Osiris Silva

Desbravadores ignorados

Osíris Silva

osirisasilva@gmail.com


Li no site Novos Caminhos: a memória é o principal mecanismo para garantir a construção da história de uma sociedade, razão pela qual de suma importância seja preservada. É por seu intermédio que o homem constrói sua identidade e estabelece os parâmetros que irão conduzir os caminhos futuros. Diz ainda o artigo: como componente humano, a memória é intuitiva e, mesmo em sociedades primitivas, foi considerada primordial para a sobrevivência da espécie. Em síntese, “a forma de o homem garantir que os acontecimentos passados sejam objeto de informação para a sociedade futura de forma coerente e verdadeira”. É a cultura, efetivamente, como maior patrimônio de um povo, que permite pensar no significado das relações entre os seres humanos e a natureza, conhecimentos e vivências de geração para geração, perpetuando trajetória histórica e ideológica.

Ativos intangíveis, de difícil mensuração monetária, reúnem, todavia, valores que constroem países, nações, uma sociedade. Todos os valores que envolvem compartilhamento de patrimônios comuns como a língua, a religião, as artes, o trabalho, os esportes, as festas, dentre outros, que formam a ideia de identidade cultural, salienta o site. Vital para uma sociedade, por conseguinte, que “haja uma revitalização de valores perante a nova geração, que os reconheça, cultue e preserve”. Nesse sentido, e levando em conta hercúleos esforços empreendidos com parcos recursos que instituições como o IGHA, Academia Amazonense de Letras (AAL), ALCEAR, bibliotecas, pinacotecas, museus, sociedades literárias e culturais, tanto quanto o INPA ou a universidade devem, por conseguinte, ser reconhecidas, respeitadas e incentivadas.

Faço essas considerações na oportunidade em que o Instituo Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) completou, no dia 25 passado, um século, observando quão pálidas as ações da sociedade na direção da preservação de nossa memória.  Dos valores culturais e históricos de nossos ancestrais desbravadores por parte da rede escolar, da própria universidade e centros de pesquisa. Casas parlamentares (Assembleia Legislativa e Câmaras de Vereadores municipais), ONGs, clubes e sociedades culturais diversas, que, muitas vezes sobrevivem à custa de subsídios públicos; tão pródigas, em alguns casos subalternamenteem prestar homenagens a autoridades e figuras poderosas do mundo político e empresarial, na maioria das vezes apenas circunstancialmente, por puro interesse comercial, esquecem, todavia, de homenagear quem efetivamente construiu este Estado.

Nesse sentido, é deplorável, sob qualquer ângulo que se analise, a falta de respeito e de reverência a figuras emblemáticas de nossa história. Heróis anônimos como o seringueiro, o seringalista, o pescador, o índio, o madeireiro, o regatão, o sertanejo, desbravadores, cartógrafos, o juiz de paz ad hoc, o professor das escolinhas localizadas nos ermos. A nenhuma dessas figuras foi dedicada até hoje uma estátua, um busto, um memorial na capital amazonense. Vivendo em circunstâncias adversas, entregues ao nada e perdidos no tempo, deles, porém, concretamente, pouco se dão conta a despeito de haverem construído a região e, por séculos, sustentado nossa economia com bens vitais do extrativismo, da caça e da pesca oriundos da densa, impenetrável e hostil floresta.

Poder público, iniciativa privada, sociedade e entidades representativas devem, efetivamente, deferência a estes que, sem ar-condicionado, polpudas verbas de gabinete, cargos representativos, assessorias de marajás, verbas de auxílio moradia e cestas básicas equivalentes a cerca de dez vezes uma bolsa família ou floresta, anônima e solitariamente irrigaram nossa economia, mantiveram vivas as instituições e, sobretudo, defenderam, ampliaram e conservaram brasileiro o território amazônico. IGHA e AAL, ao lado da Secretaria da Cultura estadual, penso eu, têm plena consciência do que precisa ser feito para reparar tamanhas injustiças.

Manaus, 10 de abril de 2017.


