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Economia

Aumento da gasolina agrava crise no Polo Industrial de Manaus

Para especialistas, reajuste nos combustíveis fatalmente acarretará prejuízos à indústria

Tanair Maria - Jornal do Commercio




MANAUS
- Nos próximos dias a economia do país deverá sofrer mais um impacto negativo. Desta vez, empresário e consumidor foram pegos de surpresa com o anúncio do novo aumento nos combustíveis feito pela Petrobras, na noite de terça-feira (29). Segundo especialistas, a grande preocupação vem da indústria, comércio e serviços que estão encolhendo, salários sendo achatados, queda nas vendas e no consumo de bens, aumento do desemprego e da criminalidade que consequentemente ocorrerá perda da qualidade de vida. Este é o cenário da recessão. De acordo com o economista, Francisco de Assis Mourão Júnior, as medidas do governo em relação ao aumento da gasolina em 6% e do diesel em 4%, na tentativa de equilibrar as contas da estatal terão reflexo negativo em todo o país. “Isso logicamente que tem um impacto muito grande, porque nós já estamos com uma inflação alta. Nós já estamos com uma situação de outra pesquisa que aponta a diminuição do faturamento e da produção em diversos setores do Polo Industrial de Manaus com aumento do índice de desemprego”, analisou.
Na avaliação do economista, a justificativa da Petrobras está na elevação do câmbio do dólar. Mourão Júnior explica que tem que ser feita correção do valor da gasolina exportada para o valor que é praticado no mercado interno. “Então já demonstra mais uma vez a nossa fragilidade num setor que infelizmente está cheio de processos, com desvio de dinheiro e completamente descredenciada. Mais uma vez, a população vai ter que pagar a conta”, frisou.
Em comunicado a imprensa, a Petrobras informa que o reajuste é uma sinalização ao mercado de que a empresa, hoje comandada por Aldemir Bendine, tem autonomia para definir sua política de preços dos combustíveis. Os preços da gasolina e do diesel, sobre os quais incide o reajuste anunciado, não incluem os tributos federais Cide e PIS/Cofins e o tributo estadual ICMS. A empresa, endividada em dólar, já vinha sendo pressionada pelo câmbio alto nos últimos meses. Em 2015, o dólar acumula alta de 52% sobre o real.
Segundo o presidente do Sindcam (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo, Lubrificantes, Álcool e Gás Natural do Amazonas), Luiz Felipe de Moura Pinto, o valor que será agregado ao preço da gasolina e do diesel com o novo aumento só será repassado quando o cálculo dos impostos incidentes e do frete for anunciado pelas distribuidoras. “Tem que aguardar para ver quanto vai ser repassado, porque têm a Cide, PIS/Cofins, ICMS e quando aumenta o combustível aumenta o frete. Então ninguém sabe, mesmo porque o sindicato não trata de preço”, esclareceu.
Ainda incrédulo com a notícia o titular do Sindcam salienta que a medida deverá prejudicar o setor e fará com que o consumidor fique cada vez mais seletivo com relação ao orçamento familiar. “Nós não sabemos se é verdade ou se não é. Ainda nessa semana o governo estava dizendo que não ia aumentar o preço do combustível. Agora essa notícia vem depois do expediente, quando não podemos fazer mais nada e, é aquele ‘samba do crioulo doido’: uma hora diz que não vai subir, outra hora diz que já subiu e nós somos os últimos a saber”, lamentou.
O empresário Geraldo Dantas, proprietário de dois postos Ipiranga, em Manaus, aguarda a próxima remessa dos combustíveis para verificar o valor na nota fiscal e repassar ao consumidor. O preço nas bombas é livre e costuma ser reajustado à medida que o combustível com preço novo chegue aos postos. “Foi uma surpresa bem desagradável, mas não tem como segurar este aumento”, disse. 
Dantas deve manter o preço até que o estoque de combustíveis termine. “Nesse momento nós estamos praticando à R$ 3,59 porque nós não recebemos produto novo ainda. Chegou produto novo com preço novo, o preço é repassado imediatamente para o posto, não tem como segurar para o cliente”, observou.
O preço praticado hoje nas bombas do posto Ipiranga, na capital amazonense, é de R$ 3,59 para a gasolina aditivada ou comum e R$ 3,05 para o diesel S-10 (menos poluente) com o repasse do aumento poderá chegar a R$ 3,81 e R$ 3,18 respectivamente. Ao contrário do que possa parecer, os donos de postos não lucram mais com os aumentos nos combustíveis, porque diminui a procura e os custos da operação permanecem. “O dono do posto é tão prejudicado quanto à população, pelo menos no meu caso é assim. As nossas vendas caem, a nossa rentabilidade também cai, mas as despesas se mantêm”, afirmou o empresário.
Dantas enumerou uma lista de despesas que não podem ser cortadas, dentre elas, energia elétrica, água, IPTU, ICMS, licenciamentos ambientais e do Corpo de Bombeiros. “São quase 15 licenças para operar com vencimento anual. Quem não tiver, vai criar uma dificuldade tremenda para tirar e aí são três meses no paraíso e os outros no inferno”, lamentou.
O empresário afirma que o excesso de burocracia ainda é um dos maiores entraves para o setor e que inibe o investidor. “Este é um problema muito sério. A burocracia no Brasil é muito atravancada, além de atrapalhar o desenvolvimento do país, também fomenta a roubalheira dos nossos políticos dirigentes”, alertou.

