Cidades

Indígenas morrem sem atendimento médico no interior de Roraima

Mortes ocorreram nas últimas duas semanas, segundo relatório da Sesai, por acesso restrito com estradas em más condições


Foto: Reprodução/TV Globo
 

Cinco indígenas morreram nas últimas duas semanas sem receber atendimento médico em Uiramutã, cidade no Norte de Roraima. A região sofre com isolamento devido às chuvas e más condições das estradas, além da empresa aérea que atendia a região, a Panamazônia, ter encerrado as atividades após dos acidentes. O dado faz parte do relatório da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai).

Segundo reportagem do G1 Roraima, o asfalto na BR-433 nunca existiu, só restou o buraco do bueiro na RR-171 e um caminhão que transportava materiais de construção para reforma de um posto de saúde em uma comunidade indígena de Uiramutã, ficou um dia inteiro atolado na região. "Aqui tá muito dificultoso. Ali em baixo também quebrou uma ponte. Já faz mais de um ano que essa ponte tá quebrada", relatou o motorista Jose Marín.

A condição precária da BR-433 e de várias estradas da região ficou ainda mais crítica depois de uma enxurrada afetar a localidade no mês de maio. Na época, comunidades inteiras ficaram debaixo d'água. Os rios já secaram, mas as estradas pioraram e começaram a afetar o abastecimento de alimentos e a prestação de socorro aos indígenas com problema de saúde em 93 comunidades que vivem sob a ameaça de isolamento.

"Esses óbitos poderiam ser evitáveis se tivesse chegado em tempo hábil nas unidades hospitalares. Era gente que poderia estar salvo se tivesse melhores condições de estradas para a gente fazer a remoção desses pacientes", afirmou o coordenador do Distrito Sanitário Leste de Roraima (Dsei/Leste) da Sesai, Joseilson Câmara.

O marido de Janes dos Santos teve uma parada cardiorespiratória, mas quando o carro chegou já era tarde. "A irmã dele pediu um carro pra remover e a gente ficou esperando. Só precisa morrer pessoa para resolver? Acho que não. Isso tinha que se resolver antes", contou a indígena.

Panamazônia

A situação na localidade ficou ainda mais delicada depois que a empresa Paramazônia, que prestava serviços de táxi-aéreo, suspendeu os voos de rotina após ocorrerem dois acidentes em menos de 20 dias. "Vários lugares romperam os bueiros e isso dificulta muito as remoções que temos aqui na aprte terrestre. E o cancelamento do contrato com a Paramazônia que tinha com as comunidades indígenas foi suspenso. Isso tem prejudicado muito. Tem levado várias pessoas a óbitos", afirma o prefeito de Uiramutã, Dedel Araújo (PP).

Outro lado

Em nota, o Departamento de Infraestrutura e Transporte (Dnit) informou que tem feito serviços de recuperação na BR-433, mas ressaltou que as obras são afetadas pelas chuvas. Conforme a nota, uma ponte de madeira é construída no local e o Dnit auxilia veículos que fica atolados na rodovia.

Já o governo estadual, responsável pela RR-171, informou que está em fase de estudo um convênio com o Exército para recuperar pontes e vicinais da região. A nota ressalta ainda que desde que o Uiramutã foi atingido pelo transbordamento dos rios Maú e Uailã, o município tem recebido total atenção do governo do Estado. 

 

 

 


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Indígenas morrem sem atendimento médico no interior de Roraima

Mortes ocorreram nas últimas duas semanas, segundo relatório da Sesai, por acesso restrito com estradas em más condições

Redação

jornalismo@portalamazonia.com


Foto: Reprodução/TV Globo
 

Cinco indígenas morreram nas últimas duas semanas sem receber atendimento médico em Uiramutã, cidade no Norte de Roraima. A região sofre com isolamento devido às chuvas e más condições das estradas, além da empresa aérea que atendia a região, a Panamazônia, ter encerrado as atividades após dos acidentes. O dado faz parte do relatório da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai).

Segundo reportagem do G1 Roraima, o asfalto na BR-433 nunca existiu, só restou o buraco do bueiro na RR-171 e um caminhão que transportava materiais de construção para reforma de um posto de saúde em uma comunidade indígena de Uiramutã, ficou um dia inteiro atolado na região. "Aqui tá muito dificultoso. Ali em baixo também quebrou uma ponte. Já faz mais de um ano que essa ponte tá quebrada", relatou o motorista Jose Marín.

A condição precária da BR-433 e de várias estradas da região ficou ainda mais crítica depois de uma enxurrada afetar a localidade no mês de maio. Na época, comunidades inteiras ficaram debaixo d'água. Os rios já secaram, mas as estradas pioraram e começaram a afetar o abastecimento de alimentos e a prestação de socorro aos indígenas com problema de saúde em 93 comunidades que vivem sob a ameaça de isolamento.

"Esses óbitos poderiam ser evitáveis se tivesse chegado em tempo hábil nas unidades hospitalares. Era gente que poderia estar salvo se tivesse melhores condições de estradas para a gente fazer a remoção desses pacientes", afirmou o coordenador do Distrito Sanitário Leste de Roraima (Dsei/Leste) da Sesai, Joseilson Câmara.

O marido de Janes dos Santos teve uma parada cardiorespiratória, mas quando o carro chegou já era tarde. "A irmã dele pediu um carro pra remover e a gente ficou esperando. Só precisa morrer pessoa para resolver? Acho que não. Isso tinha que se resolver antes", contou a indígena.

Panamazônia

A situação na localidade ficou ainda mais delicada depois que a empresa Paramazônia, que prestava serviços de táxi-aéreo, suspendeu os voos de rotina após ocorrerem dois acidentes em menos de 20 dias. "Vários lugares romperam os bueiros e isso dificulta muito as remoções que temos aqui na aprte terrestre. E o cancelamento do contrato com a Paramazônia que tinha com as comunidades indígenas foi suspenso. Isso tem prejudicado muito. Tem levado várias pessoas a óbitos", afirma o prefeito de Uiramutã, Dedel Araújo (PP).

Outro lado

Em nota, o Departamento de Infraestrutura e Transporte (Dnit) informou que tem feito serviços de recuperação na BR-433, mas ressaltou que as obras são afetadas pelas chuvas. Conforme a nota, uma ponte de madeira é construída no local e o Dnit auxilia veículos que fica atolados na rodovia.

Já o governo estadual, responsável pela RR-171, informou que está em fase de estudo um convênio com o Exército para recuperar pontes e vicinais da região. A nota ressalta ainda que desde que o Uiramutã foi atingido pelo transbordamento dos rios Maú e Uailã, o município tem recebido total atenção do governo do Estado. 

 

 

 

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