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Desafios para desenvolver negócios de impacto sustentáveis na Amazônia

Vários bons negócios estão em desenvolvimento na Amazônia, mas não há estrutura potente de divulgação


O que a produção de chocolate a partir do cacau amazônico e a geração de proteína de insetos para a criação de peixes têm em comum?

Ambos são negócios de impacto em desenvolvimento na região Amazônica. Por essa razão, apesar da diversidade e das particularidades de cada um, encontram similaridades no enfrentamento de desafios para sua estruturação. E esses desafios incluem acesso a crédito, investidores, mercado, acesso a informação e ao ecossistema de negócios e finanças de impacto, divulgação de suas iniciativas, pesquisa e desenvolvimento.

Chocolate com terroir amazônico é o que produz César de Mendes, cujo nome se transformou na marca De Mendes. A partir do trabalho com a marca Amazônia Cacau, que criou em 2005, César percebeu que as pessoas tinham uma expectativa de algo mais ‘exótico’ quando pensavam em chocolate de origem amazônica. E dessa demanda inicial surgiu a De Mendes.

César se define como chocolateiro, e tem trabalhado com essa matéria prima a vida toda. Percebendo que seu nome era mais conhecido do que a antiga marca Amazônia Cacau, tratou logo de imprimi-lo à nova empresa. Químico,com diversas especializações e dois mestrados, foi professor, pesquisador e consultor de empresas na área de engenharia de alimentos. “Como consultor, a grande maioria dos meus clientes vinha de fora do Brasil, e essa expectativa de Amazônia, de encontrar algo exótico, mais alusivo à cultura amazônica. E isso era algo que não fazíamos aqui. A gente estava sempre se reportando e buscando técnicas, e até mesmo a estética, dos chocolates belga, francês, suíço, quando o turista queria mesmo experimentar um chocolate exótico, que fosse só da Amazônia. Isso foi um marco para mim. O negócio anterior estava inviável financeiramente e resolvi reinventá-lo. De 2013 para 2014, surge a De Mendes”, rememora César.

César se define como chocolateiro, e tem trabalhado com essa matéria prima a vida toda. Percebendo que seu nome era mais conhecido do que a antiga marca Amazônia Cacau, tratou logo de imprimi-lo à nova empresa. Químico,com diversas especializações e dois mestrados, foi professor, pesquisador e consultor de empresas na área de engenharia de alimentos.


 
Foto: Reprodução/Shutterstock
 

"Como consultor, a grande maioria dos meus clientes vinha de fora do Brasil, e criava essa expectativa de Amazônia, de encontrar algo exótico, mais alusivo à cultura amazônica. E isso era algo que não fazíamos aqui. A gente estava sempre se reportando e buscando técnicas, e até mesmo a estética, dos chocolates belga, francês, suíço, quando o turista queria mesmo experimentar um chocolate exótico, que fosse só da Amazônia. Isso foi um marco para mim. O negócio anterior estava inviável financeiramente e resolvi reinventá-lo. De 2013 para 2014, surge a De Mendes”, rememora César.

Hoje, apesar de ter capacidade instalada para produção de uma tonelada de chocolate por mês, a De Mendes produz uma média mensal de 300 quilos. César aponta um déficit de tecnologia no processo e diz que a demanda é maior do que a produção, e que por causa disso o custo do chocolate acaba aumentando muito.

Com dois pontos de venda – um em Belém, no chamado Polo Joalheiro, e outro em São Paulo, no Mercado de Pinheiros, em parceria com o Instituto Atá e o Instituto Socioambiental -, a chocolateria De Mendes vende a maioria da sua produção diretamente ao consumidor, na maioria das vezes antecipadamente. “A prateleira é muito fria, ela não se comunica com as pessoas. A gente não tem como contar essa história, das comunidades, das pessoas que estão envolvidas no processo e os impactos que isso pode trazer para a Amazônia. E as pessoas, na prateleira, acabam tomando a decisão de compra muito mais em função do preço do que do conteúdo e valores agregados ao produto”, avalia César.

