Esportes

Iranduba estreia no Brasileiro Feminino para reforçar protagonismo no Amazonas

Time de maiores públicos do Brasil na modalidade, Iranduba estreia fora de casa contra o Kindermann neste domingo em jogo que recorda fortes emoções


O Iranduba caminha para mais uma jornada na elite do futebol feminino do Brasil. O Hulk da Amazônia estreia no Campeonato Brasileiro contra o Kindermann, às 14h30 (horário de Manaus), na cidade de Caçador (SC). Mas o início de temporada não é o único tempero do confronto. A história dos clubes do Amazonas e de Santa Catarina se cruzam nos últimos anos, em um roteiro marcado por um drama e também por um sucesso repentino. 

 

Iranduba foi campeão amazonense e vice brasileiro sub-20 em 2016. Foto: Antônio Assis/FAF

 

Tudo começou quando o Kindermann encerrou as atividades, no final de 2015, após o assassinato do treinador Josué Kaercher. O até então diretor do Kindermann, Lauro Tentardini, já tinha um acordo para iniciar um novo projeto no Iranduba no ano seguinte. Quase involuntariamente, muitas jogadoras que atuavam em Caçador seguiram o mesmo caminho do mentor.

As marcas da tragédia ainda permeavam a cabeça dos envolvidos, mas foi do outro lado do Brasil que eles deram início a um novo capítulo no futebol feminino. O Iranduba já fazia parte da elite, mas foi a partir de então que ganharam projeção nacional e um apelo invejável dos torcedores amazonenses, carentes de competitividade no futebol masculino.

O Iranduba virou o clube querido pelos amazonenses, o futebol feminino virou protagonista e o Hulk bateu recordes sem precedentes em 2016. A equipe emplacou os cinco maiores públicos do Campeonato Brasileiro Feminino, mas não apenas isso: na final da Liga Feminina Sub-20, contra a Adeco (SC), o Iranduba quebrou o recorde histórico de público em um jogo de clubes femininos no Brasil: 17.322 presentes.

Em 2017, o Kindermann retomou o futebol feminino. E quis o destino que Iranduba e Kindermann se cruzassem novamente, agora no campo, justamente onde tudo começou: a cidade de Caçador. "É emblemático iniciar contra eles. Uma emoção diferente, todos sabem o carinho que tenho pelo Kindermann. Mas dentro de campo as coisas se resolvem. Gratidão e carinho sempre, mas vamos em busca dos três pontos", disse Lauro Tentardini ao canal Amazon Sat.



Reformulado, o Brasileiro Feminino agora tem dois grupos de oito equipes na primeira fase, com jogos de turno e returno. Grêmio, Sport, São Francisco do Conde, Vitória de Santo Antão, Audax e Corinthians também compõem esta chave. Internamente, o Iranduba vê Corinthians e Kindermann como os grandes concorrentes pela liderança do grupo.

Para o jogo cheio de requintes, o Iranduba tem jogadoras acostumadas ao ambiente catarinense. Reforçado, o time amazonense deve promover as estreias de Driely e da artilheira Dany Helena, carrasca do Iranduba na Copa do Brasil de 2016, já na equipe titular. No geral, o núcleo é bem semelhante ao do ano passado, com jogadoras de destaque como Mayara e Djeni. As grandes baixas são a volante Sâmia e a atacante Nathane, que deixaram o clube.

Do outro lado, a confiança também é alta. O presidente Salézio Kindermann disse a uma rádio local que "Kindermann é Kindermann e não tem pra ninguém". Já a defensora Tuani declarou que "em 2015 vencemos todos os jogos em casa de três gols pra cima, e elas [Iranduba] vão sentir isso na pele".

Em um momento onde se discute a valorização da mulher no esporte, o Iranduba caminha contra a maré no que se vê na maior parte do Brasil, mas não por um mau motivo. Hoje, o clube amazonense oferece bolsas de estudo, um calendário cheio no futebol e futsal e um espetáculo que gera o interesse do torcedor. O símbolo de um protagonismo raro e merecido às mulheres no esporte mais popular do Brasil. O início do Brasileiro Feminino pode marcar um novo capítulo para o Hulk da Amazônia. A julgar pelas emoções envolvidas, o jogo de estreia certamente promete.


