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Em Manaus, ex-diretor do Inpe afirma que há no governo um "negaciocismo" da ciência

Ricardo Galvão é um dos cientistas mais respeitados em todo o mundo e foi demitido pelo presidente Jair Bolsonaro, no início de agosto, acusado de divulgar dados errôneos do Inpe quanto às queimadas na Amazônia

William Costa

william.costa@portalamazonia.com


"O desenvolvimento sustentável, em qualquer lugar do mundo, só será bem sucedido se tiver desenvolvimento científico", esse é um trecho da fala do professor da Universidade de São paulo, físico e ex-diretor do Instituto Nacional de pesquisas Espaciais (Inpe) Ricardo Galvão, ressaltando o papel e a importancia da ciência e da tecnologia na construção de um cenário de desenvolvimento do país.


Galvão é um dos cientistas mais respeitados em todo o mundo e foi demitido pelo presidente Jair Bolsonaro, no início de agosto, acusado, inclusive pelo ministro do Meio Ambiente Ricardo Sales, de divulgar dados errôneos do Inpe quanto as queimadas, e estar trabalhando "a serviço de alguma Ong".
   
Foto:William Costa/Portal Amazônia


Esse foi um dos pontos colocados pelo físico, que chamou atenção para o "negacionismo" praticado pelo governo aos dados científicos.


"Entendo que há no governo algo obscuro, um "negacionismo" aos dados científicos, isso representou minha saída da direção do Inpe. Foi muito difícil, depois de 48 anos de serviço publico, ser acusado pelo presidente do pais, de ser mentiroso e estar a serviço de um ong. Eu quase desmaiei, só não foi pior, pois quando recebi a notícia estava ao lado da minha esposa”, conta o físico, ressaltando que ficou ainda mais chocado, quando recebeu o telefonema de um aluno perguntando sobre o assunto.


"O aluno me ligou me perguntando sobre a fala do presidente da república, que havia dito que todos nossos professores eram mentirosos. Para um cientista, não existe nada mais ruim do que dizer que suas pesquisas são mentirosas”, disse.


A  palestra foi apresentada durante a VII Semana de Ciência e Tecnologia, realizada pelo Instituto de Ciências Exatas, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), e Galvão também apontou os dados do Inpe apresentados ao governo federal, antes de ser exonerado do cargo.


Segundo o físico, o desmatamento na Amazonia é a principal causa das queimadas na região, e os dados gerados pelo Inpe eram os mais avançados do mundo.


"Queimadas, é aquilo que mais comove a população, sabemos que é uma consequência do desmatamento, hoje se queima para extrair a madeira, um em função do outro. As queimadas emitem grande quantidade do gás carbônico, que atua no efeito estufa, e esse é um grande problema", disse.

           
Foto:William Costa/Portal Amazônia


Galvão também ressaltou a importância dos Rios Voadores para a agricultura. Segundo ele, a Amazônia beneficia diretamente nesse tipo de cultura.


"A América do Sul foi beneficiada ela física. A umidade do Atlântico bate nos andes e cria a floresta úmida. Uma árvore na Amazônia com uma copa de 10 a 20 metros, bombeia de 600 a 20 mil litros de vapor por dia, ou seja, vem da floresta quase 20% de toda agua para atmosfera do globo. E a agricultura em todo o Brasil depende dessa água", disse.


Projeto DETER


O DETER é um levantamento rápido de alertas de evidências de alteração da cobertura florestal na Amazônia, foi desenvolvido como um sistema de alerta para dar suporte à fiscalização e controle de desmatamento e da degradação florestal realizadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e demais órgãos ligados a esta temática.


"Há no Brasil um desmatamento em espinha de peixe, que vai desmatando por baixo das árvores. Em junto, foram mais de 1800 alertas de desmatamento, e o IBAMA precisa dar conta disso. E, no início do ano, mostramos o desmatamento em terras indígenas, e esse foi um dos impasses que também tivemos com o governo, que nessas áreas havia extração ilegal de nióbio (mineral para uso em tubulações de água e petróleo)", disse.


O Brasil é o maior fornecedor de nióbio no mundo, e produz cerca de 70,65% do produto no mercado.


Projeto PRODES


O projeto PRODES realiza o monitoramento por satélites do desmatamento por corte raso na Amazônia Legal e produz, desde 1988, as taxas anuais de desmatamento na região, que são usadas pelo governo brasileiro para o estabelecimento de políticas públicas.


