Flávio Lauria

Lição democrática

Os profetas do caos animam a falácia de o Brasil não tem jeito. Tem jeito sim, tem presente e tem futuro


No dia que comemoramos além da vitória da seleção brasileira em Manaus contra a Colômbia, festejamos a Independência do Brasil com um dos fatos históricos mais importantes de nosso País, pois marca o fim do domínio português e a conquista da autonomia política, quero lembrar que não foi o Estado que melhorou no Brasil, a sociedade é que se transformou.
Aquela época aumentaram no Brasil as pressões e descontentamento contra o monopólio comercial imposto por Portugal ao Brasil. As elites agrária e comercial brasileira desejavam liberdade econômica para poder ampliar o comércio de seus produtos. Esta liberdade só seria obtida com a independência do País.
O tempo ensina que os governados acabam sendo melhores que os governantes. Trazendo para os dias de hoje, foi-se o tempo em que os eleitos com mandato mandavam livremente nos eleitores comandados. O campo de manobra das ações governamentais está cada vez mais estreito.
A sociedade fez conquistas políticas no campo democrático. Mesmo que o governo queira proteger seus candidatos, as estatais deixam de ser o quintal para os desmandos do poder. As agências reguladoras não negociarão sua política de responsabilidade por um balaio de votos.
Por mais que a política neoliberal não goste, o Brasil já viveu tempos de desbragado estelionato eleitoral. Podem existir ainda algumas brisas de corrupção política, mas os ventos mudaram. A tática de transformação do povo está lentamente mudando a ética de comportamento dos governantes. São conquistas que a sociedade vai acumulando a cada eleição, são limites que o cidadão vem impondo a cada governo. É a lição democrática que só o uso sucessivo do exercício do voto pode ensinar.
O governante tem o legítimo direito de querer fazer seu sucessor. O povo tem o inquestionável direito de impor limites às preferências governamentais. Hoje, qualquer deslize lhe será cobrado pela história e, em curtíssimo prazo, pelo implacável julgamento das urnas.
Impossível, os interesses nacionais ou locais, não podem mais ser negociados na bacia das almas. Exige-se a distinção entre ressentimentos provincianos e a grande conquista popular do controle da máquina estatal. Não há outro caminho para acertar bem do que errar muitas vezes.
A sociedade vota certo quando vota muitas vezes. Os profetas do caos animam a falácia de o Brasil não tem jeito. Tem jeito sim, tem presente e tem futuro. O País tem solução porque seu povo é maior que a desesperança. A sociedade é muito mais adulta do que a máquina cartorial do Estado montada nestes País há quinhentos anos.
Esta solidez da teia social, flexível como as redes e resistentes como cabos de sustentação, forçou o Estado a ser menor e encolher-se a seu mero papel de espectador do processo. No caso específico dessas eleições de Outubro, escolheremos os vereadores e o Prefeito de Manaus. Seja quem ganhe as eleições, já há festejado um vencedor com glória: a sociedade.

Flávio Lauria

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Lição democrática

Os profetas do caos animam a falácia de o Brasil não tem jeito. Tem jeito sim, tem presente e tem futuro

Flávio Lauria

lauriaferreira@hotmail.com


No dia que comemoramos além da vitória da seleção brasileira em Manaus contra a Colômbia, festejamos a Independência do Brasil com um dos fatos históricos mais importantes de nosso País, pois marca o fim do domínio português e a conquista da autonomia política, quero lembrar que não foi o Estado que melhorou no Brasil, a sociedade é que se transformou.
Aquela época aumentaram no Brasil as pressões e descontentamento contra o monopólio comercial imposto por Portugal ao Brasil. As elites agrária e comercial brasileira desejavam liberdade econômica para poder ampliar o comércio de seus produtos. Esta liberdade só seria obtida com a independência do País.
O tempo ensina que os governados acabam sendo melhores que os governantes. Trazendo para os dias de hoje, foi-se o tempo em que os eleitos com mandato mandavam livremente nos eleitores comandados. O campo de manobra das ações governamentais está cada vez mais estreito.
A sociedade fez conquistas políticas no campo democrático. Mesmo que o governo queira proteger seus candidatos, as estatais deixam de ser o quintal para os desmandos do poder. As agências reguladoras não negociarão sua política de responsabilidade por um balaio de votos.
Por mais que a política neoliberal não goste, o Brasil já viveu tempos de desbragado estelionato eleitoral. Podem existir ainda algumas brisas de corrupção política, mas os ventos mudaram. A tática de transformação do povo está lentamente mudando a ética de comportamento dos governantes. São conquistas que a sociedade vai acumulando a cada eleição, são limites que o cidadão vem impondo a cada governo. É a lição democrática que só o uso sucessivo do exercício do voto pode ensinar.
O governante tem o legítimo direito de querer fazer seu sucessor. O povo tem o inquestionável direito de impor limites às preferências governamentais. Hoje, qualquer deslize lhe será cobrado pela história e, em curtíssimo prazo, pelo implacável julgamento das urnas.
Impossível, os interesses nacionais ou locais, não podem mais ser negociados na bacia das almas. Exige-se a distinção entre ressentimentos provincianos e a grande conquista popular do controle da máquina estatal. Não há outro caminho para acertar bem do que errar muitas vezes.
A sociedade vota certo quando vota muitas vezes. Os profetas do caos animam a falácia de o Brasil não tem jeito. Tem jeito sim, tem presente e tem futuro. O País tem solução porque seu povo é maior que a desesperança. A sociedade é muito mais adulta do que a máquina cartorial do Estado montada nestes País há quinhentos anos.
Esta solidez da teia social, flexível como as redes e resistentes como cabos de sustentação, forçou o Estado a ser menor e encolher-se a seu mero papel de espectador do processo. No caso específico dessas eleições de Outubro, escolheremos os vereadores e o Prefeito de Manaus. Seja quem ganhe as eleições, já há festejado um vencedor com glória: a sociedade.

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