Arte

Artista plástico amazonense produz arte influenciada pela cerâmica Baniwá

A arte Baniwa é relevante e conhecida internacionalmente. Artista plástico Paulo Holanda revitaliza a técnica Baniwa em suas obras


 

 

 

 

Foto: Divulgação/Funai

 

A arte Baniwa é relevante e conhecida internacionalmente. Embora esse povo viva na fronteira do Brasil com a Colômbia e a Venezuela, na tríplice fronteira, estes são detentores de uma linguagem plástica, com destaque na cerâmica e em suas cestarias repletas de grafismos. Essa mistura de cores e estilos encantou o artista plástico amazonense, Paulo Holanda que foi em busca de informações sobre a etnia.

Segundo ele, o interesse começou na aula de cerâmica do curso de Artes Plásticas, na Universidade Federal do Amazonas, onde foi apresentado a diferentes tipos de grafismos indígenas em cerâmica. "Foi naquela aula que eu comecei meu interesse pela cerâmica indígena, principalmente de grupos amazônicos", afirma.

Além das cores, o que também encantou Paulo foi a mitologia por trás da cerâmica Baniwa. "A mitologia Baniwa sobre o uso da argila, destinado unicamente às mulheres, e as questões envolvendo a distribuição de tarefas unicamente femininas na tribo a partir da cerâmica me chamou bastante a atenção", afirma.

Um dos principais rituais Baniwa é o de iniciação das meninas, que ocorre logo após sua primeira menstruação. Segundo informações da organização Socioambiental, “as meninas, porém, geralmente são iniciadas individualmente, quando seus cabelos são cortados bem curtos - "como meninos" -, e não lhe são mostrados os instrumentos sagrados. Durante o período da reclusão, a moça aprende a fazer os ralos de mandioca, vários tipos de cerâmica, os instrumentos de fazer beiju além de tudo sobre como cuidar das roças e da cozinha”.

 Foto: Divulgação/Funai

Para Paulo existe uma clara relação entre os vasos e a mulher. “Os homens baniwa não podem tocar na argila da cerâmica, o máximo que podem fazer é trazer a argila através de cestos do rio até a tribo. Caso os homens toquem na argila ou na peça durante o processo de construção, segundo o mito, a peça vai se quebrar quando pronta. Isso deixa as mulheres o trabalho de não somente criar vasos, mas também de moldá-los e criar novos padrões. Elas tem aprendem com suas mães e a mãe de suas mães as artes necessárias aos vasos”, afirma o artista. 

Ainda segundo ele, depois de vários diálogos com indígenas baniwa e estudando seu universo, ele começou a produzir suas próprias peças e aderir artes típicas daquele povo a outras formas artísticas. “Meu trabalho inicialmente é de manutenção da tradição. Compartilhar isso com as pessoas e fazer com que a técnica sobreviva ao tempo. Com o tempo entretanto eu acabei utilizando os baniwa como inspiração de outras técnicas”, afirma Paulo.

Atualmente o trabalho do artista plástico faz parte do coletivo DAS MANAS, que tem como objetivo aproximar todos os tipos de artes em gerais. Paulo junto com outros membros do coletivo estão expondo no evento Café com Arte realizado pelo Centro de Artes da Universidade Federal do Amazonas (CAUA). 


Arte

Artista plástico amazonense produz arte influenciada pela cerâmica Baniwá

A arte Baniwa é relevante e conhecida internacionalmente. Artista plástico Paulo Holanda revitaliza a técnica Baniwa em suas obras

Isaac Guerreiro

isaac.guerreiro@portalamazonia.com


 

 

 

 

Foto: Divulgação/Funai

 

A arte Baniwa é relevante e conhecida internacionalmente. Embora esse povo viva na fronteira do Brasil com a Colômbia e a Venezuela, na tríplice fronteira, estes são detentores de uma linguagem plástica, com destaque na cerâmica e em suas cestarias repletas de grafismos. Essa mistura de cores e estilos encantou o artista plástico amazonense, Paulo Holanda que foi em busca de informações sobre a etnia.

Segundo ele, o interesse começou na aula de cerâmica do curso de Artes Plásticas, na Universidade Federal do Amazonas, onde foi apresentado a diferentes tipos de grafismos indígenas em cerâmica. "Foi naquela aula que eu comecei meu interesse pela cerâmica indígena, principalmente de grupos amazônicos", afirma.

Além das cores, o que também encantou Paulo foi a mitologia por trás da cerâmica Baniwa. "A mitologia Baniwa sobre o uso da argila, destinado unicamente às mulheres, e as questões envolvendo a distribuição de tarefas unicamente femininas na tribo a partir da cerâmica me chamou bastante a atenção", afirma.

Um dos principais rituais Baniwa é o de iniciação das meninas, que ocorre logo após sua primeira menstruação. Segundo informações da organização Socioambiental, “as meninas, porém, geralmente são iniciadas individualmente, quando seus cabelos são cortados bem curtos - "como meninos" -, e não lhe são mostrados os instrumentos sagrados. Durante o período da reclusão, a moça aprende a fazer os ralos de mandioca, vários tipos de cerâmica, os instrumentos de fazer beiju além de tudo sobre como cuidar das roças e da cozinha”.

 Foto: Divulgação/Funai

Para Paulo existe uma clara relação entre os vasos e a mulher. “Os homens baniwa não podem tocar na argila da cerâmica, o máximo que podem fazer é trazer a argila através de cestos do rio até a tribo. Caso os homens toquem na argila ou na peça durante o processo de construção, segundo o mito, a peça vai se quebrar quando pronta. Isso deixa as mulheres o trabalho de não somente criar vasos, mas também de moldá-los e criar novos padrões. Elas tem aprendem com suas mães e a mãe de suas mães as artes necessárias aos vasos”, afirma o artista. 

Ainda segundo ele, depois de vários diálogos com indígenas baniwa e estudando seu universo, ele começou a produzir suas próprias peças e aderir artes típicas daquele povo a outras formas artísticas. “Meu trabalho inicialmente é de manutenção da tradição. Compartilhar isso com as pessoas e fazer com que a técnica sobreviva ao tempo. Com o tempo entretanto eu acabei utilizando os baniwa como inspiração de outras técnicas”, afirma Paulo.

Atualmente o trabalho do artista plástico faz parte do coletivo DAS MANAS, que tem como objetivo aproximar todos os tipos de artes em gerais. Paulo junto com outros membros do coletivo estão expondo no evento Café com Arte realizado pelo Centro de Artes da Universidade Federal do Amazonas (CAUA). 

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