Segundo o físico, as maiores áreas desmatadas são em terras públicas, e os números nos preocupam.


"O governo fala que desmatamos pouco, e ainda temos 80% da floresta. De quando o Brasil foi descoberto, pra cá, quase 20% foram desmatados. De 1988 até aqui, 11%, mas o desmatamento não é uniforme, é o vemos princialmente no arco do desmatamento. se a Amazonia toda atingir 25% ou 40%, dependendo do método de análise, é possível chegarmos à savana brasileira", conta.

           
Foto:William Costa/Portal Amazônia

Sobre os dados


Com relação à produção de dados que o Inpe coleta, em ambos os projetos, o físico pontuou que os sistemas que eram utilizados pelo órgão para os monitoramentos da floresta amazônica, são os mais avançados do mundo."O Sistema Brasileiro era invejável para o mundo, várias revistas consideravam isso, nossa precisão para era de 90 a 95% de certeza, e o ministro desconsiderou, disse que não servia, se baseou no negacionismo. E penso que quando se trata de ciência, nenhuma ideologia política deve estar acima", ressaltou.
Sobre a Semana de Ciência e Tecnologia



Em 2019, o tema da Semana da Ciência e Tecnologia é “Bioeconomia: Diversidade e Riqueza para o Desenvolvimento Sustentável”. O evento faz parte da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia e reúne estudantes do ensino básico e superior, professores e pesquisadores dos cursos de exata. Em sua 16ª edição, a SNCT é o maior evento de popularização da ciência do Brasil.


Em Manaus, a Semana é organizada pelo Instituto de Ciências Exatas (ICE), da Ufam, e a professora mestra Maria Rosário do Carmo, coordenadora do evento, avalia como um sucesso essa edição da SECTI.


"Foi um sucesso. Tivemos 37 escolas públicas inscritas, além das que compareceram sem inscrição. Só o espaço do Museu de Geociências foram mais de 600 visitações. Além de 1800 inscritos nas diversas programações com palestras, oficinas e minicursos. E daqui queremos mostrar o quê nós fazemos, que aqui se produz ciência, e que está sendo muito abafado no atual governo. O acesso e a informação à esse conhecimento, é muito importante para a comunidade", ressaltou a professora.
           





   
Meio Ambiente

Em Manaus, ex-diretor do Inpe afirma que há no governo um "negaciocismo" da ciência

Ricardo Galvão é um dos cientistas mais respeitados em todo o mundo e foi demitido pelo presidente Jair Bolsonaro, no início de agosto, acusado de divulgar dados errôneos do Inpe quanto às queimadas na Amazônia


"O desenvolvimento sustentável, em qualquer lugar do mundo, só será bem sucedido se tiver desenvolvimento científico", esse é um trecho da fala do professor da Universidade de São paulo, físico e ex-diretor do Instituto Nacional de pesquisas Espaciais (Inpe) Ricardo Galvão, ressaltando o papel e a importancia da ciência e da tecnologia na construção de um cenário de desenvolvimento do país.


Galvão é um dos cientistas mais respeitados em todo o mundo e foi demitido pelo presidente Jair Bolsonaro, no início de agosto, acusado, inclusive pelo ministro do Meio Ambiente Ricardo Sales, de divulgar dados errôneos do Inpe quanto as queimadas, e estar trabalhando "a serviço de alguma Ong".
   
Foto:William Costa/Portal Amazônia


Esse foi um dos pontos colocados pelo físico, que chamou atenção para o "negacionismo" praticado pelo governo aos dados científicos.


"Entendo que há no governo algo obscuro, um "negacionismo" aos dados científicos, isso representou minha saída da direção do Inpe. Foi muito difícil, depois de 48 anos de serviço publico, ser acusado pelo presidente do pais, de ser mentiroso e estar a serviço de um ong. Eu quase desmaiei, só não foi pior, pois quando recebi a notícia estava ao lado da minha esposa”, conta o físico, ressaltando que ficou ainda mais chocado, quando recebeu o telefonema de um aluno perguntando sobre o assunto.


"O aluno me ligou me perguntando sobre a fala do presidente da república, que havia dito que todos nossos professores eram mentirosos. Para um cientista, não existe nada mais ruim do que dizer que suas pesquisas são mentirosas”, disse.


A  palestra foi apresentada durante a VII Semana de Ciência e Tecnologia, realizada pelo Instituto de Ciências Exatas, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), e Galvão também apontou os dados do Inpe apresentados ao governo federal, antes de ser exonerado do cargo.


