Flávio Lauria

Roubo e Violência


Hoje vou abordar um tema que nos deparamos a cada dia mais presente e mais vivo em nossa sociedade: os roubos e a violência. Tomo como exemplo eu mesmo, que fui vitima dentro de um dos supermercados de Manaus, considerado o mais elitizado e talvez por isso o mais caro. No caixa para efetuar o pagamento, ao abrir a carteira deixei cair sem ver uma quantia considerável que tinha acabado de sacar do Banco, sendo visto pela caixa que uma senhora logo atrás sem me alertar, juntou simplesmente as notas e saiu por outro lugar.


Não posso culpar a caixa até porque ela não cometeu nenhum crime, nem de omissão, pois quando sai rapidamente e voltei logo em seguida ela me disse o que aconteceu. 
 

 

Foto: Shutterstock/Reprodução

 


Esse furto é fruto do desenvolvimento de uma sociedade egoísta e egocêntrica, em que é melhor tirar vantagens e usufruir essas vantagens, na teoria de que o ter é muito mais interessante que o ser e aí temos os ingredientes básicos para o início da violência. Quero crer que devamos nos debruçar sobre o que torna um indivíduo mais agressivo do que já o é pela condição humana que tem. 

O homem, a despeito da faculdade de usar a razão, é um ser extremamente agressivo: é o único ser vivo capaz de matar um semelhante sem que para isto esteja em perigo ou com fome. Mais: as oportunidades de crescimento cultural são sempre restritas a pequenas elites. A mídia e alguns políticos dão a ideia de que todos têm direito às facilidades que só são acessíveis àqueles que podem pagar por elas, esquecendo que é necessário que saibamos que somente o esforço nos permite a aquisição dos bens de consumo. Mais ainda: que na verdade poderemos ter uma vida digna mesmo sem alguns desses bens de consumo.

Ora, as mentes perversas de indivíduos que se consideram espertos a ponto de entender que obter vantagens sem esforço é muito mais importante que a dignidade da luta por metas faz com que o respeito pelo que outros conseguiram com muito trabalho seja reduzido a pó e, por isso, permitem-se o direito de surrupiá-los. Fora aqueles que, por uma suposta boa causa política, invadem, explodem, roubam e matam: não há causa justa amparada por atos injustos. Ou somos humanos o suficiente para fazer valer nossas opiniões pelo debate aberto que permita o contra-argumento ou não merecemos a condição tão alardeada de seres racionais.

O estudo da violência exige um debate profundo e qualificado, eis que se trata de um fenômeno complexo. Em primeiro lugar, por abranger desde um simples furto praticado por um indivíduo contra outro, até o mais sanguinário atentado terrorista, não diferenciando classe social, raça, credo ou cor. 

Em segundo lugar, por não ter sua origem única em questões sociais, políticas ou econômicas separadamente, mas no conjunto delas, impõe-se uma análise nessas diversas áreas de conhecimento, sendo que aquele que restringir seu campo de estudo a apenas uma dessas nascentes por certo estará fadado a muito pouco fazer para a solução do problema. A cada cidadão compete, inicialmente, compreender o tema a que estamos nos referindo, retirando-se do obscurantismo causado pela ignorância e pela alienação.


Flávio Lauria

Roubo e Violência

Flávio Lauria

lauriaferreira@hotmail.com


Hoje vou abordar um tema que nos deparamos a cada dia mais presente e mais vivo em nossa sociedade: os roubos e a violência. Tomo como exemplo eu mesmo, que fui vitima dentro de um dos supermercados de Manaus, considerado o mais elitizado e talvez por isso o mais caro. No caixa para efetuar o pagamento, ao abrir a carteira deixei cair sem ver uma quantia considerável que tinha acabado de sacar do Banco, sendo visto pela caixa que uma senhora logo atrás sem me alertar, juntou simplesmente as notas e saiu por outro lugar.


Não posso culpar a caixa até porque ela não cometeu nenhum crime, nem de omissão, pois quando sai rapidamente e voltei logo em seguida ela me disse o que aconteceu. 
 

 

Foto: Shutterstock/Reprodução

 


Esse furto é fruto do desenvolvimento de uma sociedade egoísta e egocêntrica, em que é melhor tirar vantagens e usufruir essas vantagens, na teoria de que o ter é muito mais interessante que o ser e aí temos os ingredientes básicos para o início da violência. Quero crer que devamos nos debruçar sobre o que torna um indivíduo mais agressivo do que já o é pela condição humana que tem. 

O homem, a despeito da faculdade de usar a razão, é um ser extremamente agressivo: é o único ser vivo capaz de matar um semelhante sem que para isto esteja em perigo ou com fome. Mais: as oportunidades de crescimento cultural são sempre restritas a pequenas elites. A mídia e alguns políticos dão a ideia de que todos têm direito às facilidades que só são acessíveis àqueles que podem pagar por elas, esquecendo que é necessário que saibamos que somente o esforço nos permite a aquisição dos bens de consumo. Mais ainda: que na verdade poderemos ter uma vida digna mesmo sem alguns desses bens de consumo.

Ora, as mentes perversas de indivíduos que se consideram espertos a ponto de entender que obter vantagens sem esforço é muito mais importante que a dignidade da luta por metas faz com que o respeito pelo que outros conseguiram com muito trabalho seja reduzido a pó e, por isso, permitem-se o direito de surrupiá-los. Fora aqueles que, por uma suposta boa causa política, invadem, explodem, roubam e matam: não há causa justa amparada por atos injustos. Ou somos humanos o suficiente para fazer valer nossas opiniões pelo debate aberto que permita o contra-argumento ou não merecemos a condição tão alardeada de seres racionais.

O estudo da violência exige um debate profundo e qualificado, eis que se trata de um fenômeno complexo. Em primeiro lugar, por abranger desde um simples furto praticado por um indivíduo contra outro, até o mais sanguinário atentado terrorista, não diferenciando classe social, raça, credo ou cor. 

Em segundo lugar, por não ter sua origem única em questões sociais, políticas ou econômicas separadamente, mas no conjunto delas, impõe-se uma análise nessas diversas áreas de conhecimento, sendo que aquele que restringir seu campo de estudo a apenas uma dessas nascentes por certo estará fadado a muito pouco fazer para a solução do problema. A cada cidadão compete, inicialmente, compreender o tema a que estamos nos referindo, retirando-se do obscurantismo causado pela ignorância e pela alienação.

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