Mazé Mourão

Perdemos o ‘cara’

Mazé Mourão

mazemanaus@gmail.com


Naquela mesa de domingo está faltando ele... essas faltas, que são eternas, machucam o peito, doem na alma e deixam um vazio no coração. Quem está acostumado com a partida para o plano superior, me desculpe, mas, para mim, a ausência não tem palavra que console e nem lágrimas que sejam contidas. 

Partiu Paulo, filho de Miguel e Josefina (Neném) Nasser, irmão de Zeca, Sônia, Sofia, casado com Carmen, pai de Ana Paula e Paulo Henrique. Um dos netos do começo de tudo: Paulo e Maria Mourão. Nesse exato momento, busco palavras, olhando da minha janela um céu lusco-fusco, com “jeito de mingau de banana pacovã verde”, como dizia Fueth, meu pai, mas não consigo encontrá-las. Elas, as palavras, escorrem pelo meu rosto, em forma de lágrimas e o pensamento vai longe.  
     
Foto: Reprodução/Mazé Mourão
 

Fui bater lá na casa da Quintino Bocaiuva, quando vi o Paulo, com o tio Ayssor, fardados para a Parada de Sete de Setembro. Pareciam príncipes árabes. E foi a primeira vez que ouvi o nome: polainas. Eles estavam usando. Essa imagem nunca mais saiu do meu pensamento. 

Ele, o cara, era tímido e, mesmo depois de ter ensaiado a minha valsa de 15 anos, passou o bastão para o irmão, que me conduziu, muito bem, tanto quanto se o primo tivesse comparecido aos festejos da espevitada aniversariante.

Tempos depois, vinha com o meu então marido – casei cedo, como era costume em Manaus – pela Rua Rui Barbosa e encontro Paulo e Carmen, eles recém-casados e ela, a doutora, aportando na ‘Mourãozada’. Sempre econômico nas palavras, mas que eram certeiras e sem rodeios, porém carregadas de amor e emoção, apresentou: minha esposa Carmen. Qualquer coisa, nos chamem. Estava dada a dica. Sem rapapés e nem salamaleques. 

E essa sua maneira direta, repito: carregada de carinho e amor, o acompanhou por toda a vida. Sempre que eu chegava na tia Genó, para almoços dominicais, Paulo, já à mesa jogando canastra com tio José, Humberto, mais recente, um dos filhos da Ana ou do Paulo José, me olhava e dizia: “Tudo bem, cara?”. E aí eu podia ter certeza que incluía tudo. Trabalho, vida pessoal, filhos, neta. Às vezes, antes de sair, no término do almoço (em época de política), dava uma deixa: “O que você acha desses caras?”. Eu amava! Via que, para ele, a minha opinião valia, de verdade.

E eis que, há quatro semanas, recebo um whats da prima Sônia: “Mana, o PN quer a receita do miojo”. Eu replico: “Jura que ele me viu fazendo a tal iguaria nas minhas redes?”. A tréplica da Sônia: “Ele te segue e te assiste, mana!”. Rapá, ganhei, na hora, o ‘Master Chef’, o ‘Jogo de Panelas’, seja lá que concurso exista de gastronomia. “Me senti” a própria vencedora desses certames das televisões. 

Disciplinada, coloquei no papel, exatamente como havia preparado o frugal macarrão. Era como se eu estivesse fazendo uma prova para o doutor Paulo Nasser avaliar. Soube, pela prima, que ele leu, mas não teve tempo de executar a receita. 

Explico, agora, o título deste escrito. Quando cheguei, na última sexta-feira (23), para despedidas finais, o Zeca me abraçou dizendo: “Perdemos o cara”. Eu pensei: “Deve estar executando a receita lá no céu para a ‘Mourãozada’ que o recebeu em grande festa!”. RIP Paulo Nasser. E para os Mourão (somos altamente curiosos), segue receita que receberá o título, a partir de agora de ‘Miojo para Paulo Nasser’.    