Segundo o físico, o desmatamento na Amazonia é a principal causa das queimadas na região, e os dados gerados pelo Inpe eram os mais avançados do mundo.


"Queimadas, é aquilo que mais comove a população, sabemos que é uma consequência do desmatamento, hoje se queima para extrair a madeira, um em função do outro. As queimadas emitem grande quantidade do gás carbônico, que atua no efeito estufa, e esse é um grande problema", disse.

           
Foto:William Costa/Portal Amazônia


Galvão também ressaltou a importância dos Rios Voadores para a agricultura. Segundo ele, a Amazônia beneficia diretamente nesse tipo de cultura.


"A América do Sul foi beneficiada ela física. A umidade do Atlântico bate nos andes e cria a floresta úmida. Uma árvore na Amazônia com uma copa de 10 a 20 metros, bombeia de 600 a 20 mil litros de vapor por dia, ou seja, vem da floresta quase 20% de toda agua para atmosfera do globo. E a agricultura em todo o Brasil depende dessa água", disse.


Projeto DETER


O DETER é um levantamento rápido de alertas de evidências de alteração da cobertura florestal na Amazônia, foi desenvolvido como um sistema de alerta para dar suporte à fiscalização e controle de desmatamento e da degradação florestal realizadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e demais órgãos ligados a esta temática.


"Há no Brasil um desmatamento em espinha de peixe, que vai desmatando por baixo das árvores. Em junto, foram mais de 1800 alertas de desmatamento, e o IBAMA precisa dar conta disso. E, no início do ano, mostramos o desmatamento em terras indígenas, e esse foi um dos impasses que também tivemos com o governo, que nessas áreas havia extração ilegal de nióbio (mineral para uso em tubulações de água e petróleo)", disse.


O Brasil é o maior fornecedor de nióbio no mundo, e produz cerca de 70,65% do produto no mercado.


Projeto PRODES


O projeto PRODES realiza o monitoramento por satélites do desmatamento por corte raso na Amazônia Legal e produz, desde 1988, as taxas anuais de desmatamento na região, que são usadas pelo governo brasileiro para o estabelecimento de políticas públicas.


Segundo o físico, as maiores áreas desmatadas são em terras públicas, e os números nos preocupam.


"O governo fala que desmatamos pouco, e ainda temos 80% da floresta. De quando o Brasil foi descoberto, pra cá, quase 20% foram desmatados. De 1988 até aqui, 11%, mas o desmatamento não é uniforme, é o vemos princialmente no arco do desmatamento. se a Amazonia toda atingir 25% ou 40%, dependendo do método de análise, é possível chegarmos à savana brasileira", conta.

           
Foto:William Costa/Portal Amazônia

Sobre os dados


Com relação à produção de dados que o Inpe coleta, em ambos os projetos, o físico pontuou que os sistemas que eram utilizados pelo órgão para os monitoramentos da floresta amazônica, são os mais avançados do mundo."O Sistema Brasileiro era invejável para o mundo, várias revistas consideravam isso, nossa precisão para era de 90 a 95% de certeza, e o ministro desconsiderou, disse que não servia, se baseou no negacionismo. E penso que quando se trata de ciência, nenhuma ideologia política deve estar acima", ressaltou.
Sobre a Semana de Ciência e Tecnologia



Em 2019, o tema da Semana da Ciência e Tecnologia é “Bioeconomia: Diversidade e Riqueza para o Desenvolvimento Sustentável”. O evento faz parte da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia e reúne estudantes do ensino básico e superior, professores e pesquisadores dos cursos de exata. Em sua 16ª edição, a SNCT é o maior evento de popularização da ciência do Brasil.


Em Manaus, a Semana é organizada pelo Instituto de Ciências Exatas (ICE), da Ufam, e a professora mestra Maria Rosário do Carmo, coordenadora do evento, avalia como um sucesso essa edição da SECTI.


"Foi um sucesso. Tivemos 37 escolas públicas inscritas, além das que compareceram sem inscrição. Só o espaço do Museu de Geociências foram mais de 600 visitações. Além de 1800 inscritos nas diversas programações com palestras, oficinas e minicursos. E daqui queremos mostrar o quê nós fazemos, que aqui se produz ciência, e que está sendo muito abafado no atual governo. O acesso e a informação à esse conhecimento, é muito importante para a comunidade", ressaltou a professora.
           





   

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