Osiris Silva

Desbravadores ignorados

Osíris Silva

osirisasilva@gmail.com


Li no site Novos Caminhos: a memória é o principal mecanismo para garantir a construção da história de uma sociedade, razão pela qual de suma importância seja preservada. É por seu intermédio que o homem constrói sua identidade e estabelece os parâmetros que irão conduzir os caminhos futuros. Diz ainda o artigo: como componente humano, a memória é intuitiva e, mesmo em sociedades primitivas, foi considerada primordial para a sobrevivência da espécie. Em síntese, “a forma de o homem garantir que os acontecimentos passados sejam objeto de informação para a sociedade futura de forma coerente e verdadeira”. É a cultura, efetivamente, como maior patrimônio de um povo, que permite pensar no significado das relações entre os seres humanos e a natureza, conhecimentos e vivências de geração para geração, perpetuando trajetória histórica e ideológica.

Ativos intangíveis, de difícil mensuração monetária, reúnem, todavia, valores que constroem países, nações, uma sociedade. Todos os valores que envolvem compartilhamento de patrimônios comuns como a língua, a religião, as artes, o trabalho, os esportes, as festas, dentre outros, que formam a ideia de identidade cultural, salienta o site. Vital para uma sociedade, por conseguinte, que “haja uma revitalização de valores perante a nova geração, que os reconheça, cultue e preserve”. Nesse sentido, e levando em conta hercúleos esforços empreendidos com parcos recursos que instituições como o IGHA, Academia Amazonense de Letras (AAL), ALCEAR, bibliotecas, pinacotecas, museus, sociedades literárias e culturais, tanto quanto o INPA ou a universidade devem, por conseguinte, ser reconhecidas, respeitadas e incentivadas.

Faço essas considerações na oportunidade em que o Instituo Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) completou, no dia 25 passado, um século, observando quão pálidas as ações da sociedade na direção da preservação de nossa memória.  Dos valores culturais e históricos de nossos ancestrais desbravadores por parte da rede escolar, da própria universidade e centros de pesquisa. Casas parlamentares (Assembleia Legislativa e Câmaras de Vereadores municipais), ONGs, clubes e sociedades culturais diversas, que, muitas vezes sobrevivem à custa de subsídios públicos; tão pródigas, em alguns casos subalternamenteem prestar homenagens a autoridades e figuras poderosas do mundo político e empresarial, na maioria das vezes apenas circunstancialmente, por puro interesse comercial, esquecem, todavia, de homenagear quem efetivamente construiu este Estado.

Nesse sentido, é deplorável, sob qualquer ângulo que se analise, a falta de respeito e de reverência a figuras emblemáticas de nossa história. Heróis anônimos como o seringueiro, o seringalista, o pescador, o índio, o madeireiro, o regatão, o sertanejo, desbravadores, cartógrafos, o juiz de paz ad hoc, o professor das escolinhas localizadas nos ermos. A nenhuma dessas figuras foi dedicada até hoje uma estátua, um busto, um memorial na capital amazonense. Vivendo em circunstâncias adversas, entregues ao nada e perdidos no tempo, deles, porém, concretamente, pouco se dão conta a despeito de haverem construído a região e, por séculos, sustentado nossa economia com bens vitais do extrativismo, da caça e da pesca oriundos da densa, impenetrável e hostil floresta.

Poder público, iniciativa privada, sociedade e entidades representativas devem, efetivamente, deferência a estes que, sem ar-condicionado, polpudas verbas de gabinete, cargos representativos, assessorias de marajás, verbas de auxílio moradia e cestas básicas equivalentes a cerca de dez vezes uma bolsa família ou floresta, anônima e solitariamente irrigaram nossa economia, mantiveram vivas as instituições e, sobretudo, defenderam, ampliaram e conservaram brasileiro o território amazônico. IGHA e AAL, ao lado da Secretaria da Cultura estadual, penso eu, têm plena consciência do que precisa ser feito para reparar tamanhas injustiças.

Manaus, 10 de abril de 2017.

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