Mazé Mourão

Copa de 70

Mazé Mourão

mazemanaus@gmail.com


   
Foto:Reprodução
  Achei graça, de canto de boca, quando vi, na televisão, o repórter apresentar uma pessoa que tinha ido para a Copa do Mundo de 1970, no México. Claro que, na hora, estiquei o pescoço, dei uma espiadela na figura apresentada e as lembranças correram rapidamente para aquele ano, mês, dia em que o Brasil foi campeão e para as comemorações aqui, em Manaus.

Sim, eu era ainda adolescente, 17 anos, mas, como todas as meninas da minha época, casaria daí a 13 dias. Porém, sempre fui avançadinha e, na boleia de uma moto Honda 125, acompanhei o cortejo que festejava a vitória de nós, os brasileiros. É assim que a gente, ou que eu me sentia, bem vitoriosa. Brasil ganhou a Copa, eu ia casar, festa na Boate dos Ingleses – a mais famosa e moderna da cidade. Queria mais o quê?

Foi a primeira vez que me vesti de verde e amarelo – estava envolta em uma bandeira do Brasil, tá pro teu baque? Agora, vem a melhor parte e hoje, vejo quanta irresponsabilidade juvenil. O bando de motocicletas, em grande alarido, subiu a Avenida Sete de Setembro – entre a Praça da Polícia e o Canto do Quintela - na contramão. Vale salientar três coisas: era domingo, os moradores sabiam quantos carros e taxis existiam em Manaus e o número do telefone que, à época, era fixo. Nem se pensava em celular.

Contudo, quando entrei esbaforida no Colégio São Francisco de Assis, em frente a Foto Nascimento, onde residíamos, a dona Leonor, minha mãe, já sabia de tudo! O nosso número 1307 (santa inocência, os telefones tinham apenas quatro números), não parou de tocar, falando da filha mais nova do professor Mourão, em vias de se tornar uma senhora casada, “estava fazendo estripulias pelas ruas de Manaus”. Não precisa recorrer ao Google, eu traduzo: bagunça, travessura, desordem. Ah, quero aqui salientar que naquele tempo eu não tinha o hábito de consumir bebida alcoólica. Cara, corpo e mente sãos.

Ou seja, leitor ou leitora assídua, a televisão não sabe, mas eu comemorei a Copa de 70 e boto fé na de 2018.  Mesmo com o Neymar Jr. com aquele cabelo estilo macarrão instantâneo e achando que isso ganha jogo. Até.

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  Achei graça, de canto de boca, quando vi, na televisão, o repórter apresentar uma pessoa que tinha ido para a Copa do Mundo de 1970, no México. Claro que, na hora, estiquei o pescoço, dei uma espiadela na figura apresentada e as lembranças correram rapidamente para aquele ano, mês, dia em que o Brasil foi campeão e para as comemorações aqui, em Manaus.

Sim, eu era ainda adolescente, 17 anos, mas, como todas as meninas da minha época, casaria daí a 13 dias. Porém, sempre fui avançadinha e, na boleia de uma moto Honda 125, acompanhei o cortejo que festejava a vitória de nós, os brasileiros. É assim que a gente, ou que eu me sentia, bem vitoriosa. Brasil ganhou a Copa, eu ia casar, festa na Boate dos Ingleses – a mais famosa e moderna da cidade. Queria mais o quê?

Foi a primeira vez que me vesti de verde e amarelo – estava envolta em uma bandeira do Brasil, tá pro teu baque? Agora, vem a melhor parte e hoje, vejo quanta irresponsabilidade juvenil. O bando de motocicletas, em grande alarido, subiu a Avenida Sete de Setembro – entre a Praça da Polícia e o Canto do Quintela - na contramão. Vale salientar três coisas: era domingo, os moradores sabiam quantos carros e taxis existiam em Manaus e o número do telefone que, à época, era fixo. Nem se pensava em celular.

Contudo, quando entrei esbaforida no Colégio São Francisco de Assis, em frente a Foto Nascimento, onde residíamos, a dona Leonor, minha mãe, já sabia de tudo! O nosso número 1307 (santa inocência, os telefones tinham apenas quatro números), não parou de tocar, falando da filha mais nova do professor Mourão, em vias de se tornar uma senhora casada, “estava fazendo estripulias pelas ruas de Manaus”. Não precisa recorrer ao Google, eu traduzo: bagunça, travessura, desordem. Ah, quero aqui salientar que naquele tempo eu não tinha o hábito de consumir bebida alcoólica. Cara, corpo e mente sãos.

Ou seja, leitor ou leitora assídua, a televisão não sabe, mas eu comemorei a Copa de 70 e boto fé na de 2018.  Mesmo com o Neymar Jr. com aquele cabelo estilo macarrão instantâneo e achando que isso ganha jogo. Até.

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