Miojo para Paulo Nasser

Ingredientes:

2 – pacotes de miojo – Jogar no lixo (por favor!) os pacotinhos saborizados que vêm dentro da embalagem;
2 – colheres de manteiga ou margarina em temperatura ambiente;
100 ml – creme de leite (Nestlé leve);
1 – copo médio de leite (uso o Ninho Integral);
½ - pacote de alho desidratado;
1 – vidro pequeno de cogumelos já fatiados – reservar meia xícara de café de água que conserva os cogumelos;
4 – ovos;
Azeite e óleo a gosto;
Queijo ralado a gosto.

Modo de preparo:

Cozinhe o miojo como manda as figurinhas da embalagem. São três minutos, apenas. Escorra e acrescente uma colher de manteiga, mexendo com delicadeza para que todos os fios sejam envolvidos pela manteiga ou margarina. Reserve.

Molho:

Aqueça a panela de teflon – para não grudar – por três minutos. Na sequência, unte com um fio de azeite e outro de óleo (a gosto). Aquecidos, coloque os cogumelos para dar uma turbinada e cozinhar. Quando começar a aloirar, deite o ½ pacote de alho desidratado (a gosto) e deixe levantar o aroma que vai invadir a sua cozinha e o seu paladar.

Quebre, na beira da panela, ou com uma colher, os quatro ovos e inicie um mexido. Antes que resseque, coloque o copo de leite, meio que dosando para não aguar. Levantando a fervura, acrescente o creme de leite. Sempre mexendo.

Nessa hora, deite o miojo, na caminha previamente preparada no fundo da panela, envolva delicadamente com o molho, acrescente a segunda colher de manteiga, uma xícara de café com a água dos cogumelos. Deixe todos os ingredientes se acomodarem e, no meio dessa fervura, desligue o fogo.

Preparar o prato:

Pegue um pirex ou uma louça bonita, arrume, com uma pá de pegar macarrão, o miojo, nebline o queijo ralado (ou faça chover – vai do gosto). Tire uma foto. Me envia e pode comer à vontade

Obs: Não acrescento sal. Até porque o cogumelo, a água do cogumelo e o queijo parmesão e já têm sal. Bom apetite!

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Perdemos o ‘cara’

Mazé Mourão

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Naquela mesa de domingo está faltando ele... essas faltas, que são eternas, machucam o peito, doem na alma e deixam um vazio no coração. Quem está acostumado com a partida para o plano superior, me desculpe, mas, para mim, a ausência não tem palavra que console e nem lágrimas que sejam contidas. 

Partiu Paulo, filho de Miguel e Josefina (Neném) Nasser, irmão de Zeca, Sônia, Sofia, casado com Carmen, pai de Ana Paula e Paulo Henrique. Um dos netos do começo de tudo: Paulo e Maria Mourão. Nesse exato momento, busco palavras, olhando da minha janela um céu lusco-fusco, com “jeito de mingau de banana pacovã verde”, como dizia Fueth, meu pai, mas não consigo encontrá-las. Elas, as palavras, escorrem pelo meu rosto, em forma de lágrimas e o pensamento vai longe.  
     
Foto: Reprodução/Mazé Mourão
 

Fui bater lá na casa da Quintino Bocaiuva, quando vi o Paulo, com o tio Ayssor, fardados para a Parada de Sete de Setembro. Pareciam príncipes árabes. E foi a primeira vez que ouvi o nome: polainas. Eles estavam usando. Essa imagem nunca mais saiu do meu pensamento. 

Ele, o cara, era tímido e, mesmo depois de ter ensaiado a minha valsa de 15 anos, passou o bastão para o irmão, que me conduziu, muito bem, tanto quanto se o primo tivesse comparecido aos festejos da espevitada aniversariante.

Tempos depois, vinha com o meu então marido – casei cedo, como era costume em Manaus – pela Rua Rui Barbosa e encontro Paulo e Carmen, eles recém-casados e ela, a doutora, aportando na ‘Mourãozada’. Sempre econômico nas palavras, mas que eram certeiras e sem rodeios, porém carregadas de amor e emoção, apresentou: minha esposa Carmen. Qualquer coisa, nos chamem. Estava dada a dica. Sem rapapés e nem salamaleques. 