Referência no Brasil e até fora dele quando o assunto é chocolate, César sempre trabalhou de modo artesanal e diz que o crescimento do negócio foi espontâneo, sem grande investimento. Embora tenha tentado obter empréstimo bancário, não obteve sucesso. Há poucos meses, tentou obter capital de giro, mas os juros altos não compensavam o processo. “A dificuldade de acesso a crédito é um problema. Por exemplo, a tecnologia disponível no Brasil para pequenas empresas do ramo de chocolate tem custo altíssimo. Não tenho capital para investir. As vendas antecipadas nos ajudam, mas não estamos confortáveis porque a gente realmente precisa de investimento, o que se desdobra na questão da tecnologia”.

Outro ponto destacado por ele como um desafio é a comunicação desses negócios e produtos. “Quero vender para pessoas que se identifiquem com o produto, com a Amazônia, com a causa, as comunidades tradicionais e a sociobiodiversidade que temos aqui. Isso tudo sempre tem que vir junto”.

Proteína para alimentação animal e biofertilizante

A dificuldade em ganhar escala é hoje o maior desafio da NatuProtein, que transforma resíduos de alimentos em proteína para alimentação animal, em especial para a criação de peixes, e biofertilizante com insetos amazônicos. “A ideia surgiu há quatro anos, quando tivemos contato com projetos semelhantes desenvolvidos em outros países. A cadeia produtiva se estrutura da seguinte maneira: prestamos serviços de tratamento de resíduos orgânicos para geradores. Após dez dias, esse resíduo é transformado em biomassa, larvas e fertilizantes. Essas larvas são fornecidas para alimentação de peixes, ainda em fase de estudos”, diz Nelson Poli, fundador da NatuProtein.

A técnica recebeu em 2014 o prêmio Professor Samuel Benchimol, um dos mais importantes da Amazônia, e seu processo produtivo permite também a comercialização de coprodutos de valor agregado alto, como o biofertilizante orgânico condicionador de solos, além de proporcionar a destinação adequada de resíduos orgânicos urbanos e agroindustriais, contribuindo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos. No Brasil, a proteína que compõe o mercado de ração para alimentação animal é proveniente de soja, milho ou sorgo, farinha de osso, carne ou peixe.

Os serviços de tratamento de resíduos serão oferecidos para cozinhas industriais, e as larvas para produtores de peixe, em forma de farinha ou in natura. A meta é processar uma tonelada de resíduo por mês a partir do primeiro semestre de 2019. “Nosso principal desafio é o escalonamento da produção. Para isso, estamos investindo bastante em pesquisa e desenvolvimento”, aponta Nelson.

Caminhos possíveis

Juliana Telles, do Impact Hub Manaus, descreve três desafios para o desenvolvimento dos negócios de impacto na Amazônia. O primeiro deles é ligado à questão de cultura e de proximidade e conhecimento das questões locais. “É preciso enxergar a cidade de Manaus e o Amazonas de uma forma diferente e identificar questões relevantes para serem trabalhadas por esses negócios. O movimento do empreendedorismo de impactoé novo aqui, começou a crescer de uns quatro anos para cá”.

O segundo ponto destacado por ela é a consistência de ação. Juliana avalia que, apesar de surgirem muitas iniciativas boas, há as que nascem e depois de alguns meses morrem, seja porque o empreendedor não estava preparado ou porque não fez um estudo consistente de mercado. E, com isso, as pessoas acabam desistindo de primeira ao ver que a ideia não se concretizou. Por essa razão, o Impact Hub Manaus tem buscado promover ações que incentivem a formação do empreendedor.

“Um ponto muito forte que falta aqui é conexão com stakeholders, principalmente de negócios de impacto. Saber quem são os investidores, quem são os intermediários, quem tem informação. A gente é muito distante do centro. Muito distante de São Paulo, Rio, Recife, Florianópolis, enfim, onde as coisas estão mais borbulhando. Isso sem falar em termos logísticos, porque eu estou falando aqui de uma perspectiva mais urbana. Dos empreendedores locais urbanos que pensam em questões urbanas ou em questões da floresta. Quando falamos em empreendedorismo na floresta, feito por empreendedores na floresta, entram outras questões ainda mais dificultosas, como logística, acesso a informação, a internet, a pessoas, material, então são outros desafios que estão ainda maiores”, diz ela.

Mas há caminhos para superar os desafios. E a própria Juliana sugere quatro deles:

1. Divulgação: Vários bons negócios estão em desenvolvimento na Amazônia, mas não há estrutura potente de divulgação, nem localmente, nem nacionalmente. Um caminho seria pensar estratégias de divulgação e de posicionamento para negócios que fazem diferença localmente.

2. Presença de atores nacionais e internacionais do ecossistema de negócios de impacto: Embora cada vez mais organizações e instituições de mostrem interessadas em conhecer o ecossistema de impacto na Amazônia, o relacionamento com esses atores ainda é bastante pontual, mas não há uma presença forte e constante deles na região, de modo que possam ser acessados mais facilmente e de forma mais continuada. Nesse campo se incluem intermediários e investidores.

3. Criação de uma agenda comum: Embora ações pontuais relacionadas aos negócios de impacto estejam se tornando mais frequentes na região, não há uma organização, no sentido de criar uma agenda comum para coordenar essas ações. Essa coordenação pode ajudar esse movimento a ganhar força, mantendo o assunto vivo e os atores em espaços mais permanentes de encontro.

4. Ações permanentes de incentivo: Ações como o Fórum de Investimento de Impacto e Negócios Sustentáveis da Amazônia (FIINSA), o mapeamento de negócios de impacto e o Prêmio Empreendedor PPA são importantes, e devem se tornar corriqueiras.

“O FIINSA [que acontece de 13 a 14 de novembro em Manaus] abre esse diálogo intersetorial para pessoas de diversas áreas de atuação, diversos atores do ecossistema. Conecta todos os elos da cadeia. Traz conteúdo, informação e discussão. É didático, para nivelar todos os participantes, sobe a régua para mostrar o que está acontecendo no Brasil e no mundo e traz exemplos reais. Principalmente, é importante porque é um fórum sobre a Amazônia...na Amazônia! Muito se discute sobre a Amazônia fora daqui. Porque é onde as organizações que trabalham pela floresta também estão. É um marco a gente conseguir realizar esse fórum, pensando a Amazônia, na Amazônia”, completa Juliana.

O Prêmio Empreendedor PPA será entregue durante a realização do FIINSA, destacando as melhores iniciativas dentre dezenas selecionadas por meio de uma chamada de negócios.

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Desafios para desenvolver negócios de impacto sustentáveis na Amazônia

Vários bons negócios estão em desenvolvimento na Amazônia, mas não há estrutura potente de divulgação

Redação

jornalismo@portalamazonia.com


O que a produção de chocolate a partir do cacau amazônico e a geração de proteína de insetos para a criação de peixes têm em comum?

Ambos são negócios de impacto em desenvolvimento na região Amazônica. Por essa razão, apesar da diversidade e das particularidades de cada um, encontram similaridades no enfrentamento de desafios para sua estruturação. E esses desafios incluem acesso a crédito, investidores, mercado, acesso a informação e ao ecossistema de negócios e finanças de impacto, divulgação de suas iniciativas, pesquisa e desenvolvimento.

Chocolate com terroir amazônico é o que produz César de Mendes, cujo nome se transformou na marca De Mendes. A partir do trabalho com a marca Amazônia Cacau, que criou em 2005, César percebeu que as pessoas tinham uma expectativa de algo mais ‘exótico’ quando pensavam em chocolate de origem amazônica. E dessa demanda inicial surgiu a De Mendes.

César se define como chocolateiro, e tem trabalhado com essa matéria prima a vida toda. Percebendo que seu nome era mais conhecido do que a antiga marca Amazônia Cacau, tratou logo de imprimi-lo à nova empresa. Químico,com diversas especializações e dois mestrados, foi professor, pesquisador e consultor de empresas na área de engenharia de alimentos. “Como consultor, a grande maioria dos meus clientes vinha de fora do Brasil, e essa expectativa de Amazônia, de encontrar algo exótico, mais alusivo à cultura amazônica. E isso era algo que não fazíamos aqui. A gente estava sempre se reportando e buscando técnicas, e até mesmo a estética, dos chocolates belga, francês, suíço, quando o turista queria mesmo experimentar um chocolate exótico, que fosse só da Amazônia. Isso foi um marco para mim. O negócio anterior estava inviável financeiramente e resolvi reinventá-lo. De 2013 para 2014, surge a De Mendes”, rememora César.

César se define como chocolateiro, e tem trabalhado com essa matéria prima a vida toda. Percebendo que seu nome era mais conhecido do que a antiga marca Amazônia Cacau, tratou logo de imprimi-lo à nova empresa. Químico,com diversas especializações e dois mestrados, foi professor, pesquisador e consultor de empresas na área de engenharia de alimentos.


 
Foto: Reprodução/Shutterstock
 

"Como consultor, a grande maioria dos meus clientes vinha de fora do Brasil, e criava essa expectativa de Amazônia, de encontrar algo exótico, mais alusivo à cultura amazônica. E isso era algo que não fazíamos aqui. A gente estava sempre se reportando e buscando técnicas, e até mesmo a estética, dos chocolates belga, francês, suíço, quando o turista queria mesmo experimentar um chocolate exótico, que fosse só da Amazônia. Isso foi um marco para mim. O negócio anterior estava inviável financeiramente e resolvi reinventá-lo. De 2013 para 2014, surge a De Mendes”, rememora César.

Hoje, apesar de ter capacidade instalada para produção de uma tonelada de chocolate por mês, a De Mendes produz uma média mensal de 300 quilos. César aponta um déficit de tecnologia no processo e diz que a demanda é maior do que a produção, e que por causa disso o custo do chocolate acaba aumentando muito.

Com dois pontos de venda – um em Belém, no chamado Polo Joalheiro, e outro em São Paulo, no Mercado de Pinheiros, em parceria com o Instituto Atá e o Instituto Socioambiental -, a chocolateria De Mendes vende a maioria da sua produção diretamente ao consumidor, na maioria das vezes antecipadamente. “A prateleira é muito fria, ela não se comunica com as pessoas. A gente não tem como contar essa história, das comunidades, das pessoas que estão envolvidas no processo e os impactos que isso pode trazer para a Amazônia. E as pessoas, na prateleira, acabam tomando a decisão de compra muito mais em função do preço do que do conteúdo e valores agregados ao produto”, avalia César.

Referência no Brasil e até fora dele quando o assunto é chocolate, César sempre trabalhou de modo artesanal e diz que o crescimento do negócio foi espontâneo, sem grande investimento. Embora tenha tentado obter empréstimo bancário, não obteve sucesso. Há poucos meses, tentou obter capital de giro, mas os juros altos não compensavam o processo. “A dificuldade de acesso a crédito é um problema. Por exemplo, a tecnologia disponível no Brasil para pequenas empresas do ramo de chocolate tem custo altíssimo. Não tenho capital para investir. As vendas antecipadas nos ajudam, mas não estamos confortáveis porque a gente realmente precisa de investimento, o que se desdobra na questão da tecnologia”.

Outro ponto destacado por ele como um desafio é a comunicação desses negócios e produtos. “Quero vender para pessoas que se identifiquem com o produto, com a Amazônia, com a causa, as comunidades tradicionais e a sociobiodiversidade que temos aqui. Isso tudo sempre tem que vir junto”.

Proteína para alimentação animal e biofertilizante

A dificuldade em ganhar escala é hoje o maior desafio da NatuProtein, que transforma resíduos de alimentos em proteína para alimentação animal, em especial para a criação de peixes, e biofertilizante com insetos amazônicos. “A ideia surgiu há quatro anos, quando tivemos contato com projetos semelhantes desenvolvidos em outros países. A cadeia produtiva se estrutura da seguinte maneira: prestamos serviços de tratamento de resíduos orgânicos para geradores. Após dez dias, esse resíduo é transformado em biomassa, larvas e fertilizantes. Essas larvas são fornecidas para alimentação de peixes, ainda em fase de estudos”, diz Nelson Poli, fundador da NatuProtein.

A técnica recebeu em 2014 o prêmio Professor Samuel Benchimol, um dos mais importantes da Amazônia, e seu processo produtivo permite também a comercialização de coprodutos de valor agregado alto, como o biofertilizante orgânico condicionador de solos, além de proporcionar a destinação adequada de resíduos orgânicos urbanos e agroindustriais, contribuindo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos. No Brasil, a proteína que compõe o mercado de ração para alimentação animal é proveniente de soja, milho ou sorgo, farinha de osso, carne ou peixe.

Os serviços de tratamento de resíduos serão oferecidos para cozinhas industriais, e as larvas para produtores de peixe, em forma de farinha ou in natura. A meta é processar uma tonelada de resíduo por mês a partir do primeiro semestre de 2019. “Nosso principal desafio é o escalonamento da produção. Para isso, estamos investindo bastante em pesquisa e desenvolvimento”, aponta Nelson.

Caminhos possíveis

Juliana Telles, do Impact Hub Manaus, descreve três desafios para o desenvolvimento dos negócios de impacto na Amazônia. O primeiro deles é ligado à questão de cultura e de proximidade e conhecimento das questões locais. “É preciso enxergar a cidade de Manaus e o Amazonas de uma forma diferente e identificar questões relevantes para serem trabalhadas por esses negócios. O movimento do empreendedorismo de impactoé novo aqui, começou a crescer de uns quatro anos para cá”.

O segundo ponto destacado por ela é a consistência de ação. Juliana avalia que, apesar de surgirem muitas iniciativas boas, há as que nascem e depois de alguns meses morrem, seja porque o empreendedor não estava preparado ou porque não fez um estudo consistente de mercado. E, com isso, as pessoas acabam desistindo de primeira ao ver que a ideia não se concretizou. Por essa razão, o Impact Hub Manaus tem buscado promover ações que incentivem a formação do empreendedor.

“Um ponto muito forte que falta aqui é conexão com stakeholders, principalmente de negócios de impacto. Saber quem são os investidores, quem são os intermediários, quem tem informação. A gente é muito distante do centro. Muito distante de São Paulo, Rio, Recife, Florianópolis, enfim, onde as coisas estão mais borbulhando. Isso sem falar em termos logísticos, porque eu estou falando aqui de uma perspectiva mais urbana. Dos empreendedores locais urbanos que pensam em questões urbanas ou em questões da floresta. Quando falamos em empreendedorismo na floresta, feito por empreendedores na floresta, entram outras questões ainda mais dificultosas, como logística, acesso a informação, a internet, a pessoas, material, então são outros desafios que estão ainda maiores”, diz ela.

Mas há caminhos para superar os desafios. E a própria Juliana sugere quatro deles:

1. Divulgação: Vários bons negócios estão em desenvolvimento na Amazônia, mas não há estrutura potente de divulgação, nem localmente, nem nacionalmente. Um caminho seria pensar estratégias de divulgação e de posicionamento para negócios que fazem diferença localmente.

2. Presença de atores nacionais e internacionais do ecossistema de negócios de impacto: Embora cada vez mais organizações e instituições de mostrem interessadas em conhecer o ecossistema de impacto na Amazônia, o relacionamento com esses atores ainda é bastante pontual, mas não há uma presença forte e constante deles na região, de modo que possam ser acessados mais facilmente e de forma mais continuada. Nesse campo se incluem intermediários e investidores.

3. Criação de uma agenda comum: Embora ações pontuais relacionadas aos negócios de impacto estejam se tornando mais frequentes na região, não há uma organização, no sentido de criar uma agenda comum para coordenar essas ações. Essa coordenação pode ajudar esse movimento a ganhar força, mantendo o assunto vivo e os atores em espaços mais permanentes de encontro.

4. Ações permanentes de incentivo: Ações como o Fórum de Investimento de Impacto e Negócios Sustentáveis da Amazônia (FIINSA), o mapeamento de negócios de impacto e o Prêmio Empreendedor PPA são importantes, e devem se tornar corriqueiras.

“O FIINSA [que acontece de 13 a 14 de novembro em Manaus] abre esse diálogo intersetorial para pessoas de diversas áreas de atuação, diversos atores do ecossistema. Conecta todos os elos da cadeia. Traz conteúdo, informação e discussão. É didático, para nivelar todos os participantes, sobe a régua para mostrar o que está acontecendo no Brasil e no mundo e traz exemplos reais. Principalmente, é importante porque é um fórum sobre a Amazônia...na Amazônia! Muito se discute sobre a Amazônia fora daqui. Porque é onde as organizações que trabalham pela floresta também estão. É um marco a gente conseguir realizar esse fórum, pensando a Amazônia, na Amazônia”, completa Juliana.

O Prêmio Empreendedor PPA será entregue durante a realização do FIINSA, destacando as melhores iniciativas dentre dezenas selecionadas por meio de uma chamada de negócios.

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