Mazé Mourão

Muito além de um certo Oriente

A apresentadora Mazé Mourão entrevista o escritor Milton Hatoum

mazemanaus@gmail.com

jornalismo@portalamazonia.com


Falar de Milton Hatoum, é recordar a adolescência, a sua casa equilibrada em pilotis onde era possível ver, no que seria um pátio habitável, embaixo daquela residência, jovens disputando o jogo de ping-pong em uma mesa de tampo verde como um belo gramado.

As coisas mudaram, as pessoas se mudaram e Manaus virou algo que podemos chamar de Metrópole.  Então, nós, os amazonenses, começamos a ouvir falar do escritor Milton Hatoum. Depois, o seu romance ganhou o Prêmio Jabuti. Logo depois, mais um, em seguida, o terceiro Jabuti.


E, agora, com o seu primeiro romance de uma trilogia, o Milton, que morava na Getúlio Vargas, numa bela casa equilibrada sobre pilotis, ganha o Troféu Juca Pato e é indicado para o Prêmio São Paulo de Literatura.  Pronto. Era hora da entrevista. Suas respostas são muito além do Oriente, mas ainda enraizadas na Manaus da adolescência. Aprecie.


 
Foto: Divulgação
 

MM. O Prêmio Juca Pato veio com o primeiro romance ‘A Noite da Espera’, da trilogia: ‘O lugar mais sombrio’. Porém, qual o grande prêmio do escritor?

MH. Na verdade, quando um autor ou uma autora ganha um prêmio importante, os leitores é que são premiados. Sem os leitores, principalmente os de qualidade, não há literatura. Um bom livro depende da recepção crítica e do público leitor.

MM. Depois de três Prêmios Jabuti e outros mais, sendo traduzido mundo afora, consagrado no seu País, o que lhe inquieta para não parar de escrever?

MH. A vida. Toda literatura depende de uma experiência profunda, de um acúmulo dessa experiência, que inclui também a leitura de clássicos e de contemporâneos. Um escritor não pode viver no conformismo, ele ou ela é movido por inquietações, obsessões, sonhos. Não se sentir confortável é a chave para escrever. Por isso a gente inventa mundos paralelos, com personagens em conflito. Esse mundo ficcional é construído por uma linguagem particular. A linguagem, e não a trama, é o mais decisivo numa obra literária.

MM. As famílias de Manaus dos séculos 19 e 20, rendem muitas histórias, contos e crônicas. As do século 21, mudaram? (Sei que vc está distante, mas dever saber como está a Manaus contemporânea).

MH. Manaus não é mais uma província. É a maior metrópole da Amazônia, com inúmeros problemas sociais, urbanos, que todos conhecem. Houve também uma mudança na constituição da sociedade, agora formada por dezenas de milhares de brasileiros de outras cidades e regiões. É uma cidade totalmente diferente da Manaus da minha infância e primeira juventude. E, em vários aspectos, irreconhecível. Até a década de 1960, a cidade se harmonizava com a natureza. Era mais humana. Faltou planejamento em tudo, o crescimento foi acelerado e caótico. 

MM. Depois da trilogia, já está pensando no que vai escrever?

MH. Gostaria de terminar um livro de contos e outro de ensaios sobre escritores brasileiros.

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A apresentadora Mazé Mourão entrevista o escritor Milton Hatoum

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Falar de Milton Hatoum, é recordar a adolescência, a sua casa equilibrada em pilotis onde era possível ver, no que seria um pátio habitável, embaixo daquela residência, jovens disputando o jogo de ping-pong em uma mesa de tampo verde como um belo gramado.

As coisas mudaram, as pessoas se mudaram e Manaus virou algo que podemos chamar de Metrópole.  Então, nós, os amazonenses, começamos a ouvir falar do escritor Milton Hatoum. Depois, o seu romance ganhou o Prêmio Jabuti. Logo depois, mais um, em seguida, o terceiro Jabuti.


E, agora, com o seu primeiro romance de uma trilogia, o Milton, que morava na Getúlio Vargas, numa bela casa equilibrada sobre pilotis, ganha o Troféu Juca Pato e é indicado para o Prêmio São Paulo de Literatura.  Pronto. Era hora da entrevista. Suas respostas são muito além do Oriente, mas ainda enraizadas na Manaus da adolescência. Aprecie.


 
Foto: Divulgação
 

MM. O Prêmio Juca Pato veio com o primeiro romance ‘A Noite da Espera’, da trilogia: ‘O lugar mais sombrio’. Porém, qual o grande prêmio do escritor?

MH. Na verdade, quando um autor ou uma autora ganha um prêmio importante, os leitores é que são premiados. Sem os leitores, principalmente os de qualidade, não há literatura. Um bom livro depende da recepção crítica e do público leitor.

MM. Depois de três Prêmios Jabuti e outros mais, sendo traduzido mundo afora, consagrado no seu País, o que lhe inquieta para não parar de escrever?

MH. A vida. Toda literatura depende de uma experiência profunda, de um acúmulo dessa experiência, que inclui também a leitura de clássicos e de contemporâneos. Um escritor não pode viver no conformismo, ele ou ela é movido por inquietações, obsessões, sonhos. Não se sentir confortável é a chave para escrever. Por isso a gente inventa mundos paralelos, com personagens em conflito. Esse mundo ficcional é construído por uma linguagem particular. A linguagem, e não a trama, é o mais decisivo numa obra literária.

MM. As famílias de Manaus dos séculos 19 e 20, rendem muitas histórias, contos e crônicas. As do século 21, mudaram? (Sei que vc está distante, mas dever saber como está a Manaus contemporânea).

MH. Manaus não é mais uma província. É a maior metrópole da Amazônia, com inúmeros problemas sociais, urbanos, que todos conhecem. Houve também uma mudança na constituição da sociedade, agora formada por dezenas de milhares de brasileiros de outras cidades e regiões. É uma cidade totalmente diferente da Manaus da minha infância e primeira juventude. E, em vários aspectos, irreconhecível. Até a década de 1960, a cidade se harmonizava com a natureza. Era mais humana. Faltou planejamento em tudo, o crescimento foi acelerado e caótico. 

MM. Depois da trilogia, já está pensando no que vai escrever?

MH. Gostaria de terminar um livro de contos e outro de ensaios sobre escritores brasileiros.

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