Cidades

Atendimentos de saúde marcam início do AmazonLog17, no Amazonas

As ações de treinamento de ajuda humanitária envolvem militares dos três países, além de um contingente dos Estados Unidos e observadores internacionais

Portal Amazônia, com informações da Agência Brasil

jornalismo@portalamazonia.com


A participação dos militares no exercício internacional de simulação de ajuda humanitária na Região Amazônica, AmazonLog17, começou nesta segunda-feira (6) com a prestação de atendimento de saúde a moradores do município amazonense de Tabatinga e da região do Alto Solimões, na tríplice fronteira do Brasil com o Peru e a Colômbia. Desde o início da manhã, pessoas aguardavam a distribuição de senhas para realizar consultas médicas.
 

 

Foto:Divulgação/Exército Brasileiro

 

As ações de treinamento de ajuda humanitária envolvem militares dos três países, além de um contingente dos Estados Unidos e observadores internacionais. A simulação conjunta que acontece até o dia 13 de novembro abarca uma série de atividades, como treinamento para resgates, suprimentos, manutenção e transporte, além de prestação de serviços de saúde.

 

Durante o exercício, o Exército estima realizar cerca de 450 a 500 atendimentos diários às populações indígenas e ribeirinhas do Brasil e dos países vizinhos, nas especialidades de clínica geral, pediatria, ginecologia e oftalmologia. Além da estrutura do hospital militar de Tabatinga, parte dos atendimentos também é feita no hospital de campanha montado na base multinacional que abriga os militares participantes do evento.

 

Para assegurar o atendimento, o casal de agricultores Maria Cauaxe de Souza, 63, e Alberto Cauaxe de Souza, 72, andou cerca de três horas para atravessar o assentamento Tacana, localizado na comunidade Bom Jesus, na zona rural de Tabatinga. “A estrada está difícil, choveu. Quando está no verão, é bonito, mas quando chove acaba”, resumiu Alberto.

 

Eles foram avisados sobre a ação no posto de saúde da comunidade. "De lá, eles mandaram a gente para cá”, disse a agricultora. “Eu sinto fraqueza no corpo, doía a minha cabeça e procurei vir ao médico para ver o que está acontecendo”, afirmou Maria.

 

De mais longe veio o jovem Frank Mendonça da Silva, 25 anos, acompanhado do pequeno Jonatan Lorenzo Mendonça Lopes, de pouco mais de 1 ano e meio. Pai e filho tiveram que atravessar de barco, durante dois dias, do pequeno município de Tonantins a Tabatinga.

 

Localizado no sudoeste do Amazonas e distante cerca de 870 km de Manaus, o pequeno município, com pouco mais de 20 mil habitantes chegou a constar, até o final de outubro, na lista de municípios atingidos pela enchente do Rio Solimões este ano. “A cidade tem até posto de saúde, mas não tem os recursos que tem por aqui. Falta médico. Daí ou a gente vem para cá ou para Manaus”, contou Frank, que há cerca de um ano está desempregado.

 

Silva relatou que o filho tem um problema na perna, adquirido após uma queda recente. “Ele está puxando a perna e a gente veio para cá para trazer no pediatra. Como tem esse evento, trouxemos ele aqui”, disse.

 

Enquanto aguardava o atendimento do clínico geral, a agricultora Maria Vanice Ferreira, 51 anos, relatou que é comum a população atravessar a fronteira em busca de atendimento na vizinha colombiana Letícia.

 

“Estou sentindo dor nos rins e, sexta-feira, deu febre alta. Eu sofro do fígado e eu não sei se é tudo isso. Aí eu vim aqui para ver como é que vai ficar, porque aqui [na Região] alguns atendimentos tem somente em Letícia, mas pagando com dinheiro”, disse Maria Vanice. “Quando a gente não tem dinheiro, não pode fazer nada, fica difícil”, acrescentou.

 

Bem-humorada, Maria Vanice relatou que também veio saber sobre a possibilidade de um atendimento para o esposo, Raimundo Ferreira, 62, anos, que sofre de diabetes e apresenta problemas na visão em decorrência da doença. “O caso dele é sério: esse AVC [acidente vascular cerebral], já deu seis vezes nele. Eu já disse que ele é igual gato: tem sete vidas”, brincou.

 

Tabatinga tem apenas uma unidade de pronto atendimento e algumas unidades básicas de saúde. A maioria dos atendimentos fica a cargo do Hospital de Guarnição do Exército. No fim de outubro, o Ministério Público do Amazonas (MPAM) começou a investigar uma denúncia de falta de oxigênio medicinal nos hospitais do município.

