Flávio Lauria

Jogo de Cena


José Américo de Almeida, notável tribuno e honrado político, quando ia pronunciar um dos seus famosos discursos no Senado, anunciava que iria dar “um grito”. Eram pronunciamentos de grande repercussão pela consistência da crítica e importância do evento, respeitosamente ouvidos por todos os seus pares.

Antes, em 1945, José Américo fora autor de uma entrevista que abalou os alicerces da ditadura e colaborou para a derrubada de Getúlio, reimplantando-se a democracia. Vou dar o meu grito: o país está apodrecido, de norte a sul e a cada dia um novo fato lamentável ocorre. Até o sacrossanto futebol nacional, sadia alegria do povo, está contaminado pela imoralidade de gente que está transformando o torcedor em otário, porque sai do estádio sem saber se viu um jogo ou uma chanchada. Lamentável o país estar contaminado por uma epidemia de imoralidade, que vai adoecendo todos os setores, com as honrosas exceções do Ministério Público e da Justiça (salvo alguns necrosados indivíduos já identificados).

O Brasil precisa de uma lavagem de moralidade e uma renovação política que imponha costumes mais puros, em uma varredura que reponha o país no clima de moralidade. Não existem mais partidos políticos e sim simples aglomerações, que nada expressam ideologicamente. Neles se agrupam políticos sem afinidades, movidos por um interesse pessoal momentâneo, não por vínculos filosóficos. Não se respeitam programas ou promessas partidárias. Pensa-se apenas em ganhar projeções rendosas seja lá mediante que compromissos assumir.

Condena-se deputado porque teria recebido um mensalão de um fulano qualquer. Porém, em plena CPI, verifica-se que o governo paga R$ 500 milhões para atender a emendas apresentadas por deputados, para que estes sejam simpáticos a determinada candidatura para eleição da mesa. Como se chama isto? Mensalão, mensalinho, que significa essa pipoca jogada no colo dos eleitores do presidente da Câmara? A próxima eleição é o momento oportuno da desforra do eleitorado. Que tenha a consciência cívica capaz de expurgar do mundo político quem não mereça lá estar.

A realidade é uma só: a reeleição é um desserviço à nação, porque o eleito, ao entrar no governo, só pensa no segundo mandato. Foi um desserviço que Fernando Henrique Cardoso prestou ao país, ao incentivá-la – será este o verbo correto? – para renovação do seu período. Veio o novo governo com o seu partido, o PT, pensando na eternidade no poder.

Deveria existir uma emenda constitucional em que seria proibido em nome de Deus e da moralidade que alguém fale nessa malsinada palavra, proscrita do dicionário.

Sopraram aos ouvidos de JK e de Itamar Franco esta mesma palavra, que nem aceitaram fosse repetida. Não por acaso, as eleições costumam ser precedidas de tiroteio entre os caciques da politica brasileira. Todos Subitamente se convertem à causa da moralização dos costumes administrativos.

Esse jogo de cena, cada vez mais canhestro, é resultado das denuncias cabeludas serem manipuladas por políticos profissionais ao sabor de seus interesses eleitoreiros. Nenhum deles mostra efetiva preocupação em fortalecer as instituições de forma a evitar que continuem a ser aviltadas e saqueadas. O cidadão está sendo feito de bobo. As denuncias, como têm sido propaladas, não têm nenhum compromisso com a moralidade pública.

O respeitável público só toma conhecimento de falcatruas, quando os membros das quadrilhas se desentendem ou quando estão em questão jogadas de efeito no jogo em que se disputa um naco do poder municipal, estadual ou federal. É triste.

Flávio Lauria

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Jogo de Cena

Flávio Lauria

lauriaferreira@hotmail.com


José Américo de Almeida, notável tribuno e honrado político, quando ia pronunciar um dos seus famosos discursos no Senado, anunciava que iria dar “um grito”. Eram pronunciamentos de grande repercussão pela consistência da crítica e importância do evento, respeitosamente ouvidos por todos os seus pares.

Antes, em 1945, José Américo fora autor de uma entrevista que abalou os alicerces da ditadura e colaborou para a derrubada de Getúlio, reimplantando-se a democracia. Vou dar o meu grito: o país está apodrecido, de norte a sul e a cada dia um novo fato lamentável ocorre. Até o sacrossanto futebol nacional, sadia alegria do povo, está contaminado pela imoralidade de gente que está transformando o torcedor em otário, porque sai do estádio sem saber se viu um jogo ou uma chanchada. Lamentável o país estar contaminado por uma epidemia de imoralidade, que vai adoecendo todos os setores, com as honrosas exceções do Ministério Público e da Justiça (salvo alguns necrosados indivíduos já identificados).

O Brasil precisa de uma lavagem de moralidade e uma renovação política que imponha costumes mais puros, em uma varredura que reponha o país no clima de moralidade. Não existem mais partidos políticos e sim simples aglomerações, que nada expressam ideologicamente. Neles se agrupam políticos sem afinidades, movidos por um interesse pessoal momentâneo, não por vínculos filosóficos. Não se respeitam programas ou promessas partidárias. Pensa-se apenas em ganhar projeções rendosas seja lá mediante que compromissos assumir.

Condena-se deputado porque teria recebido um mensalão de um fulano qualquer. Porém, em plena CPI, verifica-se que o governo paga R$ 500 milhões para atender a emendas apresentadas por deputados, para que estes sejam simpáticos a determinada candidatura para eleição da mesa. Como se chama isto? Mensalão, mensalinho, que significa essa pipoca jogada no colo dos eleitores do presidente da Câmara? A próxima eleição é o momento oportuno da desforra do eleitorado. Que tenha a consciência cívica capaz de expurgar do mundo político quem não mereça lá estar.

A realidade é uma só: a reeleição é um desserviço à nação, porque o eleito, ao entrar no governo, só pensa no segundo mandato. Foi um desserviço que Fernando Henrique Cardoso prestou ao país, ao incentivá-la – será este o verbo correto? – para renovação do seu período. Veio o novo governo com o seu partido, o PT, pensando na eternidade no poder.

Deveria existir uma emenda constitucional em que seria proibido em nome de Deus e da moralidade que alguém fale nessa malsinada palavra, proscrita do dicionário.

Sopraram aos ouvidos de JK e de Itamar Franco esta mesma palavra, que nem aceitaram fosse repetida. Não por acaso, as eleições costumam ser precedidas de tiroteio entre os caciques da politica brasileira. Todos Subitamente se convertem à causa da moralização dos costumes administrativos.

Esse jogo de cena, cada vez mais canhestro, é resultado das denuncias cabeludas serem manipuladas por políticos profissionais ao sabor de seus interesses eleitoreiros. Nenhum deles mostra efetiva preocupação em fortalecer as instituições de forma a evitar que continuem a ser aviltadas e saqueadas. O cidadão está sendo feito de bobo. As denuncias, como têm sido propaladas, não têm nenhum compromisso com a moralidade pública.

O respeitável público só toma conhecimento de falcatruas, quando os membros das quadrilhas se desentendem ou quando estão em questão jogadas de efeito no jogo em que se disputa um naco do poder municipal, estadual ou federal. É triste.

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