Variedades

Empreendedorismo em mãos femininas no Amazonas

Protagonismo e influência das mulheres amazonenses vem alcançando diversas áreas dos negócios

Antonio Parente

aparente@jcam.com.br


 
 
Em uma sociedade onde o machismo ainda predomina de forma camuflada e constante, as mulheres têm sido destaque de crescimento profissional nos mais diversos setores do mundo dos negócios. Seja no comércio, na indústria ou na prestação de serviços, a presença feminina tem mostrado que o medo delas de investir em um ambiente de desafios é coisa do passado.

Prova que reflete esse fator é o resultado da pesquisa encomendada pela Global Entrepreneurship Monitor (GEM), realizada pelo Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em parceria com a London Business School. O resultado detectou que nos últimos 14 anos, a proporção de mulheres que abriu um negócio no Brasil por oportunidade passou de 38% para 69%. No Amazonas, 44% dos empreendedores são mulheres, dado que corresponde a 55.700 empresas gerenciadas por elas, segundo registros do Sebrae-AM.

Outro estudo encomendado pelo Sebrae e o Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP), mostra que nos últimos três anos e meio, o número de mulheres que empreenderam cresceu em uma taxa de 15,4%.Coincidência ou realidade? Uma história que reflete os números acima é da gestora Michele Guimarães, fundadora e consultora da empresa Fora da Caixa - Gestão para Excelência, companhia que atua há quatro anos no mercado. Com um currículo bastante extenso e de dar inveja a muitos homens, Michele coleciona em sua história uma carreira de méritos e conquistas. 
 
Foto: Divulgação / Acervo Pessoal
 
Antes de montar sua empresa em 2014, ela atuou 11 anos como executiva de marketing e vendas, e passou por multinacionais como Ambev, Johnson & Johnson e Petróleo Ipiranga, onde acumulou conhecimento, experiência e motivação que contribuíram para seu crescimento profissional e seguir na conquista do seu espaço no mundo dos negócios.

"A profissional que sou hoje foi lapidada conforme o tempo em todas as empresas por onde passei. Nelas aprendi auto responsabilidade, senso de urgência e principalmente a conviver com diferenças, sempre me adaptando aos ambientes e filosofias de cada uma. Aprendi a lidar com os fracassos também, e como executivo de marketing e venda eu tinha que dar resultados. É importante ter um olhar clínico para você mesmo e sempre tive que aprender a rever onde errei. Aprendi a ouvir feedback, tantos os elogios como as críticas. Ouvir, absorver e balancear o que era útil para o meu crescimento. Todo esse aprendizado me lapidou a ser a pessoa e profissional que sou hoje", disse.

A empresa Fora da Caixa ajuda treinar equipes de empresas de pequeno e médio empreendedor com foco em atendimento, vendas e marketing. Além disso, ajuda a planejar e desenvolver projetos, através da execução de políticas e processos operacionais. "Hoje a minha empresa está há quatro anos no mercado. É uma consultoria de gestão com excelência focada na melhoria de gestão de pequeno e médio negócio. Temos dois colaboradores, mas temos vários parceiros que atuam comigo, que oferecem consultoria financeira, fiscal e gestão de sistema, realizando todo um trabalho para que aquela empresa consiga maximizar seus resultados", explicou.

Após ser uma das escolhida entre 250 jovens líderes da América Latina, pelo então presidente, Barack Obama, para participar de um programa de imersão empresarial da Casa Branca, chamado Young Leaders of the Americas Initiative (YLAI), a empresária conta que o faturamento de sua empresa Fora da Caixa cresceu quase que 100%, além de ter uma grande valorização dentro do segmento no Estado.

"Depois da minha chegada desse intercâmbio a empresa teve um crescimento muito grande. Eu apliquei tudo o que pude aprender em gestão empresarial e trouxe essas novidades para o Amazonas. Os EUA são o número 1 em empreendedorismo e inovação", afirmou.

Michele é uma das fundadoras e ex-vice-presidente da Associação de Jovens Empresários do Amazonas (AJE-AM), entidade ligada à Confederação Nacional de Jovens Empresários (CONAJE), com 36 mil associados no país. Em 2016, teve seu trabalho em gestão estratégica reconhecido pela Assembléia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), com a comenda Ordem do Mérito por referência de liderança feminina no Estado.  
 