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Iranduba estreia no Brasileiro Feminino para reforçar protagonismo no Amazonas

Time de maiores públicos do Brasil na modalidade, Iranduba estreia fora de casa contra o Kindermann neste domingo em jogo que recorda fortes emoções

Gabriel Seixas

gabriel.seixas@portalamazonia.com


O Iranduba caminha para mais uma jornada na elite do futebol feminino do Brasil. O Hulk da Amazônia estreia no Campeonato Brasileiro contra o Kindermann, às 14h30 (horário de Manaus), na cidade de Caçador (SC). Mas o início de temporada não é o único tempero do confronto. A história dos clubes do Amazonas e de Santa Catarina se cruzam nos últimos anos, em um roteiro marcado por um drama e também por um sucesso repentino. 

 

Iranduba foi campeão amazonense e vice brasileiro sub-20 em 2016. Foto: Antônio Assis/FAF

 

Tudo começou quando o Kindermann encerrou as atividades, no final de 2015, após o assassinato do treinador Josué Kaercher. O até então diretor do Kindermann, Lauro Tentardini, já tinha um acordo para iniciar um novo projeto no Iranduba no ano seguinte. Quase involuntariamente, muitas jogadoras que atuavam em Caçador seguiram o mesmo caminho do mentor.

As marcas da tragédia ainda permeavam a cabeça dos envolvidos, mas foi do outro lado do Brasil que eles deram início a um novo capítulo no futebol feminino. O Iranduba já fazia parte da elite, mas foi a partir de então que ganharam projeção nacional e um apelo invejável dos torcedores amazonenses, carentes de competitividade no futebol masculino.

O Iranduba virou o clube querido pelos amazonenses, o futebol feminino virou protagonista e o Hulk bateu recordes sem precedentes em 2016. A equipe emplacou os cinco maiores públicos do Campeonato Brasileiro Feminino, mas não apenas isso: na final da Liga Feminina Sub-20, contra a Adeco (SC), o Iranduba quebrou o recorde histórico de público em um jogo de clubes femininos no Brasil: 17.322 presentes.

Em 2017, o Kindermann retomou o futebol feminino. E quis o destino que Iranduba e Kindermann se cruzassem novamente, agora no campo, justamente onde tudo começou: a cidade de Caçador. "É emblemático iniciar contra eles. Uma emoção diferente, todos sabem o carinho que tenho pelo Kindermann. Mas dentro de campo as coisas se resolvem. Gratidão e carinho sempre, mas vamos em busca dos três pontos", disse Lauro Tentardini ao canal Amazon Sat.



Reformulado, o Brasileiro Feminino agora tem dois grupos de oito equipes na primeira fase, com jogos de turno e returno. Grêmio, Sport, São Francisco do Conde, Vitória de Santo Antão, Audax e Corinthians também compõem esta chave. Internamente, o Iranduba vê Corinthians e Kindermann como os grandes concorrentes pela liderança do grupo.

Para o jogo cheio de requintes, o Iranduba tem jogadoras acostumadas ao ambiente catarinense. Reforçado, o time amazonense deve promover as estreias de Driely e da artilheira Dany Helena, carrasca do Iranduba na Copa do Brasil de 2016, já na equipe titular. No geral, o núcleo é bem semelhante ao do ano passado, com jogadoras de destaque como Mayara e Djeni. As grandes baixas são a volante Sâmia e a atacante Nathane, que deixaram o clube.

Do outro lado, a confiança também é alta. O presidente Salézio Kindermann disse a uma rádio local que "Kindermann é Kindermann e não tem pra ninguém". Já a defensora Tuani declarou que "em 2015 vencemos todos os jogos em casa de três gols pra cima, e elas [Iranduba] vão sentir isso na pele".

Em um momento onde se discute a valorização da mulher no esporte, o Iranduba caminha contra a maré no que se vê na maior parte do Brasil, mas não por um mau motivo. Hoje, o clube amazonense oferece bolsas de estudo, um calendário cheio no futebol e futsal e um espetáculo que gera o interesse do torcedor. O símbolo de um protagonismo raro e merecido às mulheres no esporte mais popular do Brasil. O início do Brasileiro Feminino pode marcar um novo capítulo para o Hulk da Amazônia. A julgar pelas emoções envolvidas, o jogo de estreia certamente promete.

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