 

 

Uma das responsáveis por coordenar a distribuição dos atendimentos, a major do Exército Sonia Alves disse que o exercício acaba sendo uma forma de conhecer um pouco mais sobre a região. "A gente chega aqui e vê a carência que tem de profissionais, de clínicas”, disse a militar, que há dois anos serve em Manaus.

 

Pela primeira vez na região, o tenente médico do Exército Jorge Lanzelotti se surpreendeu com a receptividade da população. “Estou encantado com a riqueza natural e com a população, que nos recebe de forma bem calorosa. É gratificante para a gente estar junto à população, isso ratifica a necessidade do nosso trabalho”, disse.

 

Ao avaliar a estrutura montada para o exercício de simulação, o tenente disse que treinamentos como esse evidenciam a capacidade abrangência do serviço de saúde do Exército. "Eu sou um recurso que está lotado no Rio de Janeiro, mas que pode ser empregado em qualquer lugar, dependendo da necessidade que surgir”, afirmou.

 

AmazonLog

 

São esperados para o AmazonLog cerca de 2 mil participantes. Além dos exércitos do Brasil, da Colômbia e do Peru, o evento tem a presença de militares dos Estados Unidos. Do Brasil, participarão cerca de 1.550 militares; a Colômbia deve enviar 150; o Peru, 120 e, os Estados Unidos, 30. Outros países, como Alemanha, Rússia, Canadá, Venezuela, França, Reino Unido e Japão levarão menos de dez representantes cada. A maioria dos militares começou a chegar no último domingo (5) à cidade.

 

A atividade envolve unidades de transporte, logística, manutenção, suprimento, evacuação e engenharia. No caso de catástrofes, por exemplo, requer o planejamento logístico de deslocamento de equipamentos, suprimentos e equipes até o local da ação. Durante o treinamento, são realizadas simulações do preparo da área, do atendimento aos feridos e da evacuação do local.

 

Segundo o Exército, parte da estrutura montada para o AmazonLog17 ficará como benefício para a cidade, a exemplo da manutenção realizada na rede elétrica de parte da cidade. O local de realização do exercício de logística poderá ser posteriormente transformado em área de lazer para a população.

 

Além de capacitar militares das Forças Armadas, o evento também tem como objetivo promover uma atuação mais integrada das instituições que atuam em catástrofes naturais e acidentes, como Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, secretarias estaduais e polícias militar e civil.


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Atendimentos de saúde marcam início do AmazonLog17, no Amazonas

As ações de treinamento de ajuda humanitária envolvem militares dos três países, além de um contingente dos Estados Unidos e observadores internacionais

Portal Amazônia, com informações da Agência Brasil

jornalismo@portalamazonia.com


A participação dos militares no exercício internacional de simulação de ajuda humanitária na Região Amazônica, AmazonLog17, começou nesta segunda-feira (6) com a prestação de atendimento de saúde a moradores do município amazonense de Tabatinga e da região do Alto Solimões, na tríplice fronteira do Brasil com o Peru e a Colômbia. Desde o início da manhã, pessoas aguardavam a distribuição de senhas para realizar consultas médicas.
 

 

Foto:Divulgação/Exército Brasileiro

 

As ações de treinamento de ajuda humanitária envolvem militares dos três países, além de um contingente dos Estados Unidos e observadores internacionais. A simulação conjunta que acontece até o dia 13 de novembro abarca uma série de atividades, como treinamento para resgates, suprimentos, manutenção e transporte, além de prestação de serviços de saúde.

 

Durante o exercício, o Exército estima realizar cerca de 450 a 500 atendimentos diários às populações indígenas e ribeirinhas do Brasil e dos países vizinhos, nas especialidades de clínica geral, pediatria, ginecologia e oftalmologia. Além da estrutura do hospital militar de Tabatinga, parte dos atendimentos também é feita no hospital de campanha montado na base multinacional que abriga os militares participantes do evento.

 

Para assegurar o atendimento, o casal de agricultores Maria Cauaxe de Souza, 63, e Alberto Cauaxe de Souza, 72, andou cerca de três horas para atravessar o assentamento Tacana, localizado na comunidade Bom Jesus, na zona rural de Tabatinga. “A estrada está difícil, choveu. Quando está no verão, é bonito, mas quando chove acaba”, resumiu Alberto.

 

Eles foram avisados sobre a ação no posto de saúde da comunidade. "De lá, eles mandaram a gente para cá”, disse a agricultora. “Eu sinto fraqueza no corpo, doía a minha cabeça e procurei vir ao médico para ver o que está acontecendo”, afirmou Maria.