E essa sua maneira direta, repito: carregada de carinho e amor, o acompanhou por toda a vida. Sempre que eu chegava na tia Genó, para almoços dominicais, Paulo, já à mesa jogando canastra com tio José, Humberto, mais recente, um dos filhos da Ana ou do Paulo José, me olhava e dizia: “Tudo bem, cara?”. E aí eu podia ter certeza que incluía tudo. Trabalho, vida pessoal, filhos, neta. Às vezes, antes de sair, no término do almoço (em época de política), dava uma deixa: “O que você acha desses caras?”. Eu amava! Via que, para ele, a minha opinião valia, de verdade.

E eis que, há quatro semanas, recebo um whats da prima Sônia: “Mana, o PN quer a receita do miojo”. Eu replico: “Jura que ele me viu fazendo a tal iguaria nas minhas redes?”. A tréplica da Sônia: “Ele te segue e te assiste, mana!”. Rapá, ganhei, na hora, o ‘Master Chef’, o ‘Jogo de Panelas’, seja lá que concurso exista de gastronomia. “Me senti” a própria vencedora desses certames das televisões. 

Disciplinada, coloquei no papel, exatamente como havia preparado o frugal macarrão. Era como se eu estivesse fazendo uma prova para o doutor Paulo Nasser avaliar. Soube, pela prima, que ele leu, mas não teve tempo de executar a receita. 

Explico, agora, o título deste escrito. Quando cheguei, na última sexta-feira (23), para despedidas finais, o Zeca me abraçou dizendo: “Perdemos o cara”. Eu pensei: “Deve estar executando a receita lá no céu para a ‘Mourãozada’ que o recebeu em grande festa!”. RIP Paulo Nasser. E para os Mourão (somos altamente curiosos), segue receita que receberá o título, a partir de agora de ‘Miojo para Paulo Nasser’.    

Miojo para Paulo Nasser

Ingredientes:

2 – pacotes de miojo – Jogar no lixo (por favor!) os pacotinhos saborizados que vêm dentro da embalagem;
2 – colheres de manteiga ou margarina em temperatura ambiente;
100 ml – creme de leite (Nestlé leve);
1 – copo médio de leite (uso o Ninho Integral);
½ - pacote de alho desidratado;
1 – vidro pequeno de cogumelos já fatiados – reservar meia xícara de café de água que conserva os cogumelos;
4 – ovos;
Azeite e óleo a gosto;
Queijo ralado a gosto.

Modo de preparo:

Cozinhe o miojo como manda as figurinhas da embalagem. São três minutos, apenas. Escorra e acrescente uma colher de manteiga, mexendo com delicadeza para que todos os fios sejam envolvidos pela manteiga ou margarina. Reserve.

Molho:

Aqueça a panela de teflon – para não grudar – por três minutos. Na sequência, unte com um fio de azeite e outro de óleo (a gosto). Aquecidos, coloque os cogumelos para dar uma turbinada e cozinhar. Quando começar a aloirar, deite o ½ pacote de alho desidratado (a gosto) e deixe levantar o aroma que vai invadir a sua cozinha e o seu paladar.

Quebre, na beira da panela, ou com uma colher, os quatro ovos e inicie um mexido. Antes que resseque, coloque o copo de leite, meio que dosando para não aguar. Levantando a fervura, acrescente o creme de leite. Sempre mexendo.

Nessa hora, deite o miojo, na caminha previamente preparada no fundo da panela, envolva delicadamente com o molho, acrescente a segunda colher de manteiga, uma xícara de café com a água dos cogumelos. Deixe todos os ingredientes se acomodarem e, no meio dessa fervura, desligue o fogo.

Preparar o prato:

Pegue um pirex ou uma louça bonita, arrume, com uma pá de pegar macarrão, o miojo, nebline o queijo ralado (ou faça chover – vai do gosto). Tire uma foto. Me envia e pode comer à vontade

Obs: Não acrescento sal. Até porque o cogumelo, a água do cogumelo e o queijo parmesão e já têm sal. Bom apetite!

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