Foto: Divulgação / Acervo Pessoal
 
Negócio que inspira outras mulheres

Esposa, mãe e avó de dois netos, a manauara Márcia Regina Arruda, mergulhou no mundo dos negócios após ser demitida de uma empresa onde trabalhou há muitos anos. Independente e motivada, buscou no comércio uma grande oportunidade de abrir o próprio empreendimento e conquistar sua liberdade financeira. Após uma longa pesquisa, resolveu usar todo o dinheiro da sua rescisão contratual para abrir uma loja de Confecção e acessórios femininos, a Maria Chic Moda e Acessórios.

"Tudo começou há mais ou menos sete anos quando tive que ficar afastada por seis meses do trabalho. Ao retornar do tratamento fui mandada embora. Foi aí que tomei a decisão de iniciar o meu próprio negócio. No início não sabia ao certo o que ia fazer, sempre tive vontade de trabalhar com comércio, vendas, desde o tempo da escola já vendia produtos para ter uma renda extra, foi quando surgiu a ideia de vender artigos de moda", disse.

Ao longo dos meses, a empresária percebeu que poderia agregar mais produtos e começou a vender artigos para presentes e produtos de Sex Shop. Mesmo com a visão empreendedora, Márcia conta que haviam muitas barreiras do preconceito a serem quebradas até o sucesso do negócio.

"Em uma viagem que fiz, investi R$ 500 em produtos de sex shop, vendi tudo em uma semana, foi quando percebi o quanto esse mercado era promissor, comecei a estudar fornecedores, produtos e resolvi abrir outra loja somente com produtos de sex shop. A minha proposta era quebrar paradigmas para esse mercado onde ainda havia muito preconceito, foi aí que nasceu a Maria Chic Sex Shop", disse.

Há 6 anos no mercado e 18 colaboradores, a loja tornou-se referência na Zona Leste, com vendas no atacado e aarejo. O sucesso do empreendimento foi tão grande, que loja foi projeto de alguns TCCs para estudantes, e serviu de inspiração para algumas mulheres que estavam planejando em abrir o próprio empreendimento. Hoje Márcia possui duas lojas destinadas para artigos de festas e decoração e uma de sex shop.

"Levando em consideração que abri a loja em um ano de crise vejo que foi um resultado muito positivo porque consegui expandir os negócios. Comecei com a loja de artigos de roupas femininas que virou a Maria Chic Sex Shop e consegui criar mais duas lojas de artigos de festas, a Maria Festas e Decorações", afirmou.

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Empreendedorismo em mãos femininas no Amazonas

Protagonismo e influência das mulheres amazonenses vem alcançando diversas áreas dos negócios

Antonio Parente

aparente@jcam.com.br


 
 
Em uma sociedade onde o machismo ainda predomina de forma camuflada e constante, as mulheres têm sido destaque de crescimento profissional nos mais diversos setores do mundo dos negócios. Seja no comércio, na indústria ou na prestação de serviços, a presença feminina tem mostrado que o medo delas de investir em um ambiente de desafios é coisa do passado.

Prova que reflete esse fator é o resultado da pesquisa encomendada pela Global Entrepreneurship Monitor (GEM), realizada pelo Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em parceria com a London Business School. O resultado detectou que nos últimos 14 anos, a proporção de mulheres que abriu um negócio no Brasil por oportunidade passou de 38% para 69%. No Amazonas, 44% dos empreendedores são mulheres, dado que corresponde a 55.700 empresas gerenciadas por elas, segundo registros do Sebrae-AM.

Outro estudo encomendado pelo Sebrae e o Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP), mostra que nos últimos três anos e meio, o número de mulheres que empreenderam cresceu em uma taxa de 15,4%.Coincidência ou realidade? Uma história que reflete os números acima é da gestora Michele Guimarães, fundadora e consultora da empresa Fora da Caixa - Gestão para Excelência, companhia que atua há quatro anos no mercado. Com um currículo bastante extenso e de dar inveja a muitos homens, Michele coleciona em sua história uma carreira de méritos e conquistas. 
 
Foto: Divulgação / Acervo Pessoal
 
Antes de montar sua empresa em 2014, ela atuou 11 anos como executiva de marketing e vendas, e passou por multinacionais como Ambev, Johnson & Johnson e Petróleo Ipiranga, onde acumulou conhecimento, experiência e motivação que contribuíram para seu crescimento profissional e seguir na conquista do seu espaço no mundo dos negócios.

