Mazé Mourão

1 de janeiro de 2018

Mazé Mourão

mazemanaus@gmail.com


Foto:Reprodução/Instagram-Maze Mourão
 
Passei e estou passando por várias gerações nesta minha vida. Estou vivendo a terceira geração, enquanto mulher, digamos assim. A primeira foi com a minha família. A dona Leonor, minha mãe, ela era ‘avant-garde’, mas quando se tratava de falar à mesa, era proibido. Os cinco filhos do professor Mourão baixavam a cabeça e quem falava eram os mais velhos.

Sair com eles, só para aniversários de criança, de família ou dos filhos dos amigos. Maquiagem era o rouge, pó compacto, lápis de sobrancelha. Meninas de oito, nove, dez anos, nem pensar! Lembro da primeira vendedora ‘Avon, Chama’... a Terezinha. Eu decorava cada página do catálogo. Usar, mesmo, só o perfume Toque de Amor, com parcimônia para não acabar logo.

Depois, veio o meu casamento. Sim, casei com 17 anos, sem nenhum sentimento de culpa, nem da família e nem do noivo. Éramos todos jovens. Meio que mesclamos a educação ‘fuethiana’ com a meio liberdade concedida por dona Leonor. Fomos levar até a porta e buscar em todos os 15 anos que os meninos eram convidados. Era possível ver a Alessandra, toda vestida com as minhas roupas, colares, saltos e maquiagem brincando com as suas bonecas. Mas, em festa de gente grande, eles não iam, não frequentavam os nossos eventos em casa, tinham hora para dormir e, na maioria das vezes, não podiam contestar as decisões tomadas por nós, seus pais. Mas nunca foram rebeldes sem causa, ainda bem.

Agora, estou na geração Manuela. São várias ‘Manuelas’ que povoam o mundo. Elas têm nove, dez, 11 anos e sabem de tudo. A minha Manauela, hoje, por exemplo, escolheu o vestido, sapato, lingerie, maquiagem e cabelos que eu deveria usar para impressionar o meu ‘date’.  Sabia a cor ideal do batom, o nível da base, como usar o corretivo para tirar olheiras. Mas tudo com muita leveza, como se ela estivesse conversando com uma das suas colegas. As suas contestações, com a mãe e o Preto (como ela chama o padrasto), são pertinentes e com fundamentos irretocáveis.

Fico horas com ela trocando ensinamentos de apps de celular, como usar as palavras nas redes sociais. Coloca para sortear as bolsas, roupas e afins, tudo com a finalidade de aumentar os meus de seguidores. Comprar, jamais! A verdade que passei e estou passando por três gerações, vivi e fui feliz com as duas primeiras, nunca tive síndrome de rejeição e nem fiquei emburrada pelos cantos. Mas essa atual geração, das ‘Manuelas’, é maravilhosa! São livres, desencanadas, felizes, resolvidas. Me renovo meses, anos, adoro. Até!

Mazé Mourão

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1 de janeiro de 2018

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mazemanaus@gmail.com


Foto:Reprodução/Instagram-Maze Mourão
 
Passei e estou passando por várias gerações nesta minha vida. Estou vivendo a terceira geração, enquanto mulher, digamos assim. A primeira foi com a minha família. A dona Leonor, minha mãe, ela era ‘avant-garde’, mas quando se tratava de falar à mesa, era proibido. Os cinco filhos do professor Mourão baixavam a cabeça e quem falava eram os mais velhos.

Sair com eles, só para aniversários de criança, de família ou dos filhos dos amigos. Maquiagem era o rouge, pó compacto, lápis de sobrancelha. Meninas de oito, nove, dez anos, nem pensar! Lembro da primeira vendedora ‘Avon, Chama’... a Terezinha. Eu decorava cada página do catálogo. Usar, mesmo, só o perfume Toque de Amor, com parcimônia para não acabar logo.

Depois, veio o meu casamento. Sim, casei com 17 anos, sem nenhum sentimento de culpa, nem da família e nem do noivo. Éramos todos jovens. Meio que mesclamos a educação ‘fuethiana’ com a meio liberdade concedida por dona Leonor. Fomos levar até a porta e buscar em todos os 15 anos que os meninos eram convidados. Era possível ver a Alessandra, toda vestida com as minhas roupas, colares, saltos e maquiagem brincando com as suas bonecas. Mas, em festa de gente grande, eles não iam, não frequentavam os nossos eventos em casa, tinham hora para dormir e, na maioria das vezes, não podiam contestar as decisões tomadas por nós, seus pais. Mas nunca foram rebeldes sem causa, ainda bem.

Agora, estou na geração Manuela. São várias ‘Manuelas’ que povoam o mundo. Elas têm nove, dez, 11 anos e sabem de tudo. A minha Manauela, hoje, por exemplo, escolheu o vestido, sapato, lingerie, maquiagem e cabelos que eu deveria usar para impressionar o meu ‘date’.  Sabia a cor ideal do batom, o nível da base, como usar o corretivo para tirar olheiras. Mas tudo com muita leveza, como se ela estivesse conversando com uma das suas colegas. As suas contestações, com a mãe e o Preto (como ela chama o padrasto), são pertinentes e com fundamentos irretocáveis.

Fico horas com ela trocando ensinamentos de apps de celular, como usar as palavras nas redes sociais. Coloca para sortear as bolsas, roupas e afins, tudo com a finalidade de aumentar os meus de seguidores. Comprar, jamais! A verdade que passei e estou passando por três gerações, vivi e fui feliz com as duas primeiras, nunca tive síndrome de rejeição e nem fiquei emburrada pelos cantos. Mas essa atual geração, das ‘Manuelas’, é maravilhosa! São livres, desencanadas, felizes, resolvidas. Me renovo meses, anos, adoro. Até!

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