Flávio Lauria

O país tem jeito


A teoria do Brasil à beira do abismo é antiga. Faz mais de um século que os pessimistas dizem que este país não tem jeito. É o grupo dos catastrofistas, que usam sua literatura para decretar a nossa incapacidade de consolidar a democracia e reverter a situação de marginalidade da maioria da população.

Do outro lado figuram tipos naquela base do nossos bosques tem mais flores e nosso céu mais estrelas. Os governos costumam bancar a cena otimista e foi com entusiasmo quase juvenil que o presidente Juscelino (1956/1961) conduziu o seu programa de fazer o Brasil crescer 50 anos em 5. Gastou-se uma fábula de dinheiro fabricado para financiar um grande volume de obras. Força é reconhecer que naquele tempo havia um clima de discussão aberta. Só que os resultados surtiram efeito negativo nas finanças, com o aumento do endividamento externo e a espiral inflacionária, agravada com a renúncia de Jânio Quadros (agosto de 1961) e a crise que desaguou no golpe de 1964.

Na verdade, otimistas e pessimistas formam o mosaico que mostra o Brasil como um país dualista, que alterna humores divergentes. Somos, como dizia Euclides da Cunha, um povo em formação ainda hoje, quase cem anos depois da primeira edição do livro Os Sertões que sofre influências negativas de políticas que privilegiam os impérios centrais.

As ditaduras mais recentes (a de Getúlio Vargas (1937 a 1945) e a dos militares (1964/1985) resultaram na quebra do otimismo, gerando um deformado processo de comportamento. Só mesmo nos grotões, como escreveu recentemente o escritor Antônio Torres (autor de Balada de Infância Perdida ), ainda se encontram professoras e alunos de curso fundamental cantando hinos patrióticos.

As escolas de elite trocaram o preito aos símbolos nacionais por viagens a Disneylândia. Cantar o Hino Nacional para esse tipo de educação soa como coisa de um mundo caduco. Entre as duas posições, há sempre de lembrar que a virtude está no meio.

É este o pensamento de um grande brasileiro, o sociólogo e pensador Milton Santos, para quem diante da crise brutal que marginaliza o nosso povo, vale lembrar a França dos tempos da queda da bastilha. O imperador Luiz XVI disse que não havia nada. No dia seguinte explodiu a Revolução Francesa e milhares de cabeças rolaram. A famosa cordialidade do nosso povo pode ter um limite. 
A menos que o governo deixe de fazer pose para o mundo exterior e seja convertido a um programa de construção nacional. É um sonho que acalentamos desde os tempos da Inconfidência Mineira.

É claro que a violência, a tragédia, a corrupção a crise  Ee o comportamento de alguns ministros do nosso Supremo, estão aí na nossa cara, mas é preciso ter pelo menos uma dose de otimismo, senão de nada restará lutar para tirar do comando os delinquentes. 

Flávio Lauria

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O país tem jeito

Flávio Lauria

lauriaferreira@hotmail.com


A teoria do Brasil à beira do abismo é antiga. Faz mais de um século que os pessimistas dizem que este país não tem jeito. É o grupo dos catastrofistas, que usam sua literatura para decretar a nossa incapacidade de consolidar a democracia e reverter a situação de marginalidade da maioria da população.

Do outro lado figuram tipos naquela base do nossos bosques tem mais flores e nosso céu mais estrelas. Os governos costumam bancar a cena otimista e foi com entusiasmo quase juvenil que o presidente Juscelino (1956/1961) conduziu o seu programa de fazer o Brasil crescer 50 anos em 5. Gastou-se uma fábula de dinheiro fabricado para financiar um grande volume de obras. Força é reconhecer que naquele tempo havia um clima de discussão aberta. Só que os resultados surtiram efeito negativo nas finanças, com o aumento do endividamento externo e a espiral inflacionária, agravada com a renúncia de Jânio Quadros (agosto de 1961) e a crise que desaguou no golpe de 1964.

Na verdade, otimistas e pessimistas formam o mosaico que mostra o Brasil como um país dualista, que alterna humores divergentes. Somos, como dizia Euclides da Cunha, um povo em formação ainda hoje, quase cem anos depois da primeira edição do livro Os Sertões que sofre influências negativas de políticas que privilegiam os impérios centrais.

As ditaduras mais recentes (a de Getúlio Vargas (1937 a 1945) e a dos militares (1964/1985) resultaram na quebra do otimismo, gerando um deformado processo de comportamento. Só mesmo nos grotões, como escreveu recentemente o escritor Antônio Torres (autor de Balada de Infância Perdida ), ainda se encontram professoras e alunos de curso fundamental cantando hinos patrióticos.

As escolas de elite trocaram o preito aos símbolos nacionais por viagens a Disneylândia. Cantar o Hino Nacional para esse tipo de educação soa como coisa de um mundo caduco. Entre as duas posições, há sempre de lembrar que a virtude está no meio.

É este o pensamento de um grande brasileiro, o sociólogo e pensador Milton Santos, para quem diante da crise brutal que marginaliza o nosso povo, vale lembrar a França dos tempos da queda da bastilha. O imperador Luiz XVI disse que não havia nada. No dia seguinte explodiu a Revolução Francesa e milhares de cabeças rolaram. A famosa cordialidade do nosso povo pode ter um limite. 
A menos que o governo deixe de fazer pose para o mundo exterior e seja convertido a um programa de construção nacional. É um sonho que acalentamos desde os tempos da Inconfidência Mineira.

É claro que a violência, a tragédia, a corrupção a crise  Ee o comportamento de alguns ministros do nosso Supremo, estão aí na nossa cara, mas é preciso ter pelo menos uma dose de otimismo, senão de nada restará lutar para tirar do comando os delinquentes. 

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