Flávio Lauria

Preguiça


O brasileiro é preguiçoso. Digo isso com convicção, pois me incluo nesse rol, para minha própria vergonha. A preguiça é a intransponível distância entre saber o que fazer e querer fazer. Ter consciência do que fazer, da potencialidade de algo, e efetivamente mover-se para realizar, são coisas totalmente distintas, que demandam grande vontade. Daí talvez o dito popular: “força de vontade”. Ter vontade não basta, é preciso empurrá-la, com muita força. O brasileiro sabe muito, é comunicativo e troca informações como poucos povos. Não é à toa que em nosso País o uso da internet bate recordes, assim como o consumo de telefones celulares.

Todos estão conectados. Trocar informações, apenas, não basta. Ter consciência de grande nação, com recursos naturais infindáveis, temperatura ideal com economia de energia (diferentemente dos países do Norte, dependentes absurdamente de meios de aquecimento no rigor do inverno), e tantos outros atributos, não permitem dizer que o País se move com a qualidade e velocidade necessárias e possíveis.

A nossa preguiça decorre de sabermos a diferença entre o certo e o errado, mas demorarmos para agir. A crise de confiança frente aos políticos é traço nítido de preguiça. Ao invés de optar pela luta, pela conquista de condições melhores de vida para si, deixamos o político “ficar bem”, arranjar apoiadores, “cupinxar”. Outra preguiça monumental está na questão dos tributos. Todo brasileiro decente, que deseja pagar impostos e participar efetivamente da vida cidadã, está farto da sangria feita em seu bolso.

O problema é que, se chiar, vai ficar malvisto, vai ser um entojo nas rodas sociais, repetitivo, e se sair pelas ruas de bandeira na mão será mais um pelego, um chorão... Outras preguiças também existem, como as ligadas ao acinte chamado “transposição do São Francisco”, e também os tais “finalizar CPI e colocar gente na cadeia”, “construir mais presídios”, “combater o contrabando”, “prender corruptos” e tantos outros.

Assim vai andando o Brasil, de vácuo em vácuo, de Temer em Temer, pelo reino da mediocridade. Parece-nos chegado o momento para que o País alfabetizado e relativamente bem informado sobre as suas principais circunstâncias saia desse tipo de opressão que é a preguiça do exercício do Poder. Exige e reclama o Poder mais discernida discriminação sobretudo na faixa da competência em que atuam o Executivo e o Legislativo.

A vastidão terráquea do País e as manifestas peculiaridades de suas numerosas regiões, essa maravilhosa diversidade que nos parece uma das notas distintivas do povo brasileiro em cotejo com inúmeras conformidades nacionais aborrecidas e monótonas, tudo aconselha um gesto nacional de deixar de preguiça e agir.

Flávio Lauria

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Preguiça

Flávio Lauria

lauriaferreira@hotmail.com


O brasileiro é preguiçoso. Digo isso com convicção, pois me incluo nesse rol, para minha própria vergonha. A preguiça é a intransponível distância entre saber o que fazer e querer fazer. Ter consciência do que fazer, da potencialidade de algo, e efetivamente mover-se para realizar, são coisas totalmente distintas, que demandam grande vontade. Daí talvez o dito popular: “força de vontade”. Ter vontade não basta, é preciso empurrá-la, com muita força. O brasileiro sabe muito, é comunicativo e troca informações como poucos povos. Não é à toa que em nosso País o uso da internet bate recordes, assim como o consumo de telefones celulares.

Todos estão conectados. Trocar informações, apenas, não basta. Ter consciência de grande nação, com recursos naturais infindáveis, temperatura ideal com economia de energia (diferentemente dos países do Norte, dependentes absurdamente de meios de aquecimento no rigor do inverno), e tantos outros atributos, não permitem dizer que o País se move com a qualidade e velocidade necessárias e possíveis.

A nossa preguiça decorre de sabermos a diferença entre o certo e o errado, mas demorarmos para agir. A crise de confiança frente aos políticos é traço nítido de preguiça. Ao invés de optar pela luta, pela conquista de condições melhores de vida para si, deixamos o político “ficar bem”, arranjar apoiadores, “cupinxar”. Outra preguiça monumental está na questão dos tributos. Todo brasileiro decente, que deseja pagar impostos e participar efetivamente da vida cidadã, está farto da sangria feita em seu bolso.

O problema é que, se chiar, vai ficar malvisto, vai ser um entojo nas rodas sociais, repetitivo, e se sair pelas ruas de bandeira na mão será mais um pelego, um chorão... Outras preguiças também existem, como as ligadas ao acinte chamado “transposição do São Francisco”, e também os tais “finalizar CPI e colocar gente na cadeia”, “construir mais presídios”, “combater o contrabando”, “prender corruptos” e tantos outros.

Assim vai andando o Brasil, de vácuo em vácuo, de Temer em Temer, pelo reino da mediocridade. Parece-nos chegado o momento para que o País alfabetizado e relativamente bem informado sobre as suas principais circunstâncias saia desse tipo de opressão que é a preguiça do exercício do Poder. Exige e reclama o Poder mais discernida discriminação sobretudo na faixa da competência em que atuam o Executivo e o Legislativo.

A vastidão terráquea do País e as manifestas peculiaridades de suas numerosas regiões, essa maravilhosa diversidade que nos parece uma das notas distintivas do povo brasileiro em cotejo com inúmeras conformidades nacionais aborrecidas e monótonas, tudo aconselha um gesto nacional de deixar de preguiça e agir.

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