"A profissional que sou hoje foi lapidada conforme o tempo em todas as empresas por onde passei. Nelas aprendi auto responsabilidade, senso de urgência e principalmente a conviver com diferenças, sempre me adaptando aos ambientes e filosofias de cada uma. Aprendi a lidar com os fracassos também, e como executivo de marketing e venda eu tinha que dar resultados. É importante ter um olhar clínico para você mesmo e sempre tive que aprender a rever onde errei. Aprendi a ouvir feedback, tantos os elogios como as críticas. Ouvir, absorver e balancear o que era útil para o meu crescimento. Todo esse aprendizado me lapidou a ser a pessoa e profissional que sou hoje", disse.

A empresa Fora da Caixa ajuda treinar equipes de empresas de pequeno e médio empreendedor com foco em atendimento, vendas e marketing. Além disso, ajuda a planejar e desenvolver projetos, através da execução de políticas e processos operacionais. "Hoje a minha empresa está há quatro anos no mercado. É uma consultoria de gestão com excelência focada na melhoria de gestão de pequeno e médio negócio. Temos dois colaboradores, mas temos vários parceiros que atuam comigo, que oferecem consultoria financeira, fiscal e gestão de sistema, realizando todo um trabalho para que aquela empresa consiga maximizar seus resultados", explicou.

Após ser uma das escolhida entre 250 jovens líderes da América Latina, pelo então presidente, Barack Obama, para participar de um programa de imersão empresarial da Casa Branca, chamado Young Leaders of the Americas Initiative (YLAI), a empresária conta que o faturamento de sua empresa Fora da Caixa cresceu quase que 100%, além de ter uma grande valorização dentro do segmento no Estado.

"Depois da minha chegada desse intercâmbio a empresa teve um crescimento muito grande. Eu apliquei tudo o que pude aprender em gestão empresarial e trouxe essas novidades para o Amazonas. Os EUA são o número 1 em empreendedorismo e inovação", afirmou.

Michele é uma das fundadoras e ex-vice-presidente da Associação de Jovens Empresários do Amazonas (AJE-AM), entidade ligada à Confederação Nacional de Jovens Empresários (CONAJE), com 36 mil associados no país. Em 2016, teve seu trabalho em gestão estratégica reconhecido pela Assembléia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), com a comenda Ordem do Mérito por referência de liderança feminina no Estado.  
 
Foto: Divulgação / Acervo Pessoal
 
Negócio que inspira outras mulheres

Esposa, mãe e avó de dois netos, a manauara Márcia Regina Arruda, mergulhou no mundo dos negócios após ser demitida de uma empresa onde trabalhou há muitos anos. Independente e motivada, buscou no comércio uma grande oportunidade de abrir o próprio empreendimento e conquistar sua liberdade financeira. Após uma longa pesquisa, resolveu usar todo o dinheiro da sua rescisão contratual para abrir uma loja de Confecção e acessórios femininos, a Maria Chic Moda e Acessórios.

"Tudo começou há mais ou menos sete anos quando tive que ficar afastada por seis meses do trabalho. Ao retornar do tratamento fui mandada embora. Foi aí que tomei a decisão de iniciar o meu próprio negócio. No início não sabia ao certo o que ia fazer, sempre tive vontade de trabalhar com comércio, vendas, desde o tempo da escola já vendia produtos para ter uma renda extra, foi quando surgiu a ideia de vender artigos de moda", disse.

Ao longo dos meses, a empresária percebeu que poderia agregar mais produtos e começou a vender artigos para presentes e produtos de Sex Shop. Mesmo com a visão empreendedora, Márcia conta que haviam muitas barreiras do preconceito a serem quebradas até o sucesso do negócio.

"Em uma viagem que fiz, investi R$ 500 em produtos de sex shop, vendi tudo em uma semana, foi quando percebi o quanto esse mercado era promissor, comecei a estudar fornecedores, produtos e resolvi abrir outra loja somente com produtos de sex shop. A minha proposta era quebrar paradigmas para esse mercado onde ainda havia muito preconceito, foi aí que nasceu a Maria Chic Sex Shop", disse.

Há 6 anos no mercado e 18 colaboradores, a loja tornou-se referência na Zona Leste, com vendas no atacado e aarejo. O sucesso do empreendimento foi tão grande, que loja foi projeto de alguns TCCs para estudantes, e serviu de inspiração para algumas mulheres que estavam planejando em abrir o próprio empreendimento. Hoje Márcia possui duas lojas destinadas para artigos de festas e decoração e uma de sex shop.

"Levando em consideração que abri a loja em um ano de crise vejo que foi um resultado muito positivo porque consegui expandir os negócios. Comecei com a loja de artigos de roupas femininas que virou a Maria Chic Sex Shop e consegui criar mais duas lojas de artigos de festas, a Maria Festas e Decorações", afirmou.

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