 

De mais longe veio o jovem Frank Mendonça da Silva, 25 anos, acompanhado do pequeno Jonatan Lorenzo Mendonça Lopes, de pouco mais de 1 ano e meio. Pai e filho tiveram que atravessar de barco, durante dois dias, do pequeno município de Tonantins a Tabatinga.

 

Localizado no sudoeste do Amazonas e distante cerca de 870 km de Manaus, o pequeno município, com pouco mais de 20 mil habitantes chegou a constar, até o final de outubro, na lista de municípios atingidos pela enchente do Rio Solimões este ano. “A cidade tem até posto de saúde, mas não tem os recursos que tem por aqui. Falta médico. Daí ou a gente vem para cá ou para Manaus”, contou Frank, que há cerca de um ano está desempregado.

 

Silva relatou que o filho tem um problema na perna, adquirido após uma queda recente. “Ele está puxando a perna e a gente veio para cá para trazer no pediatra. Como tem esse evento, trouxemos ele aqui”, disse.

 

Enquanto aguardava o atendimento do clínico geral, a agricultora Maria Vanice Ferreira, 51 anos, relatou que é comum a população atravessar a fronteira em busca de atendimento na vizinha colombiana Letícia.

 

“Estou sentindo dor nos rins e, sexta-feira, deu febre alta. Eu sofro do fígado e eu não sei se é tudo isso. Aí eu vim aqui para ver como é que vai ficar, porque aqui [na Região] alguns atendimentos tem somente em Letícia, mas pagando com dinheiro”, disse Maria Vanice. “Quando a gente não tem dinheiro, não pode fazer nada, fica difícil”, acrescentou.

 

Bem-humorada, Maria Vanice relatou que também veio saber sobre a possibilidade de um atendimento para o esposo, Raimundo Ferreira, 62, anos, que sofre de diabetes e apresenta problemas na visão em decorrência da doença. “O caso dele é sério: esse AVC [acidente vascular cerebral], já deu seis vezes nele. Eu já disse que ele é igual gato: tem sete vidas”, brincou.

 

Tabatinga tem apenas uma unidade de pronto atendimento e algumas unidades básicas de saúde. A maioria dos atendimentos fica a cargo do Hospital de Guarnição do Exército. No fim de outubro, o Ministério Público do Amazonas (MPAM) começou a investigar uma denúncia de falta de oxigênio medicinal nos hospitais do município.

 

 

Uma das responsáveis por coordenar a distribuição dos atendimentos, a major do Exército Sonia Alves disse que o exercício acaba sendo uma forma de conhecer um pouco mais sobre a região. "A gente chega aqui e vê a carência que tem de profissionais, de clínicas”, disse a militar, que há dois anos serve em Manaus.

 

Pela primeira vez na região, o tenente médico do Exército Jorge Lanzelotti se surpreendeu com a receptividade da população. “Estou encantado com a riqueza natural e com a população, que nos recebe de forma bem calorosa. É gratificante para a gente estar junto à população, isso ratifica a necessidade do nosso trabalho”, disse.

 

Ao avaliar a estrutura montada para o exercício de simulação, o tenente disse que treinamentos como esse evidenciam a capacidade abrangência do serviço de saúde do Exército. "Eu sou um recurso que está lotado no Rio de Janeiro, mas que pode ser empregado em qualquer lugar, dependendo da necessidade que surgir”, afirmou.

 

AmazonLog

 

São esperados para o AmazonLog cerca de 2 mil participantes. Além dos exércitos do Brasil, da Colômbia e do Peru, o evento tem a presença de militares dos Estados Unidos. Do Brasil, participarão cerca de 1.550 militares; a Colômbia deve enviar 150; o Peru, 120 e, os Estados Unidos, 30. Outros países, como Alemanha, Rússia, Canadá, Venezuela, França, Reino Unido e Japão levarão menos de dez representantes cada. A maioria dos militares começou a chegar no último domingo (5) à cidade.

 

A atividade envolve unidades de transporte, logística, manutenção, suprimento, evacuação e engenharia. No caso de catástrofes, por exemplo, requer o planejamento logístico de deslocamento de equipamentos, suprimentos e equipes até o local da ação. Durante o treinamento, são realizadas simulações do preparo da área, do atendimento aos feridos e da evacuação do local.

 

Segundo o Exército, parte da estrutura montada para o AmazonLog17 ficará como benefício para a cidade, a exemplo da manutenção realizada na rede elétrica de parte da cidade. O local de realização do exercício de logística poderá ser posteriormente transformado em área de lazer para a população.

 

Além de capacitar militares das Forças Armadas, o evento também tem como objetivo promover uma atuação mais integrada das instituições que atuam em catástrofes naturais e acidentes, como Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, secretarias estaduais e polícias militar e civil.

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