira pediu que eu fosse logo registrá-la, e foi o que eu fiz. Mas, quando vi meu filho sem fralda, tive certeza de que era um menino”, contou ao G1.   Após questionamentos e dúvidas, a dona de casa afirma que a criança foi avaliada por uma equipe médica e que, após exames, uma geneticista explicou que tratava-se de um caso de intersexo – quando há a presença dos dois órgãos sexuais. Um exame cariótipo analisou a quantidade e a estrutura dos cromossomos em uma célula da criança e comprovou que ele é mesmo um menino.   Ainda segundo o G1 Acre, o garoto, que tem nome feminino e usava roupas de menina, desperta a curiosidade dos vizinhos por apresentar comportamentos tipicamente masculinos.   “Só eu sei o constrangimento que passo quando as pessoas pedem para ver meu filho nu. Na semana passada, duas mulheres pediram para ver meu filho sem roupa. Isso me machuca muito, me constrange”, conta a mãe.   Ela pede doações de roupas e enxoval para que o seu filho possa, finalmente, ser visto como um menino.   “Todo o enxoval, até os dois anos, é tudo de menina. Tudo rosa. Mas eu sempre soube que meu filho era menino. Sempre soube que eu tive um menino e não uma menina”, afirma.   Após a confirmação de que seu filho é mesmo um menino, a mãe luta para que o nome seja alterado na certidão de nascimento. Para isso, ela precisa apresentar o exame a um geneticista para que um laudo seja feito e apresentado ao cartório. Ela conta que o objetivo de permitir que ele seja matriculado em uma creche sem sofrer preconceito.
 
Foto:Reprodução/Rede Amazônica
 
  “Não sei nem por onde começar para mudar o nome dele. O que sei é que preciso levar esse exame a um geneticista e também preciso de uma carta para que eu mude o nome dele no cartório. Meu filho é homem, sempre se comportou como homem", diz.   "Na semana passada, quando cheguei com o exame dele, ele sentou ao meu lado e perguntou o resultado. Eu disse que ele era homem, e ele respondeu: 'Graças a Deus, mamãe. Agora sou um rapazinho'", finaliza.    A geneticista Bethânia Ribeiro explica que a cirurgia de escolha da genitália só pode ser feita na adolescência, quando a criança escolher o gênero com o qual se identifica.   O diagnóstico do sexo do bebê pode ser genético, feito pelo cariótipo, hormonal ou psicológico. Se o cariótipo for masculino, geneticamente ele é homem, mas isso não quer dizer que ele vá se identificar com o sexo masculino na adolescência. Pode ser que ele queira mudar, explica a médica.

Cidades

Home > Noticias > null

Mãe acreana luta há três anos para dar nome de menino à filha; entenda

Após o nascimento, a criança foi registrada como menina. Um exame genético, no entanto, comprovou que se trata de um caso de intersexo

Redação

jornalismo@portalamazonia.com


No Acre, uma família luta há mais de três anos para que seu filho seja reconhecida como menino, e não menina, como apontaram os exames feitos durante a gravidez. De acordo com reportagem publicada no G1 Acre, a mãe da criança, uma dona de casa de Rio Branco, afirma que após o nascimento, o bebê foi encaminhado direto para a UTI, sendo registrado como menina ainda na maternidade. No entanto, após dias de internação, a mãe percebeu que, na veradade, a criança tinha características de ambos os sexos.
 
Foto:Reprodução/Rede Amazônica
 
“Como ele nasceu e foi direto para a UTI, não cheguei a vê-lo sem roupa. Na primeira visita ele estava com fralda, e os médicos atestaram que se tratava de uma menina. A enfermeira pediu que eu fosse logo registrá-la, e foi o que eu fiz. Mas, quando vi meu filho sem fralda, tive certeza de que era um menino”, contou ao G1.   Após questionamentos e dúvidas, a dona de casa afirma que a criança foi avaliada por uma equipe médica e que, após exames, uma geneticista explicou que tratava-se de um caso de intersexo – quando há a presença dos dois órgãos sexuais. Um exame cariótipo analisou a quantidade e a estrutura dos cromossomos em uma célula da criança e comprovou que ele é mesmo um menino.   Ainda segundo o G1 Acre, o garoto, que tem nome feminino e usava roupas de menina, desperta a curiosidade dos vizinhos por apresentar comportamentos tipicamente masculinos.   “Só eu sei o constrangimento que passo quando as pessoas pedem para ver meu filho nu. Na semana passada, duas mulheres pediram para ver meu filho sem roupa. Isso me machuca muito, me constrange”, conta a mãe.   Ela pede doações de roupas e enxoval para que o seu filho possa, finalmente, ser visto como um menino.   “Todo o enxoval, até os dois anos, é tudo de menina. Tudo rosa. Mas eu sempre soube que meu filho era menino. Sempre soube que eu tive um menino e não uma menina”, afirma.   Após a confirmação de que seu filho é mesmo um menino, a mãe luta para que o nome seja alterado na certidão de nascimento. Para isso, ela precisa apresentar o exame a um geneticista para que um laudo seja feito e apresentado ao cartório. Ela conta que o objetivo de permitir que ele seja matriculado em uma creche sem sofrer preconceito.
 
Foto:Reprodução/Rede Amazônica
 
  “Não sei nem por onde começar para mudar o nome dele. O que sei é que preciso levar esse exame a um geneticista e também preciso de uma carta para que eu mude o nome dele no cartório. Meu filho é homem, sempre se comportou como homem", diz.   "Na semana passada, quando cheguei com o exame dele, ele sentou ao meu lado e perguntou o resultado. Eu disse que ele era homem, e ele respondeu: 'Graças a Deus, mamãe. Agora sou um rapazinho'", finaliza.    A geneticista Bethânia Ribeiro explica que a cirurgia de escolha da genitália só pode ser feita na adolescência, quando a criança escolher o gênero com o qual se identifica.   O diagnóstico do sexo do bebê pode ser genético, feito pelo cariótipo, hormonal ou psicológico. Se o cariótipo for masculino, geneticamente ele é homem, mas isso não quer dizer que ele vá se identificar com o sexo masculino na adolescência. Pode ser que ele queira mudar, explica a médica.

TAG sexualidadepreconceitocienciacriancainfancia