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Aumento da gasolina agrava crise no Polo Industrial de Manaus

Para especialistas, reajuste nos combustíveis fatalmente acarretará prejuízos à indústria

Tanair Maria - Jornal do Commercio




MANAUS
- Nos próximos dias a economia do país deverá sofrer mais um impacto negativo. Desta vez, empresário e consumidor foram pegos de surpresa com o anúncio do novo aumento nos combustíveis feito pela Petrobras, na noite de terça-feira (29). Segundo especialistas, a grande preocupação vem da indústria, comércio e serviços que estão encolhendo, salários sendo achatados, queda nas vendas e no consumo de bens, aumento do desemprego e da criminalidade que consequentemente ocorrerá perda da qualidade de vida. Este é o cenário da recessão. De acordo com o economista, Francisco de Assis Mourão Júnior, as medidas do governo em relação ao aumento da gasolina em 6% e do diesel em 4%, na tentativa de equilibrar as contas da estatal terão reflexo negativo em todo o país. “Isso logicamente que tem um impacto muito grande, porque nós já estamos com uma inflação alta. Nós já estamos com uma situação de outra pesquisa que aponta a diminuição do faturamento e da produção em diversos setores do Polo Industrial de Manaus com aumento do índice de desemprego”, analisou.
Na avaliação do economista, a justificativa da Petrobras está na elevação do câmbio do dólar. Mourão Júnior explica que tem que ser feita correção do valor da gasolina exportada para o valor que é praticado no mercado interno. “Então já demonstra mais uma vez a nossa fragilidade num setor que infelizmente está cheio de processos, com desvio de dinheiro e completamente descredenciada. Mais uma vez, a população vai ter que pagar a conta”, frisou.
Em comunicado a imprensa, a Petrobras informa que o reajuste é uma sinalização ao mercado de que a empresa, hoje comandada por Aldemir Bendine, tem autonomia para definir sua política de preços dos combustíveis. Os preços da gasolina e do diesel, sobre os quais incide o reajuste anunciado, não incluem os tributos federais Cide e PIS/Cofins e o tributo estadual ICMS. A empresa, endividada em dólar, já vinha sendo pressionada pelo câmbio alto nos últimos meses. Em 2015, o dólar acumula alta de 52% sobre o real.
Segundo o presidente do Sindcam (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo, Lubrificantes, Álcool e Gás Natural do Amazonas), Luiz Felipe de Moura Pinto, o valor que será agregado ao preço da gasolina e do diesel com o novo aumento só será repassado quando o cálculo dos impostos incidentes e do frete for anunciado pelas distribuidoras. “Tem que aguardar para ver quanto vai ser repassado, porque têm a Cide, PIS/Cofins, ICMS e quando aumenta o combustível aumenta o frete. Então ninguém sabe, mesmo porque o sindicato não trata de preço”, esclareceu.
Ainda incrédulo com a notícia o titular do Sindcam salienta que a medida deverá prejudicar o setor e fará com que o consumidor fique cada vez mais seletivo com relação ao orçamento familiar. “Nós não sabemos se é verdade ou se não é. Ainda nessa semana o governo estava dizendo que não ia aumentar o preço do combustível. Agora essa notícia vem depois do expediente, quando não podemos fazer mais nada e, é aquele ‘samba do crioulo doido’: uma hora diz que não vai subir, outra hora diz que já subiu e nós somos os últimos a saber”, lamentou.
O empresário Geraldo Dantas, proprietário de dois postos Ipiranga, em Manaus, aguarda a próxima remessa dos combustíveis para verificar o valor na nota fiscal e repassar ao consumidor. O preço nas bombas é livre e costuma ser reajustado à medida que o combustível com preço novo chegue aos postos. “Foi uma surpresa bem desagradável, mas não tem como segurar este aumento”, disse. 
Dantas deve manter o preço até que o estoque de combustíveis termine. “Nesse momento nós estamos praticando à R$ 3,59 porque nós não recebemos produto novo ainda. Chegou produto novo com preço novo, o preço é repassado imediatamente para o posto, não tem como segurar para o cliente”, observou.
O preço praticado hoje nas bombas do posto Ipiranga, na capital amazonense, é de R$ 3,59 para a gasolina aditivada ou comum e R$ 3,05 para o diesel S-10 (menos poluente) com o repasse do aumento poderá chegar a R$ 3,81 e R$ 3,18 respectivamente. Ao contrário do que possa parecer, os donos de postos não lucram mais com os aumentos nos combustíveis, porque diminui a procura e os custos da operação permanecem. “O dono do posto é tão prejudicado quanto à população, pelo menos no meu caso é assim. As nossas vendas caem, a nossa rentabilidade também cai, mas as despesas se mantêm”, afirmou o empresário.
Dantas enumerou uma lista de despesas que não podem ser cortadas, dentre elas, energia elétrica, água, IPTU, ICMS, licenciamentos ambientais e do Corpo de Bombeiros. “São quase 15 licenças para operar com vencimento anual. Quem não tiver, vai criar uma dificuldade tremenda para tirar e aí são três meses no paraíso e os outros no inferno”, lamentou.
O empresário afirma que o excesso de burocracia ainda é um dos maiores entraves para o setor e que inibe o investidor. “Este é um problema muito sério. A burocracia no Brasil é muito atravancada, além de atrapalhar o desenvolvimento do país, também fomenta a roubalheira dos nossos políticos dirigentes